Archive for September, 2016

A correspondência entre alternativas e enunciado

Thursday, September 29th, 2016

Esta é uma boa dica, pode você ter certeza: o enunciado de cada questão e suas alternativas apresentam sempre uma relação de correspondência, porque formam uma unidade comandada pelo enunciado. É algo muito parecido com a regência gramatical (nominal e verbal). Como o enunciado abre uma perspectiva sob o ponto de vista do sentido, abre também sob o ponto de vista formal, de modo que cada alternativa deve fechá-lo sintaticamente. Vejamos um exemplo:

 

Conforme afirmou aquele político, o Brasil neste momento precisa urgentemente

(A) combater com rigor a  corrupção.

(B) organizar melhor sua economia.

(C) um aumento muito grande de impostos.

(D) afastar os maus administradores.

(E) discutir suas prioridades para o futuro.

 

Observou a alternativa (C)? Se observou bem, verificou que não fecha a relação sintática entre ela e o verbo precisa do enunciado. Fecharia, caso se iniciasse por de, já que o verbo “precisar” exige que seu complemento seja antecedido pela preposição “de”: Conforme afirmou aquele político, o Brasil neste momento precisa urgentemente de um aumento muito grande de impostos. Estando errada a relação, a alternativa é inviável e pode ser desprezada. Se, por um cochilo do elaborador, for a correta, pode ser sugerida até mesmo a sua anulação, em virtude de não corresponder formalmente ao enunciado. A própria questão pode ser anulada pelo mesmo motivo. Nenhum vestibular que se preze faria uma questão assim. Já as demais alternativas respondem adequadamente ao verbo precisa, pois se iniciam por combater, organizar, afastar, discutir (precisa combater, precisa organizar, precisa afastar, precisa discutir). Uma delas, provavelmente, será a correta.

Viu como é importante, como cuidado preliminar, examinar a correspondência entre alternativas e enunciado? Vale anotar que as questões de vestibulares não são tão fáceis como esta, criada para a exemplificação e explicação pelo Blogueiro. É preciso examinar muito bem esse aspecto, pois a maior ou menor correspondência estrutural entre enunciado e alternativas pode ajudar em muito a entender melhor a questão e detectar a correta.

Aproveite, portanto, esta dica, que o fará aprofundar-se bem mais eficientemente no aspecto formal, facilitando o reconhecimento do caminho para descobrir qual alternativa representa a resposta exata à questão. Isto o fará também perceber a própria filosofia que norteou o elaborador ao criá-la.

Percebeu? Questões objetivas são questões objetivas. Para respondê-las, é preciso ser também muito objetivo, talvez até mais do que o próprio elaborador. 

 

Vossa, Sua Excelência: sabe a diferença?

Thursday, September 22nd, 2016

No momento que o Brasil atravessa, política e economicamente, geram-se numerosos temas que podem ser aproveitados em perguntas de História, Filosofia, Língua Portuguesa e Redação. É preciso, pois, estar alerta para pequenos detalhes que, em conjunto, podem vir a auxiliá-lo enormemente em termos de nota final, como também a prejudicá-lo, caso você não saiba lidar com  essas diferenças.

Você por certo já acompanhou debates da câmara e do senado, bem como dos tribunais superiores, em julgamentos de processos que envolvem políticos. Acompanhou? Pois deve ter verificado que há um tratamento cerimonioso nessas ocasiões. Não importa a formação maior ou menor do deputado ou senador, o tratamento faz parte do protocolo do relacionamento entre aqueles que constituem os poderes mais altos da nação, seja do legislativo, seja do executivo, como também do judiciário. O padrão, em todos esses casos, é o tratamento Excelência: Sua Excelência, o Presidente da República, Sua Excelência, o senador fulano de tal, e assim por diante. Já observou? Ótimo. Então não é preciso explicar mais sobre as formas de tratamento, que já vem de longe, de um passado longínquo, para reis, rainhas, príncipes, etc. Com relação a estes, os pronomes de tratamento eram algo obrigatório, para denotar grande respeito e acatamento. Com relação às autoridades atuais do executivo, legislativo e judiciário, o tratamento é ditado pelo protocolo, que também conduz a autoridade a tratar um visitante ou depoente comum como Senhoria. O interessante é que uma pessoa comum, como nós, ao estar depondo numa Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), deve tratar o membro do legislativo como Excelência, enquanto este a trata como Senhoria. Só que algumas vezes, no calor dos interrogatórios e debates, o membro do legislativo se equivoca e trata a pessoa comum também como Excelência. Alguns percebem o erro e se corrigem; outros nem o percebem.

