Archive for April, 2012

A Lei de Murphy e a leitura de questões

Wednesday, April 25th, 2012

A Lei de Murphy já foi abordada neste Blogue, a propósito dos dias dos exames, em que uma distração ou um atraso podem levar o candidato a perder o horário de entrada.

Embora esta lei, que o blogueiro faz questão de escrever com inicial maiúscula, seja muitas vezes tomada como pura anedota, brincadeira, piadinha, na verdade é uma das observações mais inteligentes a respeito dos eventos que envolvem toda a vida dos seres humanos e provavelmente até dos não humanos que vivem em planetas distantes. Se alguma coisa pode dar errado, dará, reza o enunciado fundamental de Murphy, que acaba conduzindo naturalmente a outro: Se alguma coisa pode dar certo, dará errado. Brincadeira? De jeito nenhum! É o resultado de uma refinada observação da realidade.  Você até poderá dizer que esse enunciado não alcança todos os acontecimentos, já que às vezes o que pode dar errado acaba dando certo. Corretíssima a sua observação, mas é também o caso de perguntar: Você está disposto, num momento importantíssimo de sua vida, a desafiar a possibilidade de erro?

Qualquer que seja a sua resposta à questão acima, você terá percebido a filosofia da Lei de Murphy, que, trocando em miúdos, é a filosofia do alerta: em qualquer evento, por mais promissor que pareça, é preciso estar sempre alerta para a possibilidade de fracasso. Estou preparadíssimo! Não vou fracassar! são frases otimistas, positivas; vale a pena pensar e agir de acordo com elas? Sim, mas a Lei de Murphy dá uma chegadinha e acrescenta: pelo menos como método, meu caro,1 aceite que, apesar de todo esse preparo, alguma coisa pode dar errado! Recue um passo para ver melhor, antes de agir. Por quê? Porque na sua própria experiência de vida já ocorreu esse fato algumas vezes: algo podia dar errado e deu mesmo! Ou, pior ainda: algo só podia dar certo, e deu errado! E se deu errado foi porque esse “só podia dar certo” tinha chances de falhar e você não notou, talvez por excessivo otimismo. Moral da história: esse negócio de que um evento tem todas as condições de dar certo não passa de mera ilusão; em todos os empreendimentos humanos, por mais cuidadosos que sejam, a possibilidade de erro é uma constante. Segunda moral da história: otimismo é bom, mas ponha uns cinco por cento de pessimismo nele, para compensar.

Todo este comentário bem-humorado é apenas introdução ao tema de hoje deste Blogue: a leitura do enunciado da questão objetiva, que tecnicamente é denominado raiz, e a leitura das alternativas, que disputam o cargo de resposta correta. Na questão objetiva, a resposta está sempre ali, objetivamente mesmo, é uma das cinco alternativas, é a alternativa que completa logicamente o que estabelece a raiz. Mas qual? Se você estudou muito e conhece todo o conteúdo da área, por certo imagina que não terá grandes dificuldades em encontrar a resposta correta. Não imagine. Pense em Murphy e recite, mentalmente, a lei da não-reciprocidade, que Millôr Fernandes enuncia com graça em seu livro sobre a Lei de Murphy: Tudo o que é certo acaba dando errado; o contrário só de raro em raro. Então releia a a raiz da questão minuciosamente e confira se a alternativa escolhida combina exatamente com o enunciado. Combina? Combina cem por cento? Ótimo! Você driblou a possibilidade de fracasso.

A mesma atitude vale para o caso da questão de cuja resposta você não tem grande certeza. Recue, releia a raiz, questione a alternativa que considera mais provável e suponha que ela tem um defeito não detectado na primeira leitura. É muito possível que, com essa releitura desconfiada, você se depare com um detalhe não observado antes e descubra a resposta correta.

Nesse caso, que é que você fez, de fato? Fez o que as questões objetivas solicitavam: foi objetivo, como elas. Com Murphy dando uma mãozinha, é claro! E se continuar objetivo em todas as questões, por certo terá um resultado excelente. E não terá o desprazer de, ao lembrar da prova em casa, resmugar, aborrecido: Ora bolas! Cometi um erro bobo na leitura daquela questão! Onde é que eu estava com a cabeça?

A Lei de Murphy, para dizer a verdade, ensina exatamente isso: onde deve estar a nossa cabeça.

 

Palavras perigosas: emigrante, imigrante

Friday, April 20th, 2012

Você já leu outros artigos postados neste Blogue sobre palavras que podem ser consideradas perigosas no uso diário de jornalistas e escritores em geral, entre os quais você está necessariamente enquadrado, já que a tarefa de escrever redação em vestibular é de verdadeiro escritor. Pois atente agora para outro par bastante insidioso, que pode criar contextos realmente problemáticos em sua redação ou na redação de suas respostas a questões discursivas, quando mal empregado: emigrante e imigrante. Esse mau emprego ocorre com certa frequência.

