Archive for March, 2016

Blogunesp: estenda seu repertório

Tuesday, March 22nd, 2016

Se você acompanha o BlogUnesp há um bom tempo, sabe que os artigos aqui postados têm como objetivo estender o repertório do candidato não apenas para o vestibular, mas para o domínio futuro de habilidades, conhecimentos, interpretação de textos e norma padrão. Cada pergunta de vestibular representa um desafio em termos de interpretação (muitas vezes de decifração). Assim, quem é capaz de entender com razoável facilidade questões de provas de vestibulares e de quaisquer concursos é capaz também de interpretar com razoável facilidade textos de maior extensão. Os artigos postados no BlogUnesp têm, entre outros, este objetivo.

Quanto à questão da norma padrão, o Blogue procura segui-la permanentemente, sabendo quão importante instrumento será para o estudante em exames e por toda a vida. É claro que o Blogueiro, ciente de que escreve para jovens, dá-se ao luxo de fazer muitos trocadilhos com formas populares e eventualmente gírias, sem no entanto descambar para um discurso descuidado da norma.

A extensão do repertório do candidato não fica, porém, apenas no domínio da norma padrão, mas diz respeito aos assuntos, temas e conteúdos das disciplinas. O Blogueiro, que passou por tudo o que passa o candidato, sabe que componentes explorar para a assimilação de detalhes ou pormenores que não se aprendem na escola, pelo ensinamento frontal e direto, mas na vida prática e na atividade profissional. A leitura costuma ser o mestre definitivo de todo aquele que se interessa por continuar aprendendo e aperfeiçoar permanentemente sua capacidade de assimilar componentes formais e empregá-los em descrições, exposições e argumentações. Quer um exemplo no que diz respeito ao domínio da língua portuguesa? Se você ler com atenção o primeiro parágrafo deste artigo, verificará que nele aparecem a forma verbal estender (que no título se flexiona como estenda) e o substantivo extensão. Observou bem os detalhes do s e do x? Muita gente comete o erro de escrever “extender”, pensando em “extensão”, ou até mesmo grafar “estensão”, pensando em “estender”. Os professores não se cansam de repetir a explicação, indicando as formas ortograficamente corretas, mas, na verdade, a melhor maneira de fixar o conhecimento é na leitura habitual. O Blogueiro, por essa razão, trata de semear exemplos semelhantes ao longo de seus artigos, sabendo que, pela repetição, o estudante irá aumentando cada vez mais seu repertório ortográfico sem precisar ler tratados sobre esse assunto.

É esta, portanto, a lição de hoje: só se adquire um repertório sobre qualquer assunto fazendo leituras repetidas de textos sobre esse assunto. Nos tempos atuais, os estudantes têm facilitada esta tarefa pelo socorro à internet e numerosos sites que se dedicam ao aconselhamento sobre o bom desempenho em vestibulares.

Sintetizando: com todas estas fontes à disposição, blogues, sites, redes sociais, etc., etc., só não forma repertório sobre as formas e conteúdos das disciplinas de exames vestibulares quem não quer. Não acha que já é hora de querer?

 

 

Estudo em grupo: uma boa!

Thursday, March 10th, 2016

A preparação para o vestibular costuma ser descrita como uma atividade solitária, com o candidato passando horas do dia e da noite mergulhado em apostilas, livros, cadernos e consultas a sites da internet.  Na verdade, boa parte dessa atividade assim decorre. Todavia, existe um espaço, um bom espaço de tempo que pode ser preenchido de modo diferente, com os estudos saindo do plano individual para a preparação em grupo. É uma boa? Não resta a menor dúvida que sim.

O estudo em grupo consegue eliminar o julgamento do vestibulando como alguém que compete, por vezes drasticamente, com outros pela conquista de uma vaga. Os exames vestibulares, embora impliquem certa concorrência, não devem ser considerados assim tão rigorosamente, a ponto de fazer com que um candidato imagine o outro como alguém que lhe quer “roubar” a vaga. Muito pelo contrário, devem desenvolver nos candidatos um sentimento de colaboração e solidariedade. Todos estão navegando no mesmo barco, buscando um modo de vencer os obstáculos para atingir suas metas.  Deste modo, todos podem, juntos, atingir os objetivos visados.

Pois é esse sentimento de solidariedade que o hábito do estudo em grupo desenvolve. Faz com que cada candidato veja no outro não um opositor, mas alguém que pode ajudá-lo a preparar-se melhor. Vale dizer: alguém que se veja no outro.

O que foi colocado nos parágrafos acima sugere que, se você ainda não experimentou fazer parte de seus estudos em grupo, está na hora de começar. Você vai dar sua colaboração naquilo que sabe, sobretudo naquilo que sabe muito bem, e receberá em troca idêntico auxílio. Perceberá que o grupo pode fazê-lo enxergar aquilo que não conseguia, apesar de todo o seu esforço. Por quê? Muito simples: as pessoas não são iguais, a natureza dá a cada um uma combinatória de características tanto físicas quanto psicológicas. Por isso, umas conseguem avançar com maior facilidade onde outras encontram dificuldade maior. Se caminharem juntas, aumentarão em muito suas possibilidades de dar conta das tarefas mais depressa devido à soma dos conhecimentos e à eliminação das dificuldades.