Pois bem. Vale a pena que você tenha em memória as duas variáveis dessas formas de tratamento, conforme um usuário se dirija diretamente a outro ou a este faça apenas referência, vale dizer, conforme a presença ou ausência da pessoa à qual se refere o interlocutor. Para tanto, usam-se os pronomes sua e vossa. O interlocutor emprega Vossa quando está dirigindo a palavra ao outro: Vossa Excelência não está me entendendo direito. Mas, quando apenas se refere a outro, não presente, usará o pronome sua. Sua Excelência, o senador fulano de tal, não interpretou direito o artigo 3º, da lei. Observe, neste caso, que um senador, por exemplo, se dirige a outro com o tratamento Vossa Excelência. E se dirige a uma pessoa comum como Vossa Senhoria. Quando esse mesmo senador fala de outro senador, não presente, diz Sua Excelência. E quando fala de uma pessoa não presente emprega Sua Senhoria. Exemplos: Vossa Excelência, senador Odorício Peixoto, não devia usar da palavra neste momento. Sua Excelência, o senador Odorício Peixoto, não pôde comparecer hoje ao plenário. Vossa Senhoria, engenheiro Abricórdio Lima, esclareceu muitas coisas para nós. Ontem, em seu depoimento, Sua Senhoria, o engenheiro Abricórdio Lima, esclareceu muitas coisas para nós.

Compreendeu  bem? Então tome muito cuidado, em suas provas, caso o tema seja político e tenha de referir-se a autoridades, em fazer o emprego correto, como, por exemplo, na frase: Sua Excelência, o senhor presidente da República, está conseguindo fazer a inflação baixar. Será um erro grave, portanto, nesse caso, empregar o vossa, simplesmente porque você não está em presença do presidente, mas apenas referindo-se a ele, o que impõe o uso de sua.

Mas para que tudo isso? perguntará você, e concluirá: Não seria melhor e mais fácil empregar “você” ou “o senhor”, “a senhora”? Talvez até fosse, mas se trata, na verdade, de formas de tratamento meramente protocolares, cerimoniosas, destinadas a destacar o caráter de autoridade ou não autoridade das pessoas mencionadas. E a solução com  sua e vossa é tão simples, que não há motivo para reclamar, nem tampouco para errar. Nossa vida social está cheia de protocolos, não está?

 

A Universidade universal

Tuesday, September 20th, 2016

Você talvez não faça ideia de como a universidade brasileira, particularmente a Unesp, mudou nos últimos vinte e cinco anos. Mudou muito, mas muito mesmo. Para começar, mudou a qualidade de seu corpo docente, vale dizer, de seus professores. No passado,  eram maioria os professores universitários que rinham apenas o mestrado ou não tinham feito pós-graduação. Hoje, será raro encontrar um docente com apenas mestrado, a grande maioria  possui doutorado e pós-doutorado. Ressalte-se também o fato de que muitos professores fizeram mestrado ou doutorado ou ambos em universidades estrangeiras, o que contribui em muito para o aprimoramento da docência e da pesquisa.

A formação em universidades estrangeiras decorreu do fato de haver iniciado um intercâmbio muito grande das universidades brasileiras, quer entre si, quer com universidades estrangeiras de todos os continentes. A consequência imediata desse fato foi a intensa atualização por que passaram as universidades de todo o mundo, podendo-se afirmar, a este respeito,  que, na prática, temos hoje uma grande e só universidade mundial, constituída pelo conjunto das universidades locais.

Esse intercâmbio faz com que estudantes já da graduação possam cursar, como ocorre na Unesp, disciplinas em instituições estrangeiras, valorizando-se com isso sua formação e seus currículos quando ingressarem no mercado de trabalho. Muito diferente do passado, portanto. Por isso, é normalíssima, hoje,  a  presença de professores estrangeiros lecionando em nossas universidades, assim como a presença de professores brasileiros lecionando e pesquisando em universidades estrangeiras. Não nos surpreendem mais, nos noticiários de tevê, as entrevistas de cientistas brasileiros em universidades e institutos de pesquisa dos mais renomados do planeta, tal o nível a que chegou a formação de profissionais em nossas universidades.

A internet, sob  este aspecto, facilita tudo e cria o ensino universitário a distância, que permite pensar num futuro em que praticamente todos os cursos universitários poderão ter a maior parte de suas disciplinas ensinadas via web. Mesmo hoje, é possível já formar-se em alguns cursos universitários pela rede. Muito provavelmente será esse o caminho para que um número cada vez maior de estudantes possam fazer seus cursos superiores, inclusive com a possibilidade de intercâmbios com instituições estrangeiras pela internet.

Quando você ingressar na Unesp, de fato, encontrará todo esse ambiente positivo de aprendizado, quer na própria instituição, quer, por intercâmbio, em universidades estrangeiras.

