Archive for May, 2017

Ah! Esses eis, is e us incomodam muita gente!

Friday, May 26th, 2017

No artigo anterior, você recebeu aviso para tomar cuidado com o u de poupar, poupança, poupo, roubar, roubo, roubalheira. Não foi útil? Foi, sim. Você não vai cair nessa de escrever “popar, popança, popo, robar, robo, robalheira”. O povo em geral usa essas pronúncias, mas você, formado pelo ensino médio e pretendente a uma vaga num curso superior, sabe que nessa questão a universidade se pauta pela norma-padrão, e não pelo uso popular.

O Blogueiro deixou para  hoje outros alertas a fazer com respeito a possíveis confusões, desta vez envolvendo a presença de ei, de u e de i em certas formas nominais ou verbais.

Você com certeza já ouviu alguém falar O avião posou. E sabe que esse alguém errou redondamente. O correto é O avião pousou. As pessoas confundem o verbo posar com o verbo pousar. Ora, posar é “fazer pose”. Já pousar, entre outros muitos sentidos, tem o de descer, aterrissar (um avião). Por isso é também muito errado dizer que O artista pousou para uma sessão de fotos, mas, sim, O artista posou para uma sessão de fotos.

Perigoso esse u, não? Sim, muito perigoso. É como uma armadilha que a língua apronta para verificar quem sabe ou finge que sabe. Se alguma vez você errou, depois desta explicação não errará mais, certo?

Note também outra armadilha: toucar e tocar. Toucar, que aparece em muitas narrativas literárias e poemas, pode significar colocar a touca, ou também enfeitar ou enfeitar-se, quando pronominal: Ela toucou-se de lindos laços coloridos. Note, aliás, que, pela própria família de vocábulos, pode-se descobrir como deve ser escrito: touca, toucador, toucado, toucar. Nem é preciso explicar muito sobre tocar, que é palavra bem diferente, não é?

A sequência ei também pode causar confusão em muitas palavras. Você já ouviu pessoas falarem, por exemplo, Depois do acidente, o homem ficou alejado. Na verdade, está faltando um i nessa pronúncia popular. A forma correta será aleijado, correspondente ao verbo aleijar: Depois do acidente, o homem ficou aleijado. O mesmo deve ocorrer com a palavra cabeleireiro: O cabeleireiro tingiu demais os cabelos da moça. Nada, portanto, de escrever “cabelereiro”, pois o i faz parte das palavras cabeleira, cabeleireiro.

E preste muita atenção também em famílias de palavras como negociar,renegociar,  negócio, negociação, negociável, negocioso, negociata, negocista. Observe que o i está presente em todas, inclusive na conjugação verbal: negocio, negocias, negocia, negociamos, negociais, negociam. O mesmo vale para fiar, fiança, fiador: fio, fias, fia, fiamos, fiais, fiam. Portanto, nada de falar negoceio.

Percebeu bem como escapar dessas armadilhas. Fácil. Em primeiro lugar, verificando outras palavras da mesma família, que lhe revelarão um padrão. Em segundo, sempre verificar, no caso de verbos, a conjugação correta. Não se deixe levar pela pronúncia comum, familiar, popular, porque a norma-padrão tem suas próprias exigências.

É claro que, em provas, são errinhos banais, é bem verdade, mas são erros. Têm de ser corrigidos por você mesmo, antes que alguém da banca o faça. Para que arriscar, não é?

 

 

Não “pope”: poupe

Tuesday, May 16th, 2017

Certos errinhos nos pegam muitas vezes desprevenidos. De tão comuns que são, até parecem acertos. Um deles diz respeito ao verbo poupar. As pessoas estão tão acostumadas a falar no discurso informal eu popo, eu tenho uma popança, eu sou um popador, que o u acaba sendo desprezado também no discurso formal, o que representa um péssimo cartão de visitas para quem fala ou escreve. Na verdade, a norma-padrão exige as formas eu poupo, eu tenho uma poupança, eu sou um poupador. Observe, a este respeito, como se conjuga o verbo poupar:

 

Eu poupo

Tu poupas

Ele poupa

Nós poupamos

Vós poupais

Eles poupam

 

E assim todas as formas dos modos e tempos desse verbo exigem o u: poupava, poupara, pouparei, pouparia, poupe, poupasse, poupar, poupando, poupado.

