Archive for October, 2012

Unesp: Um Vestibular bastante concorrido

Thursday, October 25th, 2012

Terminadas as inscrições para o vestibular 2013 da Unesp, verifica-se o que vem ocorrendo com constância há muitos anos: o aumento do interesse dos candidatos pela universidade pública que mais cresce, tanto em número de vagas oferecidas, como em número de unidades disseminadas por todo o território do estado de São Paulo. No vestibular de 2012, houve a inscrição de 91.884 candidatos, número altamente expressivo; agora em 2013, as inscrições passaram para 94.350, com um incremento de 2,68% em relação ao ano anterior. E é muito provável que em um ou dois anos as inscrições ultrapassem o número de cem mil candidatos.

A história da Unesp é, realmente, a história de uma universidade que, desde seus primeiros momentos, em 1976, voltou-se para o interesse dos estudantes de todas as regiões do Estado em fazer graduação em universidade pública. O crescimento dos cursos, tanto em quantidade como em qualidade, logo chamou atenção dos jovens do país inteiro, que passaram a ver em nossa universidade uma de suas principais opções. Não há outra razão para o fato de os vestibulares da Unesp, além das cidades paulistas, serem realizados também em Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande e Curitiba: com isso, candidatos de outras partes do país têm mais facilidade de locomoção para o dia das provas. No estado de São Paulo, são 35 as cidades em que se realizam as provas da primeira fase. Estes dados, por si sós, revelam a altíssima dimensão atingida pelo Vestibular Unesp, cuja aplicação exige uma complexa operação de logística da Vunesp, a fim de que tudo transcorra normalmente para os candidatos realizarem suas provas em condições ideais e poderem obter suas vagas em uma das unidades que a Unesp possui em Araçatuba (155 vagas), Araraquara (855), Assis (405), Bauru (1.045), Botucatu (550), Dracena (40), Franca (400), Guaratinguetá (310), Ilha Solteira (270), Itapeva (40), Jaboticabal (280), Marília (475), Ourinhos (45), Presidente Prudente (640), Registro (40), Rio Claro (490), Rosana (40), São José do Rio Preto (460), São José dos Campos (120), São Paulo (154), São Vicente (80), Tupã (80) e agora, a partir deste vestibular, também em São João da Boa Vista (40).

Em termos gerais, dividindo-se o número de candidatos (94.350) pelo de vagas (7.014), a concorrência é de 13,5 candidatos por vaga. Ocorre que a procura por alguns cursos é mais intensa, de sorte que em cada um essa relação apresenta resultado particular. Deste modo, para o curso de Medicina (Botucatu) são 185,3 candidatos por vaga; Direito (Franca), 63,8 candidatos por vaga; Química (Araraquara), 57,8; Arquitetura e Urbanismo (Bauru), 48,4; Engenharia (Bauru), 45. Essas diferenças de procura por cursos, todavia, não devem ser consideradas além de seu significado real, que resulta do próprio interesse vocacional dos candidatos aliado a seu julgamento das possibilidades profissionais de tais cursos. Na verdade, a experiência universitária ensina que todos os cursos oferecidos pela universidade têm grande potencial, dependendo o maior ou menor sucesso profissional futuro da dedicação dos estudantes ao longo de cada curso, bem como do empenho e determinação que venham a assumir desde o início das profissões em que se formarem. Um bom profissional faz sucesso sempre, independentemente do campo que tenha escolhido para seu trabalho.

É com base na própria demanda que a Unesp está oferecendo, a partir de seu vestibular 2013, mais cursos novos: Ciências Biológicas, em São Vicente, Engenharia Agronômica, em Dracena, Engenharia Ambiental, em São José dos Campos, Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia, em Araraquara, Engenharia de Pesca, em Registro, Engenharia de Telecomunicações, em São João da Boa Vista, Engenharia Química, em Araraquara e Meteorologia, em Bauru. A primeira fase das provas ocorrerá no dia 18 de novembro; a segunda, nos dias 16 e 17 de dezembro.

É a Unesp buscando aumentar e diversificar cada vez mais suas dimensões geográficas, suas unidades em diferentes municípios, seus cursos e, sobretudo, o número de vagas, para atender os estudantes de todo o Brasil.

Bem-vindo ao vestibular! Bem-vindo à Unesp!

 

Cuidado com o quê? Com os quês!

Thursday, October 18th, 2012

No artigo postado anteriormente, foi abordada a questão do uso exagerado do conectivo mas, que pode perturbar em muito respostas a questões discursivas, como também a redação. A língua possui mecanismos de repetição, úteis para tornar mais clara a mensagem; todavia, o exagero das repetições funciona no sentido contrário: em vez de esclarecer, obscurece a expressão.

Um dos casos típicos, na língua portuguesa, é da palavra que. Algumas vezes, quando relemos o rascunho de um texto, ficamos preocupados por tê-la empregado com certa insistência. Se o discurso fica um tanto esquisito para o escritor, imagine-se para o leitor:

 

O presidente declarou que não pretende dar respostas aos questionamentos de que está sendo alvo, já que a oposição não esclarece que pretende também contribuir para o aprimoramento do projeto que foi apresentado pelo líder do governo, que tem como objetivo que se evite a carência de verbas para a saúde, o que vem ocorrendo nos últimos anos e que exige  muitos sacrifícios da população.

