Arquivo de 18 de agosto de 2016

O, a, os, as, lhe, lhes: pequenos, mas perigosos!

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Você deve saber que o, a, os, as são pronomes oblíquos objetivos, substitutos, na oração, de substantivos que funcionam como objetos diretos. Exemplo: Transformei a sucata em um belo enfeite – Transformei-a em um belo enfeite. Outro exemplo: Encontrei minhas amigas no centro da cidade – Encontrei-as no centro da cidade. Algo semelhante ocorre com lhe, lhes, que substituem substantivos em função de objeto indireto: Dei a meu amigo meu melhor estojo – Dei-lhe meu melhor estojo. Outro exemplo: Entreguei aos vizinhos a correspondência extraviada – Entreguei-lhes a correspondência extraviada.

Fácil, não é? Sim, mas a facilidade muitas vezes nos leva a erros grosseiros. Percorrendo artigos de jornais e revistas na internet, encontramos frequentemente a inversão desses papéis, ou seja, um lhe como objeto direto ou um o como objeto indireto. Trata-se de erros crassos, provocados mais por distração do que por desconhecimento das funções sintáticas desses pronomes objetivos. Num jornal da rede, outro dia, encontramos a frase seguinte: O zagueiro adversário provocou-lhe muito durante a partida. Parece correto, mas não é, O verbo provocar, nesse contexto, é transitivo direto, e por isso mesmo, quando se usa o pronome oblíquo de terceira pessoa como objeto, este deve ser direto: o, a, os, as, ou, dependendo da terminação do verbo, lo, la, los, las, no, na, nos, nas. A frase correta, portanto, será O zagueiro adversário provocou-o muito durante a partida.

O exemplo oposto também é comum no discurso muitas vezes desmazelado dos artigos internetianos: A Justiça decidiu tornar-lhes réus, sob a acusação de lavagem de dinheiro. Observou o erro? O verbo tornar, nesse caso, é objetivo direto, de modo que trocá-lo pelo pronome objetivo indireto lhe é um grande equívoco. A frase correta será: A Justiça decidiu torná-los réus, sob a acusação de lavagem de dinheiro. Outro exemplo: Encontrei-lhe ontem no Jardim Botânico. Como você nota, o lhe está indevidamente empregado em lugar de o. A frase correta, deste modo, será: Encontrei-o ontem no Jardim Botânico. Observe que, se fosse usado um substantivo, ficaria: Encontrei meu primo ontem, no Jardim Botânico. Deste modo, tanto o como meu primo funcionam na frase como objetos diretos, tal é a regência desse verbo.

É bom tomar cuidado, portanto, como essa troca indevida de pronomes objetivos diretos por pronomes objetivos indiretos, ou vice-versa. Numa redação, por exemplo, tal troca é penalizada pelos corretores, porque se trata de um lamentável erro.

Não espere, portanto, condescendência das bancas de correção. Trate de verificar, primeiro, se você costuma cometer tais equívocos e, segundo, de estudar casos semelhantes e fazer exercícios, muitos exercícios, para não errar mais.

Agora entendeu a razão do título um tanto irônico deste artigo? Realmente, o, a, os, as, lhe, lhes são vocábulos bem pequenos, mas o que têm de pequenos têm também de perigosos.

 

 

O “s” e suas armadilhas olímpicas

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Agora que a olimpíada do Rio de Janeiro está em pleno curso e sucesso, pode-se dizer, comparando as três últimas olimpíadas, que o Brasil soube fazer um trabalho certo, simples, mas plenamente vitorioso. É claro que, não sendo nosso país um forte concorrente olímpico em todas as modalidades esportivas, temos de nos contentar, nessa como noutras olimpíadas, com uma medalha aqui, outra ali, e festejar muito cada conquista. Nossa olimpíada está demonstrando mais uma vez que são na maior parte pessoas humildes, dotadas de puro talento, que conquistam tais medalhas, muitas vezes à custa de grandes sacrifícios pessoais. É uma pena, pois a cada olimpíada que passa chegamos à conclusão de que puros talentos esportivos e olímpicos não são aproveitados e desenvolvidos unicamente por não haver um programa nacional de grande porte para conduzi-los ao pódio. E ficamos sempre na ilusão de que, na próxima olimpíada, tudo será diferente e o país fará as grandes conquistas que faltaram em olimpíadas anteriores.

Você estará se perguntando por que o Blogueiro, num blogue sobre vestibulares, deu para fazer um grande parágrafo falando só das competições olímpicas. E você mesmo, numa segunda e mais atenta e crítica leitura, perceberá que em tal parágrafo aparecem repetidas olimpíada e olimpíadas. Percebeu? Na verdade, o Blogueiro continua falando de vestibulares, na medida em que procura criar frases que aparesentem o uso correto e adequado dessa palavra no singular e no plural. Deste modo, a lição continua. Como é muito provável que, num ano olímpico, os concursos e vestibulares abordem como temas de redações e de questões, as competições olímpicas, a primeira coisa que você deve ter em mente é a diferença de uso. Até mesmo escritores e jornalistas muitas vezes se equivocam ao referirem-se às “olimpíadas do Rio de Janeiro”. Ora, trata-se de um erro crasso. No Rio está em curso uma olimpíada, a de 2016. Usar o plural, neste caso, não cabe. Caberia, se, por exemplo, houvesse referência às olimpíadas de 2012 e 2016, isto é, a duas olimpíadas. Assim também se nos referíssemos a todas as olimpíadas que já foram disputadas. Cada uma delas, porém, é uma olímpiada. Ficou claro?

Muito cuidado, portanto, se o tema for abordado nos próximos exames de vestibulares de alguma universidade. E assim também cuidado com pequenas distrações que o fazem deixar de escrever o “s” em casos de concordância. Textos da internet oferecem inúmeros exemplos disso, como Os dois pescadores perdidos na mata foram, pelo trabalho competente dos bombeiros, localizado depois de um dia de buscas. Notou? Por distração, pura distração, o redador escreveu “localizado”, quando deveria ter escrito localizados. As bancas corretoras, porém, não raciocinam para desculpar distrações, mas para apontar erros, qualquer que seja a razão que os fez aparecer no texto.

Compreendeu? O “s” é uma letra bastante perigosa, que pode induzir a erros grosseiros e causar perda de pontos preciosos. Não brinque em serviço.