Archive for May, 2015

Tiras, charges e vestibulares

Wednesday, May 27th, 2015

Tornou-se comum, nas provas de diferentes disciplinas dos exames vestibulares, o emprego de tiras e charges. Você por certo já fez provas ou simulados em que surgem esses e outros textos análogos. A justificativa para essa utilização reside não apenas no fato de se tratar de textos com muita qualidade de conteúdo, atuais, mas também largamente utilizados na mídia: jornais, revistas, internet.

Aparentemente, as questões baseadas em charges e tiras parecem facilitar tudo. Nem tanto. Como exploram aspectos da realidade por meio de muito humor, de ironias refinadíssimas e, mesmo, sarcasmos, a aparente facilidade devida ao tamanho se torna ilusória. A utilização extremamente inteligente de recursos expressivos nos planos das imagens e do discurso torna charges e tiras muitas vezes mais ricas em significações que textos de maior extensão. Os cartunistas possuem uma formação intelectual muito refinada e se tornam, com suas obras, verdadeiros críticos da realidade social, em que a política e os políticos são, em boa parte das vezes, o principal alvo.

Para compreender bem charges, tiras, caricaturas, portanto, é preciso estar plugado, como estão os seus autores, na realidade circundante. É preciso ter boa dose de raciocínio e malícia, ter plena noção de tudo o que vai no país e é noticiado na mídia. E, sobretudo, é necessário conhecer razoavelmente recursos expressivos como o da ironia, da metáfora e da alegoria. Tudo isso, mais um pouco de espírito lúdico, fornece os elementos necessários para não tropeçar nas divertidas críticas que charges e tiras apresentam.

Esteja alerta, portanto. A facilidade dos textos produzidos pelos cartunistas esconde na realidade estruturas de complexo raciocínio, que se expressa pelo humor, pela ironia, pelo sarcasmo, pela alegoria, pela sátira, pelas alusões filosóficas e princípios éticos. Estas qualidades justificam sua presença em provas de concursos e de vestibulares.

Não vá perder pontos preciosos menosprezando esses textos diminutos, mas muito densos e ricos em significados.

Valeu?

 

 

A melhor maneira de se preparar para a segunda fase

Thursday, May 21st, 2015

Agora que a primeira fase do Vestibular Meio de Ano da Unesp foi realizada e você, com certeza, vai receber aprovação, prepare-se adequadamente para a segunda, respeitando os seguintes pontos:

 

1 – Em vez de alternativas a escolher, as respostas serão discursivas.

2 – A interpretação de texto será ainda mais importante para responder.

3 – A redação tem grande peso na média final.

 

O primeiro ponto é um alerta até para a forma de você estudar e se preparar. Em respostas a questões objetivas, a correta já vem escrita como uma das alternativas. Nas respostas discursivas, você é que tem de construir a correta. Tudo ficará, portanto, na dependência de seu discurso. Esta constatação demonstra que a forma de estudar está mudada. O tempo todo você deve imaginar perguntas sobre os pontos que estuda e redigir respostas adequadas. Com isso, estará se preparando para apresentar um discurso claro, objetivo e bem estruturado.

O segundo ponto ataca também um aspecto essencial: a interpretação. Nas questões de alternativas, se você não consegue de pronto a resposta correta, a interpretação pode surgir de comparações entre o que você entendeu numa primeira leitura e o que dizem as alternativas, até que você possa chegar à interpretação e à alternativa adequadas. O mesmo não é possível nas questões discursivas: você terá apenas a sua interpretação como guia. Por isso, será preciso uma leitura muito atenta e repetida da pergunta, para ter certeza do que é realmente indagado. Um pequeno erro de leitura da questão poderá levá-lo a um sério equívoco na resposta. Exercite-se mais, portanto, estudando enunciados de questões discursivas de vestibulares anteriores.

O terceiro ponto é igualmente verdadeiro: a redação tem peso valioso na nota. Intensifique suas práticas. Escreva mais redações sobre temas de outros vestibulares. Visite sites e blogues sobre vestibulares e redações: todos fornecem alguma informação útil. E não esqueça do que sempre o blogueiro alerta: redação não é sorte, é prática. Escreve-se bem na medida em que se pratica com regularidade o ato de escrever. Escritores não nascem sabendo escrever. Aprendem e, depois de muita prática, conseguem chegar a um estilo claro e eficiente para encorpar suas obras. Jornalistas, por exemplo, vão escrevendo cada vez melhor na mesma medida em que o tempo vai passando: cada dia é um novo exercício que os leva a aperfeiçoar mais e mais seu discurso. E você? Terá de praticar todo dia só para passar no vestibular? Nada disso. Como profissional de nível universitário, você terá de escrever muito durante seu curso, e muito mais fora dele, em relatórios, solicitações, artigos de divulgação e até mesmo artigos científicos, caso enverede para a pesquisa. Sem falar que profissionais de nível universitário são convidados a escrever para jornais, revistas e, mesmo, podem decidir escrever guias sobre o que fazem em seu trabalho diário e tudo o que acontece nele. Daí para tornarem-se escritores literários é só um passo. Há escritores que se formaram médicos, outros que se formaram engenheiros, e assim por diante. Em conclusão: a redação é um instrumento útil para a vida toda, independentemente da profissão.

