Arquivo de 8 de março de 2017

Quem tem medo da literatura?

quarta-feira, 8 de março de 2017

Agora que você começa a perceber bem mais próximo o Vestibular Meio de Ano da Unesp, vale a pena fazer um alerta sobre o modo de estudar literatura. Evidentemente, tanto ao longo do Ensino Médio, quanto nos cursos preparatórios, a literatura não é explorada em si mesma, para que os estudantes curtam por curtir os poemas, contos, narrativas longas como obras de arte que realmente são. O ponto de vista dominante acaba sendo outro: os textos passam a ser vistos como prováveis ocorrências em exames vestibulares. Isso, é claro, prejudica um pouco a genuína apreensão da literatura como arte. O estudante se sente obrigado a encarar os textos como fontes de possíveis questões, quer objetivas, quer discursivas. Por mais que se esforcem os professores para evitar esse modo de estudo, sempre sobra um ranço de prova nos textos que seus alunos são convidados a ler e interpretar.

Como evitar ou, pelo menos, minimizar esse fenômeno e fazer com que a literatura seja apreciada em si mesma? Essa é a questão. Fica realmente difícil ao estudante, pois se sente premido, em todas as disciplinas, a interpretar e responder perguntas. O problema é que esse modo de estudar pode trazer consequências ruins, que geram erros nas próprias respostas das questões das provas. Para sair dessa enrascada, o Blogueiro tem uma sugestão: cabe realmente ao estudante mudar a ótica e o método de estudo. É preciso olhar para o texto como este realmente é — literário — e, antes de qualquer coisa, curti-lo enquanto tal. Poemas surgem de emoções e provocam emoções, contos são narrativas sintéticas obedientes a um estilo, romances são narrativas longas, baseadas em enredos complexos, crônicas são abordagens de fatos reais submetidas a um modo peculiar de observação.

Em todos estes casos, o maior perigo que se corre ao estudar textos literários, é observá-los como reproduções puras da realidade. Nada mais enganoso e nocivo a quem estuda. Cada texto literário é um todo fechado em si mesmo, criado pelas emoções, imaginação e cosmovisão do artista. Analisar o que uma personagem faz num conto ou narrativa longa não é analisar o que ocorre na realidade, mas o que ocorre na realidade do próprio texto.

As questões de vestibulares abordam os textos enquanto textos, no interior de suas próprias coordenadas. Ao fazê-lo, porém, acabam ocultando pormenores que são transformados em questões. Por sua vez, o aluno tem de reunir os maiores cuidados para não trair o texto ao buscar esses pormenores. Esta é a chave para atingir as respostas que as bancas de elaboração pretendem ao criar as questões das provas: tentar ler e interpretar o texto tal como o fizeram as bancas elaboradoras.

Claro que, mesmo assim, você terá dúvidas em descobrir muitas respostas. Por isso, escolha sempre aquela que mais se aproxime do âmago do texto.

Percebeu? Entendendo assim, você pode estabelecer seu método de estudo dos textos literários a partir de agora: considerar o texto em si mesmo, ler com atenção, curtir e só depois tentar descobrir o que as questões propostas em apostilas ou simulados querem querem que você informe a respeito. Com esse método você poderá dizer, com muito maior segurança, que não tem medo da literatura. Ao contrário, poderá transformar-se em um leitor habitual, um genuíno apreciador, o que só poderá significar vantagem para sua formação futura.

 

Línguas estrangeiras, uma grande necessidade

quarta-feira, 8 de março de 2017

Você que está ingressando, você que ainda vai ingressar, não tenha a menor dúvida: o domínio da língua inglesa é uma grande necessidade. O Blogueiro disse domínio, o que significa falar fluentemente e ler sem qualquer dificuldade.

Muitos acreditam que basta ter um conhecimento razoável do inglês (sem grande domínio) para quebrar o galho nos exames vestibulares. Pode ser, desde que tenham desempenho muito bom em outras disciplinas e conteúdos. O Blogueiro, porém, não está se referindo a quebrar o galho no vestibular, mas em todos os estudos na universidade e sobretudo na profissão. Como é que você vai quebrar o galho se no estudo de determinada disciplina da universidade o professor exigir como base textos escritos em língua inglesa? E como vai quebrar o galho se ganhar a oportunidade, durante o curso, de fazer uma especialização em universidade europeia ou dos Estados Unidos? Não. Nesses e noutros casos não mencionados, não haverá quebra de galho, você terá de ter domínio da língua inglesa. Esta língua, queiram ou não os nacionalistas radicais, tornou-se realmente um instrumento de comunicação universal, empregado em todos os países em que o recém-chegado não domine a língua local.

Pense você, então, na sua carreira profissional, na possibilidade de participar de congressos e seminários. Na maioria dos países, se usar o português, não será minimamente compreendido. Mas, se usar o inglês, ocorrerá o contrário. E não venha dizer que não participará nunca de seminários e congressos internacionais. Dizer isso é o mesmo que afirmar que será em sua vida, para sempre, o mesmo profissional formado na universidade. Seja qual for sua área de atuação, a necessidade de domínio da língua inglesa será fundamental para o desenvolvimento profissional ao longo de toda a sua carreira.