O perigo, como em outros numerosos casos, surge do fato de emigrante e imigrante serem palavras parônimas, vale dizer, quase idênticas pela pronúncia e pela escrita, de modo que trocar uma pela outra, quando não dominamos os respectivos significados, é muito comum. Você por certo já ouviu algum desastrado falar (ou até mesmo escrever) frases como esta: Os emigrantes japoneses trouxeram grande contribuição ao Brasil. Vale comentar que a troca de i por e no início, meio ou fim de vocábulos não é rara no português coloquial, e em certos casos não provoca qualquer problema no plano da significação, como, por exemplo, pronunciar menino ou minino, quase ou quasi, estava ou istava. São variações aceitáveis no discurso oral. Já no caso dos pares de palavras emigrar/imigrar, emigração/imigração e emigrante/imigrante tomar e- por i- ou i- por e- é fatal para o conteúdo, quer na fala, quer na escrita.

Para bem entender a questão e não correr nenhum risco de equívoco futuro, observe que migrar significa mudar de uma região para outra, de um país para outro. Migrante, portanto, é quem migra, ou seja, quem faz migração. Você estudou em História que já no paleolítico sucessivos distúrbios climáticos causaram migrações de populações do Oriente para o Ocidente, e que a própria formação dos povos da Europa resultou de grandes migrações. Hoje em dia, fala-se até, figuradamente, em migrações de cérebros, isto é, cientistas de países ainda não desenvolvidos que vão trabalhar e morar em países desenvolvidos, como os Estados Unidos. Os países menos desenvolvidos consideram essa migração de cérebros uma grande perda.

Até este ponto, tudo bem, nenhum problema de sentido. A origem da encrenca está no latim, em que se formaram os verbos emigrar e imigrar (respectivamente, no latim, emigrare e immigrare). E o português trouxe emprestados os dois verbos com os sentidos: emigrar é deixar um país ou região para viver em outro ou outra, e imigrar é entrar num país e nele fixar-se. Neste sentido, populações de japoneses, alemães, poloneses, italianos, etc., etc., desde finais do século XIX e durante o século XX emigraram de seus países. Do ponto de vista da origem, eram emigrantes. Do ponto de vista do país a que vieram, no caso, o Brasil, aquelas populações imigraram. Por isso, meu professor de português sempre dizia que era neto de imigrantes poloneses, isto é, seus avós eram poloneses que deixaram seu país de origem para viver definitivamente no Brasil.

Para eliminar de vez suas dúvidas, preste atenção neste fato: atualmente, o Brasil deixou de ser um país de imigração para se tornar também um  país de emigração. Como assim? Muitíssimos brasileiros deixam o país e passam a trabalhar e viver nos Estados Unidos e em muitos países da Europa e até mesmo da Ásia. São, portanto, para nós, emigrantes e, para os países em que ingressam, imigrantes.

Ficou bem claro agora? Então, muito cuidado para não resvalar na pronúncia do e- e do i-, quando falar, e não se equivocar na grafia, quando escrever. Afinal, talvez você também seja descendente de imigrantes. Ou não é?

 

Escrever é preciso? Sim, demais!

Thursday, April 12th, 2012

Agora que o Vestibular Unesp Meio de Ano está próximo, você por certo estará pensando em como obter aqueles pontinhos a mais, aqueles preciosos pontinhos a mais para conseguir finalmente obter sua vaga. Certo? É isso mesmo. Você sabe que a aprovação num exame vestibular não implica grandes, mas pequenas diferenças em termos de notas. Por vezes, mínimas diferenças. A questão, deste modo, para aqueles que quase conseguiram é descobrir como neutralizar, pelo rendimento nas provas, essa pequena diferença.

O problema é que provas são provas e pessoas são pessoas. Certa prova de um vestibular foi para você mais fácil, mas no próximo vestibular pode acontecer o contrário e o ponto que naquela foi ganho é perdido nesta. O que fazer? Estudar mais? Sim, estudar cada vez mais é sempre necessário. Há, porém, um componente dos vestibulares em que se pode obter rendimento maior, desde que assumida a necessária estratégia: a redação. Sim, a redação. Por quê? Porque a redação vale sempre nos exames uma boa parte da nota. E é na redação que se pode melhorar sempre, cada vez mais, até atingir um nível em que, qualquer que seja o tema, o candidato sempre tirará uma boa nota. Como fazer isso? Acabamos de usar a palavra: estratégia.

