Archive for June, 2013

Agora, à espera da comemoração

Thursday, June 27th, 2013

Terminada a segunda fase do Vestibular Unesp Meio de Ano, só resta aguardar os resultados com muita confiança. De certo modo, boa parte dos candidatos já sabem que seus nomes estarão na lista, porque foram bem em todas as provas e, com base nas notas de corte da primeira fase, avaliam com certo grau de precisão seu desempenho.

Vale lembrar, a esse respeito, que mesmo os candidatos cujos nomes não surgirem na primeira lista não devem desanimar, pois, como há vestibulares de meio de ano de outras instituições, alguns dos inicialmente chamados podem já ter feito outra escolha. É devido a razões como esta que em todas as instituições há mais de uma chamada. Assim, se a boa notícia não vier logo no início, pode vir um pouco depois.

Outro lembrete que vale a pena fazer, neste momento, é que os cursos oferecidos no meio de ano têm a mesma qualidade Unesp daqueles do vestibular de fim de ano. Nossa universidade prima pelo aprimoramento constante de todos os seus cursos, não importa em que região ou cidade estejam.

É preciso também enfatizar, como, aliás, foi antecipado no próprio tema da redação, que os candidatos aprovados não devem preocupar-se demasiadamente com a distância entre suas cidades e as cidades em que se localizam os cursos. O Estado de São Paulo é servido de excelentes rodovias e as cidades do interior apresentam ótima infraestrutura e qualidade de vida. E a Unesp é a universidade paulista que, desde sua fundação, possui maior número de unidades localizadas no interior, de modo que, atualmente, cobre praticamente todas as regiões de nosso estado. Além disso, com toda a tecnologia da informação e da comunicação hoje existente, — celulares, notebooks, tablets, internet, redes sociais, etc., etc. —  ninguém mais está longe de ninguém: dois amigos que moram, um em São Paulo, outro em Berlim, frequentemente conversam mais do que dois outros que moram no mesmo edifício de uma cidade.

A questão, portanto, é não desperdiçar oportunidades. Ao receber aprovação num dos vestibulares de meio de ano, agarre sua vaga, faça sua matrícula e inicie aquela que, com certeza, será a melhor fase de sua vida.

Que você esteja na lista, é o que mais desejamos!

 

Segunda lista do blogueiro

Thursday, June 20th, 2013

Às vésperas da segunda fase do vestibular Unesp, na qual um dos diferenciais será o domínio do discurso em língua portuguesa tanto nas respostas às questões quanto na redação, vale a pena apresentar como auxílio a você mais uma lista do Blogueiro, a segunda, com conselhos para evitar que lapsos ou até mesmo erros crassos prejudiquem seu desempenho. Lembre-se sempre de que você se expressará em suas provas de acordo com a  norma-padrão da língua portuguesa, que não aceita muitos usos, ainda que estes sejam  comuns no discurso coloquial.

A forma como a lista é apresentada, colocando diretamente o melhor uso e em seguida o não recomendável, pressupõe que você recebeu, ao longo dos ensinos fundamental e médio e dos cursos preparatórios, todas as explicações teóricas para não se equivocar. Está em condições, portanto, de entender de imediato cada lembrete apresentado pelo Blogueiro.

A lista anterior e a presente estão focadas na eficiência de seu discurso e tomam por base erros que os estudantes costumam cometer. Atente também para o fato de que cada exemplo utilizado pelo Blogueiro faz lembrar muitos outros, que devem receber o mesmo tratamento.

 

1 – Escreva: Existem vários modos; não escreva: Existe vários modos.

2 – Escreva: Houve muitos acidentes; não escreva: Houveram muitos acidentes.

3 – Escreva: Pediu ajuda a ele; não escreva: Pediu ajuda à ele.

4 – Escreva: Lúcio não gostou do emprego; não escreva: Lúcio, não gostou do emprego.

5 – Escreva: Tive uma perda muito grande; não escreva: Tive uma perca muito grande.

6 – Escreva: Estou cansado, pois trabalhei bastante; não escreva: Estou cansado pois, trabalhei bastante.

7 – Escreva: Se ele quiser, pode me ajudar; não escreva: Se ele querer, pode me ajudar.

8 – Escreva: Eles compuseram uma bela canção; não escreva: Eles comporam uma bela canção.

