Archive for April, 2016

Você e os “outros”

Friday, April 29th, 2016

Você costuma receber muitos e diferentes conselhos sobre o que fazer no momento da prova. Colegas e professores sugerem calma e tranquilidade, revisão das respostas, correção ortográfica, etc., etc. Nem sempre, porém, atribuem a devida ênfase a um aspecto que pode ser fundamental para evitar perda de pontos preciosos:  a consideração de que a prova não é só você, é você e outros dois: o elaborador e o corretor. Perceber esse fato leva ao estabelecimento de um método bastante útil.

Realmente, boa parte dos candidatos têm por hábito considerar a prova de seu ponto de vista e tudo o que fazem leva em conta essa visão unilateral. Todavia, devendo ser a prova corrigida por outro, mesmo que esse outro seja um computador, como no caso das questões objetivas, vale a pena mudar o foco da questão e tentar ver as respostas como se fosse esse outro. Por quê? Porque os pontos de vista podem ser muitíssimo diferentes e conduzir até mesmo a respostas diferentes. O Blogueiro, certa vez, ao prestar um concurso, verificou que a primeira resposta possível a uma série de questões interpretativas não combinava com sua própria análise do texto. Ainda mais: julgou que a sua resposta a essa primeira questão estava mais próxima da verdade que a outra possível. Na dúvida, não respondeu a essa pergunta e passou para a seguinte da série, em que uma das respostas combinava bem mais com a primeira possível do que a dele próprio, Blogueiro. Mesmo acreditando que suas respostas condiziam mais com uma melhor interpretação, percebeu que o elaborador da série de questões interpretativas do texto tinha seguido por outro caminho, sendo melhor, portanto, abrir mão de suas convicções e seguir a linha interpretativa do elaborador. Fez isso, meio preocupado em errar todas as respostas da série, mas acabou tendo a grata surpresa, mais tarde, de ver que foi um dos poucos a ter aquelas respostas consideradas certas.

Que conclusão tirar desse fato? Que a prova vale pelo que é, e não pelo que achamos que seja. Mais ainda: que, numa série de questões, o conjunto pode nos fornecer pistas preciosas sobre o ponto de vista adotado pelo elaborador. E ainda mais: que podemos nos enganar numa interpretação a ponto de julgar que quem se enganou foi o elaborador.

Tudo isso nos leva a concluir que é preciso, sempre, entender que é um outro que elabora as questões e outro ainda que as corrige. E você está no meio. São três pontos de vista distintos, portanto, e será um bom método sempre tentar “ver” as questões do ponto de vista de quem as elabora e de quem as vai corrigir. Podemos ganhar pontos preciosos com esse método, pontos suficientes para garantir a conquista de uma vaga.

Em conclusão: uma prova, como praticamente tudo na vida, é um produto coletivo, não individual. E é necessário vê-la como produto coletivo para ter a concepção mais realística possível das respostas que iremos dar.

Deu para entender? Deu, sim. Estabeleça seu método para não se deixar iludir pela relação entre você e os “outros dois” em suas provas. Você perceberá que vale muito a pena. Vale mesmo.

 

Ainda os cochilinhos e cochilões

Friday, April 29th, 2016

No artigo anterior, chamou atenção o caso de bastante como adjetivo. Muitas pessoas se acostumaram tanto a usar o adjetivo no singular, mesmo diante de substantivo no plural, que até se assustam quando o professor de português menciona exemplos como “Neste verão, houve bastantes casos de dengue na cidade.” Nas aulas, há até alunos que reclamam: Mas não é bastante casos, professor? O professor explica que, na frase em questão, bastante está em função de adjetivo que modifica um substantivo no plural. A concordância, portanto, tem de ser no plural: bastantes.

Não apenas estudantes se equivocam com essa palavra. O Blogueiro certa vez ministrou um curso de português a professores do ensino fundamental e alguns estranharam e até questionaram bastantes no plural, dizendo que nunca usaram e até duvidando do conhecimento do professor. Ora, nunca usar não é critério de acerto em disciplina nenhuma. Muitos usuários passam a vida inteira sem perceber que estão equivocados. Este, aliás, é um dos grandes problemas daqueles que escrevem habitualmente (escritores, jornalistas): cometer erros e jamais perceber por si mesmos, até que alguém lhes chame a atenção para o fato.

