Archive for September, 2015

Repertório e vocabulário

Monday, September 28th, 2015

Frequentemente a ênfase para que você aprenda a escrever bem é colocada na construção da frase e na associação destas em texto. Isto está certo? Está. Mas é toda a verdade? Não. Muitas vezes se esquece de algo que é tão fundamental quanto a frase: o vocabulário. Sem vocabulário adequado, ninguém escreve bem. Por quê? Porque ao escrever focalizamos um tema cuja natureza é revelada pelo conjunto das noções e conceitos de que se constrói esse tema.

Um exemplo: como escrever sobre o futebol sem dominar o vocabulário específico do futebol, inclusive sobre suas frases feitas e gírias? Outro exemplo: como escrever sobre Ecologia sem dominar o vocabulário e os tecnicismos desse campo, como, por exemplo, a noção de ecossistema e todas as que dela derivam? Muito difícil, não é?

Você mesmo já deve ter notado esse fato ao estudar geometria, química, física, matemática, língua e literatura, geografia, filosofia, história, etc., etc. Para você escrever bem sobre temas relacionados com esses conteúdos, precisa ter um repertório, que basicamente é fornecido pelos conceitos que constroem o tema e pelos vocábulos que expressam esses conceitos. Sem isso, o tema para você não existe, nada significa. Escrever, deste modo, vai ser muito complicado.

Que significa isso, basicamente? Que você, para focalizar um assunto ou participar de uma discussão sobre este, precisa ter repertório. Quer dizer: você precisa saber o que está escrevendo ou o que está falando. Sem repertório, você não saberá nem como começar.

É por isso que muitos candidatos a vestibulares e concursos empacam ao chegar à redação: que tema é esse? como começar a escrever, se eu não sei nem do que estão falando! Exatamente: sem repertório e o vocabulário correspondente que serve para estabelecê-lo, não há como nem começar.

Este alerta serve para todas as disciplinas: além de conhecer os fundamentos e as informações de cada disciplina, você precisa dominar o seu vocabulário, porque, muitas vezes, você decifra o vocábulo com base no contexto de uma frase que faz referência à conteúdo da disciplina. E quando o vocábulo aparece num contexto menos esclarecedor? Bom, aí, como dizem seus colegas, você dança.

Não custa, portanto, ao estudar cada disciplina, cada conteúdo, estabelecer o vocabulário, anotá-lo à parte e de vez em vez fazer uma boa revisão. Aí você não vai dizer, como muitos, se queixando: não consegui entender apenas uma palavra e isso fez com que eu não entendesse bem a pergunta e respondesse errado.

Percebeu? Repertório e vocabulário. Sem isso, sua resposta ou sua redação estão em perigo.

 

 

Pergunta & resposta: um casamento perfeito

Friday, September 18th, 2015

Quando você presta uma prova objetiva, por vezes fica atrapalhado com a profusão de alternativas dadas como respostas possíveis. O atrapalho pode provir do fato de que não identifica, no momento, nenhuma alternativa que seja totalmente adequada. Estariam as cinco erradas? A origem, porém, pode ser outra: você identifica duas respostas com todas as condições de ser certas. E daí? Que fazer? Como identificar a única correta?

Não se preocupe tanto assim. No primeiro caso, quando nenhuma resposta parece adequada, o melhor caminho é examinar uma por uma para encontrar aquela ou aquelas que estão mais próximas, pela forma e pelo conteúdo, da forma e do conteúdo do enunciado da pergunta. No começo, nem se preocupe com o acertar ou errar, mas apenas com os pontos de contato entre enunciados das alternativas e da questão. Por que estabelecer este método? Porque você, diante da prova, está tenso, talvez até confuso, e nesse estado tende a menosprezar numa pergunta elementos realmente identificadores, que funcionam como pistas para atingir a resposta certa. Ao procurar detalhes que unam pergunta e resposta, você irá encontrando essas pistas e, ao mesmo tempo, se acalmando. As bancas elaboradoras das questões criam de propósito essas pistas, para favorecer a interpretação do candidato e o reconhecimento da resposta certa. De certo modo, as alternativas se colocam numa escala que vai da mais à menos semelhante formalmente e pelo conteúdo. Você pode, com muita análise, construir essa escala. Não é tão difícil assim.

