Arquivo de 3 de outubro de 2014

Liberdade, igualdade, fraternidade

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Os vestibulandos se preocupam tanto em estudar, os professores em ensinar do melhor modo possível, os cursos preparatórios em reforçar os conhecimentos e preparar simulações, que, muitas vezes, acabamos deixando um pouco de lado certos valores básicos, sem os quais esse esforço não significa muita coisa em termos de civilização e humanidade.

O título deste artigo, que é o lema da Revolução Francesa, sintetiza de modo admirável esses valores. O direcionamento do estudante para os exames vestibulares e os cursos superiores, desde o ensino fundamental, pode ter como consequência o sentir-se cada vez mais indivíduo, cada vez mais centrado no próprio eu, como  guerreiro solitário que caminha para enfrentar sozinho um exército. Isso é bom? Não, porque contraria a própria noção de sociedade e de comunidade. Na sociedade humana ninguém está sozinho. Cada um de nós é uma parte que não exisitiria sem o todo, um todo que só é tal por suas partes.

Gregório de Matos, num soneto muito expressivo, diz na primeira quadra: O todo sem a parte não é todo, / a parte sem o todo não é parte, / mas se a parte o faz todo, sendo parte, / não se diga que é parte, sendo todo.

O que estará querendo dizer o Blogueiro ao unir num mesmo artigo o lema da Revolução Francesa e uma quadra de Gregório de Matos? pensará você. Algo muito simples e ao mesmo tempo muito profundo e essencial: ao ingressar num curso universitário, o estudante não está só, não luta por si mesmo apenas, luta por toda a sociedade, por todas as pessoas. E nesse lutar não pode jamais esquecer-se dos valores que, magistralmente sintetizados no lema da Revolução Francesa e expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada a 10 de dezembro de 1948 pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), devem fundamentar a vida em sociedade: todos os homens são livres, todos os homens são iguais, todos os homens são irmãos.

Sem esses valores, uma carreira profissional, universitária ou não, é vazia e sem sentido. Pode-se dizer que uma vida sem esses valores é vazia e sem sentido.  Por isso mesmo, ao tentar ingressar num curso universitário o estudante deve estar imbuído do alcance e do desdobramento desses valores: está lutando por si e por todos. E, quando formado, estará trabalhando por si e por todos. Como disse Gregório: O todo sem a parte não é todo, / a parte sem o todo não é parte.

Utopia? Nada disso. Realidade. A universidade, desde que surgiu, caracterizou-se, por meio do estudo e da pesquisa científica livre, pela defesa dos ideais de justiça e de solidariedade, afrontando inclusive corporações, religiões e sistemas políticos que pretendiam ter sempre a última palavra em termos de conhecimento e de comportamento humano.

Sem as universidades e toda a ciência que produzem, o mundo hoje seria realmente muito pior, talvez até mesmo o oposto do que prega o lema da liberdade, igualdade e fraternidade. Ao conquistar sua vaga, caro vestibulando, portanto, você não está só, você está na sociedade, você é a sociedade cujos valores estão representados em seus sonhos e anseios individuais. Viva esses valores. Viva por esses valores.