Archive for April 12th, 2017

Muito cuidado com os senões

Wednesday, April 12th, 2017

Usos bastante comuns na fala corriqueira podem, na escrita, causar confusões bastante perigosas. Isto se explica pelo fato de que a escrita acrescenta aspectos de que a fala não tem nenhuma necessidade.

A todo instante você emprega, por exemplo, a palavra senão, que pode funcionar na frase como substantivo, preposição, conjunção. É claro que você não se dá conta disso quando fala, nem tampouco quando escreve: simplesmente fala e simplesmente escreve. Na fala, por isso, nada a comentar. Mas na escrita… bom, aí teremos outra estória. Por isso, você acaba sendo obrigado a perceber que há diferença relevante entre senão e se não.

O Dicionário Aurélio exemplifica muito bem os usos de senão:

Nenhum senão no todo dela existe. (Vale dizer: nenhum defeito, nenhuma mancha, nenhuma mácula. Senão, neste exemplo, é um substantivo, cujo plural é senões).

Ninguém senão os irmãos Correias compareceu à cerimônia. (Vale dizer: ninguém exceto os irmãos Correias, ninguém salvo os irmãos Correias, ninguém a não ser os irmãos Correias. Senão, neste exemplo, funciona como preposição).

Lute, senão está perdido. (Vale dizer: de outro modo está perdido, caso contrário está perdido. Senão, neste exemplo, funciona como conjunção).

 

Se fosse apenas isso, não haveria grandes problemas, não é? Você já estudou bastante estes usos e sabe como resolver as eventuais dúvidas. Na fala, você não se dá conta de haver qualquer problema, pois a pronúncia é a mesma, embora o sentido seja diferente. A dúvida ocorre na escrita, em que surge uma nova personagem, que tem o dom de atrapalhar tudo no enredo: se não. Observe os exemplos:

 

Se não entregar a obra na data combinada, o contrato será rescindido. (Vale dizer: caso não entregue a obra na data combinada. O se, neste emprego, é uma conjunção condicional).

Quero saber se não irão entregar a obra na data combinada. (Vale dizer: quero saber se acaso, se por acaso, se porventura. Se, neste exemplo, é uma conjunção integrante).

 

E agora? Como escapar dessa enrascada? Conselho amigo do Blogueiro: se não quer se aprofundar nesses conhecimentos, mas tão somente não errar, deixe senão de lado; preocupe-se apenas em ter certeza do emprego de se não. O raciocínio até parece simplório, mas é verdadeiro: se souber distinguir com certeza o emprego de se não, tudo o mais será senão.

Captou? Então, mãos à obra, digo, ao se não, para não mais se equivocar em distingui-lo de senão. Valeu?

 

Os ecos: chatinhos e perigosos

Wednesday, April 12th, 2017

Um dos aspectos que o Blogueiro nunca colocou em seus artigos, a não ser de passagem, é o das repetições desnecessárias. Os escritores profissionais são muito hábeis em evitá-las, porque enfeiam e atrapalham seu estilo. Os estudantes, porém, apesar das observações dos professores de Língua Portuguesa, muitas vezes parecem não dar a mínima para elas. Mas que são feias e perigosas, são mesmo!

Observe esta passagem:

 

De repente, o presidente disse que somente delinquentes são capazes de cometer atos tão injustamente deprimentes contra a população inocente que lhes é indiferente.

 

Não pense que se trata de exemplo inteiramente forjado pelo Blogueiro. Textos de jornais e revistas, sobretudo quando transcritos para a internet, estão cheios de repetições como essas. Os gramáticos denominam ecos tais repetições de finais de palavras e condenam esse emprego, considerando-o um vício de linguagem. São oito entes que povoam um só parágrafo, representando um incômodo para o leitor e caracterizando o desleixo do escritor em seu texto. E é muito fácil evitar esse defeito. Observe agora:

 

Naquele momento o presidente disse que apenas bandidos são capazes de cometer atos injustos e deprimentes contra a população.

 

Melhorou bastante, não? E não deu grande trabalho. Imagine você colocar um parágrafo como aquele em sua redação ou em uma resposta discursiva! Não espere nenhuma condescendência da banca, pois esta sabe muito bem que seria fácil evitar as repetições fastidiosas de finais de palavras.

