Arquivo de 12 de junho de 2013

Sua letra é sua letra? Nem tanto!

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Desde os primeiros anos do ensino fundamental os professores nos fazem praticar a caligrafia em cadernos especialmente impressos para tal. Nem todos os alunos, evidentemente, apreciam tais exercícios, mas a prática é necessária para que a grafia cursiva ganhe as proporções e o traçado necessários para que o aluno possa ter uma letra que seja lida com facilidade. Alguns estudantes não apresentam nenhuma dificuldade na prática desses exercícios e passam a contar com uma letra bonita; com outros ocorre o contrário e somente com grande dificuldade conseguem atingir um nível razoável de desempenho, com uma letra clara e definida. E os professores, para justificar-lhes o esforço, afirmam e reafirmam, com correção, que a letra não precisa necessariamente ser bela, como a palavra caligrafia sugere — precisa ser clara, fácil de ser entendida.

Por que se focaliza hoje este tema no Blogue? Porque estamos próximos agora da prova discursiva do Vestibular Meio de Ano. E o que é, afinal, uma prova discursiva? Uma prova em que a comunicação do candidato com a banca de correção não se faz por meio da marcação de alternativas corretas em um gabarito; agora o candidato se comunicará por sua própria letra, o que envolve certos cuidados para que descuidos não impliquem a incompreensão de algumas de suas respostas.

Ao longo dos ensinos fundamental e médio, alguns estudantes, baseados em sumárias informações da chamada Grafologia, argumentam que suas letras expressam suas personalidades, e portanto podem escrever como quiserem: quem tiver de ler que trate de decifrar. Esta é uma atitude interessante, sob o ponto de vista da afirmação pessoal. Interessante e contraproducente. Bancas de correção, não apenas de vestibulares, mas de concursos em geral, muitas vezes não conseguem decifrar os garranchos a que se reduziu a letra do candidato. Em outros casos, tais garranchos criam ambiguidades, duplos sentidos na interpretação de respostas ou de passagens das redações.

Deu para perceber que, entre os muitos cuidados que se deve ter nas provas discursivas, está o de apresentar um discurso legível? Mesmo que você esteja acostumado a relaxar um pouco em sua letra no uso diário, em provas discursivas isso não poderá acontecer, terá de dar um passo à frente e zelar para que a banca de correção possa ler sem dificuldade o que escreveu. Em outras palavras: você pode até, nas atividades normais, orgulhar-se de ter uma letra um tanto truncada e difícil de ser compreendida. Não se arrisque, porém, nas provas discursivas, entenda que sua caligrafia é um meio de comunicação e que quem se comunica tem como objetivo principal ser prontamente compreendido. Escreva a que pareça realmente a, escreva n que não se confunda com u, escreva m que não pareça n. E não se descuide, igualmente, com outros aspectos de desempenho que envolvem a grafia: começar os períodos sempre com inicial maiúscula, sinalizar claramente a pontuação, utilizar o distanciamento da margem esquerda para marcar início de parágrafos.

Todas estas reflexões fazem retornar ao título deste artigo: Sua letra é sua letra? Nem tanto! Sua letra é um veículo de comunicação, envolve sempre, no extremo oposto, alguém que vai fazer a leitura. E essa leitura tem de ser facilitada por você, e não transformada em um processo de decifração.

Assim, numa prova discursiva, suas respostas, se valem pelo conteúdo que transmitem, valem igualmente pelo modo adequado de transmitir esse conteúdo por meio de uma grafia definida e clara. Isso também é marca de personalidade!