Arquivo de 25 de fevereiro de 2015

Um mito sobre o vestibular

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Como em todas as atividades humanas, os vestibulares também apresentam seus mitos, ou seja, representações de fatos exagerados pela imaginação das pessoas, particularmente dos estudantes que começam a vislumbrar no horizonte de suas vidas tais exames. Na verdade, trata-se de ideias falsas, sem correspondentes objetivos com fatos reais, o que as aproxima um tanto das chamadas superstições, que também resultam de interpretações subjetivas da realidade.

Um desses mitos dos vestibulares diz respeito à estratégia que alguns estudantes estabelecem para prestar as provas: sabendo que não dominam — e não dominam, muitas vezes, porque não gostam — certas disciplinas, tratam de “dar tudo” o que podem nas disciplinas em que encontram mais facilidade, acreditando que uma nota mais alta nestas “compense” as notas baixas em outras. Puro mito e, por isso mesmo, fonte de enganos e aborrecimentos, pois nada garante objetivamente que essa “compensação” vá realmente ocorrer. O mais provável é justamente o contrário, pois esse conceito de “dominar” ou “não dominar” consiste num julgamento do próprio candidato. Para quebrar o mito e colocar a questão no plano real, a atitude do estudante tem de ser alterada radicalmente: deve estudar muito as disciplinas em que costuma ir mal, porque seu calcanhar de Aquiles mora justamente nelas. É, mas eu não gosto delas! dirá um estudante. Pois aprenda a gostar, que aprenderá a render muito mais. Entenda que o vestibular não é apenas um mero concurso para a obtenção de vagas, mas uma forma de avaliação para verificar se o candidato está inteiramente (e não pela metade) preparado para a vida acadêmica. Este blogueiro conheceu uma estudante que nunca gostara muito de Matemática, Física e Estatística, procurando apenas quebrar o galho nessas provas. Acabou sendo aprovada, depois de passar maus momentos com as três disciplinas mencionadas, que julgou nunca precisaria num curso de Biologia. Pois precisou. E demais. E teve de aprender com muito esforço durante o curso o que já poderia ter aprendido muito antes. O interessante foi que opinou, quando formada, que aprendera também a gostar dessas disciplinas, pois percebera como eram importantes e como era importante a interdisciplinaridade em qualquer curso universitário.

Outro exemplo, de maior alcance, diz respeito à Informática. É claro que os jovens adoram seus computadores, seus celulares, seus tablets. Nem todos, porém, fazem qualquer esforço para ter razoável habilitação em programas de redação de textos, de elaboração de planilhas e gráficos, como também de manipulação de imagens e produção de vídeos. Os programas estão ali, pedindo para ser utilizados, mas muitos usuários se interessam apenas pelo superficial, tornam-se exímios em games, em redes sociais, em trocas de todos os tipos de mensagens. No curso superior, todavia, quando recebem tarefas que requerem a habilitação em programas como os mencionados, têm de começar do zero a aprendizagem dos softwares fundamentais e de outros utilizados nas diferentes disciplinas.

É isso aí. Cuidado com os mitos. Eles podem parecer verdades, mas nem meia verdades são. Pior que isso, geram obstáculos futuros construídos pelo próprio indivíduo, com base em manias do tipo gosto x não gosto ou numa falsa noção de praticidade baseada na desinformação: para que estudar isso, para que aprender aquilo,  se não vou precisar mesmo?

Puro engano. Você não imagina como vai precisar!