Archive for August, 2013

Você tem opiniões? Não tem? Ops!

Friday, August 16th, 2013

No mundo atual, dominado pelos produtos da tecnologia, com lazeres e diversões oferecidos a cada passo, com liberdades nunca dantes navegadas nem pelos adultos, nem pelos jovens, é muito fácil o indivíduo se perder no marasmo dos prazeres e odiar as obrigações, o trabalho e até mesmo… as opiniões!

Não é incomum ouvirmos hoje afirmações como Não quero saber de política! Não me interessa a Ecologia! Não tenho opinião sobre nada! Os outros que achem, eu não acho coisa alguma!

Frases como estas são pronunciadas com muita pose, como vindas de um sujeito autossuficiente e poderoso. Seria?! Nem tanto. O indivíduo que as pronuncia não percebe que, ao emiti-las, quer queira quer não queira, está manifestando opiniões e não fugindo delas. Isso é ruim? Pode ser, pode não ser.

Diga-se primeiramente que, no sistema democrático em que vivemos, qualquer pessoa tem o direito de manifestar-se desse modo. O problema ocorrerá, porém, quando quem assim se manifestou tiver de defender sua opinião diante de uma pessoa bem munida de argumentos contrários. Vai ser bastante difícil demonstrar que o melhor de tudo é não participar de nada.

Mais difícil ainda se tornará a um vestibulando defender tal atitude, caso o tema proposto tenha uma abertura para opiniões como essa. Não quero saber de política não é uma opinião muito fácil de entender e justificar, e o candidato terá de escrever muito, mas muito bem para fechar a partir dela uma redação coerente. Do mesmo modo, será complicado dissertar com base em opiniões como Não me interessa a Ecologia! Não tenho opinião sobre nada! Os outros que achem, eu não acho coisa alguma! Como costuma dizer o povo, você vai ter de rebolar para defender pontos de vista como estes, que vão de encontro às opiniões comuns e ao bom senso.

A lição que se tira dos comentários acima já constitui uma ajuda: mesmo que você sustente que não tem opinião sobre um tema, isso já é uma manifestação de opinião. Parece engraçado, mas é lógico. E é preciso evitar que se torne trágico, caso tente demonstrar seu ponto de vista em uma redação de vestibular ou de outro concurso. Imaginemos que você, teimosamente, ainda queira desenvolver sua redação sem mudar esse parecer. Neste caso, não chegue nunca à prova sem ter feito antes simulações, sem ter buscado argumentos para comprovar que sua opinião é defensável. Faça reflexões a respeito. Se você escrever bem e preparar bem sua argumentação, até conseguirá fazer um bom texto. Mas pode acontecer também que, durante o preparo e a simulação de redação, você descubra que está enganado e resolva assumir um ponto de vista mais próximo do senso comum. Então mude e faça o mesmo processo de organização de argumentos e simulação.

Percebeu bem? Mesmo quando não quer ter opinião sobre um tema, você acaba tendo uma, ainda quando seja a opinião de não ter opinião. Ao fazer isso, ninguém se torna superior ou inferior a outros, apenas diferente no modo de focalizar um fato. Conclusão: não renegue o que você sente, por mais absurdo que possa parecer a outras pessoas, mas procure ser coerente na manifestação e na defesa de suas posições. E coloque sempre a possibilidade de mudar de opinião, quando suas reflexões apontarem nesse sentido. Todo indivíduo dotado de bom senso admite que as mudanças fazem parte de nossas ações. Até o bom e venerável Luís de Camões, já referido por um verso acima, e que disse, com toda a propriedade, num soneto: Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, / muda-se o ser, muda-se a confiança, / todo o mundo é composto de mudança, / tomando sempre novas qualidades.

Se não acredita no Blogueiro, acredite, pelo menos, no grande mestre Camões. Falei!

 

Programe-se para o Vestibular 2014!

Friday, August 9th, 2013

Finda a temporada dos vestibulares de meio de ano, também chamados vestibulares de inverno, é hora de programar-se para os de fim de ano, denominados vestibulares de 2014, ano em que ocorrerão as matrículas dos aprovados. Neste segundo semestre muita coisa irá acontecer e, para que aconteça do melhor modo possível, é preciso programar-se.

Muitos candidatos já assumiram seus métodos, criaram sua rotina há um bom tempo e agora refinam suas atividades com vistas à profusão de exames que enfrentarão. Outros ainda não conseguiram fixar-se num ritmo adequado e essa indecisão pode trazer-lhes alguns prejuízos, tanto em rendimento, quanto em estado de espírito para enfrentar a agitação dos diferentes exames.

É útil, neste sentido, sugerir cinco perspectivas, a partir das quais cada um poderá programar-se do modo mais adequado possível ao rendimento nos exames e a seu próprio modo de considerar o que terá pela frente:

 

1 – A hora é de assumir claramente suas metas: está plenamente decidido a prestar exames de um só curso? Ou ainda hesita um pouco? Não há nada de errado em não ter certeza; pode-se, porém, fixar objetivos a partir dessa mesma vacilação entre cursos diferentes. A natureza não faz ninguém dotado para uma coisa só: podemos exercer diferentes profissões com sucesso e com prazer no trabalho.

