Archive for December, 2014

Agora, a virada!

Thursday, December 18th, 2014

Agora que a segunda fase do Vestibular Unesp está encerrada e que tudo correu como você esperava, resta aguardar os resultados, após a virada do ano. A palavra virada, especialmente na expressão virada do ano, parece um tanto coloquial, mas é bastante expressiva para caracterizar a expectativa, de um ano para o outro, das mudanças de tempo, de rumo, de realizações. Foi bastante empregada, aliás, quatorze anos atrás, na expressão Virada do Milênio.

O ano novo encerra sempre uma esperança e uma promessa: a esperança de que os próximos doze meses tragam uma bela alteração em nossas vidas, que nos encaminhará para uma situação bem melhor; e a promessa, nossa, de não perdermos as novas oportunidades que surgirem. O sucesso de um indivíduo na sociedade está na razão direta das oportunidades que sabe aproveitar.

Você, evidentemente, foi muito bem na segunda fase e conta com a aprovação. Sobretudo, merece a aprovação. Talvez ainda não tenha encerrado seus vestibulares, tendo alguns outros para fazer, com a mesma esperança de sair-se bem e ser aprovado, para poder ter a satisfação de, ponderando as possibilidades, o futuro e sua situação atual, escolher a instituição adequada e o curso que melhor satisfaça seu desejo.

Essa será, portanto, a guinada de sua vida. Fazendo um trocadilho, você sairá de uma missão comprida para os resultados de uma missão cumprida. O curso universitário trará realmente mudanças radicais em seu modo de viver, que os intelectuais costumam chamar, alatinadamente, modus vivendi. Todas essas alterações, porém, serão positivas, não se tratará mais de lutar para passar, mas de lutar por adquirir condições de exercer sua carreira, sua independência, sua cidadania, seus ideais, toda a sua vida, enfim.

Relaxe um pouco. Aproveite as festas de Natal e Ano Novo, certo de que o futuro que se aproxima será bom e lhe oferecerá as oportunidades para cuja conquista você demonstrar vontade, competência e garra.

Lembrando de uma bela série de filmes, nada melhor, neste final de ano, que lhe dizer, de todo o coração: Que a Força esteja com você!

 

No momento da prova, empatia!

Thursday, December 11th, 2014

Você por certo já ouviu ou leu a palavra empatia. Empregada originalmente pela Psicologia, tornou-se aos poucos popular, com o significado de identificação emocional que se sente por uma pessoa ou um objeto. Usa-se  este termo justamente para definir um forte e estranho sentimento por alguém que acabamos de conhecer, ou um objeto, uma paisagem, um lugar que estamos contemplando pela primeira vez. Talvez não seja bem este o sentido original empregado na Psicologia, mas, afinal, é o que costuma ser usado no dia a dia.

A palavra simpatia, bem mais utilizada, tem sentido bastante próximo ao de empatia, pois designa afinidade moral, afetiva, com outra pessoa, que por isso passa a ser considerada simpática. antipatia carrega acepção distinta, apontando para a aversão que se experimenta, muitas vezes de modo gratuito, injustificado, irracional, por alguém. Simpatia e antipatia são termos muitíssimo mais empregados que empatia.

Em dias que antecedem provas de vestibulares, parece bobagem ficar dissertando sobre tais palavras e conceitos. Não é bem assim. O Blogueiro está justamente encontrando uma ligação, uma relação entre tais termos e os exames. Qual? Algo que os próprios conselhos dados em livros e em sites da internet não focalizam. Fala-se em comer bem, dormir bem, chegar adiantado, cuidar da documentação, ler com atenção, etc., etc. Deixa-se de dar, porém, um conselho que pode ser vital para o bom desempenho de muitos candidatos: ter uma atitude receptiva, verdadeiramente empática para com as provas, vendo-as não como um obstáculo, mas como um degrau, não como algo estranho, mas algo da própria pessoa que busca resolver as questões. Vendo-as, enfim, como o caminho aberto para atingir seus objetivos, e um bom caminho.

