Archive for May, 2014

Não perca pontos por causa dos pontos!

Thursday, May 29th, 2014

Encerrada a primeira fase do Vestibular Meio de Ano da Unesp, não vacile. Continue estudando. Você com certeza será classificado para a segunda. E esta, como sabe, é toda discursiva. Então, é preciso atentar agora para o discurso e todas as suas implicações.

De modo geral, tanto na redação como nas respostas discursivas, valem aqui algumas advertências:

 

  1. Não relaxe no visual de sua grafia, distribua suas respostas de forma muito bem organizada, para evitar equívocos e obscuridades.
  2. Mostre competência, iniciando suas respostas com inicial maiúscula, caprichando na ortografia, evitando sobretudo aqueles erros crassos de trocar s por  z ou vice-versa, o mesmo valendo para x e ch, g e j. E escreva os nomes próprios com inicial maiúscula, mas só os nomes próprios!
  3. Distribua respostas mais extensas em parágrafos, não só porque ajuda a organizar melhor a expressão de seu raciocínio, como também facilita a leitura pela banca de correção.
  4. Grafe com clareza. Não é necessário ter “letra bonita”. É  muito necessário, porém, grafar de modo claro, sem criar dificuldades para seu leitor. Essa história de que a grafia representa a personalidade do indivíduo não deve ser entendida como desculpa para fazer uma escrita garranchuda, praticamente ilegível. Sua personalidade não é “garranchuda”. O que se escreve é para ser lido, não para ser decifrado.
    1. Tenha muito cuidado com a pontuação; um sinal de pontuação mal colocado pode destruir uma frase.

 

Sobre a pontuação, não custa aumentar o alerta. Você sabe que em final de período e em final de parágrafo deve usar ponto. Então, não se distraia, marque. E tenha grande cautela com o emprego da vírgula, pois esta pode ser fator de clareza, quando bem empregada, ou de obscuridade, quando usada indevidamente. Por isso, vale a pena rever tudo o que suas apostilas e gramáticas colocam a respeito. Neste blogue, aliás, foi postado um artigo com muitas informações sobre o emprego da vírgula, no dia 20-09-2011. O título é Carta da Senhora Vírgula ao Blogueiro. Uma leitura atenta desse artigo será bastante útil a você e poderá evitar que uma vírgula mude completamente o sentido da frase, levando-o a perder pontos preciosos.

Sobre ortografia, aliás, há também muitos artigos no blogue. É só clicar e conferir.

 

Você sabe ler? Nem tanto

Wednesday, May 21st, 2014

É claro que você sabe ler. Ninguém presta vestibular sem saber ler. A pergunta, porém, procura algo mais do que essa resposta superficial: você sabe ler mesmo? sabe entender e interpretar qualquer texto que lhe apareça de repente numa prova ou num teste qualquer? Esse é o problema. Talvez você saiba até um ponto, mas, a partir desse ponto…

A capacidade de ler é, por assim dizer, poliédrica, não apresenta uma só face, tem muitas. Cada uma corresponde ao grau de escolaridade, de experiências, de conhecimentos, de aplicação, de exercício constante, etc. Em nenhuma dessas faces se pode dizer que a capacidade está consolidada. Basta certo período sem prática para tudo começar a regredir.

Muitos estudantes afirmam que detestam literatura e livros em geral, quaisquer que sejam. Julgam suficientes para eles as cansativas leituras de apostilas e dos textos nestas apresentados. Obviamente, a aplicada leitura de apostilas alimenta uma boa capacidade de entendimento e interpretação de textos, mas não é suficiente para garantir uma capacidade acima do comum. E é preciso uma capacidade acima do comum para interpretar certas minúcias de alguns enunciados de questões e de suas alternativas, bem como de perguntas cujas respostas são discursivas. Em alguns casos, a leitura requer alguma malícia interpretativa que o hábito de ler desenvolve. Note que não estamos falando só de vestibulares, mas de provas ao longo dos cursos universitários e de concursos para obter empregos em diferentes instituições. Sem falar naqueles exames, como os da O.A.B., necessários para que os profissionais possam exercer suas profissões.

Na verdade, quem se encaminha para uma vida universitária e, mais que isso, para uma profissão universitária, hoje, não pode prescindir da companhia constante não apenas de textos literários, mas de todos os gêneros de texto que, ainda mais com o formato dos ebooks atuais, comunicam as informações sobre o que de importante ocorre no mundo. A grande quantidade de livros em circulação não é ornamento, mas resposta à necessidade humana de conhecer melhor o mundo em que se vive. É, mas eu prefiro o cinema. Há tudo isso no cinema! responderão alguns. E estarão enganados. O cinema é outra arte, é outro modo de nos fazer conhecedores das mais diversas realidades que povoam o mundo. Apresenta imagem, som, música, linguagem. Cria uma ilusão muito forte de realidade. O cinema pode apresentar-se como narrativa, como biografia, como relato de viagem, como reportagem, como forma de divulgação científica. O cinema e a televisão, aliás! Nem esta nem aquele, porém, substituem e anulam outras formas de comunicação. O cinema tem as suas limitações, sendo a principal delas a da quantidade de informações, que está associada aos limites de tempo de cada filme. Por isso mesmo, quando se trata de filmes baseados em biografias, relatos de viagem, diários, narrativas, muita gente tem o hábito de ler, antes ou depois, os próprios livros. Bobagem? De jeito nenhum. Inteligência e esperteza de quem assim o faz, pois absorve nos dois meios de comunicação todas as informações que estes são capazes de dar. E, seguramente, as informações nunca são exatamente as mesmas, nem em qualidade, nem em quantidade nos livros e no cinema.