Tome cuidado, portanto. Não importa que lá entre amigos, em conversas informais, você esqueça do u. Mas em sala de aula, em redações, em respostas discursivas, o u é inteiramente necessário. E de repente essa diferença entre o uso formal e o uso informal pode ser até objeto de uma questão. Esteja preparado, pois.

Muito mais cuidado ainda é necessário em outra série de palavrinhas cognatas: roubar, roubo, roubalheira, roubado, roubada. Nada de dizer eu robo. Este equívoco é tão comum, que você ouve até em telejornais, entrevistas, artigos na internet. Essa pronúncia sem u povoa a fala diária e acaba se infiltrando no discurso de políticos, jornalistas e profissionais de diferentes áreas quando dão entrevistas ou se manifestam oralmente em vídeos. Preste atenção, portanto, nas formas aceitas pela norma:

 

Roubar pode ser um vício perigoso.

Ele roubou aquela camisa da loja.

Esse imposto é um verdadeiro roubo.

A Justiça está acabando com toda a roubalheira.

Achado não é roubado, mas pode ser, se não devolvido.

Fazer sociedade com aqueles tipos foi uma roubada.

 

Percebeu? Você encontrará com facilidade exemplos de pronúncia erronha dessas palavras na televisão e na rede. Note que, como no caso de poupar, toda a conjugação do verbo roubar exige o u: roubo, roubava, roubara,  roubarei, roubaria, roube, roubasse, roubar, roubando, roubado. E note também como ficaria horrível em sua redação ou resposta discursiva: “roba, robou, robo, robalheira, robado, robada”. Alguém pode até dizer a você, que se trata de um errinho insignificante, que não vai prejudicar sua nota. Será que não vai? Afinal, nenhum erro pode ser considerado insignificante. É melhor não arriscar. Não caia nessa roubada, certo?

 

Meu bem, meu mal; meu bom, seu mau

Thursday, May 11th, 2017

Você achou o título deste artigo muito curioso, não achou? Claro que sim. E lhe pareceu que a segunda frase está incorreta, não? Na verdade, ambas as frases estão corretas, ou, melhor: em determinados contextos, ambas as frases podem estar corretas; em outros, incorretas.

Mas o que é um contexto, afinal? No sentido em que o Blogueiro empregou acima, contextos são as frases ou expressões ou passagens de um texto em que uma palavra pode estar inserida. Vale dizer: os antônimos bem e mal, bom e mau dependem, para estarem corretos, de estar inseridos nos contextos adequados.

Meu bem, meu mal é uma frase muito usada, aparece em títulos de obras, em letras de músicas, mais ou menos com o sentido de que algo que nos causa bem pode também, mudadas as circunstâncias, nos causar mal. Neste sentido, a frase meu bom, seu mau estaria errada? Em determinados contextos, não. Observe o diálogo:

 

— Seu amigo o salvou, mas o meu me traiu.

— Pois é: meu bom, seu mau…

 

Percebeu como o contexto legitima a frase? O segundo interlocutor, na verdade, serviu-se duas vezes da elipse da palavra “amigo” — meu bom amigo, seu mau amigo —, para definir, com algum deboche, os respectivos “amigos”. A frase ficou, assim, mais instigante. Generalizando, há bons e maus amigos: tive a sorte de ter um bom e você o azar de ter um mau.

É isso aí. Tome bastante cuidado, quer ao criar textos, quer ao interpretar textos alheios, com essas quatro palavrinhas. Suas apostilas lhe ensinam que bem é antônimo de mal e bom é antônimo de mau. Isso, apesar de verdadeiro e útil, não resolve todos os casos, pode provocar confusões na hora de escrever ou de ler. É preciso respeitar o contexto em que as palavras se inserem. Claro que, ao dizer ele não passa bem, a frase antônima que nos vem à memória é ele não passa mal. Ou também quando dizemos ele é um homem mau, o oposto será ele é um homem bom. Mas é preciso tomar cuidado com os contextos, por exemplo, em frases como ele julgou bem o réu, porque pode haver uma frase como ele julgou bom o réu. A primeira frase tem como oposta ele julgou mal o réu; e a segunda, ele julgou mau o réu. No primeiro caso, trata-se do modo de julgar (bem ou mal); no segundo, do caráter do réu (bom ou mau).

