Archive for January, 2013

Vestibular e alegria

Wednesday, January 30th, 2013

Quando começam a ser divulgadas as listas de aprovação dos vestibulares das grandes universidades, as cidades brasileiras parecem tomadas por uma incomum aura de alegria. É um novo ar que se respira, mais leve, luminoso. Vemos jovens passarem sorridentes, trazendo estampado nas faces o selo da realização pessoal. Não apenas jovens: vemos também adultos, uns mais velhos, outros mais novos, com os semblantes transfigurados por rara exaltação. E sabemos que são os pais, os avós, os irmãos, a festejarem nos olhares e nos gestos a felicidade familiar por uma grande conquista.

Todo esse deslumbramento, porém, não se limita às famílias. Cada cidade parece ter uma consciência, formada por todas as consciências individuais, e nesses momentos a euforia se torna um sentimento único. Os jovens estão felizes, as famílias estão felizes, a sociedade está feliz, porque uma nova geração está chegando, vitoriosa, às universidades, que terão a responsabilidade não apenas de torná-los profissionais, mas também cidadãos.

Praza aos céus que seja esta a geração tão aguardada pela sociedade, aquela que dará o passo maior para atingir as metas da fraternidade, da justiça social e do bem-estar de todos. O país precisa disso. O mundo precisa disso.

A nova geração e seus desafios

Wednesday, January 23rd, 2013

A nova geração que está chegando às universidades, em meio a muita euforia, por certo tem consciência das metas e tarefas que terá de assumir.

Não se trata apenas de comemorar, de olhar para o horizonte com os ambiciosos olhos do eu, mas, como logo todos perceberão (e boa parte com toda a certeza já o percebeu), de notar que os objetivos são muito maiores. A sociedade ultratecnológica em que vivemos, toda ela governada pela Informática e pelos artefatos das tecnologias da informação e da comunicação, não representa um paraíso a que os jovens começam a ter acesso, mas, muito pelo contrário, um vasto campo de responsabilidades: é inadiável enfrentar os grandes perigos que emergiram no século passado e vêm ganhando força descomunal nestes inícios de século XXI.

O mundo progrediu? Progrediu, à custa de muitos sacrifícios e de muitos erros das gerações mais antigas, trazendo um pesadíssimo fardo: vivemos hoje as maravilhas da comunicação instantânea; e, enquanto o fazemos, respiramos o ar poluído (o povo, com propriedade, o chamaria pesteado) pelas mesmas fábricas que criam os produtos eletrônicos, pelos automóveis, aviões e navios que nos aumentaram a velocidade de locomoção; assim também, enquanto nos deslumbramos com a beleza e nos alimentamos com os coloridos frutos, legumes, verduras, cereais, somos envenenados pelos agrotóxicos. Destruímos as florestas, desequilibramos os mares, detonamos o meio ambiente, extinguimos muitas espécies e estamos em processo de destruição da nossa própria, primeiro dos mais pobres e carentes, que já morrem aos milhares de fome e desnutrição; e depois, dos mais abastados, pela ambição, pelo excesso de tensões, pela alimentação desequilibrada e a perda progressiva da resistência a doenças.

No meio disso tudo, temos pavor de que alienígenas desembarquem para destruir a Terra, quando a mais trivial reflexão revela que os piores destruidores, vale dizer, os piores alienígenas somos nós, que nos comportamos sempre como uma espécie invasora do ecossistema para “conquistar” cada centímetro quadrado do planeta, ignorando o direito à vida das outras espécies.

E o pior dos piores: nem conseguimos ainda viver em paz entre nós mesmos, com as guerras entre nações ameaçando permanentemente aumentarem e se tornarem, de novo, um conflito global de funestas consequências, que só fará encurtar o tempo até o fim de tudo.

Um quadro pessimista demais? Talvez. Mesmo dividido por dois ainda será um quadro terrível. É a esta realidade que chega a nova geração de estudantes às universidades do mundo inteiro, e a humanidade aguarda ansiosa seja uma geração que não venha apenas para pensar, planejar e trabalhar por si e para si.
Com a palavra e o comando, para o bem da Humanidade, a nova geração.

