Archive for October, 2014

Vestibular Unesp 2015: 101.014 candidatos

Friday, October 31st, 2014

Se você quer um bom exemplo que lhe sirva de símbolo na luta que trava para ingressar no curso superior com que sonha, bem como para o sucesso que pretende alcançar em sua futura profissão, pense na Unesp. Criada em 1976 pela união de faculdades e institutos isolados de diversas cidades do estado de São Paulo, a Unesp tinha um grande desafio pela frente: harmonizar como um todo as unidades que a constituíam e progressivamente desenvolver-se como uma universidade à altura de suas coirmãs mais velhas, a Usp e a Unicamp.

Era realmente um grande desafio, numa época também desafiadora, em que no nível mundial os países enfrentavam crises econômicas sucessivas e predominava a chamada Guerra Fria; no nível nacional, se vivia a ditadura militar desde 1964 e o aumento progressivo de movimentos sociais e políticos que defendiam o retorno da democracia plena. No plano econômico, o país passava por sérias dificuldades como muitos outros da América Latina, com a inflação alta, o desemprego e a grande dificuldade dos governantes em criar uma infraestrutura industrial adequada para embasar todas as demais atividades econômicas e gerar empregos. Toda a década de 80, neste sentido, foi caracterizada pela hiperinflação, que debilitava ainda mais a economia do país e corroía o salário dos assalariados. Nesse panorama, que na época parecia muitas vezes assustador, o país tinha consciência cada vez mais clara de que era necessário investir na educação básica e no ensino superior.

Enfrentando inúmeras dificuldades dentro desse quadro mundial e nacional, a Unesp foi, aos poucos e não poucas vezes com grandes dificuldades de ordem financeira, se consolidando, ampliando o número de seus cursos, encampando unidades em diferentes municípios e criando uma política de expansão para atingir a maior parte das regiões do Estado. Um dos cuidados maiores, concomitantes, era fazer com que seus cursos tivessem  cada vez maior qualidade.

A partir da década de 90, o país foi conseguindo livrar-se da hiperinflação e conseguiu estabilizar a economia. A Unesp continuou seu processo de crescimento, criando unidades em municípios do Estado que ainda não possuíam ensino superior público, ampliando o número de cursos e a oferta de vagas em todas as unidades e desenvolvendo-se cada vez mais na pesquisa, no ensino e na extensão de serviços à comunidade.

O resultado de todo esse crescimento é, hoje, uma universidade forte, presente em todas as regiões do Estado, com cursos de qualidade, intercâmbios com universidades de outros países e uma produção científica considerável, que a coloca sempre entre as primeiras do país e a faz subir cada vez mais no ranking internacional das universidades.

Deste modo, o fato de, para o vestibular de 2015, estarem inscritos 101.014 candidatos ilustra muito bem essa escalada vitoriosa de nossa universidade. São oferecidas 7.260 vagas em 174 cursos em unidades localizadas em 23 cidades do estado de São Paulo.

A Unesp, cujo vestibular você prestará proximamente, é, assim, um verdadeiro símbolo de luta, de valor, de otimismo, de crença no presente e certeza de um futuro cada vez mais brilhante.

Você é assim também. Sabe aonde quer chegar e sabe que chegará, porque tem talento e garra para consegui-lo. Como a Unesp, que é nosso símbolo e em breve será também o seu.

 

A menos de um mês das provas, atitude positiva

Friday, October 24th, 2014

A Natureza faz cada pessoa um ser singular, único, irrepetível. A Sociedade, com suas normas, seus padrões, seus costumes, tende a unificar os modos, os comportamentos, os desejos, os objetivos. No meio dessas forças, você de repente se vê como no interior de um vagão vazio que pende ora para lá, ora para cá e o vai fazendo deslizar de um ponto a outro segundo a direção e o nível que o trem assuma.

Um vestibular é algo semelhante: você se vê um ser único, mas com os mesmos anseios dos outros em atingir a linha de chegada. E por isso passa por um longo processo, a educação básica, para assimilar as mesmas habilidades que todos e, ao mesmo tempo, para diferenciar-se nesse processo, tentando dominar melhor que os outros, ou, pelo menos, que muitos outros, tais habilidades.

