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Não deixe isar dar azar!

Thursday, June 1st, 2017

Alguns estudantes costumam reclamar por não entenderem completamente a diferença entre os finais de palavras isar e izar e por isso acham que essa é a origem de seus erros no emprego dessas terminações. Será? Isso tem sua parcela de verdade. Quem conhece bem as razões gramaticais e ortográficas para o emprego de isar e izar com certeza não errará. Mas, convenhamos, não é muito fácil conhecer todas essas razões. Até bons estudiosos por vezes vacilam.

Que fazer, então? Para quem não consegue dominar todos os aspectos gramaticais e ortográficos, há outro lado para essa moeda. Pode-se não errar, servindo-se de um artifício. Vamos ver se você percebe.

Em primeiro lugar, você já deve ter observado que as palavras com essas duas terminações são verbos. Em segundo, já sabe que os verbos em izar correspondem a uma quantidade muitíssimo mais numerosa que os terminados em isar. Por quê? Porque se trata de verbos derivados de substantivos ou de adjetivos que ganham o sufixo izar. E você sabe que substantivos e adjetivos são as palavras mais numerosas do idioma. Assim, do adjetivo americano se forma americanizar; de eterno, eternizar; de símbolo, simbolizar; de temor, atemorizar; de urbano, urbanizar; de vândalo, vandalizar; de visual, visualizar, e assim uma enorme quantidade de outros.

Aqui surge uma informação fundamental. Nos verbos terminados em isar as palavras primitivas já possuem o s final, de sorte que o verbo se forma com o sufixo ar. Ou então, em uns poucos casos, os verbos em isar já vieram formados de outros idiomas com essa terminação ou equivalente.

Outra grande vantagem que você pode tirar desse conhecimento, que evita a gramatiquice, está no fato de os verbos em isar constituírem um conjunto pouco numeroso e limitado, apenas vez por outra aumentado por palavra de terminologia científica. Assim, basta conhecer a lista para resolvermos facilmente nossas dúvidas. Eis os principais verbos, por mais usados, com terminação em isar, com as origens indicadas entre parênteses:  alisar (liso), analisar (análise), anisar (anis), avisar (aviso), bisar (bis), catalisar (catálise), precisar ( preciso)cutisar (cútis), descamisar (camisa), dialisar (diálise), divisar (divisa), eletrolisar (eletrólise), encamisar (camisa), escamisar (camisa), frisar (frisa), frisar (friso), improvisar (improviso), grisar (gris), guisar (guisa), irisar (íris), hidrolisar (hidrólise), lambrisar (lambris), lapisar (lápis), paralisar (paralisia), pesquisar (pesquisa), pisar (lat. pinsare), propolisar (própolis), psicanalisar (psicanálise), repisar (pisar), reprisar (do francês repriser), revisar (do espanhol revisar), tamisar (do francês tamiser), televisar (tele + visar), visar (do francês viser).

Percebeu? São poucas palavras, e essa lista poderia ainda ser diminuída com a eliminação de algumas cujo uso é raro ou técnico ou científico, que provavelmente nunca aparecerão em textos que você ler. Não é nada difícil, portanto, a memorização.

O que se depreende deste fato? Algo bastante elementar, como diria Sherlock Holmes: o pequeno número de verbos terminados em isar funciona como parâmetro para ter certeza dos que devem ser escritos com izar. Compreendeu agora? Isso sem nenhuma gramatiquice, vale dizer, sem necessidade de dominar normas de formação das palavras. Seu objetivo, ao estudar, não é compreender a regra ortográfica originada pela formação dessas palavras, mas, simplesmente, saber escrevê-las. Evidentemente, sempre poderá haver uma duvidazinha aqui, outra ali, mas a grande maioria dos casos estará resolvida com as recomendações colocadas neste artigo pelo Blogueiro.

Conclusão que é, de fato, uma introdução: a ortografia não é algo aleatório, criado pelo capricho dos gramáticos e filólogos, mas, na verdade, é uma organização muito lógica, cujos segredos se pode dominar sem excessivo esforço e sem ser preciso decorar regras. Pense nisso quando tentar resolver outras dúvidas, pense que a ortografia é, de fato, o que está escrito nos textos, pense que por trás disso há uma lógica que, uma vez devassada, torna o grafar muito mais fácil.