9 – Escreva: Não o encontrei; não escreva: Não encontrei ele.

10 – Escreva: É preciso pôr mais sal; não escreva: É preciso por mais sal.

11 – Escreva: A garota com a qual saí ou A garota com quem saí; não escreva: A garota que eu saí com ela.

12 – Escreva: É preciso estudar muito, a fim de obter aprovação; não escreva: É preciso estudar muito, afim de receber aprovação.

13 – Escreva: Eu opto por este emprego; não escreva: Eu opito por este emprego.

14 – Escreva: Eu me adapto a qualquer situação; não escreva: Eu me adapito a qualquer situação.

15 – Escreva: O prêmio deixou-o orgulhoso; não escreva: O prêmio deixou ele orgulhoso.

16 – Escreva: genótipo, fenótipo, estereótipo, protótipo, biótipo; não escreva:  genotipo, fenotipo, estereotipo, prototipo, biotipo.

17 – Escreva: camoniano, clariciano, shakespeariano; não escreva: camoneano, clariceano, shakespeareano.

18 – Escreva: Bastar-nos-ia estudar um pouco mais; não escreva: Bastaria-nos estudar um pouco mais.

19 – Escreva: tráfico de drogas; não escreva: tráfego de drogas.

20 – Escreva: minissaia, minissérie, minissubmarino; não escreva: mini-saia, mini-série, mini-submarino.

21 – Escreva: labareda; não escreva labareda de fogo.

22 – Escreva: A Via-Láctea possui biliões de estrelas, uma das quais é o Sol; não escreva: A Via-Láctea possui biliões de estrelas, das quais o sol é uma delas.

23 – Escreva: meio-dia e meia; não escreva; meio-dia e meio.

24 – Escreva: É uma hora. É uma e meia; não escreva: São uma hora. São uma e meia.

25 –  Escreva: encarar; não escreva: encarar de frente.

26 – Escreva: Pedro estava infringindo a lei; não escreva: Pedro estava inflingindo a lei.

27 – Escreva: Desejo que sejas feliz; não escreva: Desejo de que sejas feliz.

28 – Escreva: Os filmes a que assisti são ótimos; não escreva: Os filmes que assisti são ótimos.

29 – Escreva: O rapaz de que lhe falei há pouco é estudioso; não escreva: O rapaz que lhe falei há pouco é estudioso.

30 – Escreva: Estou ansioso para concluir o curso; não escreva: Estou ancioso para concluir o curso.

 

Percebeu que Probo tinha razão? Apresentando a matéria deste modo, torna-se mais rápida a assimilação da parte do estudante, porque cada reparo nos leva a reflexões e a aprofundamentos que ampliam a própria lista do Blogueiro. Boa prova a todos e escrevam muito bem!

 

Sua letra é sua letra? Nem tanto!

Wednesday, June 12th, 2013

Desde os primeiros anos do ensino fundamental os professores nos fazem praticar a caligrafia em cadernos especialmente impressos para tal. Nem todos os alunos, evidentemente, apreciam tais exercícios, mas a prática é necessária para que a grafia cursiva ganhe as proporções e o traçado necessários para que o aluno possa ter uma letra que seja lida com facilidade. Alguns estudantes não apresentam nenhuma dificuldade na prática desses exercícios e passam a contar com uma letra bonita; com outros ocorre o contrário e somente com grande dificuldade conseguem atingir um nível razoável de desempenho, com uma letra clara e definida. E os professores, para justificar-lhes o esforço, afirmam e reafirmam, com correção, que a letra não precisa necessariamente ser bela, como a palavra caligrafia sugere — precisa ser clara, fácil de ser entendida.

Por que se focaliza hoje este tema no Blogue? Porque estamos próximos agora da prova discursiva do Vestibular Meio de Ano. E o que é, afinal, uma prova discursiva? Uma prova em que a comunicação do candidato com a banca de correção não se faz por meio da marcação de alternativas corretas em um gabarito; agora o candidato se comunicará por sua própria letra, o que envolve certos cuidados para que descuidos não impliquem a incompreensão de algumas de suas respostas.

