Arquivo de 20 de julho de 2012

A metonímia da Unesp feliz

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Seus professores já lhe explicaram muitas vezes que, quando você fala ou escreve, utiliza com maior ou menor grau de consciência certos recursos, especialmente quando quer que seu ouvinte ou leitor apreenda a mensagem com maior expressividade. A metáfora é um desses recursos: para dizer que um jogador de futebol atuou com muito empenho, um torcedor pode dizer a outro que o atleta foi um leão em campo. A imagem do leão, animal belo e vigoroso a correr pela mata, é muito mais expressiva e convincente do que a afirmação de que o jogador se esforçou bastante durante a partida. Ao mesmo tempo, essa imagem carrega também a admiração do torcedor quanto à atuação do atleta. As metáforas, que consistem no emprego de uma palavra por outra com base numa relação de similaridade de sentidos, são bastante comuns tanto na comunicação oral como na escrita. Ao aprendermos a falar e escrever, desde pequenos, aprendemos também a empregar metáforas.

A metonímia é outro desses recursos expressivos que você usa desde criança com naturalidade. Consiste no emprego de uma palavra por outra com base numa relação de contiguidade lógica de sentidos. Algum dia você pode ter falado que gostava de ouvir Chopin, querendo dizer, na verdade, que gostava de ouvir a música de Chopin. Nesse caso, você empregou a palavra que indica o autor, Chopin, em lugar da palavra que indica a música por ele criada. É algo semelhante a afirmar que a panela está fervendo, quando na verdade é a água que está fervendo dentro da panela. Nesse caso, você empregou a palavra que indica o continente (panela) em lugar da palavra que indica o conteúdo  (água).

Essas figuras expressivas, portanto, não são artigos de luxo para utilizar de vez em quando, nem tampouco expedientes exclusivos de poetas e grandes escritores. Ao contrário, são mecanismos usuais do discurso falado e do discurso escrito, de sorte que você ficaria muito surpreso se pudesse contar o número de metáforas e metonímias que utilizou, por exemplo, ao longo dos últimos doze meses. Pode ter certeza de que foi um número bastante elevado. E você não teve plena consciência ao utilizá-las em virtude do próprio automatismo que preside a produção do discurso. É claro que, no caso de reler um texto que escreveu, você pode considerar que certa metáfora ou certa metonímia não ficou lá muito bem e decidir trocar por outra ou pela palavra que expressa o sentido próprio. Perfeitamente. Mas, nesse caso, você estará num segundo plano da produção do texto, fazendo uma revisão para torná-lo ainda mais eficiente.

A propósito, um exemplo que ficou muito bem podemos encontrar numa frase como A Unesp está feliz com as matrículas do vestibular de inverno. Na verdade, temos aí uma bela metonímia: o emprego da palavra que indica a instituição em lugar da palavra que indica as pessoas que fazem parte da instituição. São as pessoas que fazem parte da Unesp que ficam felizes durante o período das matrículas, porque sentem que todo o seu trabalho frutificou. Ops! reparou que frutificou foi empregado metaforicamente, sem que o blogueiro percebesse?

É isso aí. Não pense mais que metáforas e metonímias sejam recursos puramente literários, que você não saberia usar. Sabe, sim. Usa costumeiramente e de modo bastante eficiente. E saiba também que todos os que integramos a Unesp o recebemos felizes, de braços abertos, para que realize aqui o seu sonho de se formar numa grande universidade.

Seja bem-vindo!