Archive for August 9th, 2016

O vestibulando, um intelectual

Tuesday, August 9th, 2016

Com certeza, você não parou ainda para pensar que tudo o que faz, tudo o que lê, tudo o que estuda transformam você de um estudante egresso do ensino médio em um verdadeiro intelectual. Não ria, isso é a mais pura verdade.

Um vestibulando autêntico passa boa parte de sua vida, desde o ensino médio, a se informar e ler tudo o que puder ser indagado nas provas, o que quer dizer praticamente quase tudo. Além de precisar ler sobre os conteúdos dos exames, tem de estar informado sobre o que acontece no mundo, simplesmente porque alguns desses conhecimentos pode ser objeto de Filosofia, História, Geografia, Biologia, Ecologia, Política, etc., etc. Atualmente, com o advento da internet, ficou mais fácil, muito mais fácil acessar todas essas informações. No entanto, ficou muito mais difícil estudar, pelo fato de na web encontrarmos praticamente tudo o que queremos saber ou conhecer.

Você percebe que os antigamente chamados Conhecimentos Gerais hoje em dia constituem uma base ponderável para questões de diferentes disciplinas. Um exemplo bem atual: a presidente do país está sofrendo um processo de impedimento, o que torna o termo inglês impeachment corriqueiro em todas as notícias de rádio, televisão, revistas, jornais, na mídia em geral. É claro que você tem de ler sobre o assunto. E é mais claro ainda que você tem de estudar as ações políticas, a constituição brasileira, a palavra dos críticos. E inclusive assumir sua própria opinião, para expressar em resposta a alguma questão de História ou ao próprio tema da redação, pois os elaboradores adoram colocar como tema questões atuais.

A exploração do espaço sideral também pode servir de exemplo. Nunca houve tantas conquistas e tantas notícias sobre tal exploração por meio de telescópios colocados no espaço, naves não tripuladas que se aproximam de corpos celestes, descoberta de novos sistemas solares e muitos planetas com condições de vida semelhantes às da Terra. E você não pode prestar uma prova de vestibular sem ter conhecimento, e bom conhecimento, desses conteúdos.

A política mundial, os conflitos entre países, o terrorismo que assola o mundo de hoje, tudo isso deve ser bem conhecido do candidato. Sem falar nas doenças, nas pandemias, nas epidemias, na pobreza extrema de algumas regiões do planeta, que facilita o surgimento de doenças dos mais diferentes tipos.

Acha pouco? Pense então na crise econômica que experimenta o mundo, particularmente o Brasil, e a corrupção que a retroalimenta, pelo desvio de bilhões de reais de seu verdadeiro destino, que deve ser o bem estar da população brasileira.

É claro que você está bem informado sobre tudo isso. E o que significa? Que você, na verdade, por necessidade, por gosto ou pelas duas coisas juntas, acabou se tornando um verdadeiro intelectual, isto é,  uma pessoa que desenvolve gosto ou inclinação pelas coisas do espírito e da inteligência e que passa a ver o mundo com muito mais capacidade de fazer abstrações e sínteses, de entender muito mais que as pessoas comuns, cujas ações e pensamentos são práticos e terra a terra. Em resumo, você é quase um filósofo, um indivíduo capaz de pensar o mundo e a vida de um modo superior.

Quer queira, quer não queira, portanto, você se tornou um verdadeiro intelectual e deve assumir sua função. A universidade alimentará e aperfeiçoará esse modo de ser. Mas, por outro lado, o ser um intelectual lhe confere uma responsabilidade muito grande, de ajudar as pessoas a serem melhores, menos egoístas, menos más, menos interesseiras e mais filantrópicas.

Exerça essa sua intelectualidade, portanto, não apenas para passar no vestibular, mas para fazer com que a humanidade seja otimizada pela moral, pelos bons costumes e pelo bem.  Falou?

 

 

Internet é uma, não a forma

Tuesday, August 9th, 2016

Alguns jovens acham que, com base no discurso que praticam em suas comunicações em redes sociais, já sabem escrever muito bem e isso será suficiente em provas de vestibulares e concursos. Pura ilusão. O discurso na internet é apenas uma forma de utilização da língua na rede. Uma redação de vestibular ou de concurso nada tem a ver com ele.  Isso significa condenar a forma de comunicação pela internet? Nada disso, significa apenas que a forma de comunicação pela internet é uma forma de comunicação pela internet. E que uma redação em concurso deve ser vazada em outro modo de utilização da língua, vigiado pela norma padrão. São dois processos, portanto, perfeitamente válidos em suas dimensões e circunstâncias, que não devem ser misturados. O primeiro, da internet, não precisa  de um vocabulário muito rico. O segundo, por natureza, utiliza um vocabulário extenso e variado.

Uma passagem pelas duas folhas de um jornal em que se localizam os editoriais, artigos de jornalistas e de colaboradores nos serve hoje de lição para aprender melhor a entender e expressar-se.

De tanto falarem professores e colegas,  nós sabemos disso. Mas acabamos por adquirir o hábito, para nós nem sempre prazeroso, de ler tais artigos como modelos do pensar e do escrever. Costumamos cometer, porém um erro, ao não ligarmos muito para algo que é crucial em qualquer leitura: o vocabulário. A leitura dos artigos, de fato, nos serve de guia para os assuntos que percorrem o país o ano inteiro, podendo até antecipar uma possível proposta de redação.

É preciso, porém, muito cuidado e atenção. Há vocábulos que não conhecemos e passamos por alto em tais artigos. O Blogueiro fez a experiência de ler os artigos de duas folhas de um jornal e encontrou alguns que podem servir de exemplo: pleito, postulação, controvérsia, cognitivo, propina, falácia, retaliação, titubeante,  pandemia. Quantas dessas palavras você conhece? Todas? Ótimo. Mas, se não conhece bem algumas, está na hora de mudar seu sistema de leitura. Isso já foi dito em artigos anteriores, mas o Blogueiro insiste, porque é fundamental: leia, mas não deixe vocábulo em branco. Passar por alto os vocábulos que não se conhecem é uma forma de indolência, para não dizer preguiça, mesmo.

Voltemos aos vocábulos recolhidos das duas folhas de jornal: pleito = eleição, postulação = solicitação, controvérsia = polêmica, discussão, debate, cognitivo = relativo ao conhecimento, à cognição, propina, = gratificação, suborno, falácia, = afirmação falsa, errônea, enganosa, retaliação, = vingança, desforra, represália, titubeante, = vacilante, oscilante, hesitante; pandemia =  doença epidêmica com grande difusão.

Se não conhecia bem os significados, agora vai conhecer. E reconhecer que o processo de leitura e de expressão precisa de um vocabulário amplo e rico, para facilitar sua compreensão e sua criação.

É isso aí. Não deixe vocábulo em branco, nem nos textos que lê, nem nos que escreve.