Ao longo dos ensinos fundamental e médio, alguns estudantes, baseados em sumárias informações da chamada Grafologia, argumentam que suas letras expressam suas personalidades, e portanto podem escrever como quiserem: quem tiver de ler que trate de decifrar. Esta é uma atitude interessante, sob o ponto de vista da afirmação pessoal. Interessante e contraproducente. Bancas de correção, não apenas de vestibulares, mas de concursos em geral, muitas vezes não conseguem decifrar os garranchos a que se reduziu a letra do candidato. Em outros casos, tais garranchos criam ambiguidades, duplos sentidos na interpretação de respostas ou de passagens das redações.

Deu para perceber que, entre os muitos cuidados que se deve ter nas provas discursivas, está o de apresentar um discurso legível? Mesmo que você esteja acostumado a relaxar um pouco em sua letra no uso diário, em provas discursivas isso não poderá acontecer, terá de dar um passo à frente e zelar para que a banca de correção possa ler sem dificuldade o que escreveu. Em outras palavras: você pode até, nas atividades normais, orgulhar-se de ter uma letra um tanto truncada e difícil de ser compreendida. Não se arrisque, porém, nas provas discursivas, entenda que sua caligrafia é um meio de comunicação e que quem se comunica tem como objetivo principal ser prontamente compreendido. Escreva a que pareça realmente a, escreva n que não se confunda com u, escreva m que não pareça n. E não se descuide, igualmente, com outros aspectos de desempenho que envolvem a grafia: começar os períodos sempre com inicial maiúscula, sinalizar claramente a pontuação, utilizar o distanciamento da margem esquerda para marcar início de parágrafos.

Todas estas reflexões fazem retornar ao título deste artigo: Sua letra é sua letra? Nem tanto! Sua letra é um veículo de comunicação, envolve sempre, no extremo oposto, alguém que vai fazer a leitura. E essa leitura tem de ser facilitada por você, e não transformada em um processo de decifração.

Assim, numa prova discursiva, suas respostas, se valem pelo conteúdo que transmitem, valem igualmente pelo modo adequado de transmitir esse conteúdo por meio de uma grafia definida e clara. Isso também é marca de personalidade!

 

Do appendix probi à lista do blogueiro

Tuesday, June 4th, 2013

Agora que a primeira fase do Vestibular Meio de Ano da Unesp terminou e você espera com ansiedade a lista da classificação, vale a pena retomar os conselhos que o Blogueiro vinha dando sobre o discurso escrito em norma-padrão, que utilizará nas respostas às questões discursivas e no texto de sua redação, na segunda fase.

Alguns estudantes reclamam da exigência da norma-padrão nas provas, imaginando que se trata apenas de autoritarismo, uma mania atual das instituições de ensino superior, um modo a mais de criar dificuldades para a sua aprovação. Observação injusta.

A preocupação com as diferenças entre os usos da língua é velha como a própria humanidade. Desde que os primeiros homens começaram a estudar o funcionamento de seus idiomas e buscaram estabelecer padrões e regras de uso correto, que mais tarde se consolidaram nas gramáticas, a existência de diferenças de uso foi detectada. Os gramáticos antigos baseavam suas observações no critério de empregos corretos, que defendiam, opostos a empregos incorretos, que acusavam e abominavam. Os estudiosos modernos alteraram a perspectiva, considerando que existem diferentes maneiras de utilização da língua; diferentes apenas, não corretas ou incorretas. Em mais de um texto postado neste Blogue demonstramos a importância da norma-padrão como modalidade de comunicação geral da língua, bem como instrumento de ascensão profissional e social. É por isso que toda a legislação da educação no Brasil estabelece que o ensino de português deve basear-se nessa norma.

Um exemplo para ilustrar a importância do que temos a dizer. No século III d.C., um gramático, que mais tarde foi erradamente reconhecido como Probo, escreveu uma lista comparativa de palavras e expressões do latim clássico, que, segundo ele, deveriam ser empregadas, e palavras de uso coloquial, popular, que não deveriam ser usadas, por representarem um latim errado, corrupto, falado pelas legiões, pelos colonos, pelo povo menos culto. Observe três exemplos, tais como ele apresenta no chamado Appendix Probi:

 

111 – Oculus non oclus

174 – Rivus non rius

201 – Viridis non virdis

A primeira forma, segundo o gramático, era sempre a correta, deveria ser empregada por caracterizar o latim das elites, das pessoas cultas, dos literatos. A segunda, precedida de non, era sempre a incorreta, devendo ser condenada por caracterizar o latim falado pela plebe. É interessante observar que o Appendix Probi acabou se tornando um documento precioso não por esses preconceitos, mas por apresentar numerosos exemplos de como era o latim popular, coloquial, o chamado latim vulgar, do qual se originaram, mais tarde, novas línguas, como o italiano, o espanhol, o francês, o português, o romeno.

