Archive for September, 2017

Rimas e repetições: um horror!

Friday, September 15th, 2017

O Blogueiro vem insistindo, nos artigos que posta, em aspectos estilísticos da redação. Observa sempre que não basta escrever de acordo com a norma-padrão, nem tampouco conforme as regras de ortografia e de gramática. Escrever vai muito além dessa base, requer cuidados com o estilo de quem cria o texto. Os grandes escritores são justamente aqueles que se distinguem por dominarem um estilo, um modo muito particular e pessoal de elaboração do texto, quer na criação dos períodos, quer na organização destes em parágrafos, quer nas escolhas vocabulares que faz.

Pois você tem também seu modo próprio de escrever, ou seja, seu estilo, que requer cuidados muito especiais e se vai elaborando e enriquecendo ao longo do tempo e de seu hábito de criar textos.

Que quer dizer, afinal, o Blogueiro? Muito simples: que um texto pode estar correto sob diferentes aspectos gramaticais e de coesão textual, mas ainda pode não estar satisfatório sob o ponto de vista estilístico. Observe, abaixo, um exemplo que um velho professor sempre apresentava, ao manifestar-se a seus alunos sobre o assunto:

 

Cruz! Faltou a luz quando eu propus a solução que não reduz a produção.

 

É claro que todos os alunos (o Blogueiro entre eles) riam bastante, em função do exagero da frase apresentada, que está cheia de rimas. Alguns alunos diziam que jamais diriam ou escreveriam uma frase como aquela. Será? Na verdade, o que o velho professor queria alertar era simples: o perigo que a língua portuguesa apresenta em função do grande número de palavras terminadas em –uz, -us e em -ão. Essa profusão de vocábulos nos faz cair muitas vezes em armadilhas como a que gerou o exemplo apresentado. O português, além disso, possui também numerosas palavras terminadas em –ente, -ida, -ido, -indo, -ando, -endo, etc., etc. Cair na armadilha dos ecos e das rimas, por isso, é muito fácil. Todo o cuidado é pouco para evitar essas repetições que empobrecem estilisticamente nosso texto.

Você poderá dizer que isso não acontece mais hoje. Claríssimo que acontece. O Blogueiro escreveu este artigo exatamente por ter sido provocado pela leitura de notícias de jornais publicadas na rede. Observe os dois exemplos abaixo, encontrados nos últimos dias (algumas palavras foram mudadas, para evitar reclamações):

 

Acompanhou, par e passo, cada passo do andamento dessa operação.

De propriedade do empresário, que também foi denunciado, a indústria foi, segundo o promotor, o canal utilizado para receber e distribuir a propina.

 

Notou? Na primeira frase, o jornalista, para mostrar competência no escrever, se deu ao luxo de empregar a locução par e passo, quando deveria empregar pari passu, expressão latina que significa simultaneamente, a passo igual. E escorregou também ao empregar novamente a palavra passo na sequência, o que criou um eco indesejável. Com um pouco mais de cuidado, perceberia que poderia substituir pari passu por a passo igual ou por simultaneamente, ao mesmo tempo. Ou então deixar pari passu e substituir cada passo por cada fase.

Já na segunda frase, temos a repetição indesejável e desnecessária da forma verbal foi, quando seria muito fácil substituir que também foi denunciado por também denunciado, o que deixaria até mais leve a sequência. E assim poderiam ser feitas outras modificações para evitar o eco entre as duas formas verbais. Note também a rima entre denunciado e utilizado, que poderia ser evitada com a substituição de uma dessas duas formas por outra com diferente terminação.

Pois é. O Blogueiro tem certeza de que você entendeu direitinho os recados: primeiro, evitar repetições desnecessárias, que geram ecos e rimas em seu texto; segundo, não tentar demonstrar competência no emprego de certas expressões, particularmente de origem latina, se não tem plena certeza do que está fazendo.

Conclusão: ter estilo não significa exibir-se, mas ser autêntico, fazer com que seu texto reflita exatamente quem você é. Valeu?

 

Pontuação: não invente problemas

Monday, September 11th, 2017

Vocêjáteveproblemascomossinaisdepontuaçãoporcertotrata-sedeumaspecto importanteparaaclarezadodiscursovaledizerparaqueosleitoresdenossostextosnãotenham dificuldadedeentendernossamensagem.

O parágrafo acima parece um pouco confuso, não parece? Claro que sim. O Blogueiro o fez assim, retirando os espaços entre os vocábulos, as maiúsculas que marcam início de período e os sinais de pontuação, para que você perceba, de um modo brincalhão, mas didático, como são necessários tais expedientes para a compreensão dos textos escritos. Então observe como deveria ter sido escrito o parágrafo:

Você já teve problemas com os sinais de pontuação? Por certo. Trata-se de um aspecto importante para a clareza do discurso, vale dizer, para que os leitores de nossos textos não tenham dificuldade de entender nossa mensagem.

Percebeu? Pois é. Então não duvide de que tal forma de sinalização foi criada com objetivos bastante lógicos. Em primeiro lugar, os espaços servem para distinguir entre si os vocábulos, o que facilita tremendamente a compreensão ao longo da leitura. Em segundo lugar, os sinais de pontuação identificam orações (por meio da vírgula ou do ponto-e-vírgula) e períodos (por meio do ponto). As iniciais maiúsculas, neste segundo caso, auxiliam a pontuação, marcando inícios de períodos. Resultado: nosso leitor tem seu trabalho de leitura e interpretação de nosso texto bastante facilitado, evitando-se a dificuldade e a confusão do exemplo inicial deste artigo.

