Archive for January, 2017

Cuidado com as distrações: podem estragar tudo

Friday, January 27th, 2017

Escritores, articulistas, jornalistas sabem que distrações acontecem. Mas sabem também que é preciso sempre uma boa revisão para saná-las. Uma vírgula a mais, uma vírgula a menos, uma preposição equivocada, uma palavra trocada, tudo isso traz perigo a um texto que estejamos escrevendo. Por isso, muitas vezes, mais que os cochilos de ortografia ou os erros de gramática, uma pequena distração pode levar uma resposta de questão discursiva ou um período de uma redação ao fracasso. Quer um exemplo? Então veja:

 

O funcionário sugeriu que eu procurasse a sessão de recursos humanos.


Notou? É claro que você sabe distinguir entre sessão, período em que transcorre uma reunião, e seção, parte de um todo. Uma ligeira distração, porém, pode levá-lo a trocar uma palavra pela outra. No exemplo citado, seção de recursos humanos, forma correta, foi trocada erradamente por sessão de recursos humanos, produzindo-se um sentido completamente equivocado para a frase como um todo.

Nesta semana, numa notícia de jornal online, uma troca de palavras mudou completamente o sentido da frase de um jornalista. Vamos forjar um exemplo semelhante:

 

O presidente fará a provocação do congresso ainda nesta semana.

 

Notou? Houve a troca da palavra convocação por provocação, o que muda radicalmente o significado original da frase. Uma pequena distração, dirá o autor. Pequena, mas perigosa, diremos nós, por falha do revisor dos textos publicados na rede.

Outro exemplo:

 

Meu colega está fazendo um curso de redação e interpenetração de textos.

 

Uma troca verdadeiramente hilária, não é? Numa prova de concurso ou de vestibular, porém, pode representar a perda de pontos preciosos.

A que conclusão se chega após os exemplos apresentados e os comentários do Blogueiro? Vamos destacar em maiúsculas: REVISÃO: ou, como gostam de enfatizar os escritores: R-E-V-I-S-Ã-O. A revisão é uma tarefa absolutamente necessária para qualquer texto que escrevemos, mesmo que seja apenas uma resposta a questão discursiva. Os escritores sabem muito bem disso, pois submetem seus textos — poemas, contos, romances, memórias — a inúmeras revisões, sabendo muito bem que, apesar desse esforço, sempre pode escapar uma distraçãozinha aqui, outra ali. Os jornalistas, no clima de verdadeira pressão ante o exíguo tempo de que dispõem, têm de praticamente escrever revendo, pois o jornal não espera. Quando seus textos saem na internet, talvez digitados por outra pessoa, as possibilidades de distração aumentam muito. O próprio Blogueiro, vez por outra, deixa escapar alguma distração e, quando percebe, trata logo de avisar os responsáveis pelo Blogue para fazer a correção. Errar é humano, diz o provérbio, mas ter humildade para corrigir é mais humano ainda.

E você, numa prova de vestibular? É bom fazer como o jornalista, escrever revendo. E, se sobrar um tempinho, fazer nova e atenta revisão para sanar algum problema que tenha escapado. Para maior segurança, é recomendável criar sua própria técnica de revisão ao longo de seus estudos e simulações de provas. O lucro desse sacrifício pode ser enorme, não acha?

 

Você que entra, você que vai entrar, cuidado com o o

Friday, January 20th, 2017

Este artigo serve aos estudantes que já ingressaram, aos que estão para ingressar e aos que ingressarão após os exames deste ano. Trata-se de um probleminha que pode virar um problemão em tudo o que você escreve sobre qualquer assunto. A internet está cheia de exemplos, mesmo em textos jornalísticos, que, por necessidade, obedecem à norma-padrão.

Em dois artigos de diferentes jornais online o Blogueiro foi surpreendido hoje pelo emprego errado, baseado num equívoco de sintaxe dos jornalistas, ou, quem sabe? causado por um digitador e um revisor distraídos. Observe o exemplo abaixo, forjado pelo Blogueiro para evitar constrangimentos:

 

Estava numa posição que o permitiu fazer experiências com novos produtos.

 

Reparou? O Blogueiro já perdeu a conta das vezes em que alertou para o erro crasso de trocar o pronome oblíquo lhe pelo pronome oblíquo o. Mas a todo instante se surpreende, nos sites dos melhores jornais do país, com essa pavorosa troca. Pavorosa, porque não se trata apenas de trocar alhos por bugalhos, como diria o povo, mas de estraçalhar a sintaxe do idioma. Até hoje, muitos usuários da rede, inclusive profissionais, demonstram com tais equívocos não dominarem bem a diferença entre objeto direto e objeto indireto. Isso é péssimo, e pode até alterar brutalmente o sentido de um período.

