Arquivo de 9 de setembro de 2016

Decoro: seu cartão de visitas

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Uns dias atrás o Blogueiro leu num jornal na internet a frase “O político emputeceu ao ser informado da acusação.” O verbo emputecer, criado na década de noventa, por parassíntese (em+puto+ecer) é bastante usual na oralidade, no discurso do dia a dia. Mas convenhamos: não é lá muito elegante empregá-lo no discurso escrito, formal, nem mesmo no próprio discurso jornalístico. Trata-se de um termo que o Aurélio considera chulo, isto é, grosseiro, baixo, rude, ordinário. Ou, na melhor das hipóteses, de mau gosto.

O Blogueiro faz estas reflexões imaginando que muitos vestibulandos podem não ter a exata noção desse caráter chulo ou dessa chulice do verbo emputecer, sobretudo porque nossa rica língua portuguesa possui muitos outros vocábulos mais elegantes para usar em seu lugar na frase mencionada, com muito maior efeito expressivo: enraivecer-se, encolerizar-se, irar-se. Uma palavra chula desvia a atenção do leitor para significados que, muitas vezes, nada têm a ver com o texto que está sendo lido.

Assim chega o Blogueiro ao ponto pretendido, o decoro. O que significa esta palavra? Correção moral, compostura, decência, dignidade, nobreza, honradez. Você por certo já ouviu ou leu a expressão muito atual decoro parlamentar, que significa a compostura, a decência e a boa educação que deve manter um político (por exemplo, um senador, deputado) em seu comportamento e suas intervenções nos trabalhos do parlamento. Se o político fere o princípio do decoro parlamentar, pode até ser excluído do cargo para o qual foi eleito.

Ora, nas respostas discursivas e da redação dos vestibulares, devem os candidatos, entre outros cuidados, observar também o decoro. É claro que, não fazendo isso, não serão descontados necessariamente nas notas, mas um discurso com muitas agressões ao decoro, à boa educação, pode gerar no corretor uma certa ojeriza pelo texto que está lendo. E isso será realmente muito perigoso. Ninguém gosta de ler textos cheios de indecorosidades, não é? Você gosta? Pode até gostar, mas se engana se imaginar que todos gostam. Uma redação, por exemplo, deve ser um texto obediente à norma padrão, à correção gramatical, à clareza, à concisão e ao decoro, entre outras qualidades. Nada de palavras e expressões chulas, de baixo calão e obscenas, como encher o saco, babaca, aporrinhar, bocó, meter-se a besta, sovaco, merreca, etc., etc.

Observou bem o que disse o Blogueiro?  Além de correto, seu texto deve ser bem-educado, não só em vestibulares e concursos, mas em suas tarefas acadêmicas e sua profissão futura, sob a forma de cartas, relatórios, pedidos, etc. Não ceda jamais ao mau gosto.

 

 

Você sabe o que é crise?

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Muitas vezes acontece, mas você não percebe. É que se torna tão fácil ver determinado aspecto de um fato, que acabamos, pela própria facilidade, não conseguindo vê-lo. Esse fenômeno já foi até usado como tema de obra literária, por exemplo no conto “A carta roubada”, de Edgard Alan Poe: a carta estava num lugar tão evidente, tão fácil de achar, tão na cara, como diz o povo, que aqueles que a procuravam acabavam por não enxergá-la. O mesmo ocorre em nossa vida diária: às vezes não conseguimos encontrar um objeto perdido porque não está perdido, apenas foi colocado num lugar diferente do habitual; e como muitas vezes agimos por puro automatismo, por seguir obstinadamente um método, não conseguimos ver o que está à nossa frente.

O Blogueiro está usando esses exemplos para demonstrar que, na própria linguagem, o fenômeno acontece: muitas vezes ouvimos tanto uma palavra, ou a lemos, que acabamos não dominando de modo objetivo seu significado. A palavra crise é um bom exemplo. Nunca se falou tanto em crise em nosso país. É crise para lá, é crise para cá, mas, afinal o que é mesmo crise? Descobrimos que não sabemos objetiva e amplamente os significados que a palavra incorpora. Temos apenas a noção de que crise é algo ruim, algo que não está dando certo num processo. Mas é só? Não, de fato não é. Justamente por isso o dicionário é companheiro e conselheiro inseparável. No caso de crise, a informação que nos dá tem de ser resumida, de tão extensa que é: crise é uma palavra empregada pela Medicina, para indicar o surgimento repentino de uma doença num indivíduo sadio, ou também o agravamento de uma doença;  crise é manifestação muito forte e súbita de perda de equilíbrio; crise é um estado de dúvidas e de incertezas em determinado processo; crise é a fase grave de um processo, quer físico, quer psicológico; crise é um momento crucial, perigoso, decisivo num processo;  crise é um estado de tensão e de conflito; crise, na Economia, é o ponto de transição entre um período de prosperidade e outro de depressão; crise, na ficção (literatura, teatro, cinema) corresponde ao ponto de agravamento do conflito, que conduz o enredo a seu ponto máximo  e decisivo.