Ora, aproveitando o exemplo antigo para uma finalidade moderna, inclusive pelo conceito de norma-padrão, apresentamos abaixo uma lista comparativa de empregos da norma-padrão e do uso coloquial, popular. A diferença é que não condenamos o uso popular, apenas sugerimos, como fazem anualmente os professores de português de todas as escolas, não colocar nos textos escritos em norma-padrão usos que caracterizam o emprego coloquial, popular. O erro, portanto, não está em umas formas serem corretas e outras incorretas, mas no fato de inserir em seu discurso escrito em norma-padrão formas que não são compatíveis com ela. Apresentamos hoje uma lista de trinta; mais tarde providenciaremos outras. O objetivo continua sendo o de todos os textos postados anteriormente: evitar que, por descuido, pela mistura de modalidades, você perca pontos preciosos para sua classificação. Para deixar mais claro que estamos pensando em sua prova discursiva, empregamos em cada caso “escreva” e “não escreva”. Preste muita atenção, pois talvez você venha cometendo alguns desses equívocos:

 

1 –   Escreva: seja; não escreva: seje.

2 –   Escreva: ritmo; não escreva: rítimo.

3 –   Escreva: admirar, admiro; não escreva: adimirar, adimiro.

4 –   Escreva: advogado; não escreva: adevogado.

5 –   Escreva: bicarbonato, não escreva bicabornato.

6 –   Escreva: caderneta, não escreva: cardeneta.

7 –   Escreva: procurá-lo, encontrá-lo; não escreva:  procurar ele, encontrar ele.

8 –   Escreva: para eu fazer, para eu ir; não escreva: para mim fazer, para mim ir.

9 –   Escreva: bastantes problemas; não escreva bastante problemas.

10 – Escreva: Ela está meio cansada; não escreva:  Ela está meia cansada.

11 – Escreva: análise, analisar; não escreva: análize, analizar.

12 – Escreva: Assisti ao filme; não escreva: Assisti o filme.

13 – Escreva: Se supusermos; não escreva: Se supormos.

14 – Escreva: Se ele retiver o documento; não escreva: Se ele reter o documento.

15 – Escreva: Eu detive o ladrão; não escreva: Eu deti o ladrão.

16 – Escreva: Se ele mantivesse a palavra; não escreva: Se ele mantesse a palavra.

17 – Escreva: prazeroso, prazerosamente; não escreva:  prazeiroso, prazeirosamente.

18 – Escreva: tabuleta; não escreva:  taboleta.

19 – Escreva: meteorito; não escreva: meteórito.

20 – Escreva: meteorologia; não escreva:  metereologia.

21 – Escreva: gratuito; não escreva: gratuíto.

22 – Escreva: dançar, dança; não escreva:  dansar, dansa.

23 – Escreva: coordenar, coordenador; não escreva: cordenar, cordenador.

24 – Escreva: Ponha as flores no vaso; não escreva: Ponha as flores no vazo.

25 – Escreva: O combustível vazou; não escreva: O combustível vasou.

26 – Escreva: Estou num mau dia; não escreva: Estou num mal dia.

27 – Escreva: Tigela; não escreva: tijela.

28 – Escreva: octocampeão; não escreva: octacampeão.

29 – Escreva: Eu trouxe o presente; não escreva: Eu truxe o presente, nem: Eu troxe o presente, nem: Eu trousse o presente, nem: Eu trosse o presente.

30 – Escreva: cataclismo, não cataclisma.

Muitas, não? Pois há muitas mais. E quase sempre ocorrem em provas discursivas, prejudicando a pontuação de alguns candidatos. Observe-as novamente com atenção. Consulte uma gramática, em alguns casos, para ter certeza e para ampliar os exemplos similares. Você poderá criar até sua própria lista, muito ampliada.

Percebeu? Não se deixa nunca passar em branco uma dúvida. É o caminho certo para neutralizar a tirania dos décimos, centésimos e milésimos na classificação em qualquer concurso.

Escreva o que deve escrever; não dê sopa ao azar.