Pense nisso. Se ainda não tem, procure criar ou fazer parte de um grupo para, em algumas horas da semana, gerar esse processo de mútua colaboração e solidariedade. Todos lucrarão muito em termos de domínio de conteúdos e resolução de dúvidas, por vezes muito antigas dúvidas que o estudo solitário seria incapaz de resolver.

Faça isso. Livre-se do desconforto do isolamento. Nem é preciso lembrar que os seres humanos vivem em sociedade e que resolvem seus problemas em conjunto, não isoladamente.  Foi dessa união que nasceram o progresso e a civilização. Aprenda a dividir e multiplicar seus conhecimentos, para benefício de todos.

É uma boa, pode ter certeza.

 

A armadilha da escrita “internetiana”

Wednesday, March 9th, 2016

A ultratecnologia que nos enche de aparelhos e o uso que fazemos deles escondem uma armadilha perigosa, principalmente para quem vai prestar concursos públicos e vestibulares: a ilusão de que, ao nos comunicarmos pelos diversos compartimentos da internet e das redes sociais, nosso discurso assume o brilho da modernidade. Deste modo, o que aprendemos na escola em termos de escrever valeria muito menos do que aprendemos por imitação em nossa comunicação nas redes e nos diversos programas colocados à disposição de nossos pecês, laptops, tablets e celulares. Valeria mesmo? Seria um avanço?

Claro que não. Nada mais útil para nosso desenvolvimento mental que o ler e o escrever textos. Foi pela leitura e escrita fora da web que nos formamos como pessoas capazes de pensar com clareza, de raciocinar e argumentar. Na escola, ainda hoje nos cobram, acertadamente, o desenvolvimento de habilidades de interpretação de textos e, mais acertadamente ainda, a capacidade de argumentar e a produção de textos de diferentes gêneros. A leitura e a escrita são e serão ainda por muito tempo insubstituíveis a qualquer profissional formado por universidade. Insubstituíveis para ingressar, insubstituíveis para formar-se, insubstituíveis para exercer a profissão. A utilização dos sites de comunicação da internet coloca-se, neste sentido, num segundo plano, e tem por função dominar um discurso específico característico daquele meio.

É, diria alguém, mas nós podemos usar os aparelhos modernos para produzir e ler textos, não podemos? Claríssimo que podemos; e utilizamos mesmo. Podemos, por exemplo, ler livros nos ebooks. Estes aparelhos  estão cada vez mais aperfeiçoados para proporcionar uma leitura agradável e produtiva. Os ebooks, queiramos ou não, substituirão em breve futuro os livros em papel. Lendo qualquer texto em um ebook não estamos alterando a natureza do texto, mas apenas utilizando um recurso tecnológico que substitui a folha de papel e a tinta por um aparelho eletrônico que tem a mesmíssima função de propiciar a leitura de textos, até com certas vantagens. Resumindo: ler um texto em um ebook é trocar o livro em papel pelo livro digital, sem qualquer alteração do texto e de seu conteúdo.

Este é o ponto. Comunicar-se pelos diversos programas fornecidos pela internet, bem como pelas redes sociais não cria um meio moderno de escrever, mas tão somente constitui uma forma particular de comunicar-se  por meio desses programas e dessas redes. Se uma pessoa achar que o tipo de discurso utilizado no bate-papo internetiano pode ser também empregado, por exemplo, numa redação ou em respostas a questões discursivas de concursos, está completamente equivocado. O resultado não será nada bom.

Compreendeu bem  a questão colocada pelo Blogueiro? Ler e escrever cada vez melhor textos implica desenvolver cada vez mais seu intelecto, sua capacidade de interpretar, sua habilidade de argumentar e defender um ponto de vista em alto nível, seja oralmente ou por escrito. Foi assim que você desenvolveu tais habilidades ao longo da escola e chegou aos dias de hoje em condições de ler e produzir textos com razoável competência. Por isso mesmo, você não é um daqueles profissionais que conhecem muito bem seu ofício, comunicam-se muito bem pelas redes sociais, mas se declaram incapazes de desenvolver qualquer tema por meio de uma redação perfeitamente estruturada e obediente à norma-padrão.

Continue não se iludindo, portanto, com o internetês. Empregado em seu meio particular, tem lá sua utilidade. Mal compreendido e transportado para a procução de textos, é uma ilusão perigosa. A questão aqui abordada poderia ser resumida por meio de um antigo provérbio: Em Roma, faça como os romanos. Vale dizer: cada forma de comunicação tem seu meio próprio e seus objetivos específicos. Respeite-os e evitará a armadilha ou as armadilhas do internetês. Valeu?