Archive for March, 2014

E o internetês? Vale?

Wednesday, March 19th, 2014

Um estudante de curso preparatório perguntou outro dia ao professor de língua portuguesa se podia escrever sua redação com o mesmo tipo de discurso que usava na internet: Afinal, professor, eu consigo ser muito mais rápido e mais claro nos e-mails que escrevo, nos torpedos que envio e nos diálogos dos fóruns. E o importante não é ser claro e rápido no vestibular?Além do mais, os membros da comissão de correção também se comunicam pela internet e pelo celular, não?

A questão colocada pelo estudante não deixa de ter certo fundamento. Ao longo de toda a sua vida escolar só ouviu e reouviu que tinha de escrever com clareza, de modo a ser imediatamente entendido. E como na internet é sempre compreendido, não entende por que não poderia escrever da mesma forma seus textos, tanto em respostas a questões discursivas, quanto em redações.

Diante de perguntas como essas, muitas vezes o professor tem dificuldade para fazer os alunos entenderem que, embora o sistema da língua portuguesa seja um só, o trajeto do sistema aos usos concretos apresenta numerosos e variados caminhos, caminhos que podem também aumentar de acordo com o progresso das tenologias da informação e da comunicação. A internet é um exemplo disso. Possibilitada pela evolução tecnológica, colocou nas mãos de todas as pessoas do planeta aparelhos que permitem a comunicação rápida, instantânea, tanto por meio de mensagens orais como de mensagens escritas. A instantaneidade das comunicações via rede, assim, levou à geração de uma forma de discurso rápido, cheio de abreviações e repleto de gírias, muitas vezes desobediente à sintaxe e ao sistema de pontuação, quando não ao próprio sistema ortográfico. Menos mal se assim a mensagem transita sem dificuldade. É o que ocorre, aliás, em todas as outras formas de uso da língua em redutos profissionais e sociais, além da própria utilização coloquial do sistema. Desses redutos, muitas vezes, se originam usos legitimados pela aceitação da própria norma-padrão. Até mesmo o discurso de cada ciência apresenta um grande vocabulário específico que constitui a sua nomenclatura.

A norma-padrão, todavia, constitui um uso geral, disseminado por todo o território nacional, modelo sacramentado pelos documentos oficiais, meios de comunicação e pela escola, apontado nas leis que regem a educação para ser empregado pelos professores e ensinado aos alunos. É em norma-padrão que se escrevem os artigos jornalísticos, os artigos científicos, os livros, as dissertações, as teses e os trabalhos escolares. E assim também, é claro, as respostas a questões discursivas nas provas e as redações de exames vestibulares, porque estes constituem a porta que dá acesso ao universo do conhecimento e das ciências.

Um dos princípios da racionalização do trabalho nos alerta para o fato de que deve haver um lugar para cada coisa e cada coisa deve estar em seu lugar. Podemos estender esse princípio para as diferentes formas de uso da língua. Se você se tornar jogador de futebol, assimilará fatalmente o vocabulário e os dizeres desse campo de atividade; se você se tornar um físico, aprenderá a empregar o discurso e toda a vasta nomenclatura da física. Agora, quando um jogador de futebol, um físico e você trocam mensagens pela internet, igualam-se pela forma de discurso ágil e breve característica desse meio.

Podemos terminar este artigo, colocando a questão apresentada como título: E o internetês? Vale?

Vale, sim. Na internet! rsrsrsrsrs

 

Você escreve bem? Escreve, mesmo?

Wednesday, March 12th, 2014

O título deste artigo parece provocativo. Sugere aquele tipo de pessoa “chata” que gosta de colocar sempre uma pitada de pessimismo na gente. O problema é que as pessoas “chatas” muitas vezes estão certas, mas, sendo incômodas em seu modo de falar, nos induzem a não levá-las a sério. Não é o caso deste artigo nem deste blogue: aqui se procura sempre apresentar um conselho útil e provocar reflexões nos candidatos, para que refinem cada vez mais seu desempenho. O título do artigo está simplesmente sugerindo que, muitas vezes, imaginamos ter um ótimo desempenho nesta ou naquela atividade, embora tal desempenho não seja tão bom quanto imaginamos. Quer um exemplo?

Em tese, esperamos que notícias publicadas em revistas e jornais na internet, bem como em outros tipos de sites e blogues apresentem sempre um português à toda prova, perfeitamente enquadrado na norma-padrão. Em tese. Na prática, muitas vezes ocorre o contrário. Outro dia o Blogueiro estava passeando por publicações online quando se deparou com alguns parágrafos assustadores de uma notícia sobre tema atual. Vamos citá-los, mas fazendo alterações de dados e nomes próprios, para evitar problemas de identificação da fonte, mas todos os deslizes expressivos e gramaticais serão mantidos. Observe:

 

O alfaiate Nicolau, entrou com uma ação na justiça contra a costureira Leonalda Lima, 23 anos, classificando como crime contra honra e calúnia. Isso aconteceu porque a cerca de 7 meses atrás, a costureira foi a imprensa e disse publicamente que visitou Curitiba a convite dele, mas não estava com ele, entretanto, afirmou que o viu traindo a na época esposa, Belmira Motas. Após este acontecimento, houveram muitos comentários e rumores, que resultou no fim do relacionamento dos dois. Nicolau negou conhecer Leonalda. O processo foi registrado na cidade onde a costureira mora, em Puritópolis.

