Archive for November, 2015

Não devore letras e palavras! Não têm proteínas e vitaminas

Monday, November 23rd, 2015

Agora que está encerrada a primeira fase do Vestibular Meio de Ano da Unesp, você vai fazer suas revisões para a segunda e para certos probleminhas que podem prejudicá-lo numa prova discursiva. O tema de hoje são os esquecimentos e omissões, que podem ser quase inofensivos, mas também muito perigosos. O próprio Blogueiro, quando escreve, derrapa por vezes nesses esquecimentos e fica muito bravo consigo mesmo, pois não gosta de errar. O caso do vestibulando, porém, pode ser bem mais grave que as derrapagens de blogueiros, jornalistas, articulistas, pois a banca de correção pode penalizar o candidato com desconto da nota. Como se diz na escola, não coma letras, pois não têm vitaminas! Vamos examinar alguns alertas sobre esses problemas.

Quando se fala em escrever, normalmente se pensa em regras gramaticais, vocabulário, concordância, regência, etc., etc.  Poucas vezes se pensa em algo que pode ser fatal caminho para o erro: os esquecimentos banais. Algus são óbvios: o Blogueiro, na revisão deste artigo, verificou que havia digitado esqucimentos, omitindo o -e-. Num vestibular, esse lapso não seria penalizado pela banca de correção, pois é óbvio que se trata de distração. Já quando se trata de uma vírgula, o caso pode ser outro, pois é tão pequena que acabamos deixando de colocar: Compramos peixes ovos e farinha em vez de Compramos peixes, ovos e farinha; caso idêntico é o da omissão do ponto, que é necessário para marcar o encerramento de um período, parágrafo ou do texto. Imagine escrevermos

 

O Brasil está com inúmeros problemas trata-se de comportamentos em campos de atividade, em que a desobediência à ética se torna cada vez mais grave.

 

A falta de ponto final de período prejudica tanto o texto, o que é agravado pela vírgula após atividade. Quereria o escritor desse período colocar mesmo essa vírgula, para gerar esse significado?

No campo das palavras, ocorrem também omissões perigosas, como  a do conectivo e:

A indústria justifica o preço mais alto com o melhor desempenho do produto o conforto superior a  produtos concorrentes é um aparelho indicado para quem tem família numerosa.

 

Observe que há dois cochilos nesse trecho: a omissão do e em o desempenho do produto (e) o conforto; e assim também do ponto final do primeiro período. Esses dois esquecimentos deixam o texto tumultuado em seu sentido. Observe como deveriam estar:

 

A indústria justifica o preço mais alto com o melhor desempenho do produto e o conforto superior ao dos aparelhos oferecidos pelos concorrentes. É indicado para quem tem família numerosa.

Esquecimento que pode ser muito mais grave, porém, é o do -s e do -m em palavras, já que pode ser considerado grave erro de concordância. Numa frase como

 

Gostaríamos de dizer a todos os trabalhadores brasileiros que não só nosso país passam pela crise, mas também todos os países da Europa e dos demais continente, alguns mesmo muito mais que o Brasil.

 

Notou os cochilos? O redator deveria ter escrito passa, pois a concordância é com o termo país, na terceira pessoa do singular, e não no plural. Teria errado mesmo o redator ou se distraiu? Já em continente, foi omitido o -s do plural. Teria errado na concordância o escritor ou se tratou de uma omissão involuntária? Difícil saber. Na dúvida, uma banca teria de considerar como erro.

Percebeu quantos problemas podem gerar as pequenas distrações e omissões? Então comece a se concentrar mais em seus exercícios de respostas discursivas e redações. Esquecimentos, omissões, pequenas distrações podem gerar hábitos, e nisso talvez esteja a reprovação de muitos candidatos em concursos de acesso e vestibulares, em que uma vaga é decidida muitas vezes por milésimos.

Valeu? Era sobre isso que os professores sempre alertavam com as piadinhas como: Não coma letras e palavras, rapaz, Não têm proteínas e vitaminas.

Resumindo: não deixe que maus hábitos no escrever o prejudiquem. Toda a atenção, todo o cuidado são necessários para evitá-los.

 

Você torna o curso nobre

Tuesday, November 10th, 2015

Com a ocorrência de diferentes vestibulares no final do ano, volta a ser colocada por muitas pessoas a ideia de que uns cursos são nobres e outros são comuns. Trata-se, na verdade, de um modo de ver e julgar que vem de longe, da própria constituição do ensino universitário e da implantação de cursos em nosso país.

Seria correta essa concepção que se manteve até os tempos modernos? Não, não seria e não é. O fato de certas profissões serem vistas por nossa sociedade como mais representativas, mais capazes de tornar os indivíduos admirados e muito bem remunerados é apenas uma conclusão superficial, precária, uma tentativa de adivinhar o futuro com base em preconceitos elitistas

Alguns ainda atribuem esse julgamento ao fato de que a procura por certos cursos é tanta, que somente estudantes de famílias de grande poder aquisitivo podem ser aprovados. Essa estatística era verdadeira até há poucos anos atrás, mas, com o estabelecimento de quotas sociais e raciais, boa parte das vagas passaram a ser disputadas por candidatos de menor poder aquisitivo, o que constituiu um belo passo em termos de justiça social. E assim também um belo passo para a anulação da diferença entre cursos nobres e comuns.

A distinção, entretanto, se mantém em outro patamar, na questão da valorização dos cursos pela sociedade, que continua a mesma. A própria sociedade moderna acabará eliminando esse modo de pensar, ao verificar que todas as profissões  têm o mesmo valor. Os profissionais que as exercem diferenciam-se pelo modo como as praticam. Uma pessoa pode fazer um curso que não é muito valorizado em seu meio, mas o exerce de tal modo que obtém grande destaque e acumula o suficiente para viver muito bem sua vida e ganhar o reconhecimento social.

Por que então não se deve aceitar como verdadeiro o julgamento entre cursos nobres e cursos comuns? Por uma razão muito simples: não é o curso que faz o profissional, é este que se forma para exercer uma atividade que sempre o atraiu, que sempre admirou. Sob esta concepção, a diferença de valor entre cursos é balela, pura invencionice.

Por tudo isso, se você está prestando vestibular para um curso considerado “comum”, não se preocupe. O curso não é você, a profissão não é você. Você é o estudante, você será o profissional e, pelo seu afinco, pela sua determinação, pela sua competência, terá  grande sucesso e será admirado por todos. E sentir-se-á nobre no que faz.

Já a suposta “nobreza” de uma profissão desaparece quando o indivíduo a exerce mal.

Percebeu? A nobreza não está nas coisas, mas nas pessoas.

 

Ler e seus perigos

Thursday, November 5th, 2015

A experiência ensina que ler é, em alguns momentos, projetar sobre o que está escrito o que se imagina, e não o que realmente está no papel. Isso se explica facilmente: como a linguagem possui um princípio de economia que evita o esbanjamento, numerosíssimas palavras são muito parecidas, por vezes quase iguais. Aí mora o perigo da leitura: quem lê apressadamente um texto corre grande risco de equivocar-se e trocar uma palavra que está escrita por outra que não está no texto, mas na mente do leitor. Deste modo, se uma pessoa diz para outra: Vá para o inverno, querendo significar com a frase, no contexto, vá morar numa região permanentemente fria (portanto, permanentemente “inverno”, como muitas do globo), o interlocutor, no caso de fala, ou o leitor, no caso de escrita, podem entender “inferno”, o que muda completamente a interpretação da frase.

O que o Blogueiro acabou de dizer explica, por exemplo, fatos reais em exames vestibulares: na proposta de redação de certo vestibular, em vez de ler conveniência, como estava escrito, muitos candidatos, entenderam “convivência”, tendo dificuldades, por isso, com a questão da redação.

Tudo isso está sendo dito para que você entenda que uma leitura atenta é crucial em qualquer prova de concurso ou de vestibular. Crucial na interpretação do enunciado, crucial na interpretação das alternativas. Muitos erros já foram cometidos por causa desse equívoco de leitura. E, como boa parte das questões se baseiam em textos, a possibilidade de equívoco aumenta. Solução: fazer sempre uma leitura atenta: é melhor perder um tempinho lendo e interpretando do que lamentar-se por cometer um erro banal em virtude de uma projeção indevida de palavra sobre o texto.

Na escola usualmente os professores nos alertam sobre esse fato, por meio dos ensinamentos sobre os chamados hômonimos e parônimos. Você deve entender esses ensinamentos nos termos práticos como são colocados aqui: palavras que se escrevem de modo quase igual ou com muita semelhança são fatores de erros de interpretação, em virtude de o processo de leitura envolver projeções antecipadas de nossa parte. Cuidado, portanto, com evadir/invadir, imigrar/emigrar, orfeão/órfão, palpar/poupar, etc., etc. É um número enorme de pares de palavras que podem causar os nefastos efeitos de uma troca.

Na verdade, esse equívoco ocorre porque certas passagens de um texto ou um enunciado parecem muitas vezes uma adivinha, sobretudo em momentos de nervosismo. Lembra daquela: O que é que todos têm dois e você só tem um? Levamos algum tempo tentando entender. Alguns desistem, alguns começam a “chutar”, até que outros percebem que a pergunta não está direcionada para a realidade circundante, mas para as próprias palavras: todos têm duas letras o, e você tem uma só. Entendeu agora a charada e o processo de leitura? O Blogueiro espera que sim e que estas reflexões tenham muita serventia a você. Valeu?