Archive for May, 2016

Redação na segunda fase

Tuesday, May 24th, 2016

Passada a primeira, prepare-se agora para a segunda fase do vestibular Meio de Ano da Unesp, que vai chegar, como sempre, com uma organização bem balanceada, sem surpresas e sobretudo sem invencionices na observação da lista de pontos.

Considerando, assim, que as provas de vestibulares e concursos da Unesp não oferecem problemas, pense a partir de agora apenas em eliminar aqueles que você mesmo pode criar, tanto na hora da prova, quanto em sua preparação. Escrever, já disse mais de uma vez o Blogueiro, não é magia, é trabalho consciente e bem informado.

Muitos candidatos acreditam ainda em métodos milagrosos, em estratégias de última hora para tirar uma boa nota. Puro engano. Não é à toa que passamos boa parte dos ensinos fundamental e médio praticando redações. Tentam os professores fazer cada estudante entender que a redação é uma ferramenta para ser utilizada com proveito por qualquer profissional formado em universidade. Observe, a este respeito, que o computador e outros aparelhos eletrônicos vieram substituir com vantagem muitos instrumentos de trabalho utilizados tracicionalmente, em especial nas áreas gráficas e no cálculo. Não conseguiu, porém, substituir a capacidade de produzir textos. Pode ser usado para digitá-los, mas nunca para produzi-los. Disto vem a importância do saber redigir.  Numa produção de texto, diante do papel em branco, não são os chips que trabalham, mas nossa mente, nosso raciocínio, nossa imaginação, nossas emoções e sentimentos.

Em tudo isso, será importantíssima a experiência, o repertório cultural, o conhecimento científico, a informação sobre atualidades. O melhor método de redação fracassa se não encontra em nossa mente o alimento necessário. Ora, como nos vestibulares e concursos em geral se pedem redações de caráter dissertativo, temos de nos preparar muito para produzi-las. O melhor caminho, dizem todos os professores de redação, é criar pelo menos um texto por dia, aproveitando não apenas propostas de manuais de redação e de vestibulares anteriores, mas focalizando também temas da atualidade. Só se aprende a escrever, escrevendo, dizia um velho professor, e estava certíssimo nesse conselho. É pela prática constante que chegamos ao domínio de qualquer atividade.

Percebeu? Escrever textos que mereçam ser premiados com boas notas em qualquer prova de português não é uma dádiva recebida dos deuses. É preciso liberar o raciocínio, soltar as rédeas da imaginação, acionar o repertório cienfífico e cultural. Nenhum escultor nasceu esculpindo, nenhum pintor nasceu pintando. E você não nasceu escrevendo. Esculpir, pintar, escrever, além de talento natural, pedem prática, longa e dedicada prática para consolidar-se.

Quer ser um bom escritor, um ótimo produtor de textos? Quer, sim. Então escreva, escreva, escreva, escreva…

 

Últimos lembretes

Tuesday, May 24th, 2016

Além dos problemas gramaticais, do vocabulário e dos critérios de coerência que você preparou para se dar bem tanto na leitura, quanto nas respostas das questões de suas provas, existem muitos detalhes que ainda podem servir para evitar cochilos na resolução dos enunciados propostos. Isso porque o idioma não é feito apenas de regras gramaticais, mas também e, talvez principalmente, de uma lógica interna que, nas provas objetivas, por exemplo, você aplica na leitura dos enunciados e das alternativas. É preciso, portanto, muito cuidado durante o processo de compreensão do que se pede em cada uma das questões.

Realmente, os conteúdos de nossa comunicação pela linguagem se espalham por mil e uma formas de dizer, por expressões típicas, frases feitas, provérbios e locuções. Trata-se, neste caso, de dominar ao máximo possível essa profusão de modos de dizer. Basta uma expressão interpretada erroneamente para que um enunciado, por exemplo, passe a significar algo muito diferente do que pretendeu o elaborador.

Assim, como parte de seus estudos de qualquer disciplina, nunca esqueça de estudar permanentemente essa riqueza de dizeres de que é feito o discurso. Quanto mais você dominar esse banco de dados, maior capacidade desenvolverá de compreender o que lê e mais certeza terá de que o que escreve não apresenta problemas capazes de inviabilizar suas respostas.

Um exemplo pode ser dado com a confusão, que até gente muito bem formada faz, entre pares de vocábulos como idoso e idôneo. Idoso significa “velho, de bastante idade, que tem muitos anos de vida”. Já idôneo não significa “idoso”, mas “que serve para alguma coisa, adequado a certa finalidade”; ou, tratando-se de pessoa, “que tem condições para exercer certos cargos ou realizar certas obras”. Note, aliás, que na atualidade costuma-se empregar idôneo com caráter ético, para indicar uma pessoa que tem condições morais de ocupar certos cargos ou de levar a cabo certas obras.

