Arquivo de 10 de junho de 2014

E aqueles conteúdos, para que aprender?!

terça-feira, 10 de junho de 2014

 

Você por certo já ouviu muita gente reclamar de questões sobre alguns conteúdos de diferentes disciplinas em vestibulares: não deviam cobrar isto de matemática, aquilo de física, isto de biologia, aquilo de química, isto de língua portuguesa, aquilo de história, e assim por diante. Reclamar, obviamente, é um direito, mas é preciso saber do que se reclama, caso contrário a razão, como diz o povo, vai para o brejo.

Vale aqui um exemplo simples e esclarecedor na área de linguagens. Você se lembra de que já no terceiro ano do ensino fundamental sua apostila de língua portuguesa começa a explorar as noções de sílaba, sílaba tônica, sílaba átona, rima e ritmo, aproveitando para isso sobretudo os textos de poesia colocados para interpretação. No quarto ano essas noções são mais desenvolvidas, já surgem os conceitos de verso e de prosa, de ritmo e de rima bem mais consolidados. A maioria das crianças adora. E assim, ao longo do fundamental, esse conhecimento é inteiramente absorvido e consolidado pelos estudantes, a ponto de, lá pelo oitavo e nono anos, ou menos, muitos se tornarem capazes de reconhecer, em letras de músicas populares que ouvem e cantam, os tipos de verso utilizados, bem como as rimas. Os conteúdos de teoria e de prática musical que se associam aos de versificação se tornam também causas desse processo de assimilação.

No ensino médio esses conceitos são todos mobilizados para a literatura e a arte, de sorte que, ao formarem-se, muitos estudantes se tornam capazes até de compor poemas e letras de canções.

Traduzindo, isso significa dizer que a versificação não deixa de ser uma espécie de linguagem dentro da linguagem, é a língua portuguesa submetida a regras de ritmo e de musicalidade, que surge frequentemnte associada à música propriamente dita sob a forma da canção. Apesar dessa obviedade, algumas pessoas julgam que tal aprendizado é dispensável, Uma refutação prática dessa opinião consiste no fato de que muitos estudantes se encaminham para as profissões da literatura e da música popular, tornando-se poetas, cantores e compositores, alguns chegando a atingir as alturas da fama. E se não tivessem recebido aqueles ensinamentos sobre poesia, versificação e música? E se os professores houvessem dito a todos, sistematicamente, que poesia e música são perda de tempo, pois há coisas mais importantes para estudar? Muitos talentos para a música e a poesia seriam bloqueados, inibidos ou, como se diz coloquialmente, morrido na casca.

Essa é a resposta a reclamações sobre a pertinência de certos tópicos de linguagens (língua portuguesa, língua estrangeira moderna, artes, informática e educação física), de ciências humanas, de ciências biológicas e ciências exatas. Os conteúdos programáticos dessas áreas não são estabelecidos ao acaso, mas produzidos por teóricos e pedagogos de alta formação e experiência, com o objetivo de oferecer aos estudantes o que de mais importante existe para aprender e, dependendo do talento de cada um, desenvolver e aplicar até mesmo dentro de uma profissão.

É isso aí! O ensino pensa o tempo todo em você e no seu desenvolvimento físico, intelectual, artístico e moral. Para tanto, estabelece com cuidado e profundidade as linhas a serem seguidas pelas escolas. Pense no aprendizado como um todo e busque sua completa realização na vida!