A Universidade é o fim? Não, é só o começo

Tuesday, January 15th, 2013

Algumas pessoas imaginam que a universidade é o fim do caminho: você presta vestibular, faz um curso, recebe o diploma e pronto! Agora é partir para o trabalho. É? Não, não é. Trata-se apenas de uma crença que não encontra total fundamento na realidade atual. Talvez num passado bem passado tenha sido assim. Os estudantes que se formavam num curso de graduação tinham dois caminhos após a formatura: partir para a busca de emprego na iniciativa privada e em repartições públicas ou tentar estabelecer-se como profissionais autônomos. A universidade ficava para trás, como uma bela lembrança de tempos dourados.

Hoje, porém, não é mais assim. O enorme aperfeiçoamento dos meios de transporte, que inclusive se tornaram muito baratos, a evolução das relações entre os países, bem como toda a tecnologia da informação e comunicação geraram um mundo novo, inimaginável há três ou quatro décadas. As próprias universidades de todo o planeta foram altamente beneficiadas com tudo isso, pois também estreitaram suas relações e comunicações, possibilitando o intercâmbio de estudantes. Quem faz um curso de graduação, hoje, conta com inúmeras possibilidades de intercâmbio com universidades do país e do mundo. E esse intercâmbio é administrado pela própria instituição em que estuda. Chegou-se à conclusão de que estágios e programas de aperfeiçoamento na própria instituição ou em outras instituições do país e do mundo são parte da formação de todos, e não acontecimentos eventuais na vida de um ou outro interessado.

Esta nova visão da formação encontra eco mesmo após a formatura daqueles que preferiram seguir uma carreira: a possibilidade de aperfeiçoamento em cursos de pós-graduação lato sensu foi intensamente incrementada na última década. Qualquer profissional de carreira ou autônomo encontra, em diferentes universidades, inúmeros cursos para aumentar sua capacidade ou estender seu campo de atuação.

Assim também a pós-graduação stricto sensu, que há três décadas ainda era bastante limitada, experimentou enorme desenvolvimento e hoje se desenvolve em todas as universidades públicas e em algumas instituições privadas. Com isso, o país começa a ganhar destaque e prestígio na produção científica mundial, e muitos pesquisadores aqui formados se espalham pelo mundo nos mais variados campos da Ciência.

Você, que iniciará em breve o curso universitário para o qual foi merecidamente aprovado, deve ter em mente tudo o que foi afirmado acima e sentir-se feliz por estar vivendo aqui e agora seus anos dourados, que também começam a ser os anos dourados do ensino universitário. E abandone a ideia de que, ao formar-se, a universidade lhe fechará as portas. O contrário é o verdadeiro. A universidade será sempre para você um organismo permanentemente aberto. Seu curso de graduação não é o fim. É apenas o começo.

Pense nisso.

São Paulo e suas universidades pujantes

Tuesday, January 15th, 2013

Você talvez estranhe um pouco o adjetivo pujante, não muito usado na comunicação corriqueira, que se aplica, porém, de modo admirável à definição das universidades do estado de São Paulo. Significa, segundo o Aurélio, que tem grande força; possante; que tem poderio; grandioso, magnificente, denodado; altivo, altaneiro, brioso. Todos os anos, candidatos de todas as partes do país que buscam vagas nas universidades paulistas são prova viva dessa força.

O Brasil foi considerado, ao longo de sua história, um país dotado de pujança, isto é, vigoroso, possante. E não sem motivo: desde o Descobrimento,  embora os estrangeiros julgassem que seria para sempre um mero território colonizado, campo de exploração predatória do Hemisfério Norte, seus habitantes viam que a grandeza territorial e a formação de sua população conduziam ao caminho da independência e do progresso, para se tornar hoje uma das maiores economias do mundo, uma nação conhecida por suas magníficas realizações nos campos da arte, da tecnologia, da cultura em geral. Prova disso é o equilíbrio econômico de que desfruta na atualidade, enquanto países da Europa e de outras partes do mundo lutam para sair da bancarrota.

