Archive for February, 2016

Querem atropelar a norma-padrão

Thursday, February 25th, 2016

Você está cansado de saber que suas respostas a questões discursivas e sua redação em exames vestibulares devem seguir a norma-padrão da língua portuguesa. Você está também cansado de saber, pelas lições de seus professores e pelos sites sobre vestibulares e redação, que tal modelo de desempenho da língua portuguesa é adotado para as comunicações em rádios, tevês, jornais, revistas, livros, apostilas escolares, documentos oficiais, contratos públicos e particulares, escolas, universidades, ciência, etc., etc. E também está cansadíssimo de saber que o desempenho da língua em norma-padrão não inviabiliza nem exclui outras formas de desempenho do português empregadas em outras situações e circunstâncias. Trata-se apenas de um modelo específico para situações específicas de comunicação. Todos esses diferentes desempenhos convivem e se interinfluenciam. Naturalmente, seus professores devem ter-lhe ensinado que adotar a norma-padrão não é, necessariamente, obedecer a tudo o que a gramatica normativa (essa mesma que usamos na escola) estipula, porque a gramática normativa, que se baseia no desempenho de escritores do passado e do presente, muitas vezes estabelece regras e exemplos que perderam atualidade. Você sabe de tudo isso, de modo que não é preciso entrar em mais detalhes para compreender este parágrafo.

Seguir a norma-padrão, portanto, não é uma imposição da escola ou da universidade, mas, simplesmente,  a adoção de um modelo de desempenho adotado em várias situações de comunicação em língua portuguesa que você irá conhecendo ao longo de sua vida. Os diferentes desempenhos do português, portanto, podem ser comparados com nosso vestuário: usamos roupas de acordo com o ambiente em que estamos. Quando assistimos a um show de música sertaneja, por exemplo, estamos preparados para o tipo de discurso adotado e estilizado pelos autores das letras, que se baseia muito no uso mais popularesco, com o objetivo de atingir o maior número possível de admiradores. Isto muda de figura quando assistimos a uma palestra de um especialista em doenças tropicais, cujo discurso adotará a norma-padrão, já que se trata do modelo mais adequado à comunicação científica.

Por que, afinal, o Blogueiro está comentando tudo isso? É simples, para que você não sinta o uso da norma-padrão como algo impositivo. E, sobretudo nos dias atuais, para que você não se deixe influenciar por certa onda de considerar algo muito bom “massacrar” a norma-padrão com desempenhos pífios, que nem podem ser considerados modelos. Isso você sabe, mas muita gente nem faz ideia, iludida por um falso conceito de liberdade de expressão. De fato, com a estilização do discurso para parecer “popular” ou “sertanejo” ou até mesmo “regional” em alguns gêneros de arte, como a música dita sertaneja, a caracterização de certas personagens de novelas de tevê, cinema ou teatro, o falar de certos comediantes, etc., etc., muita gente acredita que adotar como modelo, tanto no uso diário quanto no ambiente profissional, um desses “estilos” seja algo natural e recomendável. Puro engano. E mais ainda quando se trata de concursos de acesso a cargos públicos ou privados, bem como vestibulares, já que em todos esses casos é seguida por princípio e fundamento a norma-padrão. Ignorar esse fato, apresentando, por exemplo, numa redação de concurso um discurso estropiado, é já começar perdendo. Imagine você uma entrevista para emprego. Nenhum empregador é obrigado a aceitar um candidato que a cada duas ou três palavras atropela e agride a norma-padrão. Ainda mais se o cargo pretendido implicar relacionamento direto com clientes.

Infelizmente, um grande número de pessoas só percebe esse fato após fracassar em inúmeras tentativas, ou seja, após passar muitos anos desprezando a norma-padrão. E não se trata de quaisquer pessoas, mas de profissionais formados, muitas vezes, por universidades públicas ou privadas.

Entendeu agora a preocupação do Blogueiro? Então, continue tratando com carinho a norma-padrão, que lhe servirá de modelo em importantes situações de sua vida.

 

Estudantes, como andorinhas

Friday, February 5th, 2016

As andorinhas são pássaros conhecidos em todo o mundo. No passado, eram conhecidas por gregos, persas, chineses e muitos outros povos, em cujas culturas assumiam diferentes simbologias. Uma das características mais conhecidas desses pássaros são suas migrações, que ocorrem quando o inverno chega aos locais em que estão e os obrigam a buscar regiões mais quentes. No Brasil, muitas cidades recebem anualmente a visita de andorinhas. Vêm aos bandos, todas as tardes, buscando árvores para abrigar-se durante a noite.  É um grande e maravilhoso espetáculo vê-las em evoluções ao crepúsculo. Em algumas cidades, a insensibilidade dos administradores faz com que cortem as árvores onde costumam passar as noites, para evitar que “sujem” suas praças e logradouros. Em outros, é uma verdadeira festa recebê-los.

O Blogueiro já contemplou por muitos anos essa cena, e de cada vez se entusiasmou mais, ao perceber que as andorinhas voam em bando parecendo obedecer a um só comando, sem erros ou enganos. Assim unidas em evoluções as mais diversas, parecem um único ser a tentar cobrir o céu com seus pequenos corpos unidos. Poetas e letristas dos mais diferentes gêneros de canções populares alguma vez já dedicaram suas obras a descrever a vida e o voo das andorinhas.

Por que, porém, o Blogueiro resolveu falar em andorinhas num blogue sobre vestibulares? Por uma imagem que lhe veio à mente, dos candidatos em época de matrícula e de primeiras aulas, comparados com bandos de andorinhas que chegam ao câmpus das universidades cheios de sonhos e metas  de estudo e de formação. Contemplar essa chegada é também algo maravilhoso, é a nova geração que começa a assumir suas responsabilidades para, em futuro, governarem suas cidades e seu país com seu esforço e trabalho. Os mais idosos não se furtam de pensar que talvez seja esta, finalmente, a geração de andori… ops! digo, a geração de estudantes e futuros profissionais que afastará este planeta do caminho para a destruição. Quem sabe?

Estudantes / andorinhas, andorinhas / estudantes. Parece que não é o Blogueiro, mas a própria Natureza, em sua fantástica biodiversidade, que consegue traçar as mais sutis analogias entre seres tão diferentes.

Mas seriam tão diferentes assim?