Archive for January, 2016

Aniversário da Unesp: um bolo de 400 mil sabedorias

Tuesday, January 26th, 2016

No próximo dia 30 de janeiro, a Unesp comemorará 40 anos. Você, que ingressará este ano, e vocês, que já ingressaram, devem procurar saber o que significaram, em termos de esforço e determinação, estes quarenta anos que fizeram nossa universidade atingir a grandeza e a qualidade que tem hoje.

O presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira apresentou, como Plano de Metas de seu governo (1956 a 1961), “50 anos em 5”, ou seja, cinquenta anos de progresso em cinco de realizações. O Plano se dividia originalmente em 30 metas, tendo sido marcada logo após a 31ª; a construção da novacapital, Brasília. Para seus opositores, que eram muitos, tratava-se de metas inatingíveis. Para seus seguidores e admiradores, os objetivos foram atingidos, pois Juscelino foi muito dinâmico em sua administração, sobretudo com a criação de rodovias que uniram o país de norte a sul, com a industrialização e a fundação de Brasília, que passou a ser a nova capital brasileira e representa até hoje um modelo de plano urbanístico e arquitetônico.

A Unesp, nascida em 1976, não surgiu com essa pretensão aparentemente exagerada, mas, na prática, atingiu tanto ou até mais que o lema dos “50 em 5”. Comparando-se seu ponto de partida, pela união de faculdades e institutos isolados do estado de São Paulo, e seu ponto de chegada atual, pode-se afirmar que foram “400 anos em 40” em termos de desenvolvimento de ensino, pesquisa e extensão. Desde os primeiros dias, o espírito pioneiro dos homens que a têm dirigido, quer na reitoria, quer nas unidades, levou-a a ocupar progressivamente todos os vazios do Estado que ainda não possuíam universidade pública. O mesmo espírito de seus docentes, pesquisadores, estudantes e funcionários, leva-a a figurar cada vez com maior destaque entre as melhores universidades do mundo, em virtude dos avanços verdadeiramente fantásticos em todos os campos da ciência e do ensino.

Numa época como a atual, em que os meios de comunicação e a internet, resultados de ultratecnologia, acentuam cada vez mais o crescimento de nossa universidade, intensificando suas relações e intercâmbios com universidades de todo o mundo, pode-se dizer, sem medo de errar, que a Unesp hoje anda ombro a ombro com as principais universidades de todos os países. Neste sentido, é também prova viva de que, quer no plano universitário, quer nos demais planos de atividades do país, é possível, sim, enfrentar crises e crescer em quantidade e qualidade. Um universitário não é apenas sábio e crítico, é sobretudo otimista, aplicado, determinado, e faz de sua instituição uma instituição vencedora.

Esta é a Unesp, a sua, a nossa Unesp, que o presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, se ainda vivo, adoraria conhecer, uma universidade cujo aniversário somente um bolo de quatrocentas mil luminosas sabedorias seria capaz de representar.

 

Universidade e liberdade de opinião e expressão

Wednesday, January 20th, 2016

O momento é de expectativa para você e para todos os candidatos que aguardam a publicação das listas de aprovados de todas as universidades. Enquanto isso não acontece, vale a pena refletir com o Blogueiro sobre um tema que fatalmente surgirá em sua vida acadêmica e profissional: a questão da liberdade de opinião e expressão.

Mesmo nos tempos mais difíceis do regime de força por que o país passou nas décadas de 1960 e 1970, as universidades públicas sempre foram um reduto de liberdade de pensamento e crítica. Hoje, em plena democracia, com toda a tecnologia de comunicação e a internet, esse tema ocupa espaço em todas as mídias: estudantes protestam, professores protestam, ocorrem passeatas e, eventualmente, muitos debates. Não se trata, porém, de um fenômeno exclusivo das universidades. Em todas as instituições públicas ou privadas, a opinião e a expressão são livres, assim como o direito de criticar e protestar como forma de reivindicação. Isso está certo? Está, caso sejam respeitados certos pontos de vista éticos, Protestar é fundamerntal nos regimes livres, é o que faz com que evoluam, mas dentro de parâmetros e posturas morais, em que as ideias valem mais que a turbulência e a violência. E, evidentemente, respeitadas as leis e a Constituição.

Muitos avanços em diferentes campos de atividade foram assim obtidos: a campanha do “Diretas já”, que conduziu ao retorno da democracia em nosso país, foi um grande protesto de nível nacional que envolveu os mais representativos campos de atividade e personalidades de todas as áreas. As cotas nas universidades também  foram o resultado de anos de protestos de estudantes, até que finalmente reconhecidas por lei.

Entre outras coisas, é o que você vai aprender nos bancos acadêmicos: o comportamento do cidadão, baseado nos direitos que as leis facultam. Isso servirá não apenas para sua vida universitária, como também para sua futura vida profissional, em que não serão poucas as oportunidades em que terá de participar de movimentos e de protestos para ver respeitadas suas condições profissionais.

É óbvio que você ouvirá opiniões opostas, que defendem até a violência como forma de protesto. Não é um bom caminho. Você percebe na mídia os males que a violência é capaz de produzir no mundo.  O Brasil tem uma longa tradição de país pacífico e ordeiro. O lema de nossa bandeira, Ordem e Progresso, expressa, entre outros conteúdos,  essa tradição. Você, como representante da nova geração, deverá carregar e executar esse lema, para que o país possa resolver os seus problemas estruturais, econômicos e políticos, do melhor modo possível. Isso, porém, não significa ser um cordeiro que aceita qualquer imposição, mas um indivíduo consciente e crítico.  Compreendeu?

