Archive for January, 2014

Não tentarei ser o melhor. Serei o melhor!

Tuesday, January 28th, 2014

Tão logo foi colocada na rede a relação dos classificados ao vestibular 2014 da Unesp, você sentiu aquela alegria única, singular, indescritível. Seus familiares e amigos, então, pareciam até mais felizes, sorrindo, rindo, pulando, abraçando, festejando sua façanha.

Realmente, a aprovação em uma universidade pública do porte da Unesp é um feito digno de ser comemorado por bastante tempo, não apenas pelo resultado, mas sobretudo pelo modo como você o atingiu, depois de anos e anos de sonhos e muito esforço e muita garra.

Você sabe disso. E sabe também que o período de esforço, de determinação, de sacrifícios pessoais ainda não terminou. Ao contrário, tornar-se-á ainda mais exigente agora. O curso universitário é um caminho ao longo do qual será necessária muita atenção, muita dedicação. Não se trata mais de preparar-se para conquistar uma vaga. Agora o horizonte se abre e acena para o seu futuro. O curso que fará lhe dará competência para realizar-se como profissional e como cidadão. Provavelmente você estará fazendo um estágio de trabalho antes mesmo de formado, para sentir mais de perto a realidade que terá de enfrentar. Algumas vezes, o estágio não termina após a formatura, mas se tranforma em emprego definitivo, ou, quando menos,  ensina exatamente aquilo que não se aprende nos bancos acadêmicos.

Ter os olhos voltados para esse futuro, portanto, é o melhor modo de iniciar sua trajetória na universidade. É claro que você já está dizendo que dará o melhor de si para que essa trajetória seja coroada de êxito, a fim de que sua formação corresponda ao que a Universidade exige para uma formação plena. De repente você se apanha em meio a promessas a si mesmo, a familiares e amigos, dizendo coisas como darei o máximo, farei todo o esforço, enfrentarei qualquer obstáculo, tentarei ser o melhor. Em meio a tais votos, desejos e promessas, sente, porém, que está faltando dizer algo mais, embora não perceba exatamente o quê.

Com um pouco mais de reflexão, assentada a poeira das comemorações, acabará descobrindo o que falta dizer, verificará que o momento do buscar, do tentar, do procurar já passou. É chegado o momento de encher os pulmões, estufar o peito, levantar a cabeça e dizer: Não tentarei ser o melhor. Serei o melhor!

Com toda a certeza o será. Nossas congratulações pela vitória! E pelo seu futuro!

FESTEJAR COM ALEGRIA… E COM RESPONSABILIDADE!

Tuesday, January 21st, 2014

Muito próximos que estamos de conhecer a lista dos classificados no Vestibular Unesp 2014, a tensão aumenta na mesma medida que o sonho de ver seu nome brilhar entre os que conquistaram a vaga. Nada mais natural. O nome na lista é o ponto de chegada de uma longa trajetória, muitas vezes cheia de problemas, de dificuldades e até mesmo de decepções.

E de repente seu nome está lá, luzindo, pisca-piscando para você numa mensagem de máxima euforia e enorme sensação de plenitude. Cheguei!

Confirmar o interesse, apresentar-se para a inscrição, ser recebido pelos novos colegas, procurar moradia para os primeiros meses, tudo é maravilhoso nesses momentos em que você já descortina no horizonte suas futuras atividades e sua realização plena como homem, como profissional e cidadão.

Você merece todos os cumprimentos e abraços que recebe dos amigos e familiares.

Em meio a esses novos eventos em sua vida, há um porém. E um porém velho conhecido dos mais antigos seres humanos. Fala-se, por vezes, que os homens das comunidades mais antigas (e algumas até mais recentes!) tinham de dormir com um olho aberto e um fechado. Claro que se trata de uma frase alegórica, em que o olho fechado simboliza a necessidade que tais homens tinham de descansar, de relaxar após um dia de lutas, e o aberto a necessidade de estarem sempre vigilantes contra os perigos e ameaças.

Você, evidentemente, vive a realidade atual e está para iniciar um trajeto em que a paz e a solidariedade são dois dos principais indicadores. Todavia, é o Blogueiro que o aconselha a fazer como os antigos e dormir com um olho aberto e um fechado, mesmo nesse período de grande felicidade. Por quê? Porque os perigos não deixaram de existir, mudaram de forma, não são animais selvagens, não são inimigos da tribo vizinha, não são soldados do exército adversário, não são bombas despejadas por aviões de combate. E continuam existindo de um modo até mais traçoeiro: estão ocultos em você mesmo e naqueles que o cercam.

