Archive for September, 2014

Cerque os cercas e os acercas

Wednesday, September 24th, 2014

No artigo postado na semana que passou, o Blogueiro tratou de uma questão importante: o uso da forma verbal e da preposição a para expressar tempo. Ainda não havia terminado, quando se lembrou de outras expressões com que o estudante deve preocupar-se, para não escrever o contrário do que pretende em suas respostas a questões dissertativas de qualquer disciplina ou, mesmo, em sua redação. Preste bem atenção nestas palavras e locuções: cerca, cerca de, a cerca de, acerca, acerca de, há cerca de. Parece uma confusão, não parece? É possível que você nunca tenha notado essas diferenças e escreva do jeito que as palavras vêm à cabeça, não é?

Pois bem. Dá para simplificar e explicar. Em primeiro lugar observe que, se você consultar um bom dicionário, verificará que existe a palavra cerca como substantivo, com o significado de obra de madeira, pedra ou tijolo que rodeia um terreno:

 

A cerca da casa está em estado precário.

 

Existe, entretanto, outra palavra cerca que funciona como advérbio, com os significados de perto, junto, próximo, nas imediações, quase pouco mais ou menos. Talvez você nunca tenha ouvido nem lido, mas esteja preparado para frases como esta: Cerca havia uma fazenda de gado. Quer dizer: Perto havia uma fazenda de gado. Com certeza, porém, você já ouviu, leu e até escreveu frases como: Minha irmã emagreceu cerca de vinte quilos. Ou também: O vulcão entrou em erupção cerca de dez horas depois de nossa chegada. Ou ainda: A cerca de cinco quilômetros fica a casa de meu tio. Nesses três exemplos, cerca de equivale a mais ou menos, aproximadamente.

Acerca é também um advérbio que pode ser equivalente a perto, próximo, vizinho; a respeito, sobre, com relação a. Observe os exemplos: O conferencista falou por duas horas acerca da energia elétrica (ou seja, sobre, a respeito de). Nossas dúvidas acerca da nova lei da previdência são justificadas (ou seja, com relação a, com respeito a).

Até este ponto, não há nenhum grande problema. É preciso, porém, muito cuidado para não confundir a cerca de com há cerca de. A semelhança é apenas de sonoridade, nada mais. Observe:

Trabalho nesta empresa há cerca de 14 anos.

 

Esta frase equivale a esta outra: Trabalho nesta empresa há aproximadamente 14 anos. E observe agora esta frase:

 

Você vai caminhar até chegar a cerca de dez quadras da escola.

 

Esta frase equivale a esta outra: Você vai caminhar até chegar a umas dez quadras da escola.

Percebeu? Fez a relação com o artigo anterior? Então entendeu por que o Blogueiro julgou necessário escrever sobre todos estes cercas e acercas. Ops! Você notou que ao dizer “estes cercas e acercas” o Blogueiro transformou os dois advérbios em substantivos, tal como fazemos ao dizer o porquê, os porquês?

A Língua Portuguesa é fantástica, não é?

 

A, A, À, HÁ, AH!

Wednesday, September 17th, 2014

Um texto de jornal online deixou o Blogueiro, como diz o povo para expressar grande susto, de cabelos em pé! Era uma notícia sobre política, que vai citada aqui com algumas alterações para evitar reclamações dos citados:

 

Não se pode acreditar que, há quatro meses do fim do ano, algum ministro tenha tanta imaginação para afirmar que em dezembro todos os problemas do país estarão resolvidos.

 

Parece uma frase comum, de conteúdo crítico, daquelas que todos os dias lemos nos jornais. Mas espere! Opa! Leia bem a primeira linha e descubra o verdadeiro ataque à Língua Portuguesa que a frase encerra: quatro meses do fim do ano!!

Não é para ficar de cabelos em pé, mesmo?  O verbo haver, quando usado para expressar um fato que já ocorreu, é empregado na terceira pessoa do singular:

 

Há dois anos ocorreu um abalo sísmico no litoral do Chile.

 

No texto do jornal, porém, o redator usou a forma verbal indevidamente, em lugar da preposição a. Deveria ter escrito, portanto,

 

Não se pode acreditar que, a quatro meses do fim do ano, algum ministro tenha tanta imaginação para afirmar que em dezembro todos os problemas do país estarão resolvidos.

A preposição a, nessa frase corrigida, expressa exatamente o que quis dizer o redator, ou seja, a relação entre o tempo atual e um ponto do tempo futuro, como se pode verificar neste exemplo forjado pelo Blogueiro:

 

Estamos a duas semanas das eleições.

 

Entendeu bem o problema? Pois tome bastante cuidado ao responder questões discursivas de qualquer disciplina ou ao escrever suas redações em vestibulares. Uma troca como a comentada acima pode fazer com que uma resposta que você sabe apresente uma redação equivocada, que será considerada errada.