Tal é o caso, por exemplo, do emprego do pronome de tratamento você, que leva os usuários a empregar as formas pronominais oblíquas da segunda pessoa, e não da terceira. Observe o exemplo:

 

Você é um ótimo funcionário. Eu te admiro.

 

Na verdade, você, como pronome de tratamento, pertence à terceira pessoa do singular, mesmo quando usado para indicar a pessoa com quem se fala. Os pronomes átonos correspondentes devem ser, deste modo, também da terceira pessoa. O exemplo acima, por isso, está errado e tem de ser assim corrigido:

 

Você é um ótimo funcionário. Eu o admiro.

 

Muito cuidado, portanto, em suas redações e respostas discursivas. Não se deixe levar pelo discurso coloquial e cometer errinhos perigosos para sua nota.

E já que falamos em pronomes de tratamento, sobretudo nestes tempos em que os discursos dos políticos estão muito em evidência nos meios de comunicação, também não esqueça de que usamos Vossa Excelência quando nos dirigimos a uma alta autoridade diretamente. E empregamos Sua Excelência para mencionarmos tal autoridade ao nosso interlocutor:

 

V ossa Excelência é o mais importante senador da república.

Sua Excelência não pode vir hoje nos atender, mas virá amanhã.

 

Percebeu? São pequenos detalhes que podem provocar grandes e graves equívocos de expressão. É bom tomar muito cuidado. Faça uma revisão destes e de outros casos, para não cochilar mais. Afinal, o que para você pode ser apenas um cochilinho, para o corretor de uma prova pode ser um baita cochilão!

 

 

Cuidado com estas palavrinhas!

Wednesday, April 27th, 2016

Como sempre diz o Blogueiro, o discurso, quer em português, quer em outras línguas, está sempre cheio de armadilhas ocultas. Hoje você vai ver como certas palavrinhas podem iludi-lo: eis, , meio, bastante, etc.

Eis, por exemplo, aparece em frases como: Eis a questão, eis a solução para o problema, Ei-lo pilotando a espaçonave, etc. Observe que esta palavrinha, cuja origem os estudiosos ainda não conseguem explicar safisfatoriamente, tem inegável comportamento de verbo na frase, a tal ponto que apresenta objeto direto e pode receber pronome objetivo átono: Ei-lo, ei-la, ei-los, ei-las. eis-me, eis-vos. Pode empregá-la à vontade em casos como os acima citados, que estará correto.

Já a palavra pode trazer problema por poder se apresentar em classes gramaticais diferentes: adjetivo, advérbio, substantivo. Como adjetivo pode significar solitário, isolado, ermo, deserto, desamparado. Exemplos: A Margarida sempre viveu só, Prefere lugares sós, no meio das montanhas, Meus vizinhos ficaram sós no mundo. Repare que o emprego de como adjetivo às vezes pode parecer surpreendente: A irmã era a  só alegria que Deus lhe deixou na vida. Dá para reparar que se trata de um emprego bastante elegante, que denota conhecimento do idioma. Como advérbio, isto é, como palavra invariável que modifica o adjetivo, o verbo e o próprio advérbio, o emprego de é amplo: Ela escolheu o rapaz só pela grande riqueza, Ele reclama, nunca colabora.

A palavra meio é igualmente perigosa pela possibilidade de induzir a erro de concordância, pois pode surgir como substantivo, adjetivo, numeral e advérbio. Justamente em virtude de poder apresentar-se em três classes variáveis, quando surge como advérbio pode haver confusão e engano. Como substantivo, o uso é bem claro: Os fins são mais importantes que os meios. Igualmente como adjetivo: O ator esboçou um meio riso. E mais ainda como numeral: Meia laranja vale mais que uma maçã. O perigo surge no emprego como advérbio. Observe esta frase que o povo diz com naturalidade no discurso coloquial: Eu estou meia cansada. Sendo nesta frase um advérbio, a norma padrão exige que meio não se flexione: Eu estou meio cansada. Muito cuidado, portanto.

E cuidado com a palavra bastante quando usada como adjetivo. O povo costuma senti-la como advérbio e não a flexiona, o que está em desacordo com a norma padrão. Nunca escreva, portanto, A  Polícia tem bastante provas contra o político. Bastante, nesse exemplo, é adjetivo e tem de seguir o substantivo em sua flexão: A Polícia tem bastantes provas contra o político.

