Archive for February, 2017

Arre! Esses porquês incomodam mesmo!

Thursday, February 16th, 2017

Para você que está ingressando e para você que vai ingressar na Universidade, vale a pena refletir sobre os incômodos porquês de nossos textos. O Blogueiro já escreveu muito a respeito, mas acredita que sempre se pode encontrar uma forma bem mais fácil de aprender e memorizar todos os usos. Esta é mais uma tentativa de atingir a explicação ideal.

O Blogueiro procura, com a relação abaixo, levar os estudantes e candidatos a resolver de uma vez por todas, pelos exemplos, esse problema. Note você que não vai aí nenhuma explicação de ordem gramatical, nenhuma tentativa de escarafunchar estudos dedicados ao assunto, mas tão somente os exemplos escritos de modo a situar numa coluna todos os porquês. Vale a pena, portanto, observar os exemplos, as formas (porque e por que), bem como os sentidos que assumem em cada exemplo. Tais sentidos, vale observar, do modo como estão apresentados, poderiam substituir os respectivos porquês. Observe:

Preciso descobrir 

 

Você escreveu esse conto,

Este é o ideal

A ponte

Você sabe

Não vale a pena indagar

Irei à feira

Meu irmão bateu à porta

 

Nunca consegui saber

Descobri inúmeros

Desistiu do jogo? Diga-me um

por que 

Por que

por quê?

por que

por que

por que

por quê.

porque

porque

Porque

o porquê

porquês

porquê.

 

 

todas as frutas caíram. 

você escreveu esse conto?

 

vale a pena lutar.

passamos está quebrada.

nosso colega estuda tanto?

 

nossa despensa está vazia.

a campainha não funcionou.

chegou tarde, não pôde entrar.

de sua raiva.

para explicar notas tão baixas.

por qual motivo 

Por qual razão?

por qual razão?

pelo qual

pela qual

por qual motivo

por qual motivo

já que, pois

pois

como

motivo, razão, causa

motivos, razões

motivo, razão

 

 

Vale a pena, como você deve ter concluído, memorizar esses exemplos e sentidos, já que, em casos concretos em que venha a ter dúvida, poderá acertar fazendo a comparação. Talvez o mais aconselhável, no começo, seja recortar a tabela e colar em seu caderno, apostila, ou até mesmo em sua mesa de estudos, para poder fazer de imediato a consulta, em caso de dúvida.

Se encontrar algum exemplo que o Blogueiro não tenha previsto, acrescente-o à tabela. Afinal, não há gramático nem blogueiro que saiba tudo. Sempre alguma coisinha pode escapar. Valeu?

 

Repetições que empobrecem seu estilo

Wednesday, February 8th, 2017

Ih! minha redação não foi lá essas coisas!

Se você, quer tenha sido classificado, quer esteja na lista de espera, chegou a essa conclusão sobre o texto que escreveu, pode ter certeza de que há mesmo motivos para não estar satisfeito. É, mas afinal eu passei! É o que importa. Certo, por um lado, mas não muito, por outro. Por quê? Porque a necessidade de escrever bons textos não morre no vestibular. Como já disse o Blogueiro mais de uma vez, é algo que acompanhará todos os seus estudos na universidade e toda a sua vida profissional. Então, é muito procedente continuar se preocupando em aprimorar sua capacidade de escrever. Quem é capaz de produzir bons textos sempre recebe o respeito de seus colegas de estudo ou parceiros de trabalho.

O Blogueiro vai tentar oferecer uma ajudazinha. Preste toda a sua atenção. Talvez sua insatisfação não esteja propriamente no desenvolvimento do tema, mas na própria sequência do discurso que apresentou. Um cuidado, neste caso, é fundamental: saber distinguir com precisão discurso oral e discurso escrito. Quando falamos, temos interesse em ser entendidos de imediato, sem problemas ou atrapalhos. Por isso, muitas vezes nos tornamos repetitivos, com a intenção de que nosso interlocutor não precise de nenhum esforço para comprrender a mensagem.

Essa característica do discurso oral, todavia, desaparece quando escrevemos, especialmente se as circunstâncias exigirem, como é o caso de uma redação de concurso ou de vestibular. Neste caso, além da clareza, temos de brindar nosso leitor com uma sequência harmônica e equilibrada, verdadeiramente prazerosa.

Neste ponto exato surge o caso das repetições desnecessárias de palavras, que são fatores de empobrecimento de nosso estilo. Observe os exemplos abaixo, forjados com base em ocorrências reais em textos de jornais e revistas da internet (aparecem em negrito as repetições desnecessárias):

 

Paulo foi a Paris para participar do primeiro congresso desde o primeiro dia de sua eleição.

