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Redações pré-fabricadas

Wednesday, August 30th, 2017

Desde que as redações voltaram aos vestibulares, na década de oitenta, alguns cursos preparatórios passaram a dedicar-se a ensinar certos lugares-comuns ou chavões de início ou de final. Os candidatos recebiam informações sobre como começar um texto com tais chavões: desde a mais remota antiguidade, desde o princípio dos tempos, desde tempos imemoriais, desde que o homem é homem, etc., etc. Assim também para os parágrafos finais: como esperamos ter demonstrado, como ficou claro com a argumentação apresentada, como se pode concluir, como consequência dos argumentos aqui apresentados, etc., etc. E assim por diante.

Ensinamentos válidos? Nem um pouco. As bancas corretoras, formadas por especialistas e bem treinadas, logo detectaram tais subterfúgios, penalizando seu emprego. E os candidatos foram percebendo que até mesmo expressões como as exemplificadas têm de surgir por justificativa dos próprios textos, e não como ornamentos inúteis e, de certo modo, até ingênuos.

Ora, na atualidade, artificialismos como esses voltaram a ser ensinados. Alguns sites de vestibulares vêm focalizando uma questão bastante interessante com respeito aos vestibulares: o das chamadas redações pré-fabricadas, ou seja, redações que o candidato traz com a estrutura quase pronta, devendo apenas preencher com a abordagem do tema solicitado no vestibular que está prestando.  É uma questão de vivacidade do candidato inserir no esquema pré-fabricado o desenvolvimento do tema proposto. Segundo se comenta, alguns candidatos se vangloriam por haver “dado certo” a estratégia.

A pergunta que se impõe, nesse caso, é o que permite que o sistema de redações pré-fabricadas esteja dando certo? Muito simples a resposta: não está dando certo nos vestibulares que têm por princípio variar não apenas as propostas, mas as áreas de conhecimento ou de experiência donde são extraídos os temas. Nestes, não há como prever esquemas para as redações: os candidatos têm de criar um desenvolvimento de texto original. Todavia, naqueles vestibulares que extraem seus temas anualmente de uma mesma área de conhecimento ou de experiência, a pré-fabricação pode render muito. Por quê? Porque, quando os temas apresentam ano a ano tal parentesco, podem ser submetidos a um esboço de desenvolvimento antecipadamente preparado. Assim, por exemplo, vestibulares que todos os anos abordam problemas sociais, naturalmente solicitando dos candidatos uma proposta de solução, anunciam por si mesmos uma linha de desenvolvimento do texto, facilitando a utilização de um esquema, algo como um instrumento de mil e uma utilidades.

Muita atenção, porém, porque, ao perceberem o novo truque, a partir de agora as universidades tomarão ainda mais cuidado não apenas com a correção, mas também com as propostas de redação,  justamente para evitar o uso desses suspeitos recursos.

O melhor caminho é e sempre foi aprender a redigir adequadamente, Quem o segue, nunca vai precisar de se socorrer a artimanhas. E levará a capacidade de bem redigir por toda a sua vida. Pense bem nisso!