A criação da Unesp, em 1976, foi saudada pela maioria da população como um novo passo no ensino superior, já que formada pela união de faculdades e institutos isolados espalhados por boa parte do território de São Paulo. Criava-se, assim, uma universidade com grande abrangência geográfica. A disparidade de municípios e instituições, que poderia representar fraqueza, foi fator de dinamismo e força, como imaginavam os visionários responsáveis por seu planejamento e instauração. A nova universidade não apenas cresceu e se desenvolveu, mas cresceu e se desenvolveu muitíssimo bem, mantendo frutífero intercâmbio com Usp e Unicamp, fundadas anteriormente. E se tornou também uma instituição superior modelar.

Temos em São Paulo, deste modo, um sistema universitário público em permanente desenvolvimento. A este veio somar-se a Univesp, que, como universidade virtual, opera no sentido de ampliar e diversificar a oferta de ensino superior semipresencial, em ampla colaboração com suas três coirmãs.

Se você, quer seja paulista, quer provenha de outros estados, receber aprovação num dos três vestibulares, considere-se realmente afortunado. Nosso estado é  considerado desde há muito tempo pujante, responsável por boa parte do progresso atual do país. E suas universidades têm e terão papel relevante para que esse quadro só faça aumentar e aperfeiçoar-se.

Bom para São Paulo, bom para suas universidades, bom para os estudantes que as procuram visando formação superior de altíssima qualidade.

 

 

2013: um começo de mundo

Wednesday, January 2nd, 2013

Durante todo o ano de 2012 muito se falou sobre o fim do mundo, previsto, segundo os profetas da internet, para 21 de dezembro, de acordo com o calendário Maia e seus registros. Muita gente no planeta acreditou e chegou a estocar alimentos, imaginando que, antes de se extinguir, o planeta passaria por grandes cataclismos e era preciso estar bem alimentado para a chegada do final dos tempos. E o mundo, como em outras épocas da História, não acabou, ou só “acabou” na imaginação dos que apostam em apocalipses e castigos dos deuses aos desobedientes homens que foram brindados com um planeta maravilhoso e não estão sabendo usar. Nessa estória, de resto, é preferível ficar com os piadistas costumeiros, que debocharam, na passagem do milênio, após a falha das previsões de Nostradamus e ironizam agora: O mundo acabou, sim, só que nós ainda não percebemos!

É melhor, assim,  ficar com os piadistas, não apenas pelas boas risadas, que nos fazem bem à mente e ao corpo, como também pela seriedade de encarar o que virá com otimismo e determinação para atingir nossos sonhos.
Nessa visão séria, o mundo realmente acabou em 2012, ou seja, acabou um mundo que foi muito bom, pelas vitórias e pelos fracassos que tivemos. Foi fácil festejar as vitórias, assim como foi difícil, por vezes muito difícil, assimilar as derrotas. Mas, entre vitórias e fracassos, talvez devamos festejar mais estes do que aquelas, pelo que são capazes de nos fazer refletir e melhorar, como também pelo fato de que ninguém passa na vida ileso, sem tropeçar.  Muitas pessoas, numa concepção equivocada, levam suas vidas temendo as derrotas, como se estas fossem o fim do mundo. Na verdade, como a biografia de grandes homens atesta, as derrotas são frequentemente o ponto de partida para grandes realizações, por vezes as maiores realizações daqueles indivíduos. É óbvio: os acertos alegram; os erros ensinam.

Pense, portanto, caro vestibulando, que o mundo, o melhor de seus mundos, está começando agora, em 2013, e que em seu desenvolvimento trará acertos e também erros. Você espera ansiosamente os resultados de alguns vestibulares que prestou, enquanto vai fazendo outros, confiando que desta vez tudo dará certo. E é muito provável que dê. Nesse caso, alegre-se, curta sua emoção, festeje. A universidade o receberá de braços abertos e lhe fornecerá todas as condições para uma excelente formação profissional.

E se não for desta vez? E se, depois de tanto esforço, ainda não der? Não se lamente, não se acuse de negligência, não atribua aos deuses esse fato. Continue no comando, como sempre fizeram os grandes homens, e transforme a decepção na bússola que o conduzirá futuramente ao sucesso.

Trate 2013, assim, de um modo ou de outro, como o período em que abrirá o horizonte para suas melhores realizações, um ano de começo, e não de fim de mundo.

Feliz começo de mundo a todos.