Archive for September, 2012

Esperança é combustível: o aditivo é você

Wednesday, September 26th, 2012

Com as inscrições ao vestibular em andamento, você percebe que dobrou a última curva e ingressou na reta de chegada. Evidentemente, vem com todo o gás, como se diz na gíria, com toda a vontade de vencer.

A comparação dos exames vestibulares com uma corrida, seja ela de atletismo ou automobilística, pode ser interessante para destacar um fato: em qualquer corrida olímpica, como em qualquer prova de automobilismo, há sempre um só vencedor, o campeão. E quanto mais ganhar corridas, mais será admirado e respeitado como indivíduo de qualidades, pelo menos naquele esporte, superiores a todos os concorrentes. Tudo acaba conduzindo para a glória de uma só pessoa ou, nos chamados esportes coletivos, uma só equipe. Neles, para o torcedor, o segundo lugar não é nada. Ser vice-campeão é feio.

Felizmente, não é assim nos exames vestibulares. Estes são, figuradamente, também uma corrida, mas uma corrida com múltiplos vencedores, correspondentes ao número de vagas em disputa. Nesse caso, não faz muita diferença, no começo do curso, ser o que conquistou a primeira ou a última vaga; nem tampouco ao longo do curso e da própria carreira, no futuro, porque é sabido que não há uma relação direta entre a classificação para as vagas e o desempenho, quer no curso, quer na vida profissional. Assim como há alunos brilhantes que se tornam profissionais brilhantes, há também estudantes que, medianos no curso, ficam entre os melhores ou, mesmo, tornam-se os melhores na profissão. Deste modo, todas as vagas conquistadas num exame vestibular para determinado curso têm o mesmo peso, o mesmo valor e oferecem as mesmas possibilidades de alto desempenho no curso e na vida profissional futura.

Mas então, o que diferencia? perguntará alguém. Não é difícil responder. O que diferencia não só os estudantes, mas todas as pessoas que se movem no mundo são os sentimentos de determinação, autoconfiança e esperança. Sim, esperança. Ter esperança, qualquer que seja a atividade humana, é fundamental para atingir o sucesso. O piloto tem de ter esperança desde o momento da partida, mesmo que largue no pelotão intermediário; essa esperança o leva a imaginar que, numa corrida, mil e um fatos podem ocorrer que beneficiam ou prejudicam os que estão na frente, beneficiam ou prejudicam os que estão atrás. Certo piloto, muito conhecido, disse outro dia que, quando não tiver mais possibilidade de vencer uma corrida, parará de correr. Traduzindo: quando não tiver mais esperança de vencer, não correrá mais.

Não será diferente nos exames vestibulares. Agora que estão muito próximos, renova-se a esperança de obter a vaga. Pode ser a sua primeira tentativa, pode ser a quarta ou quinta, mas você não presta os exames por nada. Tem grande esperança de passar. E por isso mesmo acabará passando. Esperança é como um combustível; com ela, a sua “máquina” se move velozmente na direção da linha de chegada. Mas o aditivo, aquele algo aparentemente pouco que, misturado ao combustível, provoca um enorme aumento do desempenho, é você.

A hora é de otimismo. Encha o tanque de esperança e aditive-a com sua autoconfiança e determinação. E não se preocupe demais com a sorte. A sorte é de quem a faz. Com esperança.

 

Formar-se é se formar

Wednesday, September 19th, 2012

Jovens como você sonham com a aprovação nos exames vestibulares, considerando os quatro ou cinco anos do curso como a preparação para, uma vez formados, tornarem-se grandes profissionais, que obterão com seu trabalho uma vida confortável, com qualidade, bem como o respeito e a admiração dos amigos e familiares. Este é o sonho de todos. Este é o seu sonho.

