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Livre-se dos coloquialismos

Friday, September 1st, 2017

Um dos problemas que mais incomodam quem escreve é a presença indevida de coloquialismos. Você sabe que deve seguir, em suas respostas a questões discursivas e na redação, a norma-padrão da língua portuguesa, vale dizer, o modelo de discurso, também chamado formal, que é utilizado nas escolas, na universidade, nas comunicações pela mídia, etc., etc., em todo o território nacional. Seus professores, desde o ensino fundamental, utilizaram a norma-padrão para que você, com o tempo, também se acostumasse a utilizá-la. Já a utilização coloquial da língua ocorre nas conversas informais, em casa, com os amigos, em todas as situações de utilização do discurso em que a formalidade seja desnecessária. O discurso coloquial, assim, não tem compromisso com a norma-padrão. Está errado, então? Claro que não. É apenas uma outra forma de utilização da língua, uma utilização informal, descompromissada. Erro, sim, será empregar termos e soluções do discurso coloquial no discurso formal, regido pela norma-padrão. Não é, portanto, um erro gramatical, mas um lapso de utilização indevida de um elemento lá onde deveria ser utilizado outro.  Algo como um jogador do São Paulo voltar para o segundo tempo com a camisa do Palmeiras.

Você sabe disso, pois seus professores do ensino médio e dos cursos preparatórios fizeram muitas exposições a respeito, sobretudo no ensino e na prática de redação. Devem ter-lhe dito também que os coloquialismos são bastante insidiosos, razão por que volta e meia se insinuam em suas redações e respostas discursivas. É preciso, deste modo, ter bastante cuidado com eles, para evitar que uma penalização possa por em perigo sua aprovação no vestibular.

Coloquialismo com que devemos tomar muito cuidado, por exemplo, é o do emprego do verbo ter com o sentido de existir. Os professores gostam de citar a frase Felicidade é algo que não tem como um desses exemplos insidiosos. A norma-padrão impõe, nessa frase, o emprego do verbo haver: Felicidade é algo que não há. Você poderá até gostar mais, como gosta o Blogueiro, da primeira frase, mais ainda inserindo a palavra coisa: Felicidade é coisa que não tem. Bonitinho, não é? Claro que é, mas no seu devido lugar, na comunicação ordinária, familiar, popular. Não numa redação de vestibular.

Outro coloquialismo perigoso é a gente. Utilizamos muitíssimo essa expressão de valor pronominal em nossas conversas diárias, descompromissadas: a gente vai, a gente quer, a gente não entende o que aconteceu, etc., etc. De tão empregada, nem mesmo a pronunciamos de um só modo: dizemos a gente, a genti, a enti, enti. Não acredita? Então comece a reparar como seus familiares, amigos e o povo em geral a pronunciam. Perceberá que o Blogueiro sabe das coisas. Pois bem, em suas redações e respostas discursivas, basta empregar o pronome nós: nós vamos, nós queremos, nós não entendemos o que aconteceu, etc., etc.

Tão enganador quanto os dois exemplos dados é o de uso da palavra tipo para expressar comparação: Essa sensação é tipo uma dor de estômago. Era um aparelho tipo celular. Era um animalzinho tipo um ratinho. Observou bem? O uso de tipo em todos esses exemplos é para expressar uma semelhança ou parecença. Seu emprego já está muito disseminado coloquialmente em nosso país, o que não o torna adequado à norma-padrão. Deve ser evitado inclusive numa entrevista para obtenção de estágio ou emprego, pois será fatalmente considerado indicador de pobreza de vocabulário e discurso. A língua portuguesa nos fornece muitos recursos para eliminar tal uso impróprio e empobrecedor: É uma sensação semelhante à dor de estômago, Era um aparelho parecido com um celular, Era um animal muito semelhante a um ratinho.

Percebeu? Então trate de fazer uma visita a sites que focalizam as diferenças entre o discurso coloquial e o discurso formal. Você irá aperfeiçoar mais ainda sua capacidade de expressão e evitará que estes e outros traiçoeiros usos coloquiais prejudiquem suas provas.