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Não “pope”: poupe

Tuesday, May 16th, 2017

Certos errinhos nos pegam muitas vezes desprevenidos. De tão comuns que são, até parecem acertos. Um deles diz respeito ao verbo poupar. As pessoas estão tão acostumadas a falar no discurso informal eu popo, eu tenho uma popança, eu sou um popador, que o u acaba sendo desprezado também no discurso formal, o que representa um péssimo cartão de visitas para quem fala ou escreve. Na verdade, a norma-padrão exige as formas eu poupo, eu tenho uma poupança, eu sou um poupador. Observe, a este respeito, como se conjuga o verbo poupar:

 

Eu poupo

Tu poupas

Ele poupa

Nós poupamos

Vós poupais

Eles poupam

 

E assim todas as formas dos modos e tempos desse verbo exigem o u: poupava, poupara, pouparei, pouparia, poupe, poupasse, poupar, poupando, poupado.

Tome cuidado, portanto. Não importa que lá entre amigos, em conversas informais, você esqueça do u. Mas em sala de aula, em redações, em respostas discursivas, o u é inteiramente necessário. E de repente essa diferença entre o uso formal e o uso informal pode ser até objeto de uma questão. Esteja preparado, pois.

Muito mais cuidado ainda é necessário em outra série de palavrinhas cognatas: roubar, roubo, roubalheira, roubado, roubada. Nada de dizer eu robo. Este equívoco é tão comum, que você ouve até em telejornais, entrevistas, artigos na internet. Essa pronúncia sem u povoa a fala diária e acaba se infiltrando no discurso de políticos, jornalistas e profissionais de diferentes áreas quando dão entrevistas ou se manifestam oralmente em vídeos. Preste atenção, portanto, nas formas aceitas pela norma:

 

Roubar pode ser um vício perigoso.

Ele roubou aquela camisa da loja.

Esse imposto é um verdadeiro roubo.

A Justiça está acabando com toda a roubalheira.

Achado não é roubado, mas pode ser, se não devolvido.

Fazer sociedade com aqueles tipos foi uma roubada.

 

Percebeu? Você encontrará com facilidade exemplos de pronúncia erronha dessas palavras na televisão e na rede. Note que, como no caso de poupar, toda a conjugação do verbo roubar exige o u: roubo, roubava, roubara,  roubarei, roubaria, roube, roubasse, roubar, roubando, roubado. E note também como ficaria horrível em sua redação ou resposta discursiva: “roba, robou, robo, robalheira, robado, robada”. Alguém pode até dizer a você, que se trata de um errinho insignificante, que não vai prejudicar sua nota. Será que não vai? Afinal, nenhum erro pode ser considerado insignificante. É melhor não arriscar. Não caia nessa roubada, certo?