Com estes alertas e muito empenho, pode ter certeza de que será aprovado também na segunda fase e poderá fazer o curso com que sonha. Boa sorte!

 

O inverno pode ser primavera

Thursday, May 14th, 2015

Quem está prestando o Vestibular Meio de Ano da Unesp ou os de outras universidades públicas está abrindo com maior facilidade sua porta para o futuro, sem o atropelo dos vestibulares de fim de ano e com oportunidades redobradas de sucesso, em virtude do número bem menor de candidatos inscritos, isto é, de concorrentes a enfrentar. Se o curso que você pretende conquistar é oferecido num desses chamados vestibulares de inverno, não tenha dúvidas: são promissoras suas chances de aprovação.

Como já ficou dito em artigos anteriores, renovados todos os anos, os vestibulares de inverno de todas as universidades públicas surgem em virtude da criação de novos cursos, que, pela divisão das disciplinas em semestres, tiveram de iniciar na metade do ano. Deste modo, nada há que desvalorize ou descaracterize tais cursos, já que são ministrados nas mesmas unidades que oferecem cursos também no final de ano. A qualidade é idêntica, e assim também a formação obtida pelos estudantes. Os próprios exames têm o mesmo fundamento e a mesma característica.

Você que se inscreveu e está prestado os exames aproveite a oportunidade que tem de obter aprovação e, caso isso ocorra também na segunda fase, matricule-se com a certeza de que está dando um passo muito inteligente e lúcido pela sua formação profissional, em tudo semelhante ao que daria se fosse aprovado no final do ano.

Utilizar os vestibulares de inverso como aferição de suas potencialidades para os de final de ano é válido? Claríssimo que é. Mas tome cuidado para não se arrepender dessa decisão. As dificuldades enormes de aprovação no final do ano podem não ser uma boa meta e oferecem o risco de causar a extrema decepção de mais um ano sem acesso ao ensino superior. O simples fato de você estar testando suas possibilidades é uma prova dessa grande dificuldade. Por outro lado, todos os que aproveitaram a oportunidade oferecida pelos vestibulares de inverno se declaram satisfeitos com a escolha, por verificarem que a formação é a mesma, em alguns casos até mais rigorosa. A ideia dos vestibulares de fim de ano como uma griffe, portanto, não tem sustentação lógica.

Faça suas provas e não perca seu momento, caso aprovado. Esse negócio de curso de griffe é mero engano de avaliação. Mesmo que não o fosse, não seria a griffe que o faria melhor ou pior aluno, mas você e suas escolhas dentro do curso. Qualquer curso pode levá-lo a ser um profissional de primeira linha, como também a um emprego secundário pela vida toda. Dependerá de sua dedicação. Pense nisso. E pense também num conceito indiscutível sobre o ensino em qualquer nível: não é a escola que faz o aluno, é o aluno que faz a escola.  Em outras palavras: não é a escola que ensina, é o aluno que aprende.

Entendeu? Os fatos da realidade não devem ser avaliados com critérios subjetivos. A visão objetiva é o melhor instrumento de sucesso, qualquer que seja a carreira. Com objetividade, você pode até tornar o inverno a sua primavera.

Boa escolha! Boa sorte!

 

Letras míudas ou atenção redobrada?

Thursday, May 7th, 2015

Você sabe que existem até leis que obrigam empresas, bancos, seguradoras e laboratórios a apresentar contratos e bulas com letras grandes e claras, sob a justificativa de que letras muito pequenas, difíceis de ler, podem induzir os clientes, usuários e pacientes a errarrem na interpretação. Esta justificativa é em boa parte verdadeira.

Há, por outro lado, uma ressalva a fazer. Em alguns casos, a questão não é propriamente a letra miúda, mas a maior ou menor atenção com que se lê e se interpreta um texto. Leituras apressadas podem gerar compreensão equivocada de certas passagens.

E aqui entramos no foco deste artigo: os guias do candidato nos exames vestibulares. Ninguém poderá dizer que se trata de textos de difícil leitura.  Ao contrário, são sempre elaborados em discurso de fácil entendimento, para ajudar, e não para atrapalhar. Todavia, por incrível que pareça, muitos candidatos não fazem a leitura mais atenta dos guias e acabam se complicando.

Estes equívocos dizem respeito desde os horários de ingressos nos locais e início das provas até as opções por cursos. Não são raros os casos em que candidatos perdem a chance de matricular-se por não manifestarem na data adequada, de acordo com as instruções do manual, o interesse pela matrícula.

