Arquivo de 10 de novembro de 2015

Você torna o curso nobre

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Com a ocorrência de diferentes vestibulares no final do ano, volta a ser colocada por muitas pessoas a ideia de que uns cursos são nobres e outros são comuns. Trata-se, na verdade, de um modo de ver e julgar que vem de longe, da própria constituição do ensino universitário e da implantação de cursos em nosso país.

Seria correta essa concepção que se manteve até os tempos modernos? Não, não seria e não é. O fato de certas profissões serem vistas por nossa sociedade como mais representativas, mais capazes de tornar os indivíduos admirados e muito bem remunerados é apenas uma conclusão superficial, precária, uma tentativa de adivinhar o futuro com base em preconceitos elitistas

Alguns ainda atribuem esse julgamento ao fato de que a procura por certos cursos é tanta, que somente estudantes de famílias de grande poder aquisitivo podem ser aprovados. Essa estatística era verdadeira até há poucos anos atrás, mas, com o estabelecimento de quotas sociais e raciais, boa parte das vagas passaram a ser disputadas por candidatos de menor poder aquisitivo, o que constituiu um belo passo em termos de justiça social. E assim também um belo passo para a anulação da diferença entre cursos nobres e comuns.

A distinção, entretanto, se mantém em outro patamar, na questão da valorização dos cursos pela sociedade, que continua a mesma. A própria sociedade moderna acabará eliminando esse modo de pensar, ao verificar que todas as profissões  têm o mesmo valor. Os profissionais que as exercem diferenciam-se pelo modo como as praticam. Uma pessoa pode fazer um curso que não é muito valorizado em seu meio, mas o exerce de tal modo que obtém grande destaque e acumula o suficiente para viver muito bem sua vida e ganhar o reconhecimento social.

Por que então não se deve aceitar como verdadeiro o julgamento entre cursos nobres e cursos comuns? Por uma razão muito simples: não é o curso que faz o profissional, é este que se forma para exercer uma atividade que sempre o atraiu, que sempre admirou. Sob esta concepção, a diferença de valor entre cursos é balela, pura invencionice.

Por tudo isso, se você está prestando vestibular para um curso considerado “comum”, não se preocupe. O curso não é você, a profissão não é você. Você é o estudante, você será o profissional e, pelo seu afinco, pela sua determinação, pela sua competência, terá  grande sucesso e será admirado por todos. E sentir-se-á nobre no que faz.

Já a suposta “nobreza” de uma profissão desaparece quando o indivíduo a exerce mal.

Percebeu? A nobreza não está nas coisas, mas nas pessoas.