Percebeu como é importante a pesquisa permanente das formas de dizer no discurso? Observe esta outra: hoje são três. Embora algumas pessoas insistam em falar ou escrever hoje é três, a expressão mais adequada pela concordância é hoje são três. Todo o cuidado, portanto, porque o idioma está repleto dessas variações não justificadas. Uma delas, empregada erradamente, pode levar uma resposta certa ao erro.

Outro exemplo interessante, que leva a um erro crasso sempre penalizável em redações é o da locução por causa de. “Corri por causa do medo que tinha daquele bandido.” Esta é a forma correta. Está bastante disseminada, no entanto,  no discurso oral, já invadindo o escrito, a variante por causa que, vedadeiro absurdo expressivo que, como diz o povo, mistura alhos com bugalhos. Tome cuidado, portanto, em não empregá-la em suas respostas e na redação.

Valeu o conselho? Então trate de entender as formas de dizer no idioma como uma espécie de caixote cheio de peças de diferentes formatos. Com jeitinho, você saberá escolher e fazer a montagem correta de centenas de objetos. Mas, se desprezar essa possibilidade, o perigo de cometer lapsos de expressão aumentará muito. Valeu? O Blogueiro espera que sim.

 

 

Prova objetiva: leitura objetiva

Monday, May 9th, 2016

Você pode até achar que uma prova objetiva é semelhante a qualquer prova discursiva. Não é bem assim. São avaliações diferentes que requerem diferentes modos de ler. Uma prova objetiva é um todo que já vem praticamente pronto, com perguntas que são completadas por respostas, umas incorretas, outras (uma por questão) corretas. É, portanto, uma espécie de artefato, quase um labirinto: trata-se tão somente de apontar a saída para fora do emaranhado das cinco alternativas.

Já numa prova discursiva a resposta não vem pronta, você tem de criá-la com base nas informações apresentadas em cada enunciado.

Cada tipo de prova, portanto, tem sua especificidade, e o que você deve levar em conta é o modo de fazer a leitura, fundamentado no aspecto formal de cada tipo.

Ora, considerando que a prova objetiva é um todo completo com rebarbas que devem ser desprezadas em favor da resposta adequada ao enunciado, será preciso não criar a resposta, que já está pronta, mas criar seu próprio sistema de eliminação das respostas-rebarbas, isto é, das respostas que, por um motivo ou por outro, surgem com erros maiores ou menores. O elaborador de provas objetivas aprende toda uma metodologia de produção de respostas com base em variações de maior ou menor porte das respostas corretas. A coisa funciona mais ou menos assim: dado um enunciado e estabelecida uma resposta perfeita, as outras quatro têm de ser incorretas, mas não tão incorretas que sejam facilmente detectáveis, o que deixaria a avaliação bastante precária. É nessa variação para estabelecer respostas erradas que se cria uma técnica e uma verdadeira arte de criar erros para inviabilizar quatro respostas por questão.

Sabendo de tudo isso, vem o seu papel de candidato. Que fazer? Desenvolver sua técnica e sua arte de leitura que corresponda o máximo possível às intenções do elaborador. Difícil? Nem tanto. Se você treinar bem sua leitura do enunciado e das respostas, acabará chegando à conclusão de que é possível, sim, mas, é claro, só é possível com conhecimento adequado do conteúdo abordado pelas questões. Sem esse conhecimento, tudo vira loteria.

Percebeu? Para se dar bem numa prova objetiva é preciso obedecer também a cinco alternativas, todas corretas:

a) conhecer bem o conteúdo abordado;

b) entender que as respostas erradas são variações de maior ou menor porte das respostas certas;

c) aguçar sua capacidade de leitura do enunciado e da relação que este mantém, por acerto ou por erro, com as cinco respostas das alternativas;

d) criar um banco de dados com as formas de variação normalmente exploradas nas provas de vestibulares;

e) treinar muito, mas muito mesmo, para tornar o ato de fazer prova uma tarefa prazerosa, de decifração, e não um processo de adivinhação ou, como se costuma dizer, de chutes. “Chutologia” é um método bem pouco confiável, previsto pelos elaboradores.

Valeu? Então dê uma verificada em seu método de estudar para provas objetivas. E, se julgar necessário, aperfeiçoe-o com as informações dadas pelo Blogueiro. E faça uma ótima e objetiva prova.