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Meio de ano: a hora é agora!

Wednesday, July 23rd, 2014

Com a divulgação da primeira chamada do Vestibular Meio de Ano da Unesp, podem ser feitas algumas reflexões sobre os chamados vestibulares de inverno ou de meio de ano. A primeira é que resultam tais vestibulares do esforço permanente das universidades pelo aumento do número de cursos e de vagas para os vestibulandos. Esta é, aliás, uma das preocupações constantes das universidades públicas brasileiras: propiciar continuamente aos vestibulandos a oportunidade de ingressar em seus cursos. Isto significa que as instituições públicas de ensino superior estão fazendo sua parte, estão honrando seu compromisso com a população brasileira.

A segunda reflexão diz respeito à qualidade dos próprios cursos. As universidades públicas brasileiras são, reconhecidamente, aquelas que oferecem cursos de mais alto nível, com maior qualidade de formação. A leitura deste fato deve ser feita na oferta de novos cursos, que terão também a qualidade dos demais. O vestibular de inverno tem o mesmo conceito do vestibular de fim de ano e os cursos oferecidos o mesmo selo de qualidade.

A terceira reflexão tem a ver com a época desses vestibulares, a metade do ano. Por quê? Por que tais cursos são oferecidos nesse período? Não poderiam ser oferecidos no final do ano também? Evidentemente, há mais de um motivo para justificar tal escolha. O principal deles tem relação com o caráter de semestralidade das disciplinas e a data de aprovação desses cursos pelos órgãos superiores de cada universidade. Aprovado um novo curso, pode-se colocá-lo na pauta dos exames, mas nem sempre de modo imediato. Um curso aprovado no segundo semestre de 2014 não poderá, por razões de planejamento, ser oferecido já no vestibular de dezembro, que foi antecidamente planejado tanto em termo de cursos, quanto em termos de aplicação. Trata-se de uma verdadeira logística, que não pode ser mais alterada em nenhum de seus aspectos. Será contraproducente, porém, esperar o próximo vestibular de dezembro do ano seguinte para oferecê-lo. Há jovens ávidos de ingressar em cursos superiores, cujos anseios precisam ser atendidos o mais rapidamente possível. Os vestibulares de meio de ano, assim, surgem como parte da logística da universidade em sua oferta permanente de novos cursos.

Uma quarta e última reflexão ainda pode ser feita, relacionando-se as características acima apontadas e as decisões tomadas pelos próprios candidatos. Alguns deles consideram os vestibulares de meio de ano como menos charmosos que os de final de ano, e atribuem esse menor charme a uma suposta menor qualidade dos cursos oferecidos. Trata-se de uma inferência totalmente errada. Como ficou dito acima, instituições como as universidades públicas, cujos cursos são de primeira linha, só podem oferecer, no meio de ano, cursos com a mesma qualidade. Os novos cursos, quer no vestibular de final de ano, quer no vestibular de meio de ano, atendem ao interesse permanente das instituições públicas de propiciar a formação de alto nível que as caracteriza.

Deste modo, cabe aos candidatos a escolha consciente: uma vez aprovados, é agarrar a vaga e não largar, pois sua excelente formação profissional na carreira estará garantida, desde que, é claro, deem eles também a sua parte. E aqui cabe uma última ponderação: embora os cursos oferecidos pelas universidades públicas sejam todos de altíssimo nível, é possível que um estudante se forme com menor rendimento que outros? Claríssimo que é, caso ele, estudante, não faça o esforço suficiente para honrar a oferta de qualidade que a universidade coloca em seus cursos. Falando com bom senso, esta é e continuará sendo sempre a realidade da educação, qualquer que seja o nível: os estudantes podem formar-se com maior ou menor qualidade, dependendo do rendimento que apresentem ao longo dos cursos, vale dizer, dependendo da sua maior ou menor determinação e aplicação aos estudos e tarefas que têm de cumprir para obter o diploma. Em resumo: todos os estudantes de universidades públicas se formam com qualidade suficiente, mas alguns se formam com qualidade máxima, em virtude de seu próprio esforço.

Pense nisso. Pense que as universidades públicas brasileiras estão cumprindo a sua parte, oferendo cursos de altíssima qualidade em vestibulares de meio e de fim de ano. E pense em cumprir também a sua parte com a altíssima qualidade de sua aplicação durante o curso.