Arquivo de 8 de agosto de 2012

Você conhece bem suas opiniões?

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A pergunta que serve de título a este artigo parece absurda, não acha? Claro que eu conheço bem minhas opiniões! você dirá, num primeiro momento de indignação; logo mais, pensando um pouco melhor, começará a ter dúvidas, sobretudo a respeito de algumas de suas opiniões, e com isso descobrirá que o título deste artigo não é destituído de lógica, como imaginou numa primeira leitura.

Eis a questão: temos opiniões sobre muitas coisas, muitos temas, muitos fatos. Mas será que conhecemos bem cada uma destas nossas opiniões para estarmos seguros num debate ou para manifestarmos por escrito em discurso muito bem fundamentado? Nem sempre. Se muitas de nossas opiniões são bem claras e definidas, surgidas da experiência e da reflexão, outras tantas acabam sendo superficiais, incompletas, precárias, provavelmente porque não nos interessou ou não foi necessário em nenhum momento aprofundá-las. Quando você afirma que conhece bem um assunto, quer dizer que refletiu bastante a respeito, escolheu um posicionamento e reuniu argumentos e provas para qualquer conversa com amigos, debate em sala de aula ou exposição dissertativa em um texto: Tenho opinião formada sobre esse assunto! você dirá, nesse caso. Muitos assuntos, porém, embora conhecidos por você, não estão tão bem cercados por seu conhecimento e experiências, de modo que, mesmo tendo opinião a respeito, não se sentirá muito seguro numa conversa com colegas ou num debate, pois haverá vazios em sua argumentação que você não poderá preencher na hora. O título do artigo vem muito a propósito: Você conhece bem suas opiniões? Resposta sensata: Conheço muito bem algumas delas; outras, nem tanto!

As considerações apresentadas nos parágrafos acima têm a finalidade de alertá-lo sobre o perigo de não ter opiniões bem formadas a respeito de certos assuntos, sobretudo daqueles que usualmente são utilizados para a proposição de temas de redações em exames vestibulares e concursos. A grande maioria dos exames vestibulares de diferentes universidades solicita redação de gênero dissertativo sobre determinado tema. E a maioria desses temas surge de fatos e eventos relacionados com a época presente e os problemas que a sociedade enfrenta. Como um estudante jovem, bem informado, você acredita estar preparadíssimo para esses temas. Infelizmente, para alguns deles, não atingiu o nível de aprofundamento necessário a fundamentar uma boa dissertação. Se o tema for solicitado, haverá dificuldades em desenvolvê-lo.

Este é o ponto: preparar-se para fazer uma boa redação em exame vestibular não se reduz apenas a aprimorar seu discurso e seu vocabulário; é preciso dominar todo o circuito de cada um dos assuntos que poderão gerar temas de redações. No Vestibular de Meio de Ano da Unesp, por exemplo, foi solicitada redação dissertativa sobre as queimadas na agricultura brasileira. Parece um tema banal, muito fácil. Será que é mesmo? Será que você, com seus conhecimentos, suas leituras e reflexões cercou todo o tema, a ponto de expressar seu julgamento, sua posição pessoal a respeito e apresentar proposta ou propostas de solução para esse grave problema em nosso país? Se não conseguiu esse domínio, por certo percebeu que não tinha opinião formada sobre o tema. Opinar é fácil: Eu acho que isso é assim. E daí? Ter opinião formada é um pouco mais trabalhoso, pois implica manifestar posicionamento pessoal, ponderar a respeito dos problemas que envolvem o tema proposto, argumentar e propor soluções. Resumindo: ter opinião formada é dominar todo o circuito de um tema, que vai do posicionamento inicial à conclusão final, da constatação de um problema à proposta de solução.

Eis aí um caminho para você percorrer em seu programa de estudos para os próximos exames vestibulares: avaliar suas opiniões a respeito de muitos assuntos e tratar de formar melhor aquelas em que você detectar alguns pontos fracos. É interessante exemplificar este fato com uma imagem do futebol: chutar a bola em direção à meta é fácil, qualquer jogador pode fazê-lo, mas chutar de modo a que a bola descreva um arco em seu trajeto e engane o goleiro, penetrando no ângulo, isso já requer uma prática e um domínio bem maior, que só os atletas mais caprichosos e determinados conseguem obter.

Pense nisso e marque seu gol de placa!