E não se esqueça: protesto não é um ato de desespero, é um direito inalienável dos cidadãos nos regimes democráticos.

 

Sua escolha: vocação, cidadania, crise

Monday, January 18th, 2016

Talvez não seja esse o seu caso, mas, nesta época de conferir os resultados dos exames, alguns candidatos ficam em dúvida porque optaram por diferentes cursos em diferentes vestibulares. E acabaram sendo aprovados em todos os exames que prestaram. E surgem as dúvidas: que universidade escolher? que curso escolher?

Aqui cabe uma reflexão do Blogueiro: na atualidade, considerando a crise vivida pelo país e pelo mundo não apenas no plano econômico, mas sobretudo no plano ético, no político, nos usos e nos costumes os homens têm de estar mais unidos do que jamais estiveram. Por todo o planeta, populações passam necessidades, se tornam vítimas de conflitos, guerrilhas e até de guerras. Isso chega a tal ponto, que grandes grupos de pessoas têm de abandonar seus lares e países e buscar outros lugares onde possam viver suas vidas, seus trabalhos, seus objetivos.

No Brasil, toda essa crise está gerando medo nas pessoas. Com o surgimento das demissões em massa, do desemprego, do fechamento de empresas e, pior, da quebra da perspectiva de uma melhora a curto prazo, o pessimismo ganha forças.

E agora? Você passou em mais um vestibular em que optou por cursos diferentes. Que curso escolher? Aquele que considera sua maior vocação? Aquele que poderá lhe dar mais chances de enriquecimento? Aquele que sua família aconselha?

O Blogueiro não tem uma solução mágica para suas dúvidas, mas tentará fornececer uma perspectiva de escolha em função da atualidade que todos vivemos. Em primeiro lugar, tenha em mente que aquele mundo ideal, cor-de-rosa, quase romântico de algum tempo atrás não existe mais. A globalização transformou o planeta: mudaram os costumes, mudaram as concepções, mudou a visão de mundo. Enquanto a tecnologia se desenvolvia e a comunicação se universalizava pela internet, os antigos valores entravam em crise. Isso explica por que a própria internet, que deveria ser apenas um bem, frequentemente provoca o mal, despertando o que há de pior no espírito do ser humano.

E agora? É nesse panorama que você vai fazer sua opção. Isso significa que, hoje, você não faz escolhas apenas por você, mas por toda a sua comunidade,  pelo país, pela humaninade.

Alguns acham, ao contrário, que o importante, agora, tanto em termos de cursos, quanto em termos de empreendimentos, é ganhar dinheiro, muito dinheiro. Errado. Não é. Hoje, mais do que nunca, todos somos um. Não temos direito ao egocentrismo, à visão puramente egoísta, as decisões exclusivamente em causa própria.

Esse é o verdadeiro plano de sua escolha: pensar simultaneamente em você, nos seus sonhos, na sua comunidade, no seu país, na possibilidade de minimizar o sofrimento das pessoas e na própria sobrevivência do planeta, que, pela degeneração dos costumes humanos, pode ser levado à extinção. Ao fazê-lo, medite sobre estes quatro versos de Gregório de Matos:

 

O todo sem a parte não é todo,

A parte sem o todo não é parte,

Mas se a parte o faz todo, sendo parte,

Não se diga que é parte, sendo todo.

 

Lindo e profundo, não? Pense nisso.  E faça sua escolha.

 

Do recesso ao sucesso

Thursday, January 7th, 2016

Em nosso país, certas datas e períodos são tidos como feriados, feriados prolongados (quando envolvem mais de um dia) e, mesmo, recessos. Muita gene, é claro, reclama porque não vê com muitos bons  olhos tanta parada. Acreditam que o país, quase sempre em crise econômica, perde muito a cada dia parado. Outras pessoas adoram esses períodos de recesso, porque podem viajar, fazer turismo e até mesmo botar as coisas em ordem em suas casas e em seus escritórios.

As semanas de Natal e Ano Novo são consideradas os melhores momentos do ano para  um “recessinho”, porque desembocam logo no início, dando margem a um período de férias aumentado. Difícil nelas encontrar mecânicos, pintores, eletricistas, e outros profissionais, inclusive o médico da família. “Está em ferias e só volta dia X de janeiro, diz a secretária eletrônica em tom preguiçoso.

Para você, que é vestibulando, o recesso de fim de ano vem a calhar. Você pode esquecer de todos os problemas, de todos os errinhos. de todas as preocupações e curtir com liberdade os seus amigos, seus colegas; seus familiares. Quando os resultados vierem, em janeiro, seu clima de festa por certo aumentará. Por isso, nada de botar bobagens na cabeça e no seu dia a dia. Muitos de nós temos a mania de, nas horas de expectativa, ver no horizonte os piores eventos, e não os melhores. Com essa atitude, nada obtemos: se vier o pior, apenas antecipamos os sofrimentos; se vier o melhor, sofremos sem motivo por um bom tempo,

O importante em cada fase da vida, em cada evento, é estar feliz consigo mesmo e com tudo o que vê a sua volta. é encontrar valor nas coisas mais simples e, sobretudo, acreditar que, no total das contas, nascemos para ser felizes e para conquistar metas, enfrentando qualquer dificuldade, aceitando derrotas passageiras e buscando vitórias definitivas. Quem pensa assim, acaba conseguindo.

Pense nisso, com a certeza de que a sua vida dará mais um passo vitorioso do recesso ao sucesso.