Muitos significados, não é? E observe que não foram indicados todos, deixando-se de lado aqueles que podem ser abrangidos pelos mencionados.

Agora você está em condições de entender os significados que a palavra crise venha a assumir em qualquer contexto. Pode explicar objetivamente, por exemplo, expressões como crise política, crise social, crise educacional, crise econômica, etc., etc., etc. Você pode entender agora por que se diz o tempo todo, sobretudo na mídia, que O Brasil enfrenta atualmente uma crise política sem precedentes. E ponha crise nisso!

Sempre é bom, porém, prestar muita atenção no texto que lê, porque crise também pode significar, como diz o Aurélio, “certo tecido antigo”. É muito difícil que você venha a deparar-se com um texto em que a palavra carrega esse significado. Mas nada é impossível neste mundo. De repente, num livro de ficção, lá está ele.

Compreendeu? Há todo um campo de pesquisa sobre palavras cujos significados são tão óbvios e simples, que nos deixam confusos no momento de descrevê-los. Vale a pena, por isso, se você quer aumentar seus conhecimentos sobre palavras e conceitos (algo muito importante para ler e redigir), ter sempre à mão ou no monitor do PC bons dicionários.

Ah! e já ia o Blogueiro se esquecendo: vale muito a pena, muito mesmo, ler “A carta roubada”, de Poe, para ter uma verdadeira lição de que às vezes “a própria simplicidade nos desorienta”. O Blogueiro tem certeza de que você adorará o conto e passará a ler toda a obra do grande escritor. Ler é aprender, sempre.

 

Não vire um “tlocaletla”

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

O Blogueiro apreciava muito uma antiga personagem de histórias em quadrinhos, que costumava trocar as letras erre e ele em suas falas, que se tornavam quase sempre muito engraçadas.

Você não é personagem de história em quadrinhos, e por isso mesmo pode e deve ter muita cautela no emprego de palavras com letras trocadas. Talvez tenha o costume ou até ache interessante trocar letras, mas, em provas tão importantes como de concursos para empregos públicos ou de vestibulares, esse costume tem de ser abandonado, já que uma só palavra com letra errada pode lhe tirar milésimos preciosos para a obtenção de uma vaga.

O mais interessante, para um professor, é entender por quê, mesmo após tantos alertas ao longo dos ensinos fundamental e médio, alguns alunos continuam a fazer tais trocas, como se não houvessem assistido a nenhuma das aulas a respeito. Exemplo clássico disso é o costume que muitos têm de escrever “análize”, com -z-, quando o correto é escrever com -s-: análise, analisar. Fato semelhante ocorre com os acentos gráficos, que muitos estudantes empregam indevidamente em certas palavras ou deixam indevidamente de empregar.

Eis uma boa relação dessas trocas de letras ou de acentos muito comuns e por isso mesmo perigosas:

 

1)      Espontaniedade em vez do correto espontaneidade.

2)      Expontâneo em vez do correto espontâneo.

3)      Hilariedade em vez do correto hilaridade.

4)      Gilbratar em vez do correto Gibraltar.

5)      Gratuíto em vez do correto gratuito.

6)      Idolatra em vez do correto idólatra.

7)      Octagésimo em vez do correto octogésimo,

8)      Prototipo em vez do correto protótipo.

9)      Metereologia em vez do correto meteorologia.

10)  Arquetipo em vez do correto arquétipo.

11)  Rúbrica em vez do correto rubrica.

12)  Adimirar em vez do correto admirar.

13)  Aerolito em vez do correto aerólito.

14)  Teleespectador em vez do correto telespectador.

15)  Crisantemo em vez do correto crisântemo.

16)  Dispar em vez do correto díspar.

17)  Extender em vez do correto estender.

18)  Bicabornato em vez do correto bicarbonato.

19)  Obceno em vez do correto obsceno.

20)  Alizar em vez do correto alisar.

Notou a importância de escrever a palavra com a forma adequada e correta? Note também que não há métodos milagrosos para conhecer a escrita correta. A leitura habitual ajuda muito, mas é preciso também estudar e localizar os erros comuns, que são mencionados em gramáticas e manuais de ortografia.

Compreendeu? Então, como sabiamente diz o povo, mande ver e não dê sopa ao azar!