Percebeu? Saber empregar muitas palavras como estas é fundamental para ter um bom discurso.

 

Acentuação: sempre é bom lembrar

Tuesday, April 12th, 2016

 

É claro que você já assimilou as regras de acentuação do acordo ortográfico, pois o assunto é muito focalizado nas aulas do terceiro ano do ensino médio e nos cursos preparatórios. Mas não custa lembrar, de vez em quando, alguns casos específicos que podem ter passado despercebidos ou que você acabou esquecendo. Não precisa ficar decorando regras, mas tão somente comparar os exemplos. Então, vamos lá:

 

1) Pôr, forma verbal, deve receber o acento circunflexo, para evitar confusão com por, preposição, que não se acentua. Exemplo: Paulo não quer pôr a cadeira no corredor, porque muita gente passa por ali.

2) Pôde, forma verbal do pretérito perfeito do verbo poder, recebe acento circunflexo, para evitar confusão com a forma do presente do indicativo do mesmo verbo: pode. Exemplo: Paulo não pôde levantar aquele tronco pesado, mas Otávio garante que pode.

3)      A forma verbal tem, presente do indicativo da terceira pessoa do singular, não precisa ser acentuada, mas a forma têm, presente do indicativo da terceira pessoa do plural, deve levar sempre o acento circunflexo. Exemplo: O menino não tem vontade de estudar, mas as irmãs dele  têm.

4)      Os verbos formados com base em ter apresentam diferentes acentos conforme estejam na terceira pessoa do singular do presente do indicativo ou na terceira pessoa do plural. Exemplos: O barril contém vinho e os tambores contêm combustível Um bom filme entretém bastante, mas os palhaços do circo entretêm muito mais. Este filtro antigo retém algumas impurezas da água, enquanto os mais modernos retêm uma quantidade maior.

5)      Assim como no verbo anterior as formas verbais da terceira pessoa do presente do indicativo do verbo vir também são destacadas pela presença ou ausência do acento circunflexo. Exemplo: Os professores vêm e vem igualmente o diretor.

6) O mesmo que ocorre com os verbos formados com base em ter acontece com os verbos formados com base em vir. Exemplo: Este fruto provém da América Central e aqueles provêm da África.

 

Percebeu as sutilezas da acentuação? É bom de vez em quando fazer uma recapitulação e uma comparação dos exemplos, para evitar equívocos. Afinal, o Vestibular Unesp Meio de Ano está chegando e, como vive dizendo o povo, cautela e caldo de galinha… Ou, num dizer mais prático: Seguro morreu de velho. Recapitule sempre.

 

Vestibular Meio de Ano está pertinho

Tuesday, April 12th, 2016

Você que ainda está ansioso por conquistar sua vaga, não tenha dúvidas. A Unesp não para. O Vestibular Unesp Meio de Ano está chegando. Serão 360 vagas distribuídas por nove cursos em cinco unidades da universidade: Agronomia ( unidades de Ilha Solteira e Registro), Engenharia Ambiental (Sorocaba), Engenharia Aeronáutica (São João da Boa Vista), Engenharia Civil (Ilha Solteira), Engenharia de Controle e Automação (Sorocaba), Engenharia de Produção (Bauru), Engenharia Elétrica (Ilha Solteira), Engenharia Mecânica (Ilha Solteira).

Se ainda não está bem informado, observe que o Vestibular Meio de Ano oferece cursos da mesma qualidade que os do final do ano, com a diferença de se tratar de cursos cuja criação fez com que o início fosse na metade do ano, em virtude da política de aumento da oferta de vagas pela Universidade. Por isso mesmo, se algum dos cursos acima corresponde a seu objetico de ensino superior, não vacile, faça sua inscrição de 11 a 29 de abril e continue se preparando para fazer a primeira fase do vestibular a 15 de maio e a segunda fase nos dias 11 e 12 de junho.

O Vestibular Meio de Ano apresenta o mesmo tipo de provas dos vestibulares da Unesp, sempre elaborado por equipes muito competentes, que têm como objetivo verificar os conhecimentos do candidato, evitando qualquer possibilidade de surgimento de questões que extrapolem tais objetivos e criem dificuldades desnecessárias. Trata-se de um vestibular que comumente recebe elogios dos professores, candidatos e críticos especializados.