É preciso, no entanto, abrir um pouco mais esse horizonte para que sua visão possa detectar aspectos igualmente importantes, sem os quais você não conseguirá atingir plenamente tudo aquilo que almeja. O principal desses aspectos é que você não é um ser isolado, vive em uma sociedade que propicia os elementos necessários para que sobreviva e possa atingir seus objetivos, uma sociedade para a qual, por isso mesmo, você deve também sua parcela de contribuição.

O homem é um ser social. Você já ouviu esta frase muitas vezes, compreendeu o que significa, mas deve continuar refletindo sobre ela ao longo de toda a sua vida. Viver em sociedade significa viver em interdependência com as outras pessoas, significa que tudo o que um indivíduo faz interfere em maior ou menor grau naquilo que fazem todos os demais. Se as ações de todos fossem boas, a sociedade seria plenamente beneficiada e a existência de cada um inteiramente feliz.

Você sabe que não é isso exatamente o que aconteceu ao longo da História, nem tampouco o que acontece hoje. Vivemos num mundo em que nos meios de comunicação se faz propaganda da boa vida, do conforto, da alegria, da felicidade, quando de fato as pessoas estão em permanente tensão entre o que desejam, o que sonham e o que lhes apresenta a realidade. Fome, desnutrição, doenças, poluição ambiental, delinquência, tráfico de drogas, corrupção em empresas, em órgãos públicos, na política e na administração do país. O egoísmo, as ambições desenfreadas, o desrespeito à pessoa humana grassam como epidemia no planeta, tornando o mundo atual um ambiente de sofrimento para a maioria da população, que não consegue atingir poder aquisitivo suficiente para garantir uma existência digna.

Tudo isso ocorre porque muitos indivíduos, por motivos os mais variados, não compreendem o fato fundamental de que a vida em sociedade deve sempre objetivar o bem-estar de todos, e não apenas o deles próprios. Todos os problemas apontados poderiam não existir ou ser reduzidos a índices mínimos, se a maioria agisse sempre na busca do benefício para a coletividade, com a convicção de que todos os seres humanos, de todos os países, independentemente de raça, credo político ou religioso, têm direito a uma vida plena sobre a terra.

Por tudo isso, acrescente a seus sonhos de realização pessoal, ao longo de sua formação no curso, o de contribuir para que um número cada vez maior de indivíduos possam atingir o sucesso que você tiver atingido e para que a Terra faça uma espécie de volta às origens apontadas por todas as religiões e pelos poetas: um verdadeiro paraíso em que a própria ideia de infelicidade não existe. Os seres humanos, em sua evolução e história, acabaram degradando esse paraíso original até atingir o nível atual de um planeta assolado por todo o tipo de males e perigos, inclusive o da própria extinção da vida pela violenta poluição ambiental e pelo efeito estufa. Você sabe disso. Sabe que ninguém pode ser inteiramente feliz num mundo em que à maioria das pessoas é negado o acesso ao próprio caminho da felicidade, um mundo cuja extinção já se vislumbra nas pesquisas dos cientistas de todo o mundo.

Atingir a formação num curso universitário, portanto, é algo ainda mais amplo e mais nobre do que se imagina usualmente. E isto, em função do estado em que a sociedade humana se encontra, cria ainda uma maior responsabilidade em cada estudante do ensino superior. A busca da realização e da felicidade tem de deixar de ser um ato individual para tornar-se um ato coletivo. São estes os verdadeiros significados de palavras como cidadão e cidadania, que orientam a formação dos estudantes em todos os níveis.

Pense nisso. Pense que o que tem e o que obtém são dados pela sociedade e que a todos deve ser facultada a mesma oportunidade que você teve. É isso o que busca significar o título deste artigo: Formar-se é se formar.

 

Uma redação perfeita? Uma redação adequada

Thursday, September 6th, 2012

Você costuma percorrer sites e blogues sobre vestibulares, preocupado com métodos de estudo e dicas sobre as provas de diferentes universidades. Um dos assuntos mais abordados é sem dúvida o da redação, não é verdade? Os conselhos não faltam e, em muitos casos, busca-se ensinar alguns expedientes de estudo e de prática para que o candidato obtenha uma redação perfeita.