Tudo isso está sendo aqui comentado para lhe servir de alerta: aquela questão que você errou na prova anterior, por ter entendido mal o enunciado, não se deveu a falta de conhecimento, mas a interpretação inadequada. Você não precisa, nesse caso, melhorar seu conhecimento, mas sua capacidade de compreender e interpretar. E como se faz isso? Aumentando sua prática de leitura de livros, seja de papel, seja em formato digital, que está progressivamente substituindo o papel, mas não o livro.

E não esqueça: ao longo do curso universitário e de toda a sua vida profissional e pessoal, as leituras não devem parar. Em nenhum momento deixará de ser necessário, em seu trabalho, ler e também escrever textos característicos de sua atividade profissional. Muitos profissionais universitários, por vezes formados nas melhores instituições, se queixam de não saber escrever direito e atribuem a culpa tanto ao ensino básico quanto ao ensino superior. É falso. Aprenderam, sim a ler e escrever relativamente bem. Não se desenvolveram mais nessas habilidades por passarem, após receber o último diploma, a não ler muita coisa e escrever absolutamente nada. Com isso, é claro, até regrediram em relação a seus desempenhos nos vestibulares. A prática da leitura e da redação pode ser comparada à de musculação. Exercícios diários de musculação moldam seu corpo e o tornam mais forte e flexível. Exercícios diários de leitura e de redação moldam sua mente e a tornam mais vigorosa e flexível na argumentação e na interpretação. E até mesmo na criatividade: muitos grandes escritores brasileiros eram advogados, médicos, engenheiros que não se limitavam a seu trabalho, mas ampliavam seus horizontes por meio da leitura de livros e mais livros.

Percebeu? Ler não é apenas passatempo. É alimentar a mente, é refinar o sentimento do mundo. É exercício de inteligência, de raciocínio e criatividade.

É preciso dizer mais?

 

Nota de corte: não se iluda!

Wednesday, May 14th, 2014

Você  muitas vezes se preocupa com a nota de corte e até faz pesquisas em resultados de anos anteriores para verificar se tem chances de passar para a segunda fase de um vestibular. Isso é normal? Normalíssimo. Cada candidato procura obter todas as informações sobre o vestibular que vai fazer: as notas de corte fazem parte desse conjunto. É interessante consultar as tabelas que as apresentam, em primeiro lugar para que você faça uma avaliação objetiva sobre o seu potencial. Caso verifique que a nota de corte mínima do curso é alta demais, talvez seja melhor escolher outro. Ou, se julgar que aquele curso é realmente o que pretende e nenhum outro,  vale prestar o vestibular como uma experiência, para descobrir, concretamente, em que parte do programa estão suas dificuldades. Pode muito bem acontecer de você ser um pouco pessimista quanto a seus conhecimentos e, de repente, receber aprovação para a segunda fase.

É preciso ter em mente, todavia, que as notas de corte talvez não representem muita  coisa. Não entendeu? Pois veja: se você fica com nota final 52 e a nota de corte é 51, por exemplo, embora haja o que comemorar, não é muito lógico comemorar demais: você, como se diz na gíria escolar, passou raspando. O que significa isso? Significa que passou para a segunda fase, o que é bom, mas apenas atingiu o mínimo possível para não ser eliminado! Você, porém, argumenta que esteve muito doente na época da prova e não conseguiu atingir seu desempenho ideal em virtude da dor de cabeça, da febre e do enjoo. Tudo bem. Se for esse o caso, por certo atingiria uma nota bem superior à de corte e teria um melhor prognóstico para a segunda fase. Mas… se não for, se a nota que tirou corresponde realmente ao seu desempenho atual? Nesse caso, a perspectiva não será tão promissora. Trate de fazer um esforço muito concentrado, sobretudo com base nas questões que errou, porque é nelas que residem seus pontos fracos. Você utilizará, assim, a nota de corte como um indicador dos seus pontos fracos. Fazendo isso, alterará positivamente as chances para a segunda fase.