Claro que você entendeu. Então note que, mesmo aparentemente desprezíveis, os espaços entre palavras são absolutamente necessários. Mais ainda quando você redige com uma caneta. Aceite, deste modo, um conselho: procure deixar os espaços bastante claros; não caia na armadilha de escrever as palavras juntinhas, com um mínimo de espaço, porque a tensão de uma prova pode fazer você unir sem querer duas palavras e gerar uma terceira que nada tem a ver com o seu texto. Um exemplo forjado com base no quarto parágrafo deste artigo, suprimindo-se um dos espaços entre vocábulos e, sem querer, gerando um inexistente: Então não duvide de quetal forma de sinalização. Sem querer (por hipótese), o Blogueiro, ao suprimir o espaço, criou o vocábulo quetal. Imagine o que poderia acontecer em qualquer outro caso, até mesmo a produção de um vocábulo vulgar ou uma palavra de baixo calão. Perigoso, não?

Outro problema é usar sem muito controle o ponto-de-exclamação. Alguns estudantes apanham a mania de terminar períodos com esse sinal, o que tumultua seu discurso. Não esqueça: o ponto-de-exclamação serve para sinalizar emoção, sentimento, na expressão do período. Então, use-o com moderação, sobretudo em um texto dissertativo, em que se requer lógica, raciocínio, argumentação. Isto vale também para o emprego de reticências: cuidado com elas. Melhor até não empregar em texto dissertativo.

Finalmente, não descuide de marcar os inícios de período com inicial maiúscula da primeira palavra. Trata-se de um erro reprovável, porque perturba o fluxo da leitura, fazendo o leitor parar, em dúvida.

Valeram os alertas? O Blogueiro acha que sim. O principal objetivo dessas formas sinalizadoras é a facilidade e clareza da leitura. E é exatamente isso que você pretende da banca de correção.

 

Livre-se dos coloquialismos

Friday, September 1st, 2017

Um dos problemas que mais incomodam quem escreve é a presença indevida de coloquialismos. Você sabe que deve seguir, em suas respostas a questões discursivas e na redação, a norma-padrão da língua portuguesa, vale dizer, o modelo de discurso, também chamado formal, que é utilizado nas escolas, na universidade, nas comunicações pela mídia, etc., etc., em todo o território nacional. Seus professores, desde o ensino fundamental, utilizaram a norma-padrão para que você, com o tempo, também se acostumasse a utilizá-la. Já a utilização coloquial da língua ocorre nas conversas informais, em casa, com os amigos, em todas as situações de utilização do discurso em que a formalidade seja desnecessária. O discurso coloquial, assim, não tem compromisso com a norma-padrão. Está errado, então? Claro que não. É apenas uma outra forma de utilização da língua, uma utilização informal, descompromissada. Erro, sim, será empregar termos e soluções do discurso coloquial no discurso formal, regido pela norma-padrão. Não é, portanto, um erro gramatical, mas um lapso de utilização indevida de um elemento lá onde deveria ser utilizado outro.  Algo como um jogador do São Paulo voltar para o segundo tempo com a camisa do Palmeiras.

Você sabe disso, pois seus professores do ensino médio e dos cursos preparatórios fizeram muitas exposições a respeito, sobretudo no ensino e na prática de redação. Devem ter-lhe dito também que os coloquialismos são bastante insidiosos, razão por que volta e meia se insinuam em suas redações e respostas discursivas. É preciso, deste modo, ter bastante cuidado com eles, para evitar que uma penalização possa por em perigo sua aprovação no vestibular.

Coloquialismo com que devemos tomar muito cuidado, por exemplo, é o do emprego do verbo ter com o sentido de existir. Os professores gostam de citar a frase Felicidade é algo que não tem como um desses exemplos insidiosos. A norma-padrão impõe, nessa frase, o emprego do verbo haver: Felicidade é algo que não há. Você poderá até gostar mais, como gosta o Blogueiro, da primeira frase, mais ainda inserindo a palavra coisa: Felicidade é coisa que não tem. Bonitinho, não é? Claro que é, mas no seu devido lugar, na comunicação ordinária, familiar, popular. Não numa redação de vestibular.

Outro coloquialismo perigoso é a gente. Utilizamos muitíssimo essa expressão de valor pronominal em nossas conversas diárias, descompromissadas: a gente vai, a gente quer, a gente não entende o que aconteceu, etc., etc. De tão empregada, nem mesmo a pronunciamos de um só modo: dizemos a gente, a genti, a enti, enti. Não acredita? Então comece a reparar como seus familiares, amigos e o povo em geral a pronunciam. Perceberá que o Blogueiro sabe das coisas. Pois bem, em suas redações e respostas discursivas, basta empregar o pronome nós: nós vamos, nós queremos, nós não entendemos o que aconteceu, etc., etc.

Tão enganador quanto os dois exemplos dados é o de uso da palavra tipo para expressar comparação: Essa sensação é tipo uma dor de estômago. Era um aparelho tipo celular. Era um animalzinho tipo um ratinho. Observou bem? O uso de tipo em todos esses exemplos é para expressar uma semelhança ou parecença. Seu emprego já está muito disseminado coloquialmente em nosso país, o que não o torna adequado à norma-padrão. Deve ser evitado inclusive numa entrevista para obtenção de estágio ou emprego, pois será fatalmente considerado indicador de pobreza de vocabulário e discurso. A língua portuguesa nos fornece muitos recursos para eliminar tal uso impróprio e empobrecedor: É uma sensação semelhante à dor de estômago, Era um aparelho parecido com um celular, Era um animal muito semelhante a um ratinho.

Percebeu? Então trate de fazer uma visita a sites que focalizam as diferenças entre o discurso coloquial e o discurso formal. Você irá aperfeiçoar mais ainda sua capacidade de expressão e evitará que estes e outros traiçoeiros usos coloquiais prejudiquem suas provas.