Vamos, então, repetir a velha liçãozinha a respeito. Objetos diretos, quando substituídos pelos pronomes pessoais do caso oblíquo, assumem as formas o, a, os, as, eventualmente com as seguintes variantes lo, la, los, las, no, na, nos, nas, provocadas pela relação entre os finais das formas verbais e tais pronomes. Assim, o objeto direto da oração Comprei o livro pode ser substituído pelo pronome o: Comprei-o. Se a forma verbal fosse, porém, compramos, seria usada a variante: Compramo-lo. No caso de ser a forma verbal compraram, teríamos: Compraram-no. No caso, porém, de se tratar de objeto indireto precedido pela preposição a, a forma pronominal oblíqua será: lhe, lhes. Assim, numa oração como Pedro obedeceu ao pai, o objeto indireto ao pai pode ser substituído por lhe: Pedro obedeceu-lhe.

Aí é que nasce o probleminha que pode virar problemão: colocar, quando se trata de lhe, a forma o, ou vice-versa. É exatamente o que ocorre no primeiro exemplo dado:

 

Estava numa posição que o permitiu fazer experiências com novos produtos.

 

Supondo que esse o corresponda, por exemplo, a Pedro, O redator desta frase deveria ter empregado a forma lhe, que corresponde a a Pedro, e não o:

Estava numa posição que lhe permitiu fazer experiências com novos produtos.

Percebeu a diferença e o perigo dessa má troca? Claro que sim. Então, trate de comprovar, em suas leituras pela internet e até mesmo por jornais e revistas comuns em papel, como esse tipo de equívoco é corriqueiro. Bons escritores não caem nessa, como se observa neste belo exemplo fornecido pelo Dicionário Aurélio no verbete permitir:

 

“A atenção dedicada ao fenômeno linguístico, considerado em si mesmo, permitiu a Machado de Assis aproveitá-lo ao máximo em sua obra de ficção.” (Maria Nazaré LIns Soares, Machado de Assis e a análise da expressão, p. 99).

 

Notou a diferença? A escritora poderia inclusive ter colocado a forma lhe em lugar de Machado de Assis, não o fazendo, porém, por julgar melhor para o período a expressão do nome próprio.

Siga, portanto, os bons exemplos, e não caia nessa onda de erros de textos da internet. Pode serem grandes jornalistas, figuras ilustres da mídia ou profissionais semelhantes, se trocarem lhe por o, têm de ser corrigidas, e não seguidas. A fama não lhes dá o direito de alterar os padrões da língua. Valeu? Então compreendeu que está numa posição que lhe permite aperfeiçoar seu próprio estilo de escrever, fazer experiências com seu idioma, mas nunca a ponto de desafiar o que há muito está consolidado? Mãos à obra!

 

 

 

Agora é com você, que ainda vai prestar

Wednesday, January 11th, 2017

O título deste artigo, como se pode observar, é bastante brincalhão, já que o verbo prestar apresenta muitas possibilidades de significação, razão porque tem de ser especificado. No sentido em que o Blogueiro empregou, precisa de um objeto direto: exames vestibulares. Sem isso, na intransitividade, tem sentidos cuja negação pode ser ofensiva: ser bom, ser correto, ser honesto, ter boa índole. Quer dizer: você não é bom, não é honesto, mas ainda vai ser. Evidentemente, o Blogueiro não quis dizer isso. É claro, porém, que há uma terceira possibilidade de sentido, que pode ser assim compreendida: você ainda não presta, vale dizer, ainda não está preparado; mas vai prestar, ou seja: ainda vai estar preparado. Isto já serve de exemplo de como é importante a questão da transitividade dos verbos, cuja mudança pode trazer alteração de sentido. Embora o tema deste artigo seja outro, o Blogueiro não perde a oportunidade de dar sua liçãozinha de discurso. Não deixe de aproveitá-la!

Na verdade, o artigo focaliza os vestibulandos que terão de prestar exames no ano em curso, mais especialmente os novatos, que ainda estão no terceiro ano do ensino médio. Se você se enquadra neste tema, preste muita atenção.

Enquanto os candidatos que prestaram exames aguardam a lista de classificados, chega sua vez, novo candidato, de trilhar a reta final de preparação. 2017 é o seu ano, portanto, e você já está seriamente preocupado em saber o que vai fazer durante esse trajeto de longos meses. É claro que os conselhos, desde o segundo ano do ensino médio, choveram muito em sua horta de sonhos. Não faltaram professores, amigos, parentes, veteranos para lhe fornecer os “melhores conselhos” para a vitória até o fim do ano.