Qualquer que seja a profissão, universitária ou não, que um indivíduo escolha, terá de exercer esses mesmos papéis: ao mesmo tempo que se integra e se iguala, tem de se distinguir. Os vencedores são aqueles que conseguem harmonizar melhor esses diferenciais.

Agora, a menos de um mês das provas, você se pergunta se fez tudo direitinho para chegar ao ponto, se não deixou escapar muita coisa, no meio do trajeto, que poderá fazer falta no final. E se outros conseguiram fazer melhor que você?

A dúvida é válida, mas não se preocupe tanto com ela. Só por exceção alguma pessoa consegue não perder em nenhum momento a concentração ao longo de qualquer trajeto. O normal do ser humano não é a atitude robótica, exata, é o buscar sempre acertar, sabendo que, volta e meia, errará.

A menos de um mês das provas, deste modo, não cabem mais nem excesso de otimismo, nem acessos de arrependimento. Você é um ser humano normal, acertou em muitos pontos, errou em outros, está chegando ao destino com algumas dúvidas perfeitamente naturais. Aqui não cabe desespero, mas realismo: poderá resolver todas as suas dúvidas até a prova e eliminar todas as carências nestes ou naqueles conteúdos? Claro que não. Poderá, porém, fazer uma triagem, escolher aquelas dúvidas que pode resolver com o auxílio de professores, colegas e da internet. Com calma. Forçando a frieza do comportamento. Mas sem exageros de fazer seu corpo ficar carente de horas de sono. O sono, um bom sono, é um processo positivo e necessário ao nosso corpo. Durma o que for necessário, para que, de dia, cabeça limpa e alerta, assimile com mais facilidade suas revisões. Dê uma chance também ao lazer, que é fundamental para desanuviar a mente. Corpo e espírito equilibrados são chaves-mestras para abrir as portas do sucesso em qualquer empreendimento. Outra não menos importante é olhar para os fatos procurando ver o que os fatos são, e não o que você quer que sejam. Com essa postura realista e otimista, um mês é um período que pode ser muito positivo, talvez até decisivo para conquistar sua meta.

E tenha sempre em mente que a vitória, qualquer que seja a atividade, nem sempre é do mais talentoso, mas do mais equilibrado e dedicado. Valeu?

 

Rascunhar é planejar

Tuesday, October 14th, 2014

Muitos estudantes, desde as primeiras séries do ensino fundamental, se revelam avessos ao rascunho. Querem resolver tudo direto. Preferem, nos casos de disciplinas como língua portuguesa, geografia, história, ciências, escrever diretamente as respostas a questões e depois ir apagando o que erraram. E, no caso de matemática, escolhem fazer os cálculos diretamente e resolver os problemas “de cabeça”. O resultado, nos cadernos e provas, é sempre uma borradeira total, com passagens mal apagadas, palavras emendadas, uma bagunça generalizada. Resultado: cadernos em estado lamentável e perda de pontos preciosos em provas pelo fato de os professores não conseguirem entender as respostas assim tão mal escritas, sem falar nos erros cometidos pelo simples fato de não colocar no papel, de modo sistemático, os dados.

Ao longo do ensino médio, os estudantes são permanentemente estimulados a se tornarem objetivos na solução de questões, e parte dessa objetividade consiste exatamente no hábito de rascunhar antes de responder. Muitos estudantes, no entanto, persistem em seus “sistemas” de buscar respostas sem o socorro a anotações, confiando inteiramente em sua capacidade de armazenar dados simultâneos na memória e não economizando bravatas para justificar seu “poder” de memorização. Isso pode dar certo? Pode até dar, mas acaba sendo sempre um desafio aos perigos trazidos pelo acaso, que a chamada Lei de Murphy tão bem estabelece com seu princípio fundamental e possibilidades deste decorrentes.

