Arquivo de 16 de abril de 2015

Leitura oral: a prova definitiva

quinta-feira, 16 de abril de 2015

A série de artigos postados neste blogue sobre as qualidades e defeitos das respostas a perguntas discursivas teve a intenção de fornecer a você instrumentos para garantir um índice maior de acerto ao responder, tudo com base no seguinte fato: não basta saber a resposta; é preciso saber responder. Se levar a cabo algumas das práticas sugeridas, pode ter certeza de que terá uma melhora acentuada em seu rendimento e em suas notas.

Há, no entanto, algo mais a dizer sobre o assunto, como espécie de uma última demão de tinta que o pintor aplica a uma parede para obter o melhor resultado final. Trata-se de uma forma de conferência de sua resposta, espécie de prova dos noves ou prova real do discurso com que respondeu a uma questão. Muitos jornalistas, escritores, pesquisadores e professores mantêm um hábito muito eficiente de fazer uma última correção em seus textos: ler em voz alta o que escreveram. A leitura de um texto em voz alta é um exclente método para descobrir cochilos no discurso, de apontar enganos de concordância, regência, emprego de vocábulos e até mesmo de ortografia. Quando deixamos de fazer essa última verificação, com toda a certeza tais cochilos só irão aparecer aos olhos da banca de correção, no caso de vestibulares e concurso, ou dos leitores, no caso de artigos jornalísticos, textos científicos de teses e dissertações, textos literários em prosa ou em verso. A permanência de tais errinhos até o final da redação se deve ao fato de estarem os escritores durante o processo de escrever mais preocupados com o conteúdo, com as ideias do que propriamente com a forma final de discurso que assumem.

É aí que entra o método final de triagem: a leitura em voz alta. Um texto assim lido revela claramente as virtudes e defeitos do escrito. É evidente que, no caso de provas de vestibulares, os candidatos não podem ficar lendo em voz alta o que respondem, pois os examinadores acabarão pensando que se trata de transmissão de informações de um candidato a outro, ou seja, de “cola”. O método, porém, pode ser aplicado em casa, nas simulações e exercícios, para fazer com que o candidato verifique sua eficácia. Na sala, durante as provas, a conferência deve ser feita em silêncio, com a mente simulando uma leitura oral. É mera questão de treinamento. E pode ter certeza de que, assim fazendo, conseguirá uma verdadeira prova real, final, do que respondeu, pois aqui e ali se deparará com os lapsos normais de discurso, um defeitinho de concordância, um deslize de regência, uma palavra cujo significado não se encaixa bem na resposta e deve ser substituída.

Para acreditar neste conselho, faça uma experiência e acostume-se a praticar o que escritores de talento têm como hábito. Perceberá como é efiente esta última demão de tinta em seu discurso. E não deixe de fazer o mesmo com seu texto de redação. É mais uma garantia de acerto e mais uma certeza de que sua nota se elevará.

Experimente. Funciona mesmo!