Muitos candidatos a concursos e exames vestibulares se deixam levar por sentimento oposto, olhando para as provas como barreiras, como percursos montanhosos, plenos de perigos de queda. Não é uma boa atitude, pois acaba criando uma espécie de antipatia, de aversão, de repulsa, que só pode prejudicar o indivíduo. As provas, de fato, têm de ser consideradas como oportunidades, como instrumentos para o sucesso, para o êxito. Vale dizer: pontos de passagem de algo bom para algo muito melhor.

Faça isso. Pense sempre assim. Quando tiver a prova em mãos, procure sentir o que ela lhe traz de bom, identifique-se com ela, veja-a como um portal. Em assim fazendo, você não aprenderá milagrosamente mais do que já sabe, mas evitará um obstáculo que, gerado por você mesmo, poderia levá-lo a não conseguir mostrar tudo o que sabe.

Boas provas!

 

Redigir é também criar beleza

Monday, December 1st, 2014

Agora que se encerrou a primeira fase do Vestibular Unesp 2015 e se aproxima a segunda, de natureza discursiva, vale a pena abordar um aspecto que por vezes passa despercebido.

Muito se fala hoje em clareza, concisão, objetividade, especialmente no que se refere ao ensino de redação para vestibulares e concursos de acesso. Aqui mesmo, neste blogue, mais de uma vez esses atributos do discurso foram explicados, para que você tenha sempre em mente que, ao dissertar, não se pode dar ao luxo de perder o rumo da argumentação e enveredar pela obscuridade, pela prolixidade e pela subjetividade. Esses ensinamentos recebidos nas escolas, nos cursos preparatórios e nos sites especializados em vestibulares são corretos e, bem compreendidos, só podem auxiliá-lo a melhorar a capacidade de redigir.

Tudo isso, porém, não implica algo que os próprios livros e apostilas sempre apresentam nos textos de que lançam mão como exemplos, textos de grandes escritores, de grandes oradores, de grandes argumentadores. Há algo mais nesses textos que a mera obediência à clareza, à concisão, à objetividade. Observe, a título de exemplo, esta passagem de um discurso de Rui Barbosa:

 

De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,  o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.

Essa foi a obra da República nos últimos anos.

(Rui Barbosa. Obras completas. Vol. XLI, 1914, tomo III, Discursos parlamentares. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura / Fundação Casa de Rui Barbosa, [s.d.]. p. 86)

 

Uma beleza, não é? Ao mesmo tempo que argumenta com eficácia, o orador confere a seu texto máxima expressividade, servindo-se para isso de repetições que criam o paralelismo das orações e de uma disposição dos conceitos em crescendo, que conduz ao chamado clímax: De tanto ver triunfar as nulidades… a ter vergonha de ser honesto. A clareza, a concisão, a objetividade não são afetadas, muito pelo contrário, são reforçadas pelas escolhas operadas por Rui Barbosa em sua síntese do que acontecia na República naqueles também tumultuados anos da política brasileira.

Com que propósito o Blogue está focalizando este aspecto? Em primeiro lugar, para você perceber que há mais recursos que os usualmente usados para tornar um texto argumentativo mais eficiente, seja ele oral ou escrito. Em segundo lugar, para revelar uma constatação de quem vem acompanhando a evolução do ensino de redação desde há muito tempo. Não foram poucas as vezes em que o blogueiro presenciou opiniões de pessoas que condenavam os professores antigos e os gramáticos por defenderem a busca da beleza no discurso. Houve pessoas que passaram a ver a própria literatura como mau exemplo para o ensino da dissertação. É forçoso constatar hoje, no entanto, que a exigência da redação em vestibulares, desde fins da década de 1970, acabou produzindo, nestes últimos quarenta e poucos anos, gerações de estudantes cada vez mais hábeis no escrever. E é igualmente óbvio verificar que, como se observa todos os anos nos exemplos publicados de redações de vestibulares, vêm surgindo gerações de candidatos que escrevem cada vez melhor, que não se contentam mais com a mera obediência a preceitos de eficácia, mas buscam imprimir em seus textos a objetividade ao lado da beleza do fraseado, da boa escolha de palavras e expressões.

Você já pertence a essa geração, meu caro. Não tenha receio de exercitar-se em conferir a seus textos não apenas eficácia argumentativa, mas o dinamismo e a beleza que constituem o verdadeiro diferencial entre quem apenas escreve e quem escreve muito bem.