Por que tais fatos ocorrem? Por estarem os manuais ou guias de candidatos escritos em letras miúdas? De jeito nenhum. Ainda mais com a publicação pela internet, os guias se tornaram textos de leitura tranquila. Então, por quê? Pelo mesmo motivo que rege a leitura de contratos e bulas: a necessidade de atenção redobrada na leitura. E atenção redobrada até mesmo nas passagens que parecem mais fáceis e óbvias, pois são justamente o fácil e o óbvio que induzem mais erros de leitura e interpretação em qualquer tipo de texto.

Percebeu? O guia do candidato não é apenas um documento bonito e bem escrito. Contém as informações úteis e importantes para todo o processo do vestibular. Requer atenção redobrada, tão redobrada quanto você utiliza no estudo do conteúdo de suas apostilas.

Como costuma dizer o povo, portanto, nessa questão não brinque em serviço. Vale dizer: não transforme um instrumento de auxílio em um motivo de prejuízo.

 

 

O que é que há com o verbo haver?

Tuesday, May 5th, 2015

Muitos estudantes saem do Ensino Médio com a ideia de que saber escrever é resultado de técnicas aprendidas ao longo de seus cursos e cursos de redação dados por especialistas. Esta é uma parte da verdade, não a verdade inteira. O melhor método de redação do melhor especialista não lhe ensinará muita coisa, se você não conquistar o domínio da construção de frases adequadas, que se organizem com harmonia na produção progressiva do sentido gloobal do texto.

O blogueiro está querendo dizer que uma boa construção de frases é o passo principal para uma boa construção de texto. Veja um exemplo dos mais interessantes: o verbo haver. Você pensa que conhece tudo desse verbo? Se conhece, está de parabéns, deve conhecer também muitos outros. Se não conhece, está na hora de desconfiar que há muita coisa na construção de frases que precisa dominar. Considere estes exemplos apresentados no Dicionário Aurélio:

1. Todos houveram medo de se envolver na questão.
2. Houveram que era convardia suportar semelhante afronta.
3. Há pessoas que nunca conseguem um amigo.
4. Houve algumas vezes desentendimentos entre os dois.
5. Havia meses que não chovia.
6. Os sentenciados houveram do juiz a comutação da pena.
7. Todos o havemos por inteligente.
8. Não há entender o comportamento de certas pessoas.
9, O centroavante se houve com grande esforço na partida.
10.  Eusébio não sabia haver-se com mulheres.
11. Marta houve por bem não se cansar com Maurício.
12. Bem hajas tu, que obtiveste a solução do problema.

Notou a beleza do leque de significados do verbo haver? Este verbo não lhe parecia antes meio fraquinho, um tanto anêmico, nada mais que uma palavrinha a surgir de vez em quando nas frases? Pois é. Agora percebe mais uma vez o acerto do ditado popular: As aparências enganam. No exemplo 1, haver significa sentir, experimentar. No segundo,  significa consideraram, julgaram. No terceiro, existir (sempre lembrando que, neste sentido, haver é um verbo impessoal, empregado na terceira pessoa do singular). No quarto exemplo, o significado do verbo é suceder, acontecer, ocorrer. No quinto, é o mesmo de fazer, como expressão de tempo transcorrido: havia (fazia) meses que não chovia. No sexto exemplo, haver  significa obter, conseguir, alcançar. No sétimo, julgar, supor, considerar.  Já no oitavo exemplo o significado é o de existir meio de, ser possível: não existe meio de entender o comportamento de certas  pessoas; não é possível entender o comportamento de certas pessoas. No nono exemplo, haver-se significa portar-se, comportar-se, proceder. Na décima frase, haver-se equivale a entender-se, relacionar-se, arranjar-se. No décimo exemplo, muito elegante é a locução haver por bem, no sentido de decidir-se, resolver. E a última frase, com o verbo haver precedido pelo advérbio bem, expressa um bom desejo, uma previsão positiva a respeito de alguém.

Notou? Embora tenham sido colocadas apenas algumas possibilidades de emprego e significação, você faz uma boa ideia agora da riqueza expressiva de um só verbo da língua portuguesa. Imagine quantos mais oferecem essa gama de possibilidades.

Dá para perceber, agora, o grande repertório necessário para ser um bom escritor, não dá? Não se espante se não tiver conhecimento de boa parte dos empregos do verbo haver acima, bem como das próprias construções que provocam. Experimente consultar dicionários para familiarizar-se com os usos e os sentidos que ainda não conhecia. É um bom exercício, que não deve parar no verbo haver, mas alcançar muitos outros. O verbo é o sol, o núcleo do sistema da oração, e quanto mais formas verbais e suas variações de significado e capacidade de estruturação frasal dominarmos, mais flexibilidade e criatividade de discurso conquistaremos.

Compreendeu? Este é o filão da mina de diamantes do melhor discurso, exatamente aquele que você procura. Mãos à obra! Apreenda a ser um bom minerador!