Até mesmo uma frase como eu espero que você faça bom a prova pode estar correta em um contexto apropriado. Observe o diálogo:

 

— Eu estive muito doente ontem, mas não desistirei do vestibular.

— Ótimo! Eu espero que você faça bom a prova.

 

Interessante, não é? “Bom”, nesse caso, significa bem disposto, sem doença, curado, em boas condições.

Conclusão: nestes como em muitos outros casos de dúvida, verifique o contexto, porque ele pode revelar agradáveis surpresas, que farão muito bem à sua nota!

 

Palavra-chave, uma boa dica

Thursday, May 4th, 2017

Quando fazemos a análise de um texto literário, seja em verso, seja em prosa, nossos professores sugerem que localizemos as palavras-chave. É considerada chave a palavra que representa, por si mesma, o significado global de um texto, ou, pelo menos, um significado que possa representar uma espécie de síntese do que está sendo comunicado no texto. Por essa mesma razão, além de sua utilização na análise de textos literários, as palavras-chave são empregadas em classificações bibliográficas, bem como na própria linguagem da informática, para indicar certos conteúdos predeterminados.

Note, a este respeito, que nos buscadores da internet chegamos aos sites desejados digitando a busca por meio de palavras-chave. Estabelecemos, assim, todo um sistema de buscas por meio da combinação de palavras que encerram os conteúdos procurados por nós para chegar aos sites. Por vezes, nesse trabalho, chegamos a digitar verdadeiras frases-chave, como modo de atingir mais depressa e com mais eficiência tais sites.

Esse emprego instrumental das palavras é de grande utilidade, também, em nossas provas, seja de concursos de acesso em geral, seja em vestibulares, em questões, em textos de apoio, em propostas de redação.

Ao ler uma questão, quer objetiva, quer discursiva, devemos ter em mente que uma ou mais palavras nela carregam o significado mais abrangente e principal. Isso é importantíssimo, porque sua resposta tomará por base tal ou tais palavras-chave. No caso das questões objetivas, essa estratégia é importantíssima, porque nos ajudará a eliminar alternativas improcedentes, bem como discernir entre duas alternativas aparentemente procedentes qual está mais entrosada com o conteúdo do enunciado da pergunta.

No caso das questões discursivas, a identificação da ou das chaves evitará que nos desviemos perigosamente do que é explicitamente solicitado na pergunta. A inobservância desse pormenor já fez muitos candidatos responderem de modo errado perguntas cujas respostas conheciam.

O mesmo se pode dizer de textos de apoio a questões, quer objetivas, quer discursivas. É preciso identificar as palavras-chave e verificar em que medida estão relacionadas com as dos enunciados das questões. Certa feita, numa série de questões objetivas, o Blogueiro percebeu que suas palavras-chave apontavam para uma interpretação particular do elaborador dessas questões e não de sua própria interpretação, que lhe parecia mais lógica. Por isso, seguiu a trilha da interpretação do elaborador, que se revelava na série de enunciados. Foi uma forma de esperteza que rendeu ao Blogueiro o acerto de toda a série de questões, muito embora não concordasse com a interpretação do elaborador. Isso acontece também.

Finalmente, considere muito importante a identificação de palavra-chave na proposta de redação. Se menosprezar esse detalhe, poderá até fazer uma bela redação, mas afastada do que pretende realmente a proposta.

Um bom treinamento, na atualidade, para a identificação de palavras-chave está nas entrevistas publicadas em jornais e revistas, seja em papel, seja na rede. Localize a palavra-chave de cada pergunta do entrevistador e a da resposta do entrevistado. Você terá, assim, muitas surpresas, ao verificar como os repórteres se revelam espertos e maliciosos, e como os entrevistados são capazes de escapar de armadilhas das perguntas, ou até mesmo de mentir para evitar a confissão de atos, digamos, um tanto deprimentes.

Valeu? Então incorpore mais esse método aos seus estudos.