Os dois projetos enviados pelo governo são dois dos principais modos de eliminar esses dois problemas.

Não há motivo para apressar esse debate, atropelar o debate e não permitir que o debate impeça melhores reflexões sobre o tema.

Observou bem? Não se pode dizer que nenhum desses exemplos seja incorreto. São todos, porém, marcados por repetições desnecessárias e desagradáveis. Trata-se de problemas cuja solução é relativamente fácil. No exemplo inicial,  a repetição da palavra primeiro pode ser sanada pela eliminação da segunda ocorrência e uma pequena alteração:

 

Paulo foi a Paris para participar do primeiro congresso desde que foi eleito.

 

O segundo exemplo pode ser melhorado pelo mesmo processo:

 

Os projetos enviados pelo governo são dois modos de eliminar esses problemas.

 

Já o terceiro requer um arranjo mais elaborado:

 

Não há motivo para apressar esse debate. Atropelar as discussões equivale a impedir reflexões mais proveitosas sobre o tema.

 

Percebeu bem a diferença entre os textos com e sem repetições? Claro que sim. Então sempre faça a mesma faxina com o rascunho de seu texto. E aquela sensação de que sua redação não foi lá essas coisas vai com certeza desaparecer.

 

Aos que entram e aos que ainda vão entrar

Wednesday, February 1st, 2017

Com a divulgação próxima das listas de ingressantes em cursos da Unesp, duas vertentes se revelam: a dos que obtiveram suas vagas e a dos que não conseguiram atingir a média necessária para tal.

Felicidade de um lado e infelicidade do outro? Nada disso. No portal da universidade, os jovens que entram e os jovens que não entram constituem uma mesma comunidade, diferençada apenas por um acidente de percurso. Quem ganha sua vaga deve festejar muito, mas também deve ter em mente que essa é uma primeira de muitas tarefas que terá de cumprir até receber, daqui a alguns anos, o diploma do curso escolhido. Quem não obtém sua vaga deve festejar também pelo dever cumprido e analisar de imediato o porquê de não haver conquistado todos os pontos necessários. Esta análise é importantíssima, agora, para estabelecer roteiro e métodos de estudo com vistas aos vestibulares do ano em curso.

O que acontece, na verdade, com todos os candidatos, é o mesmo que ocorre com todas as pessoas ao longo da vida, com toda a sociedade. Nossa vida é feita de desafios permanentes em todos os setores por que passamos. Os desafios nunca cessam de surgir. Dizem as pessoas mais experientes que nossa primeira grande vitória é nascer, é surgir do nada para o existir. A segunda é crescer com saúde e inteligência. A terceira é atravessar a adolescência, período que pode ser fácil para uns, mas muito conturbado para outros. A quarta é atingir a idade adulta e estabelecer metas para a existência, quer seja por meio do estudo em universidade, quer seja pelo empreendedorismo. Em qualquer dos casos, o identificador dessas metas é a busca da felicidade pela realização pessoal e profissional. Qualquer que seja o trajeto, haverá sempre que conviver com vitórias e com derrotas, sem deixar que aquelas nos subam à cabeça ou que estas nos façam perder o embalo e ficar apenas olhando para o chão do desânimo.

Dizem pessoas com plena realização em suas vidas que aprenderam muito mais com as derrotas do que com as vitórias, porque as derrotas nos fazem desenvolver o senso crítico e o cuidado pelo planejamento e detalhamento de nossos passos no mundo. No âmbito dos esportes, por exemplo no futebol, muitos atletas que só costumam jogar bem e obter vitórias e elogios podem desenvolver uma espécie de perigosa autoglorificação, tornando-se, como se diz na gíria desse esporte, mascarados, o que muitas vezes os leva a desempenhos ruins e ao empobrecimento de suas qualidades. Outros jogadores, com menos louvores da crítica especializada, sentindo a responsabilidade de um desempenho cada vez melhor, conscientizam-se, esforçam-se, levam qualquer pormenor de treinamento a sério e, com o tempo, melhoram sensivelmente seus desempenhos e se tornam insubstituíveis dentro do esquema tático adequado.

É isso aí. Você, que passou, não deve considerar-se nenhum gênio, embora ao longo de sua carreira possa vir a tornar-se um.  E você, que não passou, não deve considerar-se um fracassado, mas apenas um lutador que perdeu um round. A vida, porém, é feita de um sem-número de rounds. Muitas vitórias se seguirão a uma derrota.

Valeu? Então mãos à obra, para os que entram e para os que ainda vão entrar.