Tudo isso, porém, é muito relativo. Não serão conselhos que o farão passar. Poderão até ajudar pouco ou muito, mas poderão também atrapalhar, se não estiverem em acordo com sua personalidade. Esta é a chave: sua personalidade. Sua personalidade é a corrente do rio: você não deve nadar contra ela, sob o risco de cansar demais e render de menos. É hora de consultar a si mesmo, de refletir sobre sua própria índole, para estabelecer o que quer, que curso ou cursos pode tentar, que roteiros de estudo estabelecer e métodos adotar.

Tudo tem de estar, portanto, em sintonia com seu modo de ser, com as possibilidades que você percebe em si mesmo e com a capacidade de estudo, esforço e sacrifício pessoal de que se julga possuidor. Sacrifício pessoal, sim, mas sem que isso signifique algo torturante. Ao contrário, sacrifício pessoal é uma atitude necessária em diferentes momentos de nossas vidas, para atingirmos as metas determinadas, seja no trabalho profissional, seja na vida particular e familiar.

Se lermos as biografias das grandes figuras humanas de todos os tempos, qualquer que seja o caminho percorrido, verificaremos que passaram por incontáveis momentos de sacrifício e de desafio. Talvez seja até melhor, em vez da palavra sacrifício, você usar desafio. Nossa existência é feita de desafios, muitos dos quais requerem, além de uma preparação adequada, o emprego de todas as nossas forças, de toda a nossa inteligência, de todas as nossas habilidades.

Por que dizer tudo isso? Porque os candidatos que prestam vestibulares, em vez de constituírem um grupo homogêneo, como seria o ideal, representam um grupo caracterizado pela heterogeneidade. Nem todos chegam a um ano dos exames plenamente preparados. Muitos, ao contrário, em virtude do tipo de escola que frequentaram ou dos problemas familiares que viveram, além de dificuldades de controlar seus próprios temperamentos, têm tendência a chegar com menos possibilidades. A proliferação de cursos preparatórios, bem como de sites da internet dedicados a ensinar conteúdos e fornecer  dicas para os candidatos é prova suficiente das diferenças apontadas.

O melhor conselho, a melhor dica, portanto, neste momento, para os que prestarão exames ao longo do ano em curso, é esta: examinem-se, considerem suas personalidades, analisem friamente suas possibilidades neste exato momento e estabeleçam metas, roteiros e métodos para evoluírem em seus conhecimentos e enfrentarem seus desafios. Métodos de estudo e dicas existem aos milhares espalhados pelas apostilas, livros e pela rede. O que vale, porém, é a sua atitude, o seu modo de encarar o que tem pela frente, além de sua vontade enorme de vencer.

Pense nisso! E mãos à obra, à sua obra!

 

Há oito anos com o estudante

Friday, January 6th, 2017

Buscando atenuar sua tensão da espera dos resultados e, ao mesmo tempo, tentando fornecer-lhe ideias para reflexões muito úteis nesse processo, este artigo completa, focalizando alguns aspectos distintos, o que dissemos sobre a edição do terceiro livro do Blog. Trata-se de uma mensagem sobre a qual você deve refletir muito, ao longo de sua vida profissional.

O BlogUnesp, com seus artigos e avisos, há oito anos vem buscando, de forma muito simples, clara e útil, auxiliar o estudante a resolver dúvidas em sua preparação para o vestibular. Como já disse o Blogueiro, porém, mais de uma vez, nossa ambição não se limita ao vestibular: queremos continuar servindo ao desempenho de nossos estudantes em seus cursos.

Se vocês, candidatos que esperam os resultados finais, bem como estudantes que já ingressaram na Universidade, repararam bem no modo e na forma de apresentação de nossos artigos, devem ter percebido que o Blog continuará servindo à sua capacidade de ler, interpretar e escrever por muitos anos ainda.  O ingresso em cursos superiores, de fato, não anula a necessidade de dominar as três habilidades mencionadas, assim como aperfeiçoá-las ao longo de seu curso e de toda a sua vida profissional.

Nosso Blog, de resto, também recua um pouco no tempo, visando ao aprendizado dos estudantes do ensino médio, desde o primeiro ano, tudo baseado num método de trabalho que pode ser resumido na frase Alcançar o máximo possível de pessoas interessadas em aprender. Por isso mesmo, somos um Blog que se caracteriza pelas mensagens sérias, em que as próprias brincadeiras e jogos de palavras que algumas vezes utilizamos carregam consigo lições úteis e ensinamentos producentes.

Por estas razões, você, candidato cheio de esperança de figurar na lista de classificados, pode muito bem aproveitar o tempo para ir fazendo revisões, com base na leitura de artigos anteriores do Blog, para aperfeiçoar suas habilidades de expressão. Por quê? Porque o curso em que você ingressará implica a necessidade permanente dessas habilidades. A universidade, de fato, é o dominio maior do estudo, da ciência e de sua expressão em textos de diferentes gêneros. É nela que nascem os conceitos, as ideias, as teorias e as práticas que devem ser comunicadas ao mundo para torná-lo melhor em todas as áreas. A universidade nasceu justamente dessa ânsia que tinham os estudiosos de disseminar sua ciência e conhecimentos aos interessados.