Muitos estudantes chegam à universidade com esse domínio. Se você ainda não joga nesse time, está aí a internet com milhares de sites que oferecem cursos, muitas vezes gratuitos, para estudar o inglês e as outras línguas mais faladas no planeta.

Não perca tempo, portanto. Você precisa dominar esse instrumento precioso para seus estudos e sua profissão. Se já domina, continue praticando, para manter sempre atualizado esse domínio. Se ainda não domina, comece já, aplique todo o seu esforço para falar e escrever bem o inglês. E, se gostar, procure aprender outros idiomas, como o espanhol, o francês, o alemão, o italiano. E por que não o russo, o árabe e o chinês? Sabe-se lá que oportunidade, em que país, a vida lhe reserva para o futuro?

O mundo atual, à custa das chamadas TICs, tecnologias da informação e da comunicação, se tornou, de fato, um grande e único país, com toda a sua diversidade, com todas as suas variadas culturas. Quem se forma, hoje, numa universidade, não está se formando para a sua cidade, para o seu estado, para o seu país, mas para o mundo. Você é um estudante do mundo e será um profissional do mundo. Nada mais recomendável, nesse sentido, que procure aprender e dominar as línguas estrangeiras mais importantes, ou seja, aquelas que são mais faladas na superfície da Terra.

Captou a mensagem? Ser poliglota, num passado não muito distante, era algo visto como curiosa raridade, algo que só praticavam indivíduos excêntricos. No mundo em que vivemos hoje, todavia, o poliglotismo vai se tornando cada vez mais comum, espécie de padrão pelo qual se pode julgar os alcances intelectuais de um indivíduo.

 

Diz o poeta visionário: nunca pense ser vencido!

quarta-feira, 8 de março de 2017

O Blogueiro, hoje, amanheceu com a veia poética dilatada e se lembrou de um poema que leu quando adolescente na contracapa de um livro de bolso. E se o menciona aqui, é porque, desde a primeira leitura, sentiu-se influenciado e movido positivamente pelos versos, que, segundo algumas fontes, são de autoria do poeta brasileiro Manuel Bastos Tigre (1882-1957), muito conhecido por seus textos humorísticos e satíricos.

Quando leu o poema, o Blogueiro vivia inúmeras dúvidas em sua passagem para o universo adulto, inclusive com respeito ao vestibular que deveria fazer: queria cursar Letras Clássicas, curso formado basicamente pelas disciplinas Língua Portuguesa, Língua Latina, Língua Grega e suas correspondentes literaturas. O vestibular era difícil, havia provas orais de Língua e Literatura Portuguesa e Brasileira, bem como de Língua Latina, além da prova escrita, constituída por questões discursivas e redação. A prova escrita não era nada fácil, havendo sempre que fazer a análise sintática completa de um período composto. O Blogueiro foi “premiado” para analisar uma passagem de Os Lusíadas.

Pois é. No faz não faz, acabou se deparando com o poema de Bastos Tigre e recebeu, com a leitura, um forte estímulo não só para a vitória no vestibular, como também para a vitória em todos os caminhos de sua vida. Eis a primeira parte:

 

Pobre de ti, se pensas ser vencido!

Tua derrota é caso decidido.

Pensas vencer, mas como em ti não crês,

Tua descrença esmaga-te de vez.

Se imaginas perder, perdido estás;

Quem não confia em si, marcha para trás.

A força que te impele para a frente

É a decisão firmada em tua mente.

 

Estes primeiros oito versos representam uma síntese do que o poema desenvolve nos demais. Vale a pena ler inteiro em sites da internet. O que o Blogueiro deseja comentar é que tal texto, publicado há mais de 50 anos, representa, em seu todo, uma antecipação do que dizem hoje especialistas e avisam livros focados no comportamento humano: a atitude positiva que se deve ter ante as ocorrências de nossa vida, mesmo aquelas que vemos como derrotas.

A quem se destinam estas reflexões? A todos. A você, que foi aprovado e está prestes a iniciar um novo curso e, evidentemente, poderá experimentar muitas dúvidas em seu trajeto. A você que não conseguiu aprovação, mas com certeza ainda conseguirá. A você, que ainda não terminou o ensino médio (como o Blogueiro na época da primeira leitura do poema), mas já vê surgir o momento de tomar sua decisão sobre o curso, a universidade e o caminho que deve trilhar para obter a aprovação. A este respeito, vale lembrar uma notícia atual de um candidato que, tendo feito seus estudos inteiramente no ensino público, obteve passar em primeiro lugar em vestibulares de medicina de universidades coirmãs. Tal estudante representa exatamente a atitude descrita no poema.

Vale a pena, como desfecho, lembrar dos últimos quatro versos do poema, que sintetizam o modo de encarar o futuro e os eventos que nos trará:

 

Nem sempre o que mais corre a meta alcança,

Nem mais longe o mais forte o disco lança,

Mas o que, certo em si, vai firme em frente

Com a decisão firmada em sua mente.

 

Valeu? Percebeu que o poeta muitas vezes é um visionário? E se, neste momento, você, por não ter sido aprovado, está dando importância demasiada à derrota que sofreu, não custa lembrar também outro poeta mais atual, Paulo Vanzolini, que na letra do samba Volta por cima, magistralmente escreveu: Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima.

Você vencerá os seus desafios, não tenha dúvidas disso!