Arquivo de 8 de fevereiro de 2012

Matrículas, alegria, moderação

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O momento de matrícula é único. É uma sensação diferente de todas as que foram experimentadas anteriormente. É um passo… não, é o passo, o grande passo sonhado para o curso sonhado na universidade sonhada. Algumas pessoas sentem o momento sem expressar o que sentem, guardam para si como tesouro escondido, tesouro conquistado a duras penas, com sacrifício, com renúncia, percorrendo o caminho das pedras para finalmente chegar ao destino. Outras, extrovertidas, não conseguem guardar para si, buscam dividir com todos os que estão por perto a alegria que brotou no momento de ver o nome na lista e agora se expande com a confirmação da matrícula. E assim, entre rostos sisudos e rostos descontraídos, jubilosos, se processam as matrículas. Terminou a aventura. Vai começar a aventura. E que aventura!

Agora é para valer. Tudo o que se fizer terá consequências diretas para a formação buscada. A universidade é um paraíso, mas, ao mesmo tempo, é um mosteiro. Será preciso, com jeitinho, saber contrabalançar esses contrários, aproveitando as delícias do paraíso, as confraternizações, as festividades, as festas, os encontros, os esportes, com a dureza das horas de leitura, de consulta na internet, de trabalho nos laboratórios, de estágios. Mosteiro, sim, porque estudar é, de certo modo rezar, é orar para o conhecimento, para a Ciência, para a Formação, para o Futuro. E, às vezes, no meio de tudo, para aqueles que estão longe de casa, estudar em universidade é também curtir a tristeza e as saudades dos pais e parentes, dos namorados e namoradas, da turminha de amigos, da banda de rock, das noitadas, que ficaram lá na cidade de origem e, talvez, não voltem mais. Na verdade, do mesmo e exato modo, não voltarão, embora possam assumir, na volta, uma configuração até melhor.

Uma receita para conciliar esses aparentes contrários? Moderação. A virtude está no meio, já diziam os antigos. O percurso da universidade é como a Odisseia: você viaja por uma vasta e desconhecida região e é preciso ser prudente, por vezes até matreiro, como Ulisses, para saber os momentos certos de marchar e de parar, de avançar ou de recuar, de ultrapassar obstáculos ou de desviá-los, de dar duro, muito duro, ou divertir-se, divertir-se para valer até que seja necessária a próxima façanha. Lá adiante, Penélope nos espera para a felicidade prometida.