Outro aspecto pode ser aqui apresentado no que diz respeito ao esforço das universidades públicas em aumentar cada vez mais sua oferta de vagas. Desde a década de oitenta do século passado tais universidades vêm incrementando sua oferta, no sentido de contemplar cada vez mais candidatos. Trata-se de um esforço realmente gigantesco, que teve como um dos efeitos, em muitos casos, quase a duplicação do número de vagas ofertadas pela instituição.

Não tenha dúvidas, portanto. Na Unesp e em outras universidades públicas, os chamados vestibulares de inverno oferecem cursos com a mesma qualidade de formação que os oferecidos nas datas tradicionais dos vestibulares, com os estudantes recebendo todas as condições de estudo, pesquisa, estágios e possibilidades de especializações em instituições estrangeiras com as quais a Unesp mantém convênios. Você se orgulhará de ser um profissional formado pela Unesp.

Como diz o povo, em sua habitual sabedoria, mande ver, estude com afinco e prepare-se para conquistar sua tão sonhada vaga numa das melhores universidades do Brasil e do mundo.

 

Anglicismos: um problema?

Tuesday, April 12th, 2016

Os empréstimos de palavras de uma língua a outra sempre foram comuns. No português, por exemplo, há palavras de origem árabe, francesa, de línguas africanas e de línguas  indígenas, para só falar em algumas. Tais empréstimos nunca causaram problema, pois foram ocorrendo ao longo da história  e a maior parte dessas palavras incorporadas ao idioma.

Na atualidade, porém, muitos puristas (purista é o estudioso que prefere a língua “pura”, isto é, sem contaminação de outras pelo empréstimo de vocábulos) se declaram horrorizados pela presença cada vez maior de anglicismos, isto é, vocábulos originados da língua inglesa. Já houve até ministro a defender a pureza da língua, dizendo que qualquer vocábulo estrangeiro pode ser melhor traduzido por vocábulos da própria língua portuguesa. Na verdade, tal afirmação é uma balela, pois não há como impedir essa entrada de vocábulos ingleses em nosso vocabulário. Por quê? Por uma razão muito simples: os vocábulos não vêm sós, surgem acompanhando os objetos que nomeiam. E países de língua inglesa, como Estados Unidos e Inglaterra, caracterizaram-se desde o último século como grandes produtores de tecnologia. Os vocabulários dos diferentes produtos da tecnologia são fornecedores de grande número de vocábulos para todas as outras línguas, não havendo como alterar esse fluxo, sob pena de cair no ridículo, como caíram alguns políticos que tentaram criar leis para impedir tais empréstimos. Imagine você substituir, por purismo, site por sítio. Horrível, não é? E assim também tentar substituir show, que já está aclimatado, por forma aportuguesada, como xou. Ainda mais horrível! É melhor aceitar a realidade e aproveitar a profusão de vocábulos referentes às novas noções. Podemos dizer, por exemplo, sem susto, web, net, rede, internet, etc. etc. Em alguns casos, aproveitando a solução do uso oral, podemos escrever pecê, cedê, devedê, como também PC, CD, DVD. O Blogueiro prefere as três primeiras formas, já vocabularizadas. É preciso também entender que a língua inglesa se tornou uma língua internacional, razão por que muitos dos seus vocábulos são adotados em boa parte dos países. Delivery, por exemplo, pode ser entendido em quase todos os países, não precisando, neste caso, ser traduzido para entrega a domicílio. Qualquer turista em qualquer parte do mundo entenderá perfeitamente o que significa delivery como um vocábulo que já se internacionalizou.

E como fica essa questão para quem escreve? A atitude purista não tem mais grande justificativa num  planeta caracterizado pela globalização, em que a língua inglesa se tornou elemento de comunicação internacional. É preciso apenas acautelar-se para não abusar dos termos ingleses. Sempre é possível  evitar o uso excessivo dos anglicismos, reduzindo-os ao mínimo. Mas sem buscar soluções ridículas. Ninguém pode ser penalizado numa redação por usar termos como site, blogue, web, show, internet. Em resumo: aceitar a realidade como ela é não põe ninguém em situação ridícula. O ridículo surge do purismo que tenta agir contra a maré dos fatos reais e corriqueiros.

Pense nisso.