Arquivo de 21 de março de 2013

Redação para o Vestibular? Não, para a vida!

quinta-feira, 21 de março de 2013

Um velho samba de Noel Rosa e Vadico pode encerrar lições interessantes, não necessariamente poéticas. Os primeiros dois versos, muito conhecidos, dizem:

 

Quem acha vive se perdendo,

Por isso agora estou me defendendo.

 

É a pura verdade: Quem acha pode acabar se perdendo. Na vida não basta apenas achar, é preciso ter certeza. O caso da redação nos vestibulares é típico: boa parte dos candidatos acham que, com um bom preparo, estarão aptos a fazer uma redação razoável nos exames e receber uma boa nota. Isso muitas vezes acontece, porque praticam por alguns meses um pouco mais que o comum e estudam os possíveis temas que poderão ser exigidos. Feito o exame, recebida a aprovação, escolhida a vaga, a preocupação com a redação retorna à estaca zero e nunca mais se fala nisso. Certo? Errado.

Errado, porque ocorre uma falha de perspectiva que, no futuro, pode se tornar muito grave: não se aprende redação para passar em exames vestibulares; deve-se aprendê-la para tornar-se uma  competência permanente ao longo da vida profissional. Está muito certo o professor, quando diz: Quem não escreve bem, um dia se dá mal.

Todos os profissionais, especialmente aqueles formados por universidades, têm de ter um domínio mais que razoável de redação, já que esta é um dos fatores diferenciais em termos de maior ou menor competência. Se um médico, um engenheiro, um arquiteto, um advogado, um economista se queixam de que não escrevem bem, é porque não aprenderam a escrever bem, ou seja, porque acharam, quando estudantes, que a redação era apenas uma prática pontual a ser julgada num exame de acesso a universidades. Erraram. E o preço desse erro poderá ser caro, poderá significar a perda de um emprego, de um cargo, de uma promoção. Por quê? Porque saber escrever bons textos representa uma virtude indispensável ao currículo de um indivíduo, uma virtude que com certeza o destaca entre outros. Dentro de um grupo, de uma equipe de profissionais em qualquer instituição, aliás, sempre é dos mais admirados aquele que sabe escrever melhor, e é sempre ele o escolhido para redigir os relatórios do trabalho. Competência gera confiança.

Portanto, você, que vai fazer os próximos vestibulares, você, que acaba de ingressar na universidade, você, que já está a meio caminho andado em seu curso superior ou você, que está prestes a se formar, pense com muita seriedade nisto: não se aprende redação apenas para os exames vestibulares, mas para toda a vida. Não se pratica redação apenas para passar nos vestibulares, mas para desenvolver ao longo da vida a habilidade de se expressar com clareza, objetividade e eficiência. O velho e bom Chacrinha dos programas de auditório da televisão tinha um mote que ficou famoso, sua marca registrada: Quem não se comunica, se trumbica. Podemos parodiar o grande mestre neste artigo, dizendo, a propósito da capacidade de bem escrever: Quem não pratica, se trumbica.

Pense a este respeito também como o Noel Rosa pensava de sua música: Batuque é um privilégio, / Ninguém aprende samba no colégio. Escrever, como fazer samba, é um privilégio do talento? Não só. O talento tem de ser alimentado, para não fracassar, pelo exercício individual, diário, permanente.