Já no segundo caso, quando você, desde o início, estabeleceu uma ou duas ou três alternativas com todas as chances de ser corretas, nada de querer “chutar” escolhendo aleatoriamente uma delas. Na verdade, fica tudo mais fácil. Com mais uma ou duas leituras e comparações atentas para as características comuns, por certo identificará a correta. Não custa, porém, dar uma olhadinha antes naquelas que desprezou, comparando seus enunciados com o da pergunta, para eliminar qualquer possibilidade de engano seu.

Do modo como este Blogueiro está colocando a coisa, você percebe que a resolução das questões objetivas não implica apenas conhecimento, mas uma certa habilidade de decifração, como a de quem desvenda uma charada que informa sobre alguns elementos e e espera que você descubra os outros.

Nesse processo todo, vale uma observação importante: perguntas e respostas são como faces diferentes de uma mesma moeda. É preciso descobrir as faces que combinam. Ou, com outras palavras: pergunta e resposta são como casais à espera que você, juiz de paz ou sacerdote, realize o casamento. É preciso, para isso, encontrar todas as características comuns a cada membro do casal.

Valeu? Experimente o método.

 

A solidão e a prova

Thursday, September 10th, 2015

O Blogueiro já tocou aqui na questão da solidão que representa fazer uma prova. Não uma prova específica, como as de um vestibular, mas qualquer prova.  Não custa, porém, filosofar sobre alguns outros aspectos desse fato, que podem ser muito importantes para você e talvez até resolver problemas que nem imaginava.

Uma prova, um exame, um teste, desde os primeiros anos escolares, convenhamos, é sempre um ato em solidão. Claro que alguns, tentando embarcar para o lado desonesto, quebram essa solidão combinando como colaborarem durante uma prova. Algumas vezes isso pode até dar certo. É algo, porém, ilusório. Não dará para ficar a vida inteira parado na mesma turma, com os mesmos colegas, fazendo as mesmas provas. Como diz o provérbio, um dia a casa cai. O mundo segue em frente, o estudo segue em frente, os colegas mudam e você percebe que tem um longo caminho a percorrer com muito estudo, muito esforço e, sobretudo, muita honestidade. Com isso, passa a considerar a solidão do ato de prova como um dado necessário, nada assustador, pois, de fato, é a sua garantia de que terá chances de ser aprovado com reais merecimentos, já que todos os que fazen estão na mesma situação. Isso vale para as provas escolares, para os concursos de acesso a empregos, em empresas ou órgãos públicos, para os vestibulares e, posteriormente, para as provas que terá de realizar ao longo do curso. E, depois de graduado, se resolver seguir mestrado e doutorado, novos exames e provas virão, inclusive as defesas de tese em que, em público, você terá só você mesmo para demonstrar à banca que sua dissertação ou sua tese são boas e merecem aprovação. Talvez seja essa a pior das provas e o medo de reprovar em público é o pior de todos.

Por nunca haver tomado consciência dessa situação, apesar de vivê-la desde os primeiros anos escolares, muitos candidatos a vestibulares e concursos se assustam no momento da prova, ou, usando uma expressão mais popular, ficam nervosos. Isso resulta de um equacionamento equivocado do que seja realmente a prova e um esquecimento de que a vida inteira as pessoas são submetidas a provas. Mesmo que trabalhe como autônomo, depois de formado, você não se livra disso, pois cada trabalho que faz é um teste a que se submete para os clientes julgarem se você é ou não um bom profissional. Estamos sendo julgados o tempo todo, de modo que, na solidão em que tomamos as decisões em nosso trabalho e as executamos, está sempre presente o fato de que não podemos errar, ou, pelo menos, não podemos errar muito.

Acabe, por isso, com esse negócio de ficar nervosinho. Cada prova não é uma tortura, é uma possibilidade de demonstração de competência, de sua competência, e você está preparado para demonstrá-la e obter uma boa avaliação, um bom julgamento. Passe, assim, a considerar a solidão do ato de prova um momento ótimo, de realização, de vitória sobre seus desafios. Porque toda prova, afinal, se resume nisso.