Não custa observar e fazer uma revisãozinha nessa questão da representação do /a/ em Língua Portuguesa: a pode ser artigo definido (a garota), a pode ser preposição (daqui a três dias viajarei para Londres), à é a forma de representar na escrita a crase entre a preposição a e o artigo definido a, é a forma que o verbo haver assume na terceira pessoa do singular do presente do indicativo e, finalmente, ah! é uma interjeição em cuja pronúncia geralmente fazemos um alongamento, o que explica a forma com que é representada com h e ponto de exclamação, já que interjeições desse tipo equivalem a palavras-frase com conteúdo emotivo.

Parece uma charada, não? Claro que parece. Não deixe, porém, que uma inadequada solução dessa pequena charada possa fazer de suas respostas charadas maiores.

 

Profissional de Educação Física: uma bela carreira

Monday, September 15th, 2014

O primeiro dia do mês de setembro é dedicado ao profissional de Educação Física.  Em alguns jornais e sites da internet a data foi lembrada, bem como em alguns eventos oficiais. Nem todos, porém, deram a devida atenção a esse fato nem ao que representa.

Na atualidade, a cultura física e esportiva não é mais um fenômeno limitado a algumas categorias de indivíduos, mas a todos, de todas as idades. O profissional de Educação Física vem sendo muito requisitado em nosso país e no mundo inteiro, e isto não apenas em função do grande desenvolvimento da prática de esportes, quer profissionais, quer amadores. Desde fins do século XX até a presente data, a humanidade acordou para o fato de que a atividade física regular é um dos principais fatores da boa saúde para todos os indivíduos. Não cabe, todavia, qualquer forma de improviso. Os profissionais formados por universidades dominam todos os fundamentos teóricos e práticos para orientar os praticantes a um desenvolvimento gradativo e seguro. Sem isso, o esperado benefício pode transformar-se em sério risco.

No Brasil, assistimos hoje a um desenvolvimento muito grande da cultura física. As pessoas se precupam com o corpo, quer em termos de resistência e desempenho, quer em termos de estética. Por vezes, associam-se essas duas preocupações, com os indivíduos buscando as práticas esportivas ao mesmo tempo que a bela aparência de suas linhas corporais. As calçadas, especialmente das praças e locais de recreação, ficam lotadas de pessoas que se dedicam a caminhadas, corridas, exercícios. Muitas prefeituras instalam equipamentos em logradouros públicos. As academias de ginástica e musculação se multiplicam. Tudo isso, evidentemente, é muito bom, é ótimo, significa a instauração de uma mentalidade bastante positiva e a valorização dos profissionais que orientam tais práticas. Estes, aliás, devem ser considerados indispensáveis e insubstituíveis para que os procedimentos físicos sirvam como alavanca a uma maior resistência e saúde.

Houve tempo em que a formação de profissionais nesse campo era vista como limitada aos esportes profissionais e amadores. E, como os esportes profissionais, em nosso país, limitavam-se a dois ou três, com predomínio quase absoluto do futebol, pois os demais eram praticamente amadorísticos, não se considerava a Educação Física uma profissão das mais promissoras. Esse panorama vem mudando bastante, de modo que, hoje, como comentado nos parágrafos anteriores, o profissional de Educação Física é realmente um dos mais requisitados, com um vasto e variado campo de trabalho a sua escolha, inclusive com a possibilidade de tornar-se um empreendedor muito bem sucedido.  Com a realização da próxima Olimpíada no Brasil, de resto, talvez  os governantes finalmente acordem para o fato de que o incremento ao esporte olímpico não representa apenas uma fonte de medalhas para o país vangloriar-se, mas atua como alimentador poderoso de uma concepção voltada para a valorização do corpo, da saúde e da própria vida de todo o povo brasileiro.

Se você escolheu esse campo para prestar seus vestibulares, não tenha dúvidas de que optou por um grande horizonte de possibilidades profissionais, já que a cultura da atividade física, no mundo todo, é um processo realmente irreversível, que só tende a aumentar e intensificar-se e os profissionais da Educação Física são os pilares dessa concepção de vida saudável e prazerosa a todas as pessoas. Felizmente, nesse caminho a humanidade acertou em cheio.

 

Cinco atitudes que o estudante não deve ter

Friday, September 5th, 2014

Todos sabem que a melhor forma de motivação é a positiva, é mostrar as vantagens, as conquistas, as vitórias, os prêmios que se podem obter com uma dedicação maior ao estudo ou ao trabalho. Focalizar o aspecto negativo, todavia, algumas vezes pode ter utilidade, talvez até grande utilidade. É o que acha este Blogueiro, sempre preocupado com o sucesso de todos os vestibulandos. Se pudesse, ele faria o milagre de criar vagas para todos os candidatos. Infelizmente, o mundo ainda não é capaz de oferecer tudo o que as pessoas anseiam. Por isso, em numerosos campos de atividade, os indivíduos estão mergulhados em concorrência permanente. E, muitas vezes, dura concorrência.