É claro que você gostaria de fazer redações perfeitas em exames vestibulares. Quem não quer? É preciso, porém, cautela e realismo. Cautela, no sentido de não acreditar que, em pouco tempo, em qualquer atividade humana, se possa atingir o nível da perfeição. Aqui é preciso também usar de realismo: será que todas as universidades exigem que os vestibulandos apresentem redações perfeitas? Claríssimo que não. Não se espera que um estudante de 18 anos tenha tal domínio de discurso. Alguns podem ter? Alguns podem escrever ótimas redações. As bancas de elaboração e correção levam em consideração a faixa etária predominante dos candidatos e esperam que muitos apresentem textos adequadamente construídos. E o que deve ter uma dissertação de vestibular para ser assim considerada? Observar a norma-padrão, abordar o tema proposto, apresentar estrutura bem delineada (introdução, desenvolvimento, conclusão) e desenvolver de modo coerente o argumento escolhido, já que a proposta de redação sempre pede posicionamento do candidato ante um problema.

A esse respeito, não se preocupe muito se alguém disser que uma redação perfeita deve ter “estilo”. Estilo é um critério estético, válido na arte literária. A correção de redações de exames vestibulares não se serve desse critério. Mais importante, no caso, é o raciocínio que alimenta seus argumentos para defender seu ponto de vista. Mesmo assim, o raciocínio não é critério absoluto. Numa prova de redação dissertativa está em jogo a redação, isto é, a capacidade de expressão clara e coerente de uma argumentação, mesmo que o raciocínio que sustenta tal argumentação, sob o ponto de vista da Lógica, possa ter alguns defeitos. O que pesa mais, portanto, é a clareza e a coerência do discurso com que você inicia e encerra a redação.

Também não se preocupe demasiadamente com o tema ou com adivinhar ou antecipar os temas que serão solicitados. No caso das propostas de redação dos vestibulares da Unesp, por princípio o tema da redação deve ser do cotidiano e da esfera de experiência do candidato. O que está em julgamento não é se o candidato conhece o tema, mas se o candidato, conhecedor de um tema, é capaz de fazer uma dissertação razoável a respeito. Esta deve ser a sua preocupação constante nas redações simuladas que faz, tanto em sala de aula como em casa: delinear muito bem para você mesmo seu ponto de vista e moldar a argumentação com que vai defendê-lo.

Pense na sua redação, sempre, como um prédio que observa em certa rua. Não é o melhor prédio da cidade, mas está bem construído, tem boas proporções e linhas harmônicas. Observando com muita atenção, você encontrará um defeitinho aqui, outro ali, mas o edifício está bem construído e acabado. Um bom texto é também assim: pode ter um probleminha aqui, outro ali, embora, no todo, esteja bem planejado e executado. Deve ser perfeito? Deve ser adequado.

Você poderia perguntar, enfim, só para provocar um pouco o blogueiro: Mas existe texto perfeito? Os textos literários não são perfeitos? Com a mesma malícia da pergunta, é possível responder que não. Nenhum texto é perfeito, nem mesmo os melhores textos literários. Um crítico literário exigente pode encontrar mesmo nos melhores textos literários um probleminha aqui, outro ali, o que não lhes tira de nenhum modo a qualidade e o mérito que todos os leitores neles encontram. Alguns escritores, aliás, enquanto viveram, foram fazendo pequenas alterações a cada nova edição de seus textos. E, se tivessem vivido mais, teriam continuado essa tarefa de polimento.

Por todas estas razões, depois de fazer sua prova de redação, não fique tão preocupado se lembrar que poderia arrumar uma coisinha aqui, outra ali. As bancas sabem que você fez, dentro do exíguo tempo de que dispunha, o possível para tornar seu texto adequado. É isso o que vale!