Para quem quer conhecer apenas a informação geral, o parágrafo dá o seu recado. Mas para quem considera que notícias veiculadas por jornais e revistas online devem seguir a norma-padrão, o discurso é um desastre. Anote alguns problemas sérios:

1)      O alfaiate Nicolau, entrou com uma ação na justiça [...] – Erro crasso de virgulação: a vírgula aparece indevidamente separando o sujeito do predicado. O adequado seria eliminá-la: O alfaiate Nicolau entrou com uma ação na justiça.

2)      Isso aconteceu porque a cerca de 7 meses atrás [...] – Equívoco sério em escrever “a cerca” em lugar de “há cerca”. Redundância no emprego de “atrás”, já que “há cerca de sete meses” já se refere ao passado. O adequado, portanto, seria escrever: Isso aconteceu porque há cerca de sete meses [...].

3)      A costureira foi a imprensa [...] – Falta de sinalização da crase com o acento grave. Assim como está, a frase significa, absurdamente, que a costureira da história foi a  imprensa, e não uma mulher. Com a sinalização da crase, tudo se normaliza: A costureira foi à imprensa [...].

4)      A costureira foi a imprensa e disse publicamente [...] – Ora, se a costureira foi à imprensa e fez declarações, essas declarações se tornam públicas. Portanto, publicamente constitui mais uma redundância no parágrafo.

5)      Após este acontecimento, houveram muitos comentários e rumores [...] – Lapso terrível, porque nossos professores falam todo o santo dia sobre a impessoalidade do verbo haver, que, quando significa existir, deve ser empregado no singular. Devemos dizer e escrever há pessoas na sala, e não hão pessoas na sala; houve feridos no acidente, e não houveram feridos no acidente. Cochilo imperdoável do redator da notícia, que deveria ter escrito: Após este acontecimento, houve muitos comentários e rumores [...].

6)      Após este acontecimento, houveram muitos comentários e rumores, que resultou no fim do relacionamento dos dois [...]  – Curiosamente, na primeira oração, como comentado, o redator usou o plural em lugar do singular em “houveram”, e na segunda oração fez o oposto, empregando “que resultou”, quando deveria ter empregado “que resultaram”. Além disso, o leitor fica em dúvida, ante a expressão “dos dois”, se se trata do final do relacionamento de Nicolau com Leonalda, ou de Nicolau com Belmira.

 

Haveria mais alguns reparos a fazer sobre o parágrafo mencionado. Estes seis, todavia, são suficientes para entender que textos difundidos pela internet não são necessariamente modelos de discurso em norma-padrão. Deveriam ser, é claro.

E aqui surge a reflexão sugerida pelo título do artigo: Você escreve bem? Escreve, mesmo? Seu próprio julgamento talvez não seja muito adequado: pode dizer que sim e estar enganado; pode dizer que não e estar enganado. Não estaria na hora de encaminhar suas redações a professores ou colegas muito competentes, para que façam um diagnóstico preciso, impessoal, talvez rigoroso, mas verdadeiro?

 

O choque do seu futuro

Monday, March 10th, 2014

Alvin Toffler, em seu livro O choque do futuro, publicado na década de 1970, colocava muitas questões que, vislumbradas naquele tempo, se tornaram atualíssimas nesta segunda década do século XXI. Como anunciava o mencionado autor, o mundo superindustrial e repleto de inovações tecnológicas em que vivemos hoje afeta o comportamento das pessoas, das famílias, dos grupos, das comunidades, de toda a sociedade, enfim, colocando em choque e em xeque todas as formas de relacionamento, do pessoal ao profissional.

Sentimo-nos hoje, muitas vezes, atarantados com a extrema complexidade que nos cerca. E, quando começamos a entender determinados aspectos, surgem rapidamente novas mudanças que nos deixam ainda mais perplexos. Viver no século XXI, altissimamente tecnológico, tornou-se um permanente processo de adaptação às novas formas de organização social, incluídas as alterações por que passam até mesmo os modos de afetividade e de amor. Tudo ocorre em grande velocidade e tudo nos obriga a seguir também velozes, para não perder o trem dessa modernidade em mutação contínua. Ser moderno, hoje, não é apenas contar com tecnologia e adquirir padrões de modernidade, mas é saber aferir os momentos de avaliar as mudanças e acompanhá-las.