Assim, o Blogueiro desta vez não sugere o que deve o candidato fazer; recomenda o que não deve. Não se trata, é claro, como diz o povo cristão, de ensinar o padre a rezar missa, mas de explorar mais um viés para ajudar os candidatos em sua tarefa verdadeiramente hercúlea.

Afinal, o que não deve fazer o candidato, quer em concursos profissionais, quer em vestibulares? O Blogueiro imagina poder sintetizar em cinco atitudes.

Primeira atitude – Deixar de acreditar no sucesso. De jeito nenhum! Jamais deixe de acreditar no sucesso, caro vestibulando, porque a vitória não é algo que se recebe, é algo que se conquista pelo esforço e pela dedicação pessoal. Pode demorar, mas virá. Fora com todos os pessimismos e derrotismos!

Segunda atitude – Limitar-se às apostilas escolares ou do curso pré-vestibular. Nem pensar, meu caro! Por mais bem feitas que sejam as apostilas do ensino médio ou do cursinho, nem sempre contêm elas os melhores conceitos, os melhores exemplos, as mais fáceis explicações. Não se limite a isso. Há ene apostilas de ene cursos, muitas vezes abandonadas em casas de parentes ou conhecidos. Busque obter algumas. Consulte-as sobretudo naqueles pontos em que as suas não dão conta de resolver dúvidas. Uma delas dará. Certo pesquisador disse ao Blogueiro um dia que, mesmo fazendo pesquisa na universidade, não desprezava livros e apostilas escolares, pois algumas vezes tinha neles e nelas encontrado melhores explicações e exemplos do que em tratados universitários.

Terceira atitude – Subutilizar a internet. Esta atitude é pouquíssimo moderna. Sabe você o que é subutilizar? É usar um equipamento bem abaixo das possibilidades de uso que esse equipamento apresenta. É não tirar todo o proveito, todas as vantagens que um instrumento nos oferece. É subaproveitar algo. Entendeu? Então, nada de subutilizar a internet, que é o grande instrumento da comunicação, da informação e do conhecimento hoje, em nosso planeta. É bom jogar uns gamezinhos? É. É bom passear nas redinhas ou redonas sociais? Claríssimo que é. Mas, convenhamos, ficar só nisso é como pedir para um mamute carregar uma caixa de fósforos vazia! A internet chegou a tal ponto que uma pessoa que nada sabe de Matemática pode tornar-se um matemático de primeira, navegando pelos sites que oferecem de graça conhecimentos e exercícios. Se todos os seus livros e apostilas não lhe resolveram as dúvidas, em algum ponto da rede você resolverá. Nossos pais e avós, muitas vezes, lamentavam-se por não haver lido, em sua juventude, determinados livros que lhes seriam importantes no futuro. Imagine o que nós não reclamaremos no futuro se fizermos uma subutilização daquilo que se oferece na web?

Quarta atitude – Não troque livros por resumos. Resumos foram escritos conforme o ponto de vista de quem resumiu. Resumir, de certo modo, é distorcer. Leia, entenda e resuma você mesmo. A propósito, não leia por obrigação. Faça da leitura de livros de qualquer natureza um hábito para toda a sua vida. Quem não lê não cresce intelectualmente, marginaliza-se com relação aos principais problemas que envolvem o homem e a sociedade. Os livros de todos os gêneros e assuntos são uma herança cultural, civilizacional muito grande a que não podemos renunciar. Com e-readers e tablets, hoje não há mais desculpas para deixar de ler. O Blogueiro está neste momento na metade da leitura de um livro sobre a Idade Média verdadeiramente fantástico, que esclarece numerosos pontos sobre esse período da História da Humanidade.

Quinta atitude – Nos dias de provas, não menospreze a Lei de Murphy, cujo principal postulado é: Tudo o que pode dar errado dará. Prepare-se para o dia. Verifique diariamente os documentos que apresentará para ingresso nos locais de provas. E planeje até como conduzir em segurança no dia das provas esses documentos, no bolso da calça, da blusa, da camisa. Onde estarão mais seguros, inclusive em caso de um pequeno acidente? E nessa história do trajeto, imagine sempre que é melhor chegar muito cedo que um pouquinho tarde. Em tempo: não banque o faquir. Você é um ser humano comum. Para desempenhar bem suas atividades, precisa estar bem alimentado, bem nutrido, com a saúde em dia.

Estão aí as motivações de hoje. Todas começam com um não faça e terminam com um faça, o que equivale a dizer que o aspecto negativo é apenas um modo de chamar atenção para o positivo. Pense bem e acrescente outras que foram aqui esquecidas. E quando prestar seu vestibular, passe bem.