Notas de corte, portanto, têm diversas leituras que revelarão diferentes possibilidades de seu percurso rumo à vaga. Outro aspecto importante, que pode até ser uma comprovação do que acima foi dito, é verificar, caso já tenha feito o vestibular anterior e não tenha passado, se a relação final dos aprovados na segunda fase coincide com a relação dos que atingiram notas melhores na primeira. Isso terá uma interpretação. Se, porém, como também é possível, muitos que estiveram abaixo do número de vagas na primeira fase subirem de posição e conquistarem a vaga na segunda, isso terá outra interpretação. Significará que você pode e deve ter esperança de atingir vaga, caso se prepare com muito mais esforço.

De um modo ou de outro, vale a pena não somente consultar as tabelas de notas de corte, mas saber interpretá-las adequadamente de acordo com o seu possível desempenho, antes da prova, e com o seu desempenho real, após a prova da primeira fase. É muito importante considerar neste ponto que, se você está preparadíssimo e apresenta rendimento ótimo em todos os simulados que faz, nem precisa se preocupar com notas de corte. Seu esforço e sua determinação o colocaram num patamar de rendimento bastante superior. Se não ocorrer nenhum imprevisto na época das provas, por certo sua vaga estará garantida.

 

Errinhos banais

Monday, May 5th, 2014

Parece brincadeira, mas muita gente ainda comete equívocos banais em suas redações e provas discursivas, deixando perplexos examinadores de vestibulares e de concursos em geral. Por quê? Porque esses erros são focalizados inúmeras vezes ao longo das aulas do ensino médio e dos cursos preparatórios. Você, que aprendeu a lição e não cochila em suas provas, por certo também ficará surpreso ao verificar que ainda há candidatos que escrevem

 

Houveram muitas espécies de dinossauros em nosso território.

 

Não é possível! exclama você. E é de exclamar mesmo. Pobres professores que gastaram tanto tempo ensinando que o verbo haver, quando significa existir, é impessoal, e por isso se apresenta sempre na terceira pessoa do singular. O adequado, portanto, segundo a norma-padrão, é escrever

 

Houve muitas espécies de dinossauros em nosso território.

 

Por que será que as pessoas colocam o verbo no plural, em casos como esse? A primeira hipótese é que o candidato nunca ouviu falar na impessoalidade do verbo haver. Hipótese fraca. Dificilmente os professores de português deixariam de focalizar esse tema em suas aulas. Sem falar nas apostilas de português dos cursos e dos cursinhos. Outra hipótese, um pouco mais forte, é que o candidato ouviu, sim, muitas vezes a lição sobre a impessoalidade de haver no sentido de existir, mas nunca deu “muita bola” para isso, julgando que é um errinho banal, nada grave. Considerando, porém, como terceira hipótese, que o candidato sabe, mas se enganou nesse caso e nesse exemplo, pode-se imaginar uma possível causa: iludido pelo sintagma muitas espécies de dinossauros, que julgou ser o sujeito da oração, colocou o verbo no plural. O problema é que muitas espécies de dinossauros não é sujeito da oração, mas objeto direto solicitado pelo verbo haver, o que se comprova pelo próprio fato de o verbo haver ser empregado no singular e seu objeto no plural. Uma quarta causa pode ser a confusão entre os verbos haver e existir. Se o verbo empregado fosse existir, a oração ficaria

 

Existiram muitas espécies de dinossauros em nosso território.

 

Nesse contexto, existir surge como intransitivo e o termo muitas espécies de dinossauros funciona como sujeito da oração, levando por isso o verbo para a terceira pessoa do plural.

Talvez por esse motivo não é incomum encontrarmos na mídia pessoas, por vezes ilustres, deixando escapar um “houveram” em seus discursos, e também não é nada incomum a ocorrência desse equívoco em numerosos textos que circulam na web. Isso, é claro, não justifica o emprego em redações de concursos e de vestibulares. Os corretores penalizam mesmo tais enganos, que, isoladamente, não representam muito, mas, ao lado de outros, podem fazer a nota final perder pontinhos preciosos. E note que, por vezes, o verbo haver pode significar ocorrer, acontecer, sendo o resultado sempre o mesmo:

 

Houve muitos debates ontem em plenário.

Houve problemas no funcionamento da máquina.

 

Caso o redator resolva empregar ocorrer ou acontecer em lugar de haver, nesses casos, terá de empregar o plural, pois estes dois, como existir, não são verbos impessoais, precisam de sujeito: muitos debates, no primeiro exemplo; problemas, no segundo:

 

Ocorreram muitos debates ontem em plenário.

Aconteceram problemas no funcionamento da máquina.

Percebeu? Se você é um dos que têm dúvidas sobre o emprego de haver como impessoal, trate de procurar e estudar todos os exemplos que encontrar em suas gramáticas e apostilas. Um pouco mais de prática e, por certo, não esquecerá. E não correrá o risco, em provas de redação, de perder aqueles centésimos ou milésimos preciosos, que podem significar também a perda da vaga.

Por tudo isso, como dissemos noutro artigo postado no Blogue, cuidado com os erros banais! Podem ser fatais!