Você sabe como estudar, como fazer anotações, como memorizar fórmulas e dados. Mas sabe como “estudar” para a redação? Se sabe, é daqueles que sempre têm ótimo desempenho e, neste caso, precisa melhorar mesmo é no rendimento das diferentes disciplinas. Mas, se não sabe, aqui vai um bom plano.

Primeiro: partindo do princípio de que você já tem uma boa bagagem dos ensinos fundamental e médio, observe que a redação nos vestibulares da Unesp sempre focaliza temas do cotidiano, isto é de todos os dias, que são apresentados e discutidos nos jornais, nas revistas, nos programas de televisão, na internet. São temas que você conhece. Só conhecer os temas, entretanto, não basta; é precisor conhecer muito bem os temas. De que modo? Informando-se, lendo, interessando-se, provocando debates com seus colegas e familiares. O conhecimento dos temas é, como se diz vulgarmente, o grande “tchan” da prova de redação. Quem domina a questão da poluição ambiental escreve com naturalidade e riqueza de detalhes sobre o assunto, consegue manifestar sua opinião com facilidade, porque essa opinião não surge na hora do exame, mas foi fixada bem antes, quando lia a respeito, quando debatia com seus colegas, quando refletia e imaginava soluções para os problemas que o planeta experimenta hoje. Entendido? Então estabeleça seu plano: verifique os temas de redação apresentados pelos últimos cinco ou dez exames de grandes universidades, organize-os em conjuntos, de acordo com o assunto abordado e trate de preparar-se intensamente, lendo tudo o que encontrar a respeito, assistindo a programas nas emissoras de televisão e até mesmo provocando seus professores de redação a dar-lhe mais informações e dicas a respeito.

Isso basta? Não basta. Há outra tática a estabelecer: você precisa assimilar formas de dissertação e argumentação. Não em livros de teoria, é claro, mas na prática, lendo. Uma das melhores formas de aprender a escrever bem é ler bem. Você encontra exemplos de dissertação em seus livros escolares, em suas apostilas, nos milhares de sites da internet que focalizam os mais variados assuntos. Uma das melhores formas de assimilar o discurso dissertativo e a argumentação é na leitura de artigos em jornais e revistas. Nas primeiras páginas dos principais jornais e ao longo das principais revistas em circulação no país, você encontra artigos escritos por jornalistas, professores universitários, escritores, economistas, políticos. Todos esses artigos lhe fornecem o modelo de discurso na norma-padrão e exemplos concretos de como estabelecer uma linha argumentativa, um plano para uma pequena dissertação. Os articulistas de jornais e revistas têm problema semelhante ao que você terá no vestibular: pouco espaço, poucas linhas para iniciar e fechar uma argumentação sobre certo tema. Por isso mesmo funcionam como ótimos exemplos. Faça da leitura desses artigos um hábito diário, leia mais de uma vez o artigo que você apreciou bastante, anote os recursos de que lançou mão o escritor para convencer o leitor. Captou? Todo bom escritor é, em primeiro lugar, um bom leitor.

Conhecer bem o tema e ler textos dissertativos vão melhorar sua nota de redação? Claro que vão. Há, todavia, outro recurso muitíssimo importante, que pode fazer você aumentar em muito seu rendimento. Qual? Aquele que todos os seus professores, desde o ensino fundamental, vêm repetindo, sem que talvez você tenha percebido adequadamente o potencial: para escrever bem é preciso escrever, escrever, escrever, escrever, escrever… Você nunca escreverá bem, se não escrever habitualmente. Os jornalistas escrevem bem porque escrevem o tempo todo, diariamente. A escritura é como o exercício físico: é pela repetição e pela frequência dos exercícios físicos que você adquire uma ótima forma e fica forte e musculoso. E é pela repetição do exercício de escrever que você se torna um bom escritor. Não há outro caminho. Não há manuais de redação milagrosos que façam você num segundo, misteriosamente, sem prática alguma, escrever maravilhosas dissertações. Isso é conto de fadas. Encare a realidade: escrever bem é o resultado atual de um hábito de escrever. Valeu a dica?

Ora, se você seguir direitinho esses três caminhos de estudo de redação, por certo melhorará em muito sua capacidade de escrever e, com isso, poderá receber aqueles pontinhos a mais necessários para obter sua vaga. Mais que isso: escrever bem, sobretudo textos dissertativos, é um recurso fantástico que lhe será útil em muitíssimas ocasiões, sobretudo profissionalmente, ao longo de sua vida. Quem fala e escreve bem possui as mais poderosas armas, aquelas que o tornam capaz de comunicar a seus ouvintes ou leitores, com cem por cento de clareza, a sua opinião.