Cuidado, portanto, com palavras terminadas em ente e ão, abundantes em nosso idioma e capazes de iludir quem escreve. Anote mais um exemplo:

 

O cão é um animal de estimação cuja alimentação pode ser natural ou por ração.

 

Muito feio, não é? Esses ecos em ão representam um fator negativo em qualquer texto, caracterizando, na opinião do leitor, incapacidade expressiva de quem escreve. E é quase uma brincadeira  evitá-los:

 

Os cachorros são animais de estimação cujo alimento pode ser natural ou produzido industrialmente.

 

Compreendeu? Sempre que fizer a revisão de um texto, seja redação ou resposta discursiva, trate de evitar os ecos, que, além de tornarem a leitura desagradável, podem até mesmo prejudicar o significado de frases inteiras.

O Blogueiro ainda se lembra de um professor de português, que deu em certa aula um exemplo chocante, verdadeiramente assustador para o perigo dos ecos:

 

Cruz! Faltou a luz quando eu propus a solução que não reduz a produção!

Você não vai querer prejudicar seu texto com essas desajeitadas repetições, vai?

 

Você é a griffe

Wednesday, April 12th, 2017

A resposta é simples, elementar: porque não é o curso que faz o estudante; é o estudante que faz o curso. Vale dizer: nenhum curso de nenhuma universidade do país ou do mundo é capaz de garantir a seus formandos o pleno sucesso na carreira. A universidade não fornece sucesso, fornece ensinamentos, técnicas, especializações. O sucesso tem de ser buscado individualmente pelo profissional que se forma, de acordo com suas qualidades e determinação.

Esta constatação explica muito bem o fato de que um estudante formado pela melhor universidade do Brasil em seu melhor curso pode não engrenar na carreira. A realid          Toda a concorrência entre os candidatos de exames vestibulares parte do princípio de que estão lutando pelos melhores cursos, para se tornarem, no futuro, os melhores profissionais do mercado de trabalho. Outro princípio diz respeito ao julgamento de que os melhores cursos estão situados nas universidades públicas, razão que leva à grande concorrência atualmente verificada em seus exames vestibulares. Um último julgamento estipula que, no interior das universidades públicas, certos cursos são considerados muito mais promissores que outros, capazes de garantir uma vida profissional de sucesso aos que os fazem. Dá para perceber, com base nestas reflexões, que o grande vetor dos vestibulares é o futuro profissional promissor buscado pelos candidatos.

Tudo isso é verdadeiro? Em termos. Cabe fazer algumas interpretações que não entrarão necessariamente em acordo com tais comentários. O Blogueiro dá um exemplo dos muitos de que dispõe em sua observação da realidade cotidiana: certo arquiteto formado por universidade pública não conseguiu emplacar sua carreira, apesar de ter feito um dos melhores cursos do país. Lutou, lutou, mas não conseguiu mais que pequenos sucessos que lhe garantem um nível de vida apenas razoável. Na mesma cidade, certo arquiteto formado por uma faculdade particular, sem grande ressonância nacional, tornou-se o mais respeitado e requisitado, fazendo uma carreira de respeito, com projetos até mesmo em outras cidades e estados brasileiros. Ora, pelo julgamento comum dos candidatos, o resultado deveria ser o oposto. E por que não foi?

ade do trabalho profissional acresce componentes que as universidades não podem prever, ainda mais porque tal realidade está sempre mudando, evoluíndo, transformando-se. A realidade é dinâmica.

Por isso, já é tempo de pensar que, em todos os seus estudos, desde o ensino fundamental, é você que está no comando, é você que passa no vestibular, é você que faz o curso (bem ou mal), é você que, diploma às mãos, olha para o horizonte da realidade e diz: Aqui vamos nós. Para o sucesso. Para a vitória. É preciso que tenha em mente, porém, que tal sucesso será o resultado de sua relação com o dinamismo da realidade.

Percebeu? Esse negócio de que certas universidades são griffes e certos cursos são melhores que todos é uma balela (balela: informação anônima e sem fundamento). Para efeito de sucesso na vida profissional, não há universidades griffes, não há cursos griffes.

A griffe tem de ser você.