De que forma? Muito simples: nos exageros de conduta. Um exemplo: festejar é bom, é merecido, é maravilhoso. Mas tome cuidado! Festejar demais, perder o controle, passar dos limites é perigoso, pode ser até terrível, pode fazê-lo perder num segundo tudo o que conquistou ao longo de anos. Os noticiários de jornais e telejornais estão cheios de notícias de exageros em festas que culminaram com acidentes, ferimentos e até mesmo mortes. Por isso, não deixe que sua euforia pela vitória ultrapasse os limites de sua segurança pessoal. Preserve-se, tenha o olho sempre aberto para esses perigos e consciência de que, ao longo de toda a sua vida, esse cuidado será necessário.

Assim também, quando já estiver iniciando sua vida no câmpus universitário, tenha atenção redobrada para o fato de que os trotes violentos, que eram atos de selvageria, foram banidos há bastante tempo. Você deverá ser recebido de modo civilizado, com toda a educação e cortesia pelos colegas que já estão na universidade. Aceite comemorações, aceite brincadeiras inteligentes e fraternas, que sejam atos de solidariedade e polidez, que representem a alegria de seus colegas em recebê-lo e a sua imensa satisfação em iniciar sua vida universitária. Não aceite, porém, em nenhum momento e em nenhum lugar, atos abusivos que possam colocar em risco sua integridade pessoal. A universidade é uma instituição regida pelo intelecto e não pela força física. Nem de longe se pode compará-la com aquelas tribos primitivas em que os jovens guerreiros tinham de ser iniciados com rituais violentos a fim de demonstrarem que estavam preparados para as lutas contra animais selvagens e inimigos. Afinal, estamos no século XXI.

Por todas estas razões, festeje com alegria sua classificação, seu ingresso na universidade, que é o domínio por excelência da ciência e da sabedoria. Mas cobre responsabilidade de si mesmo e daqueles que estarão convivendo com você nesse período verdadeiramente inaugural de sua vida.

Como acabou de observar, a imagem de um olho aberto e um olho fechado ainda se justifica plenamente nos tempos modernos.

Muitas felicidades em seu novo trajeto!

 

A vida não caminha para trás

Thursday, January 16th, 2014

Enquanto você espera o resultado de seu vestibular, com a expectativa de ler seu nome na lista dos candidatos classificados, certamente encara o futuro com o otimismo característico de quem venceu a luta e espera apenas os louros da vitória. Vez por outra, porém, lhe passa pela cabeça um pensamento pessimista: E se eu não for chamado? Esta simples possibilidade soa como verdadeira catástrofe.

Seria mesmo? Nem tanto. Claro que não é algo lá muito confortável deixar de ser classificado em exame vestibular ou em qualquer outro concurso. Mas isso tem de ser encarado com o devido realismo, lembrando-se sempre que realismo não é sinônimo de pessimismo. Você não passou. E daí? Ora, em primeiro lugar, em vez de desesperar-se, deve supor que é provável haver segunda chamada. Como são muitos os vestibulares, o preenchimento das vagas se transforma, por vezes, em verdadeiro jogo de tabuleiro em que as peças vão mudando de lugar: umas que estavam aqui passam para lá, outras que estavam ali se deslocam para acolá. Nesse jogo você não é ingênuo, não arriscou numa só possibilidade, há outros resultados a sair ou outros que já saíram, nos quais obteve a vaga.

Imagine-se, porém, que seu nome não surja na segunda ou terceira chamadas justamente do curso e da universidade que pretendia. Calamidade? Nada disso. Apenas um fato concreto. Os exames vestibulares de universidades públicas são, além de classificatórios para o preenchimento das vagas, excelentes instrumentos de avaliação e autoavaliação. As razões para receber ou não aprovação são objetivas, claras, é só rever o que fez e verificar em quais matérias e conteúdos seu desempenho deixou a desejar. Algum colega seu, ao ouvir que você está fazendo essa autoavaliação, talvez comente: Deixe disso! O negócio é olhar para a frente, não para trás! Há apenas meia verdade nesta frase, porque, em nossa vida, muitas vezes temos de analisar o que fizemos para poder planejar o que teremos de fazer. E esse processo não deve ser feito com pessimismo, mas com realismo. Analisar com frieza nosso desempenho e nossos erros é parte integrante e necessária de uma concepção otimista de nossas possibilidades. Em nossas caminhadas na vida, seja no sentido próprio, seja no sentido figurado, nunca tropeçaremos duas vezes na mesma pedra, porque a partir da segunda vez a desviaremos, nem tampouco tentaremos atravessar um rio sem avaliar adequadamente a profundidade.