 

É “que” demais, não é? Os gramáticos tradicionais consideram esse emprego exagerado um vício de discurso, denominado queísmo. Na verdade, não somos culpados disso, nem se trata propriamente de vício, mas de um fator da própria estrutura gramatical da língua: não há uma só palavra “que”, mas diversas, pertencentes a classes diferentes, como, por exemplo, pronome relativo (Ela comprou o livro que eu pedi); conjunção subordinativa integrante (O presidente declarou que não vai dar respostas…); pronome interrogativo (Que é isso?); substantivo (Retire esse quê da frase); conjunção subordinativa consecutiva (Gritou tanto, que todos foram embora.), etc. etc.

Por isso, não é de espantar que volta e meia os rascunhos de nossas frases fiquem como a exemplificada acima. Como resolver o problema? Pedindo socorro às gramáticas e às listas intermináveis de “funções do que”? Não necessariamente. Uma leitura atenta e algumas alterações de estrutura sintática podem resolver o problema. Observe que o exemplo apresentado se realiza num período gramatical só, sendo essa uma das causas da proliferação da palavrinha. Podemos eliminar boa parte dos quês, fazendo um desmembramento em períodos menores:

 

O presidente declarou não pretender dar respostas aos questionamentos de que está sendo alvo. Para ele, a oposição não esclarece se pretende também contribuir para o aprimoramento do projeto apresentado pelo líder do governo, cujo objetivo é evitar a carência de verbas para a saúde, como vem ocorrendo nos últimos anos, com  muitos sacrifícios da população.

 

Ficou bem melhor com a eliminação de oito das nove ocorrências, não ficou? E o desmembramento em dois períodos aumentou a clareza e a eficiência da mensagem. Você nem precisou saber a que classes gramaticais pertencem os quês eliminados.

Não se deixe, portanto, assustar por termos como queísmo e outros, apresentados como “vícios” de discursos. Escrever um texto, na verdade, é como fazer qualquer objeto de artesanato. O primeiro resultado apresenta muitas rebarbas, que devem ser eliminadas com técnicas de acabamento. Um artesão exigente faz diversos polimentos no objeto, até ficar satisfeito com o resultado. Um escritor exigente vai reescrevendo o texto até considerar que atingiu o ponto esperado.

Certo teórico escreveu em um livro recente que escrever é escrever e escrever e escrever e escrever… Certíssimo está ele, não está?

 

Repetições de palavras: que perigo!

Tuesday, October 9th, 2012

Os grandes problemas em nossas atividades surgem por vezes de pequenas causas, aparentemente insignificantes. É o que ocorre, por exemplo, quando você redige respostas a questões discursivas ou, mesmo, na redação. Nossos professores jamais cansam de alertar para certos vícios que podem ser muito perigosos. Um deles é o de repetir palavras.

Repetir palavras ou frases é necessário e útil em certas circunstâncias, quando queremos ser enfáticos. Em outras, torna pesado nosso estilo e traz danos à compreensão daquilo que falamos ou escrevemos. Uma palavrinha em que usualmente não prestamos muita atenção pode fazer isso: mas. Não acredita? Acredite. Pequenina e bonitinha, não? Muito perigosa!

Na escola, você aprendeu que mas é um conectivo, uma conjunção coordenativa adversativa, que tem como colegas porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, etc. Quando o professor alerta em aula para o perigo de ficar repetindo mas, os estudantes acham fácil resolver o problema: é só trocar pelas outras conjunções adversativas. Esse é o nó da questão: nem sempre dá para trocar pelas outras, de modo que é preciso fazer alteração no enunciado da frase para eliminar a repetição indesejável. Eis um exemplo:

 

Dizem os livros de História que o Brasil foi descoberto por Cabral, mas há estudos que sugerem ter ocorrido o descobrimento um pouco antes, mas foi ocultado na época por razões políticas, mas ninguém parece se importar com isso no Brasil e continuamos repetindo uma informação antiga, mas questionável.

 

Estilo bem pesadão, não é verdade? Sim. O escritor desta frase poderia até retrucar que o conteúdo está claro. Está mesmo. Dá para entender tudo. A insistência no mas, por quatro vezes, é um fator de perturbação. O leitor notará e por certo comentará algo como Esse cara não sabe redigir com classe! A repetição de mas é muito coloquial!

Realmente. Ao falarmos, em especial na comunicação ordinária, a preocupação maior é passar a mensagem com rapidez e clareza, ninguém se importando muito em repetir ou não palavras. Já numa comunicação formal, numa apresentação de trabalho em classe, numa aula expositiva, devem ser evitados os coloquialismos, entre os quais as repetições desnecessárias. O mesmo ocorre na comunicação formal escrita.