Que ótimo, não? O mundo está caminhando a passos largos para uma globalização de todas as suas atividades, e as universidades não deixam por menos, privilegiando as mais variadas formas de relacionamento entre si. Ganham com isso os estudantes. Ganhará você, pois terá seu diploma valorizado e sua carreira futura facilitada por uma excelente formação.

 

Decoro: seu cartão de visitas

Friday, September 9th, 2016

Uns dias atrás o Blogueiro leu num jornal na internet a frase “O político emputeceu ao ser informado da acusação.” O verbo emputecer, criado na década de noventa, por parassíntese (em+puto+ecer) é bastante usual na oralidade, no discurso do dia a dia. Mas convenhamos: não é lá muito elegante empregá-lo no discurso escrito, formal, nem mesmo no próprio discurso jornalístico. Trata-se de um termo que o Aurélio considera chulo, isto é, grosseiro, baixo, rude, ordinário. Ou, na melhor das hipóteses, de mau gosto.

O Blogueiro faz estas reflexões imaginando que muitos vestibulandos podem não ter a exata noção desse caráter chulo ou dessa chulice do verbo emputecer, sobretudo porque nossa rica língua portuguesa possui muitos outros vocábulos mais elegantes para usar em seu lugar na frase mencionada, com muito maior efeito expressivo: enraivecer-se, encolerizar-se, irar-se. Uma palavra chula desvia a atenção do leitor para significados que, muitas vezes, nada têm a ver com o texto que está sendo lido.

Assim chega o Blogueiro ao ponto pretendido, o decoro. O que significa esta palavra? Correção moral, compostura, decência, dignidade, nobreza, honradez. Você por certo já ouviu ou leu a expressão muito atual decoro parlamentar, que significa a compostura, a decência e a boa educação que deve manter um político (por exemplo, um senador, deputado) em seu comportamento e suas intervenções nos trabalhos do parlamento. Se o político fere o princípio do decoro parlamentar, pode até ser excluído do cargo para o qual foi eleito.

Ora, nas respostas discursivas e da redação dos vestibulares, devem os candidatos, entre outros cuidados, observar também o decoro. É claro que, não fazendo isso, não serão descontados necessariamente nas notas, mas um discurso com muitas agressões ao decoro, à boa educação, pode gerar no corretor uma certa ojeriza pelo texto que está lendo. E isso será realmente muito perigoso. Ninguém gosta de ler textos cheios de indecorosidades, não é? Você gosta? Pode até gostar, mas se engana se imaginar que todos gostam. Uma redação, por exemplo, deve ser um texto obediente à norma padrão, à correção gramatical, à clareza, à concisão e ao decoro, entre outras qualidades. Nada de palavras e expressões chulas, de baixo calão e obscenas, como encher o saco, babaca, aporrinhar, bocó, meter-se a besta, sovaco, merreca, etc., etc.

Observou bem o que disse o Blogueiro?  Além de correto, seu texto deve ser bem-educado, não só em vestibulares e concursos, mas em suas tarefas acadêmicas e sua profissão futura, sob a forma de cartas, relatórios, pedidos, etc. Não ceda jamais ao mau gosto.

 

 

Você sabe o que é crise?

Friday, September 9th, 2016

Muitas vezes acontece, mas você não percebe. É que se torna tão fácil ver determinado aspecto de um fato, que acabamos, pela própria facilidade, não conseguindo vê-lo. Esse fenômeno já foi até usado como tema de obra literária, por exemplo no conto “A carta roubada”, de Edgard Alan Poe: a carta estava num lugar tão evidente, tão fácil de achar, tão na cara, como diz o povo, que aqueles que a procuravam acabavam por não enxergá-la. O mesmo ocorre em nossa vida diária: às vezes não conseguimos encontrar um objeto perdido porque não está perdido, apenas foi colocado num lugar diferente do habitual; e como muitas vezes agimos por puro automatismo, por seguir obstinadamente um método, não conseguimos ver o que está à nossa frente.

O Blogueiro está usando esses exemplos para demonstrar que, na própria linguagem, o fenômeno acontece: muitas vezes ouvimos tanto uma palavra, ou a lemos, que acabamos não dominando de modo objetivo seu significado. A palavra crise é um bom exemplo. Nunca se falou tanto em crise em nosso país. É crise para lá, é crise para cá, mas, afinal o que é mesmo crise? Descobrimos que não sabemos objetiva e amplamente os significados que a palavra incorpora. Temos apenas a noção de que crise é algo ruim, algo que não está dando certo num processo. Mas é só? Não, de fato não é. Justamente por isso o dicionário é companheiro e conselheiro inseparável. No caso de crise, a informação que nos dá tem de ser resumida, de tão extensa que é: crise é uma palavra empregada pela Medicina, para indicar o surgimento repentino de uma doença num indivíduo sadio, ou também o agravamento de uma doença;  crise é manifestação muito forte e súbita de perda de equilíbrio; crise é um estado de dúvidas e de incertezas em determinado processo; crise é a fase grave de um processo, quer físico, quer psicológico; crise é um momento crucial, perigoso, decisivo num processo;  crise é um estado de tensão e de conflito; crise, na Economia, é o ponto de transição entre um período de prosperidade e outro de depressão; crise, na ficção (literatura, teatro, cinema) corresponde ao ponto de agravamento do conflito, que conduz o enredo a seu ponto máximo  e decisivo.