O Blogueiro está sendo pessimista demais sobre as suas possibilidades e por certo você será classificado? Que assim seja. Se pudesse, por um passe de mágica, aprovar todos os candidatos, o Blogueiro certamente o faria, porque seu coração, como diria o Drummond, é maior que o mundo. Mas se assim não for e a vaga não vier, nada de ver nesse evento um desastre. Uma aprovação é um fato e uma reprovação é um fato. E nós sempre aprendemos alguma coisa com todos os fatos que nos ocorrem. Não tenha dúvida a esse respeito. Você sempre está aprendendo com suas experiências e transformando erros em acertos e fracassos em sucessos. De um modo ou de outro, você atingirá em sua vida todos os objetivos sonhados, desde que tenha determinação e atitude permanente e imparcial de autoavaliação.

Por outro lado, se, de um modo ou de outro, em primeira ou segunda ou até terceira chamadas, sua vaga chegou, festeje, mas não em excesso. Sua situação, afinal, não é tão diferente daquela de quem não foi aprovado: há um universo de eventos no horizonte aguardando sua atuação e atitude. Um colega seu que não tenha obtido a vaga está apenas um passo atrás com relação a esse horizonte, mas no próximo ano pode dar o passo restante e – quem sabe? – até ultrapassar você no futuro, quer ao longo do curso, quer ao longo da vida profissional.

Percebeu? Esta é uma lição muito proveitosa: com vaga ou sem vaga, é preciso sempre continuar acreditando em si mesmo e em suas possibilidades e usar toda a sua garra. A História nos demonstra que, muitas vezes, uma vitória conduz ao fracasso, enquanto uma derrota conduz ao sucesso. Tudo depende do modo como são encaradas e avaliadas vitórias e derrotas.

É isso aí! Qualquer que seja o resultado, nada de otimismo em excesso, nada de pessimismo. Lembre-se a todo momento que um passo sempre vem depois do outro. E a vida não caminha para trás!

 

2014

Tuesday, January 7th, 2014

Quando dizemos que um ano novo está chegando, nem sempre percebemos que há algo de inconsistente nessa afirmação, que se repete ao final de cada 31 de dezembro. Em verdade, o tempo é um perpétuo fluir: chamamos passado ao que aconteceu e futuro aos prognósticos e previsões que, por lógica ou sentimento, fazemos pelo que ainda vai ou pode acontecer. As mensurações do tempo com base em calendário foram surgindo em diferentes culturas como sistematizações criadas para melhor equacionar as ações dos povos que as adotavam. Diferentes culturas, por exemplo, têm diferentes contagens do tempo. O calendário chinês está no ano 4711 e o judaico, no ano 5774.  Já o calendário que adotamos nos diz que a partir de primeiro de janeiro estamos no ano 2014. Trata-se do chamado calendário gregoriano, por ter sido implantado em 1582 pelo Papa Gregório XIII. Como uma criação europeia, este calendário acabou sendo adotado no mundo inteiro, facilitando enormemente o relacionamento entre as diversas nações.

Nenhum calendário, porém, consegue esconder o fato de que o tempo é um perpétuo fluir, quer o relacionemos ao universo como um todo, quer o relacionemos a um só indivíduo, como a nós mesmos. Tudo flui, tudo muda, tudo se transforma, nos vêm dizendo os filósofos há mais de dois mil e quinhentos anos. E os poetas não deixam por menos: Todo o mundo é composto de mudança, / tomando sempre novas qualidades, nos diz Camões em um de seus mais belos sonetos.

E nós, como ficamos? Não ficamos, estamos sempre indo, fluindo, mudando. Logo no início de 2014, quando chegarem os resultados dos vestibulares, as mudanças tomarão em nós novas qualidades, sentir-nos-emos os mesmos, mas fatalmente seremos outros. E assim, ano após ano, ou, melhor, instante após instante, iremos nos transformando. E torcendo para que essas transformações sejam sempre para melhor.

Felizmente, a Natureza, na mesma medida em que fez do existir um perpétuo fluir, nos muniu de capacidade para estabelecermos mensurações e parâmetros para nos situarmos ante o aparente caos da realidade que nos circunda. Sem isso, não seríamos diferentes de uma árvore, um urso, um inseto. Nem teríamos o insubstituível prazer de gritar e pular e dançar como doidos ao ver nossos nomes na lista dos classificados.

É, o calendário pode até ser um instrumento artificial, mas os nossos sentimentos, nossas emoções, nossos sonhos, nossos ideais são genuínos, nos irmanam como vibrações harmônicas à fantástica orquestra sinfônica do universo, que está sempre a executar alguma peça de Mozart.