Talvez uma das razões para essa aversão ao rascunho provenha do modo como considera o estudante o próprio sentido comum da palavra e até mesmo de sua forma sonora. Afinal, não se pode dizer que r-a-s-c-u-n-h-o seja lá um belo vocábulo, nem que seu sentido carregue um conteúdo grandemente animador. Rascunhar, para muitos, é garatujar, rabiscar. Grande engano! O rascunho, na verdade, constitui o primeiro passo para um caminho correto. Famosos projetos de arquitetos ilustres começaram com rascunhos, verdadeiros rabiscos em que os artistas buscaram fixar no papel, para não perder na mente, as ideias e as linhas fundamentais que sua criatividade, funcionando a todo vapor, lhes estava fornecendo naquele mesmo instante. Sabemos, por experiência própria, que muitas vezes deixamos de anotar uma boa ideia e, algum tempo depois, quando vamos desenvolvê-la, já a esquecemos. Em resumo: deixamos de escrever um esboço, quando a ideia nos veio, e depois passamos pelo aborrecimento de tentar lembrá-la, quase sempre sem sucesso.

O rascunho, portanto, não é um apêndice inútil e precário daquilo que pretendemos fazer: é o início necessário da solução de um problema, da elaboração de um projeto, da criação de um texto, uma obra, um empreendimento. É o modo acertado, enfim, de começar algo desde o começo, com segurança e objetividade.

Rascunhar não é perder tempo. É planejar para ganhar eficácia. Pense nisso!

 

Liberdade, igualdade, fraternidade

Friday, October 3rd, 2014

Os vestibulandos se preocupam tanto em estudar, os professores em ensinar do melhor modo possível, os cursos preparatórios em reforçar os conhecimentos e preparar simulações, que, muitas vezes, acabamos deixando um pouco de lado certos valores básicos, sem os quais esse esforço não significa muita coisa em termos de civilização e humanidade.

O título deste artigo, que é o lema da Revolução Francesa, sintetiza de modo admirável esses valores. O direcionamento do estudante para os exames vestibulares e os cursos superiores, desde o ensino fundamental, pode ter como consequência o sentir-se cada vez mais indivíduo, cada vez mais centrado no próprio eu, como  guerreiro solitário que caminha para enfrentar sozinho um exército. Isso é bom? Não, porque contraria a própria noção de sociedade e de comunidade. Na sociedade humana ninguém está sozinho. Cada um de nós é uma parte que não exisitiria sem o todo, um todo que só é tal por suas partes.

Gregório de Matos, num soneto muito expressivo, diz na primeira quadra: O todo sem a parte não é todo, / a parte sem o todo não é parte, / mas se a parte o faz todo, sendo parte, / não se diga que é parte, sendo todo.

O que estará querendo dizer o Blogueiro ao unir num mesmo artigo o lema da Revolução Francesa e uma quadra de Gregório de Matos? pensará você. Algo muito simples e ao mesmo tempo muito profundo e essencial: ao ingressar num curso universitário, o estudante não está só, não luta por si mesmo apenas, luta por toda a sociedade, por todas as pessoas. E nesse lutar não pode jamais esquecer-se dos valores que, magistralmente sintetizados no lema da Revolução Francesa e expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada a 10 de dezembro de 1948 pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), devem fundamentar a vida em sociedade: todos os homens são livres, todos os homens são iguais, todos os homens são irmãos.

Sem esses valores, uma carreira profissional, universitária ou não, é vazia e sem sentido. Pode-se dizer que uma vida sem esses valores é vazia e sem sentido.  Por isso mesmo, ao tentar ingressar num curso universitário o estudante deve estar imbuído do alcance e do desdobramento desses valores: está lutando por si e por todos. E, quando formado, estará trabalhando por si e por todos. Como disse Gregório: O todo sem a parte não é todo, / a parte sem o todo não é parte.

Utopia? Nada disso. Realidade. A universidade, desde que surgiu, caracterizou-se, por meio do estudo e da pesquisa científica livre, pela defesa dos ideais de justiça e de solidariedade, afrontando inclusive corporações, religiões e sistemas políticos que pretendiam ter sempre a última palavra em termos de conhecimento e de comportamento humano.

Sem as universidades e toda a ciência que produzem, o mundo hoje seria realmente muito pior, talvez até mesmo o oposto do que prega o lema da liberdade, igualdade e fraternidade. Ao conquistar sua vaga, caro vestibulando, portanto, você não está só, você está na sociedade, você é a sociedade cujos valores estão representados em seus sonhos e anseios individuais. Viva esses valores. Viva por esses valores.