Muitos significados, não é? E observe que não foram indicados todos, deixando-se de lado aqueles que podem ser abrangidos pelos mencionados.

Agora você está em condições de entender os significados que a palavra crise venha a assumir em qualquer contexto. Pode explicar objetivamente, por exemplo, expressões como crise política, crise social, crise educacional, crise econômica, etc., etc., etc. Você pode entender agora por que se diz o tempo todo, sobretudo na mídia, que O Brasil enfrenta atualmente uma crise política sem precedentes. E ponha crise nisso!

Sempre é bom, porém, prestar muita atenção no texto que lê, porque crise também pode significar, como diz o Aurélio, “certo tecido antigo”. É muito difícil que você venha a deparar-se com um texto em que a palavra carrega esse significado. Mas nada é impossível neste mundo. De repente, num livro de ficção, lá está ele.

Compreendeu? Há todo um campo de pesquisa sobre palavras cujos significados são tão óbvios e simples, que nos deixam confusos no momento de descrevê-los. Vale a pena, por isso, se você quer aumentar seus conhecimentos sobre palavras e conceitos (algo muito importante para ler e redigir), ter sempre à mão ou no monitor do PC bons dicionários.

Ah! e já ia o Blogueiro se esquecendo: vale muito a pena, muito mesmo, ler “A carta roubada”, de Poe, para ter uma verdadeira lição de que às vezes “a própria simplicidade nos desorienta”. O Blogueiro tem certeza de que você adorará o conto e passará a ler toda a obra do grande escritor. Ler é aprender, sempre.

 

Não vire um “tlocaletla”

Friday, September 9th, 2016

O Blogueiro apreciava muito uma antiga personagem de histórias em quadrinhos, que costumava trocar as letras erre e ele em suas falas, que se tornavam quase sempre muito engraçadas.

Você não é personagem de história em quadrinhos, e por isso mesmo pode e deve ter muita cautela no emprego de palavras com letras trocadas. Talvez tenha o costume ou até ache interessante trocar letras, mas, em provas tão importantes como de concursos para empregos públicos ou de vestibulares, esse costume tem de ser abandonado, já que uma só palavra com letra errada pode lhe tirar milésimos preciosos para a obtenção de uma vaga.

O mais interessante, para um professor, é entender por quê, mesmo após tantos alertas ao longo dos ensinos fundamental e médio, alguns alunos continuam a fazer tais trocas, como se não houvessem assistido a nenhuma das aulas a respeito. Exemplo clássico disso é o costume que muitos têm de escrever “análize”, com -z-, quando o correto é escrever com -s-: análise, analisar. Fato semelhante ocorre com os acentos gráficos, que muitos estudantes empregam indevidamente em certas palavras ou deixam indevidamente de empregar.

Eis uma boa relação dessas trocas de letras ou de acentos muito comuns e por isso mesmo perigosas:

 

1)      Espontaniedade em vez do correto espontaneidade.

2)      Expontâneo em vez do correto espontâneo.

3)      Hilariedade em vez do correto hilaridade.

4)      Gilbratar em vez do correto Gibraltar.

5)      Gratuíto em vez do correto gratuito.

6)      Idolatra em vez do correto idólatra.

7)      Octagésimo em vez do correto octogésimo,

8)      Prototipo em vez do correto protótipo.

9)      Metereologia em vez do correto meteorologia.

10)  Arquetipo em vez do correto arquétipo.

11)  Rúbrica em vez do correto rubrica.

12)  Adimirar em vez do correto admirar.

13)  Aerolito em vez do correto aerólito.

14)  Teleespectador em vez do correto telespectador.

15)  Crisantemo em vez do correto crisântemo.

16)  Dispar em vez do correto díspar.

17)  Extender em vez do correto estender.

18)  Bicabornato em vez do correto bicarbonato.

19)  Obceno em vez do correto obsceno.

20)  Alizar em vez do correto alisar.

Notou a importância de escrever a palavra com a forma adequada e correta? Note também que não há métodos milagrosos para conhecer a escrita correta. A leitura habitual ajuda muito, mas é preciso também estudar e localizar os erros comuns, que são mencionados em gramáticas e manuais de ortografia.

Compreendeu? Então, como sabiamente diz o povo, mande ver e não dê sopa ao azar!