Em resumo, ao ingressar numa universidade você não vai se tornando apenas um futuro profissional especializado em determinadas linhas de atividade, mas, sobretudo, um comunicador, um disseminador de conhecimentos e práticas, membro ativo de uma sociedade que precisa, cada vez mais urgentemente, do processo da mútua colaboração entre as pessoas, com vistas à edificação de um mundo cada vez melhor, com seus habitantes cada vez mais dotados de pensamento humanitário e desejo de que a ignorância seja substituída pela ciência e todas as práticas ruins, condenáveis, sejam de uma vez banidas do planeta. Os indivíduos formados por universidades têm uma responsabilidade cada vez maior nessa busca. E você, com os resultados positivos que com certeza terá, assumirá também a sua parte no processo.

Só assim o planeta poderá encontrar o futuro que todos desejamos.

 

Unesp edita terceiro livro do BlogUnesp

Wednesday, January 4th, 2017

Acaba de ser publicado o terceiro livro do BlogUnesp, coletânea dos artigos publicados neste Blogue de 2013 a 2015. Trata-se do livro mais extenso dos três, o que nos deixa felizes e orgulhosos do trabalho que vem sendo realizado em prol dos candidatos a exames vestibulares da Unesp.

Você, que é leitor habitual desses artigos, sabe muito bem que todos têm como objetivo fornecer aos candidatos informações que os auxiliem a melhorar seus desempenhos nas provas: tópicos sobre redação, gramática, interpretação de textos, modos de ler e de responder questões objetivas e discursivas, técnicas de preparação para as provas, etc., etc., diferentes formas de abordagem, enfim, que possam trazer benefícios a quem se submete aos exames vestibulares. Não se trata, por isso, de um blogue que visa ao bate-papo, frequentemente brincalhão e hilário, mas sem muito efeito prático. Pelo contrário, é um blogue sério, crítico, responsável, didático, que tem como meta ensinar a estudar, a preparar-se, a responder com sucesso às questões propostas, bem como aperfeiçoar a capacidade de redação, já que esta tem grande peso na média final.

O Blogueiro conhece muito bem, pela sua longa experiência, os vários e diferentes deslizes que os candidatos, muitas vezes por falta de preparo adequado, outras por tensão e nervosismo, podem cometer durante a leitura e a interpretação das questões objetivas e discursivas das diferentes provas, e por isso mesmo chega a ser insistente em apontar modos e técnicas para evitá-los. E fica extremamente feliz quando percebe que seus artigos conseguem atingir o objetivo desejado, fornecendo os recursos e técnicas de preparação e estudo para que as respostas surjam limpas, sem ambiguidades, absolutamente claras.

A filosofia da Vunesp com o Blogue, porém, ultrapassa esses limites e busca fazer com que os candidatos percebam que ler, interpretar, responder e criar textos não é algo específico dos exames vestibulares, mas acompanhará os estudantes por toda a sua vida, ao longo das atividades profissionais que assumirá. Profissionais de sucesso têm de ser capazes de ler e interpretar um texto em seus trabalhos, bem como redigir adequadamente relatórios e, mesmo, artigos focalizando atividades de suas respectivas áreas. Longas experiências requererão a criação de livros. Não se pode admitir, desta sorte, que um profissional competente seja incapaz de produzir textos para partilhar com a comunidade todas as atitivades e descobertas que realizou ao longo de uma carreira vitoriosa.

É tudo isso que pretende o Blogue com seus artigos, muitas vezes intencionalmente repetitivos, para garantir o entendimento dos candidatos. A capacidade de discurso, que implica o ler, interpretar, compreender, produzir textos, é uma habilidade muito mais que necessária ao profissional formado por universidade, qualquer que seja a área envolvida. Com o vertiginoso desenvolvimento tecnológico experimentado pela comunicação nos dias atuais, não se pode imaginar um desses profissionais incapaz de relacionar-se com outros, via rede, tanto para partilhar suas técnicas e experiências, quanto para receber, do mesmo modo, a colaboração desses outros.

A chamada globalização, como alguns consideram, não é apenas um fenômeno que envolve o comércio, a indústria, a política, mas um processo que aglutina todas as áreas da atividade humana, particularmente a educação. Prestar um vestibular, deste modo, é ingressar num universo totalmente novo, é tornar-se partícipe de novas formas de viver e realizar-se.

Pense muito nisso e inclua também este objetivo em sua formação no curso superior.  E que um um feliz 2017 marque o início dessa sua caminhada vitoriosa em direção a um futuro exemplar.