Archive for December, 2012

Questões Discursivas: atenção no ler, clareza no escrever

Thursday, December 13th, 2012

Muitos candidatos, todos os anos, temem as questões discursivas, julgando-as mais difíceis que as objetivas. Outros, ao contrário, as adoram, dizendo que é mais fácil obter boas notas com elas, pelo simples fato de que podem expressar-se por si mesmos, e não escolher alternativas escritas pelos elaboradores, nem sempre muito claras para eles.

Na verdade, não há motivo nem para se preocupar demais nem se entusiasmar com essas perguntas, porque não são melhores nem piores que as objetivas: são diferentes, avaliam as competências dos candidatos sob ângulos distintos. Por esta razão, devem ser enfrentadas pelos candidatos com atitudes apropriadas: as questões objetivas exigem atenção redobrada no ler; é preciso analisá-las “com pente fino” para descobrir qual das alternativas, cuja leitura deve ser também minuciosa, contém a resposta correta.

Ora, se as questões objetivas demandam leitura atenta e redobrada, as discursivas impõem, além do extremo cuidado na leitura dos enunciados, o máximo capricho na escrita. “Capricho”, aqui, significa clareza. O principal predicado de uma resposta a questão discursiva é a clareza. Sem esta, pode o candidato até saber o que é correto, sem conseguir, no entanto, comprová-lo ao responder. No caso das questões objetivas, descoberta a alternativa correta, é só marcar. No caso das discursivas, descoberta a solução depois de muito interpretar, é preciso demonstrar isso de próprio punho à banca de correção. Não se trata de tarefa muito fácil, portanto, embora tenha as suas vantagens, como, por exemplo, a de se poder acertar uma parte da resposta e receber a nota correspondente, o que  não ocorre com as questões objetivas, em que tudo se resume a oito ou oitenta: ou acerta a alternativa, ou erra.

E o que é clareza, afinal? É a propriedade de um texto de ser compreendido sem dificuldade pelo leitor. A mensagem passa diretamente, sem dificuldade. Ao contrário, se um texto oferece dificuldade total ou parcial para ser entendido, dizemos que tem o defeito da obscuridade.

Como atribuir a propriedade da clareza ao que escrevemos? Parece difícil, mas não é. Basta ter em mente que escrever é uma via de mão dupla: quando se escreve, ao mesmo tempo se lê o que se escreve. Nesse primeiro momento, já temos uma noção sobre o grau de clareza de nosso texto. Por isso, o melhor truque é pensar muito na resposta, elaborá-la mentalmente antes de colocá-la no papel; e escrevê-la lentamente, sempre lendo o que está sendo escrito. O estudante que ficar nesse nível e escrever a resposta pode até acertar integralmente. Foi treinado para isso ao longo do ensino médio e do curso preparatório. Mas, se quiser ficar bem seguro, deve fazer pelo menos mais uma leitura, muito atenta, colocando-se como receptor, para detectar pontos obscuros na resposta que deu. Uma vírgula não colocada ou mal colocada pode ser fator de obscuridade. Um tempo verbal mal escolhido pode levar o conteúdo para uma direção não pretendida. Uma regência verbal equivocada pode fazer uma frase mudar drasticamente de sentido. Talvez a palavra que melhor descreve esta técnica seja ceticismo. O candidato deve exercitar o ceticismo nas respostas que dá, pressupondo sempre, por método, que pode ter errado alguma coisa e precisa descobrir e corrigir. E muitas vezes descobrirá errinhos e cochilos, porque é natural cometê-los quando se escreve. Nenhum escritor, estudante ou literato, consegue ser perfeito na primeira redação.

É isso aí. Pelo menos como método de aperfeiçoamento de suas respostas discursivas, seja desconfiado, acredite que pode ser mais claro e eficiente em suas respostas. E realmente o será.

 

 

 

Repertório: faça o seu

Tuesday, December 4th, 2012

Você por certo já ouviu a palavra repertório. Deve ter ouvido. Se consultar um bom dicionário, como o Houaiss, encontrará, entre outros sentidos para tal palavra: “o conjunto das peças teatrais ou das composições musicais pertencentes a um determinado autor, ou a uma época, uma escola etc., conjunto das peças que já foram apresentadas por uma companhia teatral ou que estão sendo remontadas periodicamente, ou que foram escolhidas para montagens futuras, conjunto de músicas interpretadas ou executadas por um cantor, um instrumentista, uma orquestra etc., conjunto dos papéis interpretados por um ator ou uma atriz, conjunto das peças executadas em um concerto, conjunto de conhecimentos”.

Agora você sabe que ouviu muitas vezes a palavra repertório, geralmente com relação a atividades artísticas. Observe com atenção, porém, a última acepção citada: conjunto de conhecimentos. É o que nos interessa neste momento, porque nem só os artistas formam um repertório, mas todo e qualquer profissional. Ter um bom repertório, neste sentido, é ter uma boa soma de conhecimentos e experiências em seu campo de estudo ou de trabalho. É impensável, por exemplo, um vestibulando que não tenha formado um bom repertório de assuntos para estar preparado para a redação. Como fazer uma boa redação sobre poluição ambiental, caso seja esse o tema, se você jamais se interessou pelo assunto e não leu nada a respeito, nem em livros, nem em revistas ou jornais, nem na internet, e por isso mesmo não assumiu ainda nenhuma posição a respeito? Percebeu? Não ter repertório sobre um tema já é um mau começo de redação, porque você vai depender dos textos de apoio e apenas deles.

O repertório, porém, não se limita a Linguagens e Redação. Pense na Física, por exemplo, e no que há de informação, hoje, na internet, a respeito dos mais variados temas dessa disciplina, que chegam até à Física Quântica e à Teoria da Relatividade, sem falar na Teoria Unificada que os físicos colocam como meta. Você não gosta de ler sobre esses assuntos? Mau negócio, pode não entender o enunciado de certas questões. E na História? Você se limita ao que dizem suas apostilas? ou tem a curiosidade de pesquisar certas épocas para avançar mais seus conhecimentos? E na Geografia? E na Matemática? e na Química? e na Biologia, que ocupa hoje lugar de destaque em boa parte das publicações jornalísticas, em função da Genética e da Engenharia Genética? Não é possível que jamais tenha lido textos sobre o genoma humano e o desafio que seu estabelecimento provocou e ainda provoca.

Você acredita mesmo que as sugestões feitas no parágrafo anterior são um tanto fantasiosas e que os candidatos apenas precisam estudar bem suas apostilas? Não acredite mais. O mundo mudou e trouxe novas responsabilidades a todos, inclusive a você. Algum tempo atrás, era dificultoso formar repertório sobre essas disciplinas, pois a única fonte eram os livros e as bibliotecas. Não eram muitos os estudantes com coragem para enfrentar horas e horas em bancos de bibliotecas para aperfeiçoarem seus conhecimentos. Essa desculpa não existe mais. Com a chegada da internet, tudo ficou enormemente facilitado. Praticamente todos os conhecimentos se encontram hoje na rede, com facilidade. O próprio ensino, chamado “a distância”, é ministrado por esse meio. Pode-se formar um belo repertório sobre qualquer assunto consultando sites especializados. E sites muito bons, diga-se de passagem, criados justamente para ensinar com facilidade e clareza os conteúdos propostos. Dedicar um pouco de seu tempo na internet à formação dessa bagagem científica e cultural é realmente muito importante, não acha? Ou acredita que é mais vantajoso se limitar às redes sociais e aos games? Você decide.

Invista desde já no seu repertório. Os juros e dividendos serão excelentes, tanto nos vestibulares, como em sua profissão futura.