Um pequeno acréscimo, antes de terminar: atenção para o vocabulário. As palavras são os instrumentos mais importantes de nossa capacidade de falar e de escrever, porque transportam os significados, os conceitos. Por isso, aumentar cada vez mais o vocabulário é tornar-se capaz de expressar com facilidade os mais diversos conteúdos. Aqui também é preciso estabelecer um hábito: anotar cada palavra desconhecida e procurar imediatamente seu significado, para assimilá-lo. Hoje, no mundo da internet, é ainda mais fácil: basta digitar a palavra num programa buscador e os possíveis significados e aplicações surgem de imediato. Não é preciso mais consultar aqueles pesados, velhos e massudos dicionários e enciclopédias, que, apesar de tudo, serviram a seus avós e seus pais para ganharem um bom vocabulário. Mas aqui vem o lado oposto da responsabilidade: se você não adquirir um bom vocabulário com tanta facilidade que a internet lhe traz, é porque… bem não é preciso completar a frase.

Boa redação a você!

 

Meio de Ano: 465 vagas

Wednesday, April 4th, 2012

Agora estamos muito perto. No próximo dia 16 será iniciado, via internet, o processo de inscrição para o Concurso Vestibular Unesp Meio de Ano 2012. São 465 vagas, distribuídas pelas seguintes áreas e unidades da Unesp:

Área de Ciências Biológicas

Agronomia – integral – FE/Ilha Solteira – 40 vagas
Agronomia – integral – Registro – 40 vagas
Zootecnia – integral – Dracena – 40 vagas
Zootecnia – integral – FE/Ilha Solteira – 40 vagas

Área de Ciências Exatas

Engenharia Ambiental – integral – Sorocaba – 60 vagas
Engenharia Civil – integral – FE/Ilha Solteira – 40 vagas
Engenharia de Controle e Automação – integral – Sorocaba – 40 vagas
Engenharia de Produção – noturno – FE/Bauru – 40 vagas
Engenharia Elétrica – integral – FE/Ilha Solteira – 40 vagas
Engenharia Mecânica – integral – FE/Ilha Solteira – 40 vagas

Área de Humanidades

Geografia – Bacharelado e Licenciatura – noturno – Ourinhos – 45 vagas

Como de praxe, os exames serão realizados em duas fases, a primeira no dia 3 de junho e a segunda nos dias 23 e 24 de junho. É uma grande oportunidade para aqueles candidatos que, com o esforço despendido nos últimos anos, estiveram muito próximos de obter aprovação nos vestibulares do início do ano. E os cursos oferecidos são excelentes, oferecendo os mesmos padrões de qualidade que fizeram da Unesp uma das mais importantes universidades públicas brasileiras. Vale lembrar que o vestibular de meio de ano da Unesp foi criado em virtude da data de implantação de novas unidades e dos próprios cursos.
Em 2011 houve recorde de inscritos no meio do ano, com 12.375 candidatos disputando 510 vagas, estimando-se uma procura ainda maior em 2012. Esta grande procura se deve, entre outros fatores, à alta qualidade dos vestibulares da Unesp, fundamentados nos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio e na Proposta Curricular do Ensino de São Paulo: as provas têm caráter abrangente e visam avaliar as competências dos candidatos como um todo, sem apelo a dados de memorização. Por este motivo, entre os inscritos não são poucos os chamados treineiros, candidatos que ainda não encerraram o ensino médio e pretendem avaliar suas possibilidades futuras, como também candidatos que, em pleno preparo para os vestibulares de final de ano, buscam verificar o quanto ainda falta para estarem nas condições pretendidas. São fatos perfeitamente normais, que ocorrem na maioria dos grandes vestibulares, como o demonstra a própria criação do termo treineiro, ocorrida há muitos anos. Tratando deste fato com seriedade, a Unesp oferece aos treineiros a possibilidade de passar para a segunda fase dos exames, bem como, nos resultados finais, conhecer o ranking em que estariam colocados. Assim também, para evitar problemas em termos de matrículas, a resolução que regulamenta os Vestibulares Meio de Ano da Unesp exige que os candidatos classificados na lista final declarem, no horário e forma estabelecidos pela Vunesp, seu interesse pela vaga. Sem esta declaração de interesse, não serão convocados para a matrícula.
Está aí uma nova e valiosa oportunidade para você. Não deu certo no começo do ano, dará agora. O negócio é arregaçar as mangas, continuar intensamente o preparo e prestar os exames. Seu sucesso está muito próximo.