2 – É unânime a opinião dos professores de que os últimos meses de estudo devem ser dedicados a uma boa revisão do que se sabe e à busca de aumentar aqui e ali, por pouco que seja, seus conhecimentos, eliminando algumas dúvidas. Esse pouco pode representar muito no resultado final dos exames.

3 – Não é momento para reclamar da escola ou de si mesmo. O que você pôde fazer até agora, fez. Prepare-se para mostrar o que sabe, não deixando que as tensões o levem a cometer enganos em questões de seu total domínio.

4 – Não se menospreze ao observar que há candidatos que se dizem muito bem preparados ou com melhor preparo que você. Pode até ser verdade, em alguns casos; em outros, porém, talvez seja impressão sua ou exagero dos colegas que se declaram em melhores condições que os demais. Os resultados concretos das provas muitas vezes contrariam tais prognósticos e você apresenta desempenho muito melhor do que imaginava. Pois então trate de considerar seus possíveis resultados de modo positivo.

5 – Concentre-se muito em seu estudo, mas dê também algum tempo para si mesmo. O trabalho, para ter melhor rendimento, deve alternar-se ao lazer, para que seu espírito ganhe equilíbrio e solidez e alimente seus sonhos. Assim, você chegará a cada exame tranquilo, confiante, apresentando apenas a tensão normalísima de submeter-se a uma prova.

 

E não se esqueça: nada é único e nada é definitivo em nossa vida. Para cada oportunidade perdida, para cada meta não alcançada a vida apresentará uma profusão de novas oportunidades e metas, que muitas vezes serão melhores ainda. Vitórias e derrotas se alternam na vida de todos os homens. Grandes homens são justamente aqueles que transformam derrotas em grandes conquistas. A biografia de qualquer grande vulto da humanidade, em todos os tempos, constitui prova clara dessa afirmação. Tenha certeza de que você também nasceu com essa garra!

 

Universidade, para quê?

Monday, August 5th, 2013

O povo, em sua grande sabedoria acumulada através dos séculos e transmitida oralmente de pai a filho, costuma também colecionar e empregar provérbios como, por exemplo: Tanto faz dar na cabeça, como na cabeça dar. Quem costuma considerar as pessoas comuns destituídas de conhecimentos, inclusive de gramática, percebe na criação desse provérbio, um forte contra-argumento: um conhecimento latente de gramática ou, mais especificamente, da questão da ordem dos elementos na frase. A manipulação da ordem dos elementos da frase, que os grandes escritores utilizam para arrancar efeitos expressivíssimos, está presente no provérbio mencionado, que o povo utiliza para enfatizar que um objetivo pode ser alcançado de maneiras diferentes, ou por diferentes ações e caminhos. Isso faz lembrar outros provérbios, também usados para situações semelhantes: Tanto faz correr como saltar e Todos os caminhos levam a Roma. O que é que podem significar, porém, estes ditados populares para conduzir a resposta à questão-título deste artigo: Universidade, para quê? Muito mais do que você imagina num primeiro momento. A malícia desta pergunta reside no fato de questionar a própria necessidade de fazer curso universitário. E aqui surge outra questão decorrente da primeira: é absolutamente necessário fazer universidade para ter sucesso na vida? Na verdade, não, não é preciso. Se considerarmos que o objetivo do jovem é ter sucesso, conquistar recursos para ter uma vida confortável e ainda contribuir para que outros, menos afortunados, possam receber um pouco de sua ajuda, temos de aceitar que a formação por curso universitário é um bom caminho para atingir tal objetivo. Mas há outros, o que traz novamente à tona os provérbios mencionados: Tanto faz dar na cabeça como na cabeça dar; Tanto faz correr como saltar; Todos os caminhos levam a Roma. Prova disso? Se houve e há no mundo grandes profissionais formados por universidades, de cujo trabalho decorreram relevantes resultados para a sociedade, há igualmente grandes profissionais que se fizeram por si mesmos, sem ingressar em cursos universitários, partindo para um empreendedorismo que os realizou como indivíduos e cidadãos. E há, também, profissionais que mal esquentaram os bancos acadêmicos, com um ou dois anos de curso, e desistiram para iniciar carreira empresarial bem sucedida. Entre os chamados magos da informática e da computação, por exemplo, alguns confessam que abandonaram os cursos universitários porque tinham ideias próprias a desenvolver naquele exato momento: as mesmas oportunidades não se repetiriam no futuro. Estas reflexões surgem na atualidade com bastante clareza, ao percebermos que, ainda lembrando a sabedoria popular, o importante não é o caminho que se escolhe para chegar à Roma dos nossos sonhos, mas o desejo pessoal de atingir o objetivo por uma via que, individualmente, escolhemos, sem ceder a eventuais imposições de familiares, amigos e da própria sociedade. Reflita sobre este tema: qual objetivo quer alcançar na vida e qual caminho considera o melhor para atingi-lo? Ao escolher, siga sempre seu coração.