Se você prestou bem atenção, percebeu no parágrafo anterior a ideia fundamental do alerta que está sendo feito: devem ser evitadas, na comunicação formal, repetições desnecessárias. No exemplo fornecido, empregar mas quatro vezes é desnecessário? Sim, e indesejável, como ficou dito no terceiro parágrafo. Reescrevendo o enunciado, podemos obter um resultado melhor:

 

Dizem os livros de História que o Brasil foi descoberto por Cabral. Há estudos, no entanto, que sugerem ter ocorrido o descobrimento um pouco antes, tendo sido ocultado na época por razões políticas. Ninguém parece se importar com isso no Brasil e continuamos repetindo uma informação antiga, questionável.

 

Ficou bem melhor, não ficou? Digna de uma redação de vestibular ou de uma resposta a questão discursiva. Você pode até não concordar com o conteúdo, que está no campo da polêmica, sem negar que ficou bem mais agradável de ler.

Reparou que neste artigo o conectivo mas foi apenas mencionado e empregado no exemplo? Pois é. Foi uma decisão que o Blogueiro tomou no início: Vou escrever o artigo sem usar o conectivo mas nas frases de minha exposição. Quero demonstrar ao estudante que isso é possível.

Você pode fazer o mesmo, sempre que quiser deixar seu texto mais elegante. Boa redação!

 

O livro acabou? Não, está nascendo agora!

Tuesday, October 2nd, 2012

Algumas pessoas andam dizendo por aí que o livro acabou e que em breve as livrarias se tornarão museus. Quem não gosta de ler anda até festejando: Que bom! Agora não vai ser preciso enganar o professor com resumos da internet! E não vai ser preciso estudar aquelas relações de livros de escritores chatos nos vestibulares!

Que verdade existe nisso? Nenhuma. Puro equívoco.

Jornais e revistas, em seu afã de estimular as pessoas a ler as notícias que dão, seja em papel, seja na internet, podem até apresentar manchetes como O LIVRO ACABOU ou É CHEGADO O FIM DO CICLO DO LIVRO ou ainda A ERA GUTEMBERG ESTÁ FINDANDO. Tudo isso, no entanto, é sensacionalismo, nada mais. Sensacionalismo, de resto, provocado pela omissão maliciosa de um conceito fundamental nessas manchetes: PAPEL. Na realidade, o que ainda não acabou, mas vai acabar, é o livro de papel, como um dia acabou o livro em tabuinhas de cerâmica, em pergaminhos e em papiro. O livro acabará? Jamais. De jeito nenhum. Já está ganhando nova vida, uma vida digital, à custa da qual já está circulando pela internet em todas as partes do mundo com maior rapidez e  qualidade. E o preço é muito menor.

Já entramos, de fato, na era do e-book, termo empregado usualmente para nomear o livro em sua nova forma. Atualmente numerosas empresas se encarregam de disponibilizar downloads de milhões de livros já publicados e outros em primeira publicação. Os livros, assim, estão aos poucos deixando o papel para se tornarem arquivos de computador, arquivos que são comprados por preços muito baixos, quando comparados ao dos livros de papel. Os e-books são lidos nos chamados e-readers ou leitores digitais de livros. Mas também são baixados para os numerosos tipos de tablets que inundam o mercado e estão se tornando instrumentos utilíssimos, pois apresentam quase toda a funcionalidade dos computadores em um tamanho compacto e ainda servem para baixar e ler ebooks, bem como jornais e revistas eletrônicas.

Os e-readers usam a chamada tinta eletrônica, um sistema que deixa as letras dos textos mais definidas e nítidas do que no próprio livro de papel. Segundo alguns comentários, torna-se mais agradável e menos cansativo ler um livro no e-reader do que na própria folha de papel; e o texto não perde a definição mesmo ao sol. Já os tablets, que usam telas de LCD, como os computadores e os laptops, permitem também uma boa leitura, mas apresentam limitações se o usuário tentar ler ao sol (como qualquer tela de LCD). Os computadores e laptops têm aplicativos que também permitem colocar no monitor os e-books e lê-los em seu formato original.

Então, tudo isso é para lamentar ou festejar? Claro que é para festejar. Isso é progresso, é conquista das tecnologias da informação e da comunicação.

O livro em papel acabou? Ainda não, vai durar um pouco mais, mas fatalmente irá desaparecer um dia, ou ficar reduzido a um uso bastante restrito.

Ao abandonar o papel, o livro está ganhando roupa nova, digital, muito mais econômica, que implica mínimo custo de edição. E é com essa nova roupa digital que atingirá muitíssimo mais pessoas no mundo do que conseguia o livro de papel. Livro digital não tem capa de luxo, não tem folhas de luxo, não tem luxo. É livro, no seu mais puro significado, e livro que, seguramente, exercerá um papel verdadeiramente revolucionário na educação.

Você sabe que um e-reader ou um tablet cabem no bolso e podem conter uma biblioteca inteira e todas as apostilas que você usa na escola. E sabe que não só o livro de papel desaparecerá. Também aquelas pesadonas mochilas, que já causaram problemas de coluna a tanta gente!

E não está longe o dia em que os vestibulandos farão suas provas não em papel, mas em tablets. Já pensou?