O que vai dito nos dois parágrafos anteriores tem muitas implicações com respeito a você, estudante, quer seja ainda candidato, quer já tenha sido aprovado, quer esteja na metade de seu curso universitário. Você vem experimentando há um bom tempo essa perplexidade ante os fatos. Algumas dezenas de anos atrás, um estudante egresso do ensino médio inscrevia-se numa universidade para fazer o vestibular e ser aprovado ou reprovado. Em alguns cursos, o número de candidatos era menor que o de vagas. Hoje, um candidato faz três ou mais vestibulares em seu estado ou em estados diferentes, podendo até candidatar-se a uma vaga em universidade estrangeira. Ao mesmo tempo, pode também fazer a prova do Enem, abrindo assim um pouco mais o leque de possibilidades de obtenção de vaga em universidades espalhadas por todo o país. E pode dar-se até à satisfação de escolher a universidade, caso seja aprovado em duas ou mais de duas.

Obter uma vaga, ingressar num curso superior e inserir-se no mercado de trabalho, todavia, é apenas uma parte do seu projeto de futuro. A outra é pensar permanentemente esse futuro, acompanhar e avaliar passo a passo as mudanças que a sociedade apresenta e relacionar sua formação e suas expectativas com o veloz processo de mutação constante por que todas as atividades humanas passam. O seguinte parágrafo do livro de Toffler parecem um recado a você e a todos que, como você, vivem essa expectativa do futuro:

 

Num mundo assim, os atributos mais valiosos da era industrial se tornam prejuízo. A tecnologia do amanhã requer não milhões de homens levemente alfabetizados, prontos para trabalhar em uníssono em tarefas infinitamente repetitivas, nem homens que recebem ordens sem piscar, conscientes de que o pão se consegue com a submissão mecânica à autoridade, mas sim de homens que possam fazer julgamentos críticos, que possam abrir caminho através dos ambientes novos, que sejam rápidos na identificação de novos relacionamentos numa sociedade em rápida mutação. Requer homens que, na terminologia sugestiva de C. P. Snow, “têm o futuro no tutano de seus ossos”. (Alvin Toffler. O choque do futuro. Trad. Eduardo F. Alves. Rio de Janeiro. Editora Record, 1970. p. 323-324)

Olhe para seu futuro e pense nisso.

 

Vestibulares de Inverno: novas oportunidades

Thursday, March 6th, 2014

Você  reclamou bastante por não haver sido aprovado em nenhum dos vestibulares que fez e refletiu muito sobre o assunto. Já tem uma opinião formada. Agora, basta. A questão é olhar para a frente, pois os vestibulares de meio de ano, que a população em geral prefere chamar vestibulares de inverno, estão próximos. São novas oportunidades que surgem e  devem ser aproveitadas.

A esse respeito, há algo bastante interessante a comentar. Alguns candidatos e professores revelam certo preconceito sobre vestibulares de inverno. Imaginam que os cursos oferecidos sejam inferiores aos do final de ano. Não são. Talvez o charme dos vestibulares de final de ano leve muita gente a menosprezar os de inverno. Que há de objetivo nisso? Nada. São meras opiniões nascidas da subjetividade e até da falta de informações. Nenhuma universidade pública ofereceria cursos ruins em vestibulares de inverno, simplesmente porque prezam seu conceito e  imprimem em cada novo curso o selo de qualidade que as caracteriza.

Este é exatamente o caso do Vestibular Meio de Ano da Unesp. Todos os cursos oferecidos levam o selo de qualidade Unesp. O fato de serem oferecidos na metade do ano decorre da própria data de criação dos cursos ou das novas unidades que a Unesp implantou, em seu objetivo de expandir-se para todo o território do estado de São Paulo. A maioria dessas unidades foi criada há quase quinze anos e, portanto, seus cursos já estão muito mais que consolidados e avaliados pela própria universidade. E vêm formando excelentes profissionais. Você já observou bem o mapa da Unesp, que aparece nos manuais do candidato e em sites e textos oficiais da Universidade? Observe bem como a Unesp abraça todo o Estado com suas unidades nos mais diversos municípios. Muitas dessas unidades oferecem cursos no Vestibular Meio de Ano.

Neste ponto, vale lembrar de nossos avós, que nos diziam, quando tínhamos algum resultado ruim nos estudos ou no trabalho: Tenha confiança, rapaz! Não há nada de mal que não venha para bem. Sábias palavras, que podem ser aplicadas ao tema deste artigo. O preconceito com que alguns estudantes e professores julgam os vestibulares de inverno nas universidades brasileiras faz com que muitos candidatos que pretendem prestar o vestibular de final de ano se inscrevam nos de inverno, mesmo sem intenção de matricular-se, caso aprovados. E muitos são aprovados. Isto significa que a própria relação candidatos x vagas é, de fato, muito inferior ao usualmente divulgado. E constitui um fator a mais para estimular aqueles que fazem os vestibulares de inverno com a intenção de matricular-se e fazer os cursos.

Percebeu? A Unesp se expandiu consideravelmente nos últimos anos, e expandiu-se com a intenção de beneficiar cada vez mais estudantes com seus cursos. Se você está realmente decidido a fazer um curso universitário de qualidade, prepare-se, inscreva-se, preste os exames e seja feliz. A obstinação é uma das virtudes dos vencedores.