Arquivo de 12 de abril de 2012

Escrever é preciso? Sim, demais!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Agora que o Vestibular Unesp Meio de Ano está próximo, você por certo estará pensando em como obter aqueles pontinhos a mais, aqueles preciosos pontinhos a mais para conseguir finalmente obter sua vaga. Certo? É isso mesmo. Você sabe que a aprovação num exame vestibular não implica grandes, mas pequenas diferenças em termos de notas. Por vezes, mínimas diferenças. A questão, deste modo, para aqueles que quase conseguiram é descobrir como neutralizar, pelo rendimento nas provas, essa pequena diferença.

O problema é que provas são provas e pessoas são pessoas. Certa prova de um vestibular foi para você mais fácil, mas no próximo vestibular pode acontecer o contrário e o ponto que naquela foi ganho é perdido nesta. O que fazer? Estudar mais? Sim, estudar cada vez mais é sempre necessário. Há, porém, um componente dos vestibulares em que se pode obter rendimento maior, desde que assumida a necessária estratégia: a redação. Sim, a redação. Por quê? Porque a redação vale sempre nos exames uma boa parte da nota. E é na redação que se pode melhorar sempre, cada vez mais, até atingir um nível em que, qualquer que seja o tema, o candidato sempre tirará uma boa nota. Como fazer isso? Acabamos de usar a palavra: estratégia.

Você sabe como estudar, como fazer anotações, como memorizar fórmulas e dados. Mas sabe como “estudar” para a redação? Se sabe, é daqueles que sempre têm ótimo desempenho e, neste caso, precisa melhorar mesmo é no rendimento das diferentes disciplinas. Mas, se não sabe, aqui vai um bom plano.

Primeiro: partindo do princípio de que você já tem uma boa bagagem dos ensinos fundamental e médio, observe que a redação nos vestibulares da Unesp sempre focaliza temas do cotidiano, isto é de todos os dias, que são apresentados e discutidos nos jornais, nas revistas, nos programas de televisão, na internet. São temas que você conhece. Só conhecer os temas, entretanto, não basta; é precisor conhecer muito bem os temas. De que modo? Informando-se, lendo, interessando-se, provocando debates com seus colegas e familiares. O conhecimento dos temas é, como se diz vulgarmente, o grande “tchan” da prova de redação. Quem domina a questão da poluição ambiental escreve com naturalidade e riqueza de detalhes sobre o assunto, consegue manifestar sua opinião com facilidade, porque essa opinião não surge na hora do exame, mas foi fixada bem antes, quando lia a respeito, quando debatia com seus colegas, quando refletia e imaginava soluções para os problemas que o planeta experimenta hoje. Entendido? Então estabeleça seu plano: verifique os temas de redação apresentados pelos últimos cinco ou dez exames de grandes universidades, organize-os em conjuntos, de acordo com o assunto abordado e trate de preparar-se intensamente, lendo tudo o que encontrar a respeito, assistindo a programas nas emissoras de televisão e até mesmo provocando seus professores de redação a dar-lhe mais informações e dicas a respeito.

Isso basta? Não basta. Há outra tática a estabelecer: você precisa assimilar formas de dissertação e argumentação. Não em livros de teoria, é claro, mas na prática, lendo. Uma das melhores formas de aprender a escrever bem é ler bem. Você encontra exemplos de dissertação em seus livros escolares, em suas apostilas, nos milhares de sites da internet que focalizam os mais variados assuntos. Uma das melhores formas de assimilar o discurso dissertativo e a argumentação é na leitura de artigos em jornais e revistas. Nas primeiras páginas dos principais jornais e ao longo das principais revistas em circulação no país, você encontra artigos escritos por jornalistas, professores universitários, escritores, economistas, políticos. Todos esses artigos lhe fornecem o modelo de discurso na norma-padrão e exemplos concretos de como estabelecer uma linha argumentativa, um plano para uma pequena dissertação. Os articulistas de jornais e revistas têm problema semelhante ao que você terá no vestibular: pouco espaço, poucas linhas para iniciar e fechar uma argumentação sobre certo tema. Por isso mesmo funcionam como ótimos exemplos. Faça da leitura desses artigos um hábito diário, leia mais de uma vez o artigo que você apreciou bastante, anote os recursos de que lançou mão o escritor para convencer o leitor. Captou? Todo bom escritor é, em primeiro lugar, um bom leitor.

Conhecer bem o tema e ler textos dissertativos vão melhorar sua nota de redação? Claro que vão. Há, todavia, outro recurso muitíssimo importante, que pode fazer você aumentar em muito seu rendimento. Qual? Aquele que todos os seus professores, desde o ensino fundamental, vêm repetindo, sem que talvez você tenha percebido adequadamente o potencial: para escrever bem é preciso escrever, escrever, escrever, escrever, escrever… Você nunca escreverá bem, se não escrever habitualmente. Os jornalistas escrevem bem porque escrevem o tempo todo, diariamente. A escritura é como o exercício físico: é pela repetição e pela frequência dos exercícios físicos que você adquire uma ótima forma e fica forte e musculoso. E é pela repetição do exercício de escrever que você se torna um bom escritor. Não há outro caminho. Não há manuais de redação milagrosos que façam você num segundo, misteriosamente, sem prática alguma, escrever maravilhosas dissertações. Isso é conto de fadas. Encare a realidade: escrever bem é o resultado atual de um hábito de escrever. Valeu a dica?

Ora, se você seguir direitinho esses três caminhos de estudo de redação, por certo melhorará em muito sua capacidade de escrever e, com isso, poderá receber aqueles pontinhos a mais necessários para obter sua vaga. Mais que isso: escrever bem, sobretudo textos dissertativos, é um recurso fantástico que lhe será útil em muitíssimas ocasiões, sobretudo profissionalmente, ao longo de sua vida. Quem fala e escreve bem possui as mais poderosas armas, aquelas que o tornam capaz de comunicar a seus ouvintes ou leitores, com cem por cento de clareza, a sua opinião.

Um pequeno acréscimo, antes de terminar: atenção para o vocabulário. As palavras são os instrumentos mais importantes de nossa capacidade de falar e de escrever, porque transportam os significados, os conceitos. Por isso, aumentar cada vez mais o vocabulário é tornar-se capaz de expressar com facilidade os mais diversos conteúdos. Aqui também é preciso estabelecer um hábito: anotar cada palavra desconhecida e procurar imediatamente seu significado, para assimilá-lo. Hoje, no mundo da internet, é ainda mais fácil: basta digitar a palavra num programa buscador e os possíveis significados e aplicações surgem de imediato. Não é preciso mais consultar aqueles pesados, velhos e massudos dicionários e enciclopédias, que, apesar de tudo, serviram a seus avós e seus pais para ganharem um bom vocabulário. Mas aqui vem o lado oposto da responsabilidade: se você não adquirir um bom vocabulário com tanta facilidade que a internet lhe traz, é porque… bem não é preciso completar a frase.

Boa redação a você!