Arquivo de 10 de maio de 2013

De ver a vir: o perigo continua

sexta-feira, 10 de maio de 2013

No artigo anterior, fez-se um alerta sobre os perigos que algumas formas do verbo ver podem trazer a seus textos e até mesmo a sua fala. Alguns estudantes estão tão acostumados a errar em tais formas, que reclamam quando ouvem o professor dizer:

 

Prestem atenção! Se eu vir um de vocês colando na prova, dou zero na hora. Não façam isso nem se me virem distraído, certo?

 

Julgam que o mestre usou o verbo vir em lugar de ver e sugerem que deveria falar:

 

“Se eu ver um de vocês colando na prova… Não façam isso nem se me verem distraído.”

 

Na verdade, o professor está certíssimo e errados os alunos que imaginam corrigi-lo: o futuro do subjuntivo de ver é mesmo vir, vires, vir, virmos, virdes, virem. E o pretérito imperfeito do subjuntivo é visse, visses, visse, víssemos, vísseis, vissem.

Essa confusão que alguns estudantes e muitas pessoas fazem é até natural, pois se deve à aparente semelhança de formas dos dois verbos. Por isso, sempre é bom dar uma revisada também no verbo vir e lembrar que o pretérito perfeito do indicativo é vim, vieste, veio, viemos, viestes, vieram. O pretérito imperfeito do subjuntivo é viesse, viesses, viesse, viéssemos, viésseis, viessem; e o futuro do subjuntivo de vir é vier, vieres, vier, viermos, vierdes, vierem.

Portanto, todo o cuidado é pouco com o emprego de vir. E esse cuidado aumenta com os verbos dele originados, que seguem sua conjugação. Preste atenção nos seguintes, que são mais usados e podem surgir em suas respostas discursivas ou em sua redação: advir, convir, intervir, provir, sobrevir. Imagine, por exemplo, que você vai dizer que o diretor da escola ingressou na sala em que os estudantes discutiam em voz muito alta. E de repente você tem dúvida se vai dizer interviu ou interveio. E agora? É só lembrar que intervir se conjuga como vir: vim, vieste, veio, viemos, viestes, vieram; intervim, intervieste, interveio, interviemos, interviestes, intervieram. Aí fica fácil: O diretor interveio na discussão dos alunos. E muita cautela ao usar a primeira pessoa, pois o correto é mesmo eu intervim, e não eu intervi. Percebeu?

É bom, portanto, dar uma repassada na conjugação de vir e dos verbos que deste se formam. Observe alguns exemplos corretos:

 

Daquela façanha adveio-lhe grande glória.

Aquela escola não lhe convém, minha filha.

Eu intervim, o diretor interveio e tudo acabou em festa.

Todo o combustível de que necessitávamos provinha da Europa.

O dia estava maravilhoso, até que sobreveio o furacão.

E tenha sempre em mente o erro mais crasso que se pode cometer com o verbo vir. No discurso coloquial abusamos desse erro, mas jamais podemos transportá-lo para o texto escrito: usar vim em vez de vir como infinitivo. Isso, por uma razão muito simples: não existe infinitivo terminado em –m no português, já que todos terminam em –r. Então, dizer Meu primo quer vim a São Paulo amanhã é um erro duro de engolir, isto é, de ouvir. O certo é Meu primo quer vir a São Paulo amanhã. Então, trate de começar a usar a forma correta do infinitivo de vir, para não correr mais o risco de escrevê-la incorretamente. Já imaginou se escapa em sua redação uma frase como Aquele navegador português não pretendia vim para o Brasil? Seria terrível, não?