Arquivo de 12 de novembro de 2014

Enunciado x Alternativa

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

É bem possível que você nunca tenha observado com a devida atenção a relação formal que há entre o enunciado de uma questão, também chamado raiz, e as alternativas apresentadas como possíveis respostas. Para entender melhor esse aspecto, que pode ser vital ao o aperfeiçoamento de seu desempenho em provas objetivas, é bom partir de exemplos bastante simples. Note bem:

 

— Você é estudioso?

— Sim.

 

O exemplo acima revela uma das formas mínimas de díálogo por meio de uma interrogação total (aquela que indaga pela totalidade de um fato) e de uma resposta assertiva ou declarativa. Note que o conjunto das respostas possíveis à frase interrogativa total se limita a dois elementos: sim ou não. Claro que em vez de sim ou não pode-se responder sou, não sou, perfeitamente, claro, claríssimo, de jeito nenhum, etc., etc., mas estas e outras variáveis se reduzem, na prática, aos significados de sim ou de não. O conjunto de respostas das frases interrogativas totais, portanto, é fechado, limitado a duas possibilidades.

Observe agora:

 

— Quem é o artista mais simpático?

— Joãozinho.

 

A primeira frase é uma interrogativa parcial, que tem a peculiaridade de indagar por um conjunto muito amplo, aberto, de respostas. Como são muitos os artistas, 50 interlocutores poderão dar 50 respostas diferentes, dependendo do gosto e das inclinações de cada um.

Ora, muitas questões objetivas de exames vestibulares correspondem a este segundo modelo: são perguntas cujas respostas se enquadram em conjuntos abertos, de inúmeras respostas possíveis, portanto. A banca elabora cinco para escolha do candidato. Como são questões fundadas em conhecimento e lógica, das cinco respostas apresentadas apenas uma corresponde estritamente à interrogação como resposta correta.

Retornando ao último exemplo dado, observe que uma resposta redundante pode ilustrar muito bem o que estamos afirmando:

 

— Qual é o artista mais simpático?

— Joãozinho é o artista mais simpático.

 

Note que, sob o ponto de vista da estrutra sintática, as duas frases se correspondem perfeitamente.

Muitas questões objetivas de concursos  e exames vestibulares se apresentam sob essa forma de interrogação. Neste caso, as bancas elaboram cada alternativa para apresentar essa correspondência estrutural, embora pelo significado apenas uma deva ser a resposta correta. Se as alternativas fossem em número de dez, as bancas elaborariam dez alternativas correspondentes, sendo apenas uma correta. Por isso, é muito importante, durante as primeiras leituras, verificar esse fato, como forma até de ir eliminando as alternativas improváveis. Essa verificação, aliás, pode trazer alguma pista sobre a alternativa correta. Em concursos, por vezes, as bancas cochilam e deixam uma ou outra alternativa sem essa correspondência, o que não quer dizer que seja a correta; pode ser exatamente o oposto.

Obviamente, muitas questões objetivas apresentam enunciados em que a interrogação aparece apenas indiretamente, por meio, por exemplo, de frases imperativas do tipo: indique, aponte, determine,  explique, etc., etc. Mesmo nestes casos, vale a pena verificar a correspondência entre as alternativas e o enunciado, como forma de obter pistas para chegar à resposta correta.

Conclusão: a leitura atenta, com a análise da relação entre o enunciado e as alternativas, nas questões objetivas, é meio caminho andado para chegar à resposta correta.