Archive for October, 2015

Exercite seu saber responder

Thursday, October 29th, 2015

Você já pensou que o modo como damos uma resposta já é uma parte do acerto? Não pensou? Pois pense. E pense bem. No enunciado da questão discursiva, de certa maneira, já está indicado o modo de começar a respondê-la. O problema, portanto, não é ir direto ao assunto, mas analisar o que está sendo pedido. As perguntas discursivas geralmente solicitam mais de um dado como resposta. E há uma concatenação entre os dados, de sorte que, muitas vezes, o primeiro solicitado já faz prever o segundo e os demais.

Responder um tanto atabalhoadamente, fora de ordem, pode significar a perda de algum dado ou até mesmo a omissão daquilo que deveria ser respondido no momento adequado.

O primeiro ponto a observar, pois, no enunciado de uma questão discursiva é quanto à ordem dos elementos que são solicitados como resposta. O segundo, é o tipo de concatenação entre esses dados no momento da formulação da resposta. O terceiro, a busca de um discurso que atenda esses aspectos e evite qualquer tipo de confusão entre eles. Uma estratégia assim estabelecida tem tudo para auxiliar a atingir uma resposta completa e limpa, sem  problemas. E observe que as bancas elaboradoras, em busca de evitar quaisquer problemas aos candidatos, procuram formular o enunciado de modo a facilitar o planejamento e o estabelecimento das respostas. Tudo leva, deste modo, no enunciado das questões, ao estabelecimento de um roteiro de seu discurso. O resto depende de você, especialmente naquelas perguntas cujas respostas julga conhecer perfeitamente. Facilidade, por vezes, pode levar a enganos graves. Um bom método é considerar que todas as questões são difíceis e trabalhosas e que suas respostas dependem muito do seu discurso para atingirem o ponto ideal de concisão, clareza e objetividade.

Poder-se-ia dizer, a esse respeito,  que responder a questões discursivas implica, ao mesmo tempo, lógica, técnica e sensibilidade. Lógica, para identificar as relações  de coerência do raciocínio que comandou a criação das questões. Técnica, para estabelecer a forma ideal do discurso da resposta; sensibilidade, para captar os objetivos e intenções da  banca elaboradora na criação dos enunciados.

Como o Blogueiro já disse anteriormente, não se trata simplesmente de saber, mas de saber responder. Exercite, portanto, seu saber responder, para se sentir ainda mais seguro ao prestar suas provas.

 

 

É um complô contra mim!

Thursday, October 15th, 2015

O blogueiro já ouviu estudantes pronunciarem frases como a que serve de título a este artigo, ou também como Parece que tudo conspira contra mim. Na verdade, complôs e conspirações existem mesmo, quer na vida familiar, quer na vida profissional. Nesta, não são incomuns situações em que grupos tentam eliminar um colega que foi promovido, fazendo joguinhos, denúncias e intrigas. É do ser humano estar sempre lutando por alguma coisa, mesmo que por vezes os meios utilizados não sejam lá muito éticos.

Você com certeza já disse algumas vezes frases semelhantes para descrever momentos de sua vida em que tudo dá errado: vai mal em algumas provas, erra questões banais em simulados, não consegue se concentrar ao escrever redações. Sempre aparece algo para atrapalhar. É um complô! você exclama, como se quisesse significar que todas as circunstâncias adquiriram vida e passaram a prejudicá-lo. Complô, aliás, é uma palavra de origem francesa (complot) muito usada em política. Está havendo um complô para me tirar desse cargo! diz um político, sentindo que algum grupo está querendo afastá-lo. Esta palavrinha ganhou muito uso fora da política e hoje é bastante comum para significar que um grupo de pessoas quer afastar alguém de uma função, ou cargo, ou encargo.

Quando você usa, assim, termos como conspiração e complô para nomear tudo o que parece explicar seus atrapalhos, está utilizando uma imagem e ao mesmo tempo personificando as circunstâncias que conduzem aos  problemas pelos quais está passando (lembra da famigerada prosopopeia ou personificação?). Isso está certo? Claro que não. Está errado. O verdadeiro problema está em você mesmo, causado por suas preocupações e tensões. E é um fato naturalíssimo.

Não há complô de circunstâncias, de forças da natureza, de fatos. Claro que, no futuro, em seu trabalho, você enfrentará conspirações e complôs reais, principalmente se trabalhar numa grande instituição. O Blogueiro já enfrentou muitos ao longo de sua carreira profissional: por vezes venceu, por vezes perdeu. Faz parte da vida e mais ainda da vida profissional. Como ficou sugerido acima, há seres humanos ambiciosos que não vacilam em tentar se apropriar de cargos ou funções de outros com a maior naturalidade. Muitas vezes conseguem. Enfrentá-los é coisa que se aprende com o tempo. Mas, até que isso aconteça, não se preocupe. Continue firme, estudando. Em vez de complô, você está enfrentando alguns fatos coincidentes cujo resultado é ruim. Isso volta e meia acontece em nossa vida. Mas não dura. Até chega a ajudar: pequenos fracassos hoje fazem parte de grande sucesso no futuro.

Então, o que lhe acontece? Provavelmente, é um pouco de estafa, que logo passará. As vezes é apenas excesso de preocupação. Se você continuar se preparando, como fez até agora, por certo nenhum complô, nenhuma conspiração de circunstâncias será capaz de derrotá-lo. Se você foi mal numa prova, num simulado, numa redação, não se preocupe, nem que esses eventos tenham acontecido em série. Logo tudo voltará ao habitual, com você dominando  seus estudos e se preparando cada vez melhor para os vestibulares que vai fazer. Por quê? porque a reflexão sobre os próprios erros é uma das formas de aprender.

Num vestibular, evidentemente, todos concorrem contra todos. Ou, dizendo de outro modo, cada um deve conquistar sua vaga sozinho, sem pensar nos demais. É confiar em si mesmo e seguir em frente. As provas são muito bem elaboradas para evitar as célebres “pegadinhas” (que, para alguns, fariam parte do complô das circunstâncias), claras e objetivas, para evitar que você cometa enganos não por desconhecer as respostas, mas por redação inadequada ou confusa de enunciados. Tudo é feito e testado antecipadamente para lhe dar todas as chances de mostrar o que sabe e, assim, obter sua preciosa vaga.

Deixe os complôs e conspirações para os políticos e para o futuro (talvez você venha até a ser político!). Neste momento, as circunstâncias são todas organizadas para auxiliá-lo. O resto depende de você e sua determinação. É estudar e mandar ver, não é?

 

 

Você vai ao ou vai no?

Tuesday, October 6th, 2015

Como as provas de vestibulares e concursos por vezes perguntam sobre minúcias, é bom estar sempre preparado para elas. Por vezes, uma minúcia a mais, uma a menos podem fazer a diferença em termos de média final.

Observe este exemplo, comum no discurso coloquial: Professora, posso ir no sanitário?

Tudo bem quando se está em ambiente coloquial, descompromissado. Todavia, no discurso formal, não cabe a preposição em nesses casos, mas a preposição a. A forma adequada segundo a norma-padrão, seria Professora, posso ir ao sanitário?

Portanto, empregos inadequados de em, como Fui na escola, Vou no cinema, Vamos nos jogos, têm de ser substituídos por Fui à escola, Vou ao cinema, Vamos aos jogos.

Percebeu? Algo tão simples, basta  passar a usar sistematicamente as formas adequadas ao discurso formal, para evitar perdas e viabilizar lucros nas notas.

Qual a explicação de tudo isso? Você devia saber: a regência verbal. Os verbos não costumam apresentar uma só regência, mas muitas. A presença ou a ausência de preposição pode alterar o significado do verbo no contexto em que ocorre. Assim também a diferença entre preposições impostas pelo verbo para o objeto pode corresponder a alterações de sentido. Se você consultar o Aurélio ou o Houaiss a respeito do verbo ir, por certo se surpreenderá com a profusão de regências. O mesmo acontece com boa parte dos verbos do português. Observe o que diz Aurélio sobre os significados que pode assumir o verbo ir, de acordo com a regência e o contexto:

1. Passar, mover-se ou deslocar-se de um lugar para outro, por movimento próprio, impulso imprimido, qualquer mecanismo, ou com auxílio de transporte ou veículo

2. Correr, vogar:

3. Ir-se embora; retirar-se; partir; ir-se:

4. Ser mandado ou remetido:

5. Ser mencionado ou referido (logo depois, ou em anexo):

6. Chegar a determinado resultado (favorável ou não); sair-se:

7. Progredir, continuar, achar-se; ir andando (em certo grau de adiantamento, em certa fase, de certo modo, etc.):

8. Estar, passar, achar-se (de saúde):

9. Desvanecer-se, dissipar-se, extinguir-se, ir-se:

10. Morrer:

11. Ir :

12. Ser levado ou transportado, voluntária ou involuntariamente:

13. Comparecer, aparecer, apresentar-se:

14. Proporcionar acesso; seguir (até algum lugar):

15. Andar por; percorrer, seguir:

16. Suceder, ocorrer, passar(-se):

17. Ter decorrido; haver, fazer:

18. Estender-se, prolongar-se, durar:

19. Levar, conduzir:

20. Ter pouco mais ou menos, estar a perfazer (certa idade); orçar; andar (por certa idade):

21. Ter decorrido (fato) há um período aproximado de tempo, há mais ou menos um certo período:

22. Estar mais ou menos prestes a completar-se certo período de tempo decorrido sobre (um fato):

23. Distar:

24. Estender-se, prolongar-se:

25. Dar princípio; começar, iniciar, encetar:

26. Tratar, ocupar-se (de um assunto):

27. Achar-se numa determinada situação, em dados termos:

28. Mostrar ou demonstrar tendência; tender, propender:

29. Simpatizar; topar; ir com a cara de:

30. Harmonizar-se, combinar, condizer:

31. Importar; interessar:

32. Avançar, investir, atirar-se:

33. Chegar, atingir, alcançar:

34. Ter relações sexuais com; copular.

35. Passar gradualmente, por transição:

36. Andar por; percorrer, seguir:

37. Seguir, fazer:

38. Estar, passar, achar-se (de saúde):

39. Transcorrer, decorrer:

40. Andar, dirigir-se, caminhar, encaminhar-se:

41. Ir-se embora; partir, retirar-se; ir:

42. Desvanecer-se, dissipar-se, extinguir-se; ir:

43. Estragar-se, avariar-se, danificar-se:

44. Morrer:

45. Seguido de verbo no infinitivo, exprime tempo futuro:

46. Seguido de verbo no infinitivo, equivale a ‘concorrer para’:

47. Seguido de verbo no infinitivo, significa ‘estar prestes a’, ‘estar em vésperas de’:

48. Seguido de verbo no infinitivo, significa ‘dispor-se ou preparar-se para; tencionar; propor-se’:

49. Seguido da prep. para, significa ‘seguir uma carreira’:

 

Impressionante, não? Ficou curioso para ver os exemplos de cada significado? Consulte o Aurélio, O Houaiss ou qualquer outro dicionário, inclusive de regência verbal. Você descobrirá que o verbo ir encerra um tesouro de possibilidades de sentido e se presta a inúmeros exemplos expressivíssimos, que enriquecerão seu discurso escrito. Faça o mesmo